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Zumbidos de Cannes: Dia 3

Clotilde Hesme, Ludivine Sagnier e Louis Garrel em Les Chansons d'Amour de Christophe Honoré

>> Harry Knowles do Ain't It Cool News conseguiu um enorme furo: por causa de sua extensa campanha em cima de Rocky Balboa, Sylvester Stallone cedeu ao site o direito de exibir 3min 29 de John Rambo, o mesmo showreel que foi exibido esse sábado para possíveis distribuidores no mercado de filmes em Cannes. A partir do 2min 12 o sangue tá comendo tão solto nas imagens que dá até pra confundir com o trailer de 'Hostel 3'. Siga o link e assista, antes que o vídeo seja retirado do ar na segunda-feira.

>> Enquanto isso, nos EUA, 'Sicko', de Michael Moore, já comete sua segunda controvérsia (após o escândalo envolvendo a viagem de Moore à Cuba para filmar cenas do documentário sobre o falido sistema de saúde dos EUA, o que enfureceu o governo norte-americano). Jim Kenefick é um direitista convicto que ataca abertamente o documentarista desde os tempos do The Awful Truth. Pois a mulher de Kenefick foi abalada por uma terrível doença e em, seu blog, lamentava-se dos altos custos do seguro de saúde. Moore, então, promoveu uma campanha para arrecadar fundos e enviou ao seu nêmesis um cheque de 12.000 dólares.

Kenefick, abandonado pelos seus amigos políticos e desesperado pela mulher, não pensou duas vezes e embolsou o cheque. Daí você pensaria que o cara recebeu uma lição de humildade, não? Pois Kenefick continuou o fogo contra Moore: "Eu não sou um idiota. Eu sei quando dizer sim a algo, mesmo quando as cordas ao que esta coisa está ligada são óbvias. Que tipo de idiota rejeitaria 12.000 dólares? [...] 12.000 dólares equivalem ao orçamento de Moore para comprar Bolo Ana Maria" disse o direitista, com sua ética rudimentar e revelando a facilidade com que os conservadores abrem as pernas por dinheiro, ao The Daily News.

LES CHANSONS D'AMOUR de Christophe Honoré - Em Competição

"O diretor foi promovido para a competição da mostra oficial com Les Chansons d'Amour, que passou na competição hoje de manhã. Não parece ter empolgado muita gente, e o filme investe em mais um formato musical onde, de repente, personagens começam a cantar para externar suas dores, felicidades e observações sobre a vida. A música termina tendo papel irrelevante no filme, que desenvolve personagens e situações com o bom e velho diálogo entre as pessoas, em situações naturais. Pouco inspirador esse filme, uma amiga crítica espanhola pôs a pá de cal em cima associando-o ao espanhol 'Do Outro Lado da Cama'." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio

"Filme realizado com rapidez e urgência incríveis (a filmagem foi há menos de quatro meses), a potência do cinema de Christophe Honoré vem sim de um transbordamento de sentimentos, que torna justamente quase natural que este transbordamento se externe através de canções – e, diga-se, de belas canções, que inclusive são de onde nasceu o filme, já que Honoré escreveu o roteiro a partir de músicas já existentes de Alex Beaupain [...]os personagens não param de se bater, e nesse embate vale tudo – inclusive errar o tempo todo. E é por isso que 'Les chansons d’amour' é um filme quase insuportavelmente belo." Eduardo Valente, Revista Cinética

"É uma instituição à qual diretores franceses ambiciosos tem retornado com freqüência, até nomes como Godard e Rivette flertando com ela, enquanto a última inovação realmente bem sucedida nesse campo foi o musical sobre a AIDS 'Jeanne et le Garçoin Formidable' de Ducastel e Martineau... Mas o filme em competição de Honoré, ainda que teoricamente posicionado para erguê-lo ao topo do rank de autortes franceses emergentes, é uma maçaroca empelotada auto-indulgente que não consegue sucesso nem como uma narrativa realista nem como um romance leve, e que conta com uma trilha-sonora nada excepcional para seu conto de jovens chics e artistas em remorso e se apaixonando." Jonathan Romney, Screen Daily

"Tanto seu retrato da morte e do romance são igualmente implausíveis. O último filme de Honoré, 'Dans Paris' passou rente do pretensioso, mas este novo filme é apenas mal concebido e fraco. As músicas são péssimas também." Dave Calhoun, Time Out.

