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HOLOCAUSTO CANIBAL: Exibição, Deodato e Remake

fonte: Fangoria


Uma das obras de terror de maior culto, o filme "Holocausto Canibal" (Cannibal Holocaust, Ruggero Deodato, Itália 1980) tem passado por um momento de nova popularidade após a febre "A Bruxa de Blair". Aqui mesmo no Brasil, durante o II Festival de Cinema Fanstástico de Porto Alegre (que ocorreu outubro passado) a fita foi um dos destaques da programação (que contou ainda com "A Grande Guerra Yokai" de Takashi Miike e "Hardware" de Richard Stanley - que eu não consigo assistir sem me morder de vontade de ir correndo fazer um filme sci-fi no meu apartamento). Claro, você terá que procurá-la sob a inversão angloamericana do título: "Canibal Holocausto". É curioso notar como esse filme - assim como tantos outros gore/exploitation do gênero - faz tanto sucesso no Sul, influenciando vários curtas-metragens e exercícios audiovisuais nessa região. Mais até do que em SP, onde os seguidores são muitos e vorazes.

A primeira notícia é que o diretor Ruggero Deodato fará uma ponta em "Hostel 2" de Eli Roth, transformando as participações de diretores extreme numa espécie de tradição da série (no primeiro filme havia a muito simpática, quase incompreensível e totalmente dispensável presença de Takashi Miike). Fico imaginando até que continuação "Hostel" irá se manter até Uwe Boll fazer uma aparição.

A segunda - e essa pegou todo mundo pelas canelas - é que "Holocausto Canibal" foi refilmado. Colocando de modo mais educado, ele serviu de "inspiração não-ambígüa" para o filme "WELCOME TO THE JUNGLE", produzido por Gale Anne-Hurd (produtora de James Cameron), roteirizado e dirigido por Jonathan Hensleigh (de O Justiceiro, roteirista de Duro de Matar: A Vingança e marido de Anne-Hurd, entre outras funções). A notícia vem a cargo de Ryan Rotten para a revista Fangoria. "Welcome To The Jungle" que já está pronto (!) foi feito na surdina e foi exibido recentemente para possíveis distribuidores no American Film Market - AFM. Rotten assistiu ao filme (dizendo-se ao final "nada impressionado") e detalha como somos introduzidos à história real do desaparecimento de Michael Rockefeller antes de acompanharmos as fitas de vídeo reais encontradas na Nova Guiné. A fita é o último registro de um grupo de jovens arrogantes que se aventurou a procurar Rockefeller 40 anos após seu desaparecimento. Hensleigh não poupa nenhuma referência ao original, desde o "estas são as fitas reais" até os jovens personagens absolutamente detestáveis e a quintessencial imagem da donna impalada. Mas nada de roedores e tartarugas violentamente mortos e estripados apenas para efeito barato de choque. Ah, e o filme termina com a música homônima do Guns 'n' Roses - só para ter o prazer de cortar a piada sem graça que você estava criando agora mesmo.

Deodato foi preso à época do lançamento do filme pelas autoridades italianas, que acreditavam se tratar de um verdadeiro snuff movie. De certo modo, não estão erradas - afinal temos sacrifício animal real e despropositado frente às câmeras, mas o filme, por mais repreensíveis que sejam suas raízes (e eu sou completamente avesso a elas), é eficaz, independente da pilantrice do diretor; esse é um momento de inspiração, ainda mais louvável se percebemos que o diretor pensa dentro do mesmo trio fama-dinheiro-sucesso que faz dos seus personagens tão detestáveis. Pois "Holocausto Canibal", muito além de sua mensagem primeira sobre a bestialidade humana não ser determinada ou eliminada por aquilo que se convencionou chamar "civilidade", funciona como esse exercício bizarro: os atores encarnam esses indivíduos odiáveis enquanto matam a fauna e a flora latino-americana e você reza, reza, reza, para que esses canalhas recebam o que merecem das mãos dos ianomâmis. O que acontece, claro, e você tem essa satisfação horrorizada. Depois você percebe o truque: que você acreditou justa e se deu por satisfeito com uma execução ficcional para uma trilha de mortes reais, apenas porque a ficção condiz com suas crenças ao contrário da velha e amarga realidade. Pão e circo, bee-yatch. O espectador se trai.

"Welcome To The Jungle" não tem data de estréia, nem distribuidor, nem página no IMDb, nem uma crítica positiva até o momento.

UPDATE: Ruggero Deodato declarou que pretende realizar a continuação de "Cannibal Holocaust". Aparentemente ele passou a idéia por Eli Roth que, obviamente, adorou. Deodato pretende escrever e dirigir "Cannibal Holocaust 2" inspirado no sucesso que filmes como "Hostel" tem feito nos EUA.




  Bernardo Krivochein    sexta-feira, novembro 03, 2006
 
 
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