blogINDIE 2006


Prateleira - Edição de 6/11

Com o lançamento de "Os Infiltrados", pode contar que vão tirar a poeira do DVD de "Conflitos Internos" (Infernal Affairs) na sua locadora. Mas existem muitas outras opções de filmes asiáticos que foram parar diretamente nas prateleiras de locadoras brasileiras. Se por um lado é triste não ver os títulos nem terem uma chance de criar um nicho nas salas de cinema, por outro é reconfortante que tais filmes estejam disponíveis por aqui e em tamanha quantidade e freqüência - que, noutro caso, o espectador brasileiro sem banda larga jamais teria a chance de conhecê-los. Claro, temos filmes como o fabuloso "Shutter", "Assombração" e "Almas Reencarnadas" (prometo um texto mais específico sobre pelo menos esse último, quer você queira ou não) que foram agraciados com a chance de preencher as telonas, mas me concentrarei nos lançados diretamente em DVD e que passaram mais desapercebidos ("A Tale of Two Sisters" reencontrou uma merecida fama em DVD por aqui, então não o abordarei). Tem coisa boa pra caralho.

MORRA... OU DIGA SIM (Say Yes/Sae-yi yaesu, Coréia do Sul, 2001 - Europa DVD) Fiquei muito feliz ao ver esse título lançado - com cinco anos de atraso, é verdade, mas... "Say Yes" é uma versão coreana de "A Morte Pede Carona" - e o remake americano do filme de Robert Harmon (mais importante, roteirizado por Eric Red) substitui a dinâmica macho/psicopata por casal/psicopata, como é o caso aqui: um casal decide tirar uns dias de férias para celebrar a publicação do manuscrito do macho da relação. No caminho, eles dão carona a um homem que tem cara de problema - como se percebe na jaqueta do DVD. Se terror psicológico é sua diversão, o casal em questão está mais disposto a trocar de lugar com você.

O filme é tenso, tenso, tenso e surpreende pela grandiloqüência, a princípio americanizada, como era a ordem em Chungmuro naquela época. Uns setpieces enormes, envolvendo caminhões e violência gratuita contra cabanas. Mas se prepare para o verdadeiro e espetacular banho de sangue que o aguarda no final - é um dos maiores que eu já vi.

ARAHAN (Arahan jangpung daejakjeong, Coréia do Sul, 2004 - Europa Filmes) Um dos mestres da arte marcial mírtica do jangpung reclama logo no início do filme: "hoje em dia, eu só levito para trocar a lâmpada!" Isso marca o tom do humor do filme de Ryoo Seung-wan (dirigiu o atual "The City of Violence"), em que Sang-hwan (Ryu Seung-beon, novo talento do cinema coreano, é a contraparte de Min-sik Choi no tocante "Crying Fist"), um policial desastrado, flagra uma moçoila voando magicamente sobre os prédios após um roubo. Ele acaba sendo recrutado por um dos mestres a aprender (desastradamente) a arte marcial e finalmente combater um demônio em busca de uma espada sagrada.

Os efeitos especiais são meio cafonas, mas o filme é leve, divertido, espirituoso. No mínimo, vale para se familiarizar com o elenco estelar.

AZUMI/ AZUMI 2 (Japão, 2004/2005 - Europa Filmes) Há uma crítica extensa sobre o primeiro "Azumi" no site, mas nunca é demais falar da Aya Ueto. Dirigido por Ryuhei Kitamura, "Azumi" é uma vibrante, embora bem modesta, distorção no gênero dos filmes de samurai. Honestamente, o filme diminuiu para mim com o tempo - e é longo demais para revisitar com mais freqüência. Ainda não assisti a continuação, que dizem ser mais fraca, mas logo terei essa oportunidade

DEATH TRANCE - O SAMURAI DO APOCALIPSE (Death Trance, Japão/EUA, 2005 - Paris Filmes) Produzido pela distribuidora americana Media Blasters, "Death Trance" sabe muito bem o que almeja: um rip-off de "Versus" de Ryuhei Kitamura. Funciona. O filme é elétrico, alucinado, retardado, deliciosamente vápido e as brigas são inspiradas para cacete (o filme é dirigido pelo coreógrafo das lutas de "Versus"). As batalhas no Japão Feudal são invadidas de súbito por motocicletas, metralhadoras, o caralho a quatro enquanto o Zé do Caixão Samurai arrasta o dito cujo floresta adentro. Barato, modesto, mas que faz o máximo dos recursos que dispõe. Como Tak Sakaguchi não é um astro de grandeza maior ainda, foge qualquer explicação. Não liga não; pra mim, Sakaguchi, você é.

