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Roman Polanski é um diretor à moda antiga - no bom sentido. Descendente direto da escola polonesa de fazer cinema, ele é um mestre na (quase perdida) arte de manipular o público e contar histórias através de imagens, atuações e música trabalhando em conjunto.

Exemplo disso acontece em "O Bebê de Rosemary" (1968). Em uma cena aparentemente normal, que sequer é lembrada como uma das mais famosas do filme, Polanski fez um enquadramento que tem um toque de gênio, aquele pequeno detalhe que separa os grandes diretores dos meros fazedores de filmes.

Em uma cena onde uma personagem saía da sala e entrava no quarto para fazer um telefonema, o diretor de fotografia William Fraker fez o enquadramento perfeito, colocando a personagem exatamente no lugar certo. Polanski viu a cena, e pediu a ele que afastasse a câmera mais para a direita, até chegar nesse enquadramento:


Fraker não entendeu nada. Como é que um diretor tão famoso e talentoso como Polanski poderia fazer um enquadramento tão porco, desleixado, amadorístico? Deixar o rosto da atriz encoberto pela porta dessa maneira? Contrariado, filmou assim mesmo.

Quando o filme estreiou, e a tal "cena mal-filmada" chegou, Fraker viu o cinema inteiro inclinar a cabeça para a direita na inútil tentativa de ver o rosto da personagem enquanto ela falava ao telefone. Não fazia o menor sentido, afinal, era apenas uma imagem projetada na parede - mas o clima da cena, a narrativa do filme e a sutil ocultação de um detalhe importante deixou todo o público nas mãos do diretor.

Essa maestria na manipulação da atenção, da compreensão e dos sentimentos da platéia é hoje uma arte quase desaparecida, diluída entre as duas escolas predominantes do cinema moderno: os pseudo-comerciais que pensam que estão fazendo filmes para o grande público quando na verdade estão apenas requentando velhos clichês desgastados e desperdiçando dinheiro em filmes que não conseguem se conectar com o público em nenhum nível, e os pseudo-intelectuais que confundem precariedade técnica e preguiça com criatividade e pensam que a linguagem cinematográfica é uma instituição burguesa capitalista falida que deve ser destruída, assim como a Coca-Cola e a Internet.

O futuro, ninguém pode prever.
  Daniel Werneck    terça-feira, outubro 24, 2006
 
 
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