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Na Sombra das Palmeiras

Nesta sexta-feira, dia 15 de dezembro, o Sesc-SP da Avenida Paulista exibe, às 20:00 horas com entrada franca, o documentário "Na Sombra das Palmeiras" do diretor australiano Wayne Colle-Janess, dentro do projeto Encontros SESC Videobrasil (interessante que o tradicional festival de arte eletrônica está trazendo um diretor de cinémá, n´est pas? São os sinais de que mudanças ocorrerão? Peut-être...). O filme passou no último Festival do Rio, é de 2005 mas o diretor vai estar na sessão que será debatida com André Costa, professor de cinema da FAAP. O tema é quente.

"O filme traz uma perspectiva única da luta do povo iraquiano. Gravado antes, durante, e depois da tomada de Bagdá revela muitos aspectos sócio-culturais da vida na cidade ao longo de uma linha do tempo que vai de semanas antes até um ano depois da queda do regime de Sadam Hussein. O trabalho acompanha o dia a dia de um grupo de cidadãos de Badgá (um professor de poesia árabe, um sapateiro, o treinador da equipe olímpica de boxe do Iraque) para compor um retrato de rara proximidade de um evento do qual se conhece apenas a versão oficial."

Mais info e trailer do filme aqui

Algumas perguntas e repostas Wayne Colle-Janess foram divulgadas pela assessoria, confiram:

Quando você foi para Bagdá filmar In the Shadow of the Palms, quanto sabia da história que queria contar?
Minha viagem ao Iraque foi a primeira ao país. Tinha pouco conhecimento da sociedade e do povo. Minha motivação era abordar o tema de uma forma humana, pessoal. A única representação que a mídia ocidental tem do Oriente Médio são homens agressivos gritando “Jihad, Jihad”. Considerando a longa história da região, era lógico que houvesse ali um espectro amplo de pessoas, visões e posições. Queria oferecer ao mundo uma perspectiva mais variada sobre a vida no Iraque e, com isso, ajudar a construir uma compreensão melhor do povo, dos costumes e da cultura do Oriente Médio.

Você fez o documentário sozinho? Como chegou aos personagens do filme?
Fui e filmei sozinho. Ter alguém sob minha responsabilidade era perigoso demais. Cheguei aos personagens principais por acaso, gravando em bairros diferentes, percorrendo ruas tortuosas ou entrando em um carro com caras que não falavam a minha língua, na esperança de que me levassem a algo coisa interessante (e de que não estivessem me sequestrando).

Quais foram os momentos mais assustadores do processo?
A primeira vez que você ouve um míssil Cruise passar por cima de sua cabeça e explodir, é bem surpreendente. Quando a guerra começou, a imprensa foi colocada em dois hotéis: Palestine e El-Rashid. Consegui lugar em outro, em uma área civil. Lá, estava sujeito aos mesmos riscos que os iraquianos enfrentavam com os bombardeios, além das ameaças de retaliação dos próprios iraquianos. Fui preso pelas forças iraquianas, que me viam ao longe com a mochila nas costas e achavam que eu era um piloto abatido ou agente da CIA. Mas um dos momentos de tensão mais prolongada foi quando atravessei as linhas de combate para ir de Bagdá à fronteira da Síria. Foram 14 horas de viagem por uma estrada deserta, cheia de pedaços de veículos alvejados pouco antes e ainda fumegantes. Alguns eram militares, mas a maioria eram caminhões e ônibus.

Por que é tão raro que um veículo da mídia mostre a guerra de perto?
Muitas organizações são um reflexo da situação política de seus países e não estão interessadas em expandir a compreensão sobre essas situações. Quando um conflito envolve tantos países e coloca tanta coisa em risco em termos politicos e econômicos, há pouca tolerância às histórias individuais ou que humanizem o “inimigo”. E gasta-se em propaganda de guerra, que cria e mantém estereótipos de fanatismo, terrorismo, violência e sectarismo.

Como as platéias reagem a Shadow e o que o filme tem de tão pungente, em sua opinião?
Acho que as pessoas encontram no filme um forte sentido de realidade, de verdade, sem a manipulação da mídia ou do cinema. Do Japão à Alemanha, as platéias ficam igualmente chocadas ao perceber que “eles são exatamente como nós”. Em geral, as pessoas acham o filme envolvente, mas desnorteante, porque as histórias humanas se opõem a tudo o que viram antes sobre o Iraque.
(Francesca Azzi)
  INDIE    segunda-feira, dezembro 11, 2006
 
 
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