SHINOBI (Shinobi - Heart Under Blade, 2005 - Paris Filmes) Já entrei numa discussão acalorada via Internet por causa desse filme, um dos maiores sucessos no Japão ano passado, mas que não me impressionou nem um pouco. Adaptação de mangá, é basicamente uma versão de "Romeu & Julieta" misturada com "X-Men" e elementos de "Os sete samurais" que na verdade quer ser uma variação nipônica desses wuxia pian revisitados por Zhang Yimou e Chen Kaige (putz, tenho que alertá-los sobre "A Promessa"...). Com um detalhe grave: os efeitos especiais são tristes. Não é um filme ruim, é bem capaz das pessoas gostarem mais do que eu e talvez eu tenha sido muito exigente, mas firmo minha posição - a história não funcionou para mim, toda a questão "olha como é bela a gota da chuva espatifando-se no lago e o pano da manga voando com o golpe da espadada", que já é delicada para os chineses, fica ainda mais "bibelô de 5 reais" com os japoneses. E as lutas são chinfrim. Vale pela gente bonita: Jô Odagiri e Yuki Nakama (tee hee... Na-Kama). Agora: o que que custava fazer uma adaptação de "Shinobi", o jogo do Mega Drive? Ia ser do caralho.

ASHURA - A RAINHA DOS DEMÔNIOS
(Ashura-jô no hitomi, Japão, 2005 - Paris Filmes) Talvez insuportável para o espectador alheio, mas irresistível para fãs de nippon eiga, "Ashura" é uma peça que tenta, na versão cinematográfica, absorver a atmosfera do teatro kabuki. Os Vigilantes dos Demônios são um grupo de elite composto por espadachins com habilidades sobrenaturais - sua missão é impedir a proliferação de demônios (que assumem a forma humana) pela Terra. Porém, o renascimento da rainha Ashura pode terminar com o equilíbrio entre humanos e demônios.

Superambiciosa produção que se atrapalha pelas escalas gigantescas que a história exige, mas cenários, costumes, atores, toda a concepção estética são intrigantes. O clímax se passa num castelo que descende das nuvens de ponta cabeça, enquanto a Terra queima em chamas - é de fazer imaginar que, pelo menos lá no Japão, alguém anda usando o Flame, Flint e Inferno para algo que preste. O troço é de tirar o fôlego e ao mesmo tempo deprimente: Yojiro Takita deveria ser o diretor de "Castlevania" e não aquele pela do Paul W.S. Anderson. O uso da versão do Sting para "My Funny Valentine" consegue ser igualmente bizarra e adequada.

Aliás, você sabe o que é a Festa do Ashura? Boa pesquisa no Google Imagens para você e bons sonhos.

ESCRAVAS DA VAIDADE
(Dumplings, Hong Kong, 2005 - Imagem Filmes) Não fosse os longos períodos que Fruit Chan passa desaparecido, ele estaria no patamar de Takashi Miike chinês. Bem-humorado, cínico, violento e poético, os filmes de Chan, quando surgem, nunca passam desapercebidos. Tanto que, no mesmo ringue que Miike e Chan-wook Park ao dirigir um episódio do ominbus "Three... Extremes", seu "Dumplings" rouba os holofotes. "Escravas da Vaidade" é a versão longa-metragem de "Dumplings" e com final alterado (e mais fraco). Mas o filme ainda tem força ao socar o espectador com a história da atriz decadente que apela para um wantan mágico por temer perder o marido para uma mulher mais jovem. O negócio funciona e a Revlon estava até interessada em ampliar suas operações para o mercado de cosmética alimentícia, mas aí surge o tal do ingrediente secreto. Fruit Chan dirigiu o fabuloso "Hollywood, Hong Kong" e "Public Toilet" - se não viu, está perdendo parte importante de sua existência.

MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO
(Memories of Murder/Salinui chueok, Coréia do Sul, 2003 - Europa Filmes) Simplesmente um dos melhores filmes já feitos na nossa época. Ele é assim de bom. Joon-Ho Bong, depois desse e "The Host", é o meu marido e eu, sua putinha, empregadinha francesa, faço o que ele mandar, esse puto.



SETE ESPADAS (Chat gim, Hong Kong, 2005 - Imagem Filmes) Esse ameaçou que ia passar no cinema, demorou e acabou sendo despejado nas locadoras. Assisti a "Sete Espadas" ano passado no Festival do Rio e, que surpresa!, gostei muito mais do que o resto da platéia. A saga imensa de Tsui Hark precisou ter editada (tinha mais de quatro horas, pelo que me lembre), daí a edição meio tresloucada e os saltos na história (que, para quem conhece Hark e assistiu o genial "O Tempo e a Maré", não deve ser surpresa alguma) - a versão para a TV, no entanto, fez grande sucesso no país de origem.

É preciso um bocado de sais minerais, tempo disponível e pouca expectativa para realmente apreciar essa versão não-assumida de "Os sete samurais". Aventura das antigas, com efeitos de CPU já datado, um wuxia-pian com lutas esparsas, mas sem poesia da flor-de-lis caindo em câmera lenta. Talvez seu dinamismo nas cenas de ação o deixe meio seco para a longa trama que apresenta. Sei lá o que eu tô falando, achei o filme bem legal - legal normal - e a luta final com Donnie Yen num puxadinho é ótima.







  Bernardo Krivochein    segunda-feira, novembro 06, 2006
 
 
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