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Privacidade é tema de mostra em Belo Horizonte



Imperdível! Este mês, com curadoria de Daniella Azzi, a mostravídeo Itáu apresenta o tema [Privacidade]. Confira abaixo o texto da curadora e os filmes que serão exibidos no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes em BH, nos dias 05, 12, 18 e 26, às 19. Entrada franca.

Além disso, Daniella manda o seguinte recado por e-mail:

"O tema é [Privacidade] e traz quatro filmes que talvez não tenham sido ainda exibidos por aqui. São quatro programas, mas gostaria também de indicar um quinto que tem total relação com este assunto e que você poderá assistir aí mesmo de onde está. Se trata do novo projeto do Jonas Mekas, 365 FILMS, aonde ele se propõe a postar todos os dias um novo vídeo pessoal_veja em Jonas Mekas."


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PRIVACIDADE [CINEMA PRIVADO]
(Daniella Azzi)

As câmeras estão apontadas e prontas para filmar, clicar, enquadrar, para que qualquer objeto vire filme. Os suportes são móveis, acessíveis e os meios de exibição são públicos, mundiais. Todos querem e podem filmar e ser filmados. Não há mais fronteiras para a expansão do audiovisual? Todos podem mesmo ser cineastas? Câmeras digitais, celulares ou câmeras fotográficas produzindo milhares de imagens por segundo. YouTube, Google Video, sites e blogs clamando para que você, pessoa/realizador(a), poste seu vídeo, faça contato. Todos os vídeos caseiros, amadores e independentes do mundo estão ali para ser vistos.

Antes de ser uma novidade contemporânea, a história do audiovisual (seja cinema seja vídeo) esteve ligada inicialmente à proximidade do realizador para com as imagens que captava. Antes de contar histórias, os diretores direcionaram suas lentes à família, ao amor, aos filhos, aos amigos, às suas viagens pessoais, à sua visão privada, ao seu entendimento do mundo.

Se na contemporaneidade, o privado pode se tornar facilmente público, fazendo com que as distinções pareçam soar antiquadas e banais, a idéia desta curadoria traz quatro filmes que fazem do privado cinema.

A programação será iniciada com o trabalho do húngaro Péter Forgács, que realizou, de 1988 a 2002, uma série intitulada Private Hungary (Hungria Particular), que buscava explorar a história e a cultura húngara pelo viés da vida privada de seu povo. Usando imagens de arquivos pessoais, Forgács recontextualiza esses diários fílmicos, íntimos e cotidianos, para recontar a história política, social e cultural do seu país.

A vida e a obra são uma só no filme Double Blind, da artista francesa Sophie Calle, co-realizado com Greg Shephard, em 1992. Cruzando os Estados Unidos num Cadillac, de leste a oeste, munidos com suas câmeras, eles queriam fazer uma narrativa da viagem, um portrait de um relacionamento. Pode-se dizer que tudo era um pretexto para o possível casamento no final, desejo dela, ou para fazer um filme, desejo dele. Um legítimo road movie particular.

O programa seguinte traz o cinema aleatório, as notas de viagem que o cineasta americano Jon Jost fez de Londres há dez anos. Jost, nascido em 1943 em Chicago, fez seu primeiro filme em 1974. Nome importante da cena do cinema independente americano, dirigiu filmes premiados como All the Vermeers in New York (1990), Frameup (1993) e The Bed You Sleep in (1993). A partir de 1996, Jost descobre o cinema digital e passa a fazer todos os seus filmes nesse formato. London Brief, produzido em 1997, é a primeira realização dessa fase. Feito quase que acidentalmente, resulta num documentário pessoal, casual, por vezes turístico, da cidade.

La Chamelle Blanche, do belga Xavier Christiaens, foi especialmente escolhido para encerrar a programação. Junção pungente do real com o imaginário, do documentário com a ficção, o filme sintetiza toda a idéia por trás desse plausível cinema privado. Com imagens reais, documentais, de lugares como o mar de Aral, entre o Cazaquistão, o Uzbequistão e a Rússia, traz todo o onírico, o poético, o surreal e o particular que pode haver na realidade das imagens e nas ressignificações de cinema e arte.

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Programação


|| 5 de setembro_19h

The Diary of Mr. N: 1938-1967 (Private Hungary 4)
Péter Forgács, Hungria, 1990, 51 min.
Se o mundo não cruzasse com a guerra, uma vida idílica seria a recompensa. Esse filme é a história do amor entre o herói Mr. N e Ilona: drama e antropologia. Pela lente da câmera 9.5 milímetros desse meticuloso engenheiro militar, seguimos os acontecimentos que se sucedem em sua vida-fábrica-família. Tendo como cenário o drama na Europa, Mr. N traz uma mensagem especial para o público. O documentário abrange 30 anos da história da Hungria, com cenas de terror e de regimes ditatoriais, de uma pacata vida familiar e da revolução.

||12 de setembro_19h

Double-Blind
Sophie Calle e Gregory Shephard, Estados Unidos, 1992, 76 min
Sophie Calle e Gregory Shephard unem-se para documentar uma viagem que, na verdade, ilustra seu relacionamento. Armados com suas câmeras, embarcam num Cadillac conversível para viajar pelos Estados Unidos, enquanto narram e registram, individualmente, seus diários pessoais, apresentando versões notavelmente diferentes sobre o relacionamento e a viagem. O observador é desafiado a reconsiderar os papéis subjetivos e culturais impostos pelo gênero, pela sexualidade, pelo poder e pela tradição. Calle, por meio de uma investigação pessoal, busca redefinir o conceito de sujeito/objeto, público/privado, verdade, ficção e encenação.

|| 19 de setembro_19h

London Brief
Jon Jost, Inglaterra, 1997, 90 min.
“London Brief é, bem, exatamente isso – um tipo de caderno de notas de uma curta visita a Londres, feita acidentalmente. Eu não tinha intenção nenhuma de fazer um filme de qualquer tipo. Estava me divertindo, experimentando as possibilidades de uma nova câmera DV. Tentava reunir imagens que eu queria ter à disposição para outros projetos. O coração do filme foi filmado em janeiro de 1997, em menos de três dias; a maior parte dele foi feita aleatoriamente, em filmagens casuais enquanto administrava outros negócios em Londres. Já em casa, tornou-se claro, ao olhar o material que havia ali, um vigoroso, vívido e, talvez, instrutivo retrato de Londres aproximando-se do milênio. [...] Enviei uma versão sem edição (apenas selecionada) para o festival de documentários de Yamagata, Japão. Eles me surpreenderam ao me convidar para a competição que só aceitava filmes de no mínimo 60 minutos. Retornei a Londres por uma semana, filmando propositalmente coisas que pensei seriam interessantes para fazer um tipo de retrato da cidade – incluindo locais turísticos, mercados, Speakers’ Corner...” (Jon Jost)

|| 26 de setembro_19h

La Chamelle Blanche (The White She-Camel)
Xavier Christiaens, Bélgica, 2006, 52 min.
Uma viagem poética às áreas de fronteira da antiga União Soviética. Um homem volta para a casa depois de uma longa viagem e não reconhece nada do que já lhe foi familiar. Estendendo os limites entre a poesia, a ficção científica e o documentário, ele vagueia pelos restos do mar de Aral, metáfora para uma paisagem, um mundo e um país que não existem mais. Como se Ulysses retornasse para casa depois de seu exílio e encontrasse um mundo completamente novo, onde nada está como antes de sua partida.

local: palácio das artes_avenida afonso pena 1537_ belo horizonte_mg _fone 31 3237 7399. www.palaciodasartes.com.br
  Francesca Azzi    segunda-feira, setembro 03, 2007
 
 
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