"Tropeça um pouco ao capturar o pesar genuíno que existe no centro do filme, apesar mais uma vez que sua consideração pela família é infalível e alguns dos maiores charmes do filme vem do calor que inspira. Irrepreensívelmente francês no modo como lida com temas como ménage-a-trois e sexualidade porosa, esse conto de um romance interrompido por uma tragédia e que reencontra seu caminho em direção a um novo amor deve ter êxito em seu país de origem, com prospectos internacionais favoráveis." Jay Weissberg, Variety

"Um musical bastante ruim, repleto de músicas repetitivas e ainda assim esquecíveis, tentativas meia-boca de coreografias informais e um narcisismo cômodo fantasiado de ardor." Mike D'Angelo, ScreenGrab

"O filme de Honoré emprega a mesma estrutura de três capítulos e até os subtítulos - Ida, Ausência e Retorno - de 'Os Guarda-Chuvas do Amor, e os dois filmes compartilham o tema de amor e perda. Mas os parisienses indiferentes, viciados em (cigarros) Gauloise, infiéis e declamadores de citações em 'Chanson' estão a um mundo de distância da inocência agridoce de 'Cherbourg'." Wendy Ide, The London Times

"O diretor-roteirista de 36 anos supera brilhantemente as dificuldades do gênero, com as canções de Alex Beaupin pontuando perfeitamente uma intrigante história de emoções turbulentas em variadas formas (amor, bissexualidade, morte, pesar, renascimento)... O filme revela uma Paris proletária e multicultural capturada com muita veracidade através da perambulação de vários personagens pelas ruas da cidade." Fabien Lemercier, Cineuropa

NO COUTRY FOR OLD MEN de Joel e Ethan Coen - Em Competição

"Realmente fantástico. O filme se desenrola como o cotidiano de uma dessas cidades a oeste de Texas (foi filmado primeiramente em Marfa) onde nada de importante acontece até o dia que subitamente uma enorme desgraça toma corpo." Matt Dentler, SXSW Blog

"Nada menos do que brilhante. É, de longe, o filme mais violento dos Irmãos Coen , ultrapassando o impassível desmembramento de corpos em 'Fargo'. Marca um retorno dos Coen à Texas, onde eles fizeram seu primeiro longa-metragem, 'Gosto de Sangue'. Como aquele filme, 'No Country' encanta com os usuais personagens menores que insistem em surgir cena após cena. Você odeia vê-los sendo assassinados, mas você sabe que é o que vem pela frente, tal qual uma praga bíblica." Charles Ealy, Austin Movie Blog

"Uma explosão incinerante de um tenso gênero de cinema filmada através de ricas veias de melancolia, filosofia caseira e humor muito, muito dark... O brilahnte e envolvente romance de Cormac McCarthy é ouro para os Irmãos Coen, que retornam à boa forma após uma série de filmes pouco impressionantes. Enquanto traz as marcas registradas dos Coen: a costumeira capciosidade e técnica impecável, o filme possui a vitalidade e a inventividade do melhor do cinema americano dos anos 70, o que é uma tremenda conquista nos dias de hoje. Também conta com um dos vilões mais originais e memoráveis do cinema recente, nunca algo ruim para atrair a platéia, especialmente quando é interpretado tão audaciosamente por Javier Bardem... [Tommy Lee Jones] parece provar que nasceu praticamente para interpretar papéis de Cormac McCarthy e ele prova isso aqui." Todd McCarthy, Variety

"Os Coen sabem criar um inferno perfeitamente orquestrado, e longas sequências do filme transcorrem sem fala, uma em especial deixou a platéia gigante da Debussy totalmente petrificada, no silêncio. Quando os personagens abrem a boca, mais uma vez temos a esperança de que as legendas no Brasil façam justiça ao lero especial e muito engraçado desse filme que, surpreendentemente, dá uma guinada especial ao final e revela-se um comentário reflexivo sobre os EUA e seu histórico de violência." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio

"O cinema tipicamente superior dos Coens sustenta a atmosfera eletrizante durante a maior parte do filme, mas eles acabam se deixando derrotar por permanecerem fiéis demais à obra de Cormac McCarthy." Ray Bennett,Hollywood Reporter

"Fomos assistir 'No Country For Old Men' e fomos imediatamente arrebentados pelo filme. Já no meio do filme, o considerava o melhor longa dos Coens desde 'O Grande Lebowski'. Ao final, imaginava se essa não seria sua obra-prima." Xan Brooks , The Guardian

"A evocação elegíaca da tranformação da paisagem americana em curto-circuito moral é lidada de forma preciosa, mas há reservas sobre o ritmo e equilíbrio que impedem o filme de atingir a grandeza que, de vez em quando, parece ao seu alcance." Allan Hunter, Screen Daily

"Este é um thriller completamente cativante e niilista, um modelo de narrativa impecavelmente construída e implacável. Tudo o que se poderia esperar do casamento dos irmãos Coen com McCarthy era um filme que não se pode parar de assistir, por mais que você deseje ser parte dele, enquanto ele o guia por um mundo tão horrivelmente opressor que 'você põe sua alma em risco', como um personagem diz." Kenneth Turan, The Los Angeles Times

SICKO de Michael Moore - Fora de Competição

"Sicko não me informou nada de radicalmente novo sobre o quão absurdo é o nosso sistema de saúde, mas o soletrou de forma bem clara e, a mim pareceu, o quão melhores são os sistemas de saúde no Canadá, Inglaterra e Franca. Não serve apenas para abrir nossos olhos, resumidamente, mas um filme que abre nossos poros emocionais." Jeffrey Wells

"Empregando sua típica narração pessoal e seu approach DAvi contra Golias, Moore revitaliza o que é, em essência, um assunto deprimente ao embalá-lo em ironia e injetando leveza onde fôr possível: uma longa lista de condições de saúde que justificam que a pessoa seja negada cobertura do seguro é transformada num scroll text que adentra o espaço ao som do tema de 'Star Wars'; um gráfico que revela os EUA na posição 38 na lista de melhores sistemas de saúde do mundo - acima da Eslovênia - é seguida por imagens de arquivo de condições primitivas de operações. Talvez a história mais emocionante seja a de Julie, uma funcionária de hospital cujo marido tinha uma doença potencialmente terminal que a equipe médica acreditava poder tratar com um transplante de medula óssea. O seguro considerou o tratamento experimental e se recusou a cobri-lo. Incapaz de pagar uma alternativa, seu marido morreu." Alissa Simon, Variety

"A receita que Dr. Moore sugere pode causar discussões. Mas ele faz tanto sentido em seus argumentos que a discussão poderia ser civilizada, não fosse o fogo pesado que virá da indústria de seguros e farmacêutica, com bilhões de dólares de lucro em risco, e certos políticos cujos bolsos estão alinhados com as doações de campanha dessas indústrias." Kirk Honeycutt, Hollywood Reporter

"A perspectiva apaixonada, provocante e repleta de gags de Michael Moore para o acusador documentário funcionou lindamente em Tiros em Columbine e Fahrenheit 11 de Setembro - e funciona ainda melhor em 'Sicko'. No exterior, especialmente na Europa, 'Sicko' chocará e reconfortará na mesma medida - se não formos condescendentes, poderemos ver sua decisão em contrastar o sistema americano com o sistema gratuito de saúde oferecido no Canadá, Inglaterra e especialmente na Françla como um presente caloroso para os distribuidores e platéias desses territórios. Mas os pontos-de-vista feitos por Moore são (na maioria) bem fundamentados - e gerenciados, como sempre, com uma veia irônica que os deixam difíceis de discordar." Lee Marshall, Screen Daily

"'Sicko', o novo filme de Michael Moore, é ostensivamente sobre o sistema de saúde na América; não é, tanto mais quanto Moby dick é sobre uma pescaria de fim de semana. Como os outros documentários de Moore... o tema centra de 'Sicko' é a democracia americana - como funciona, onde não funciona - e a cultura do capital. [É o tom] de auto-celebração caridosa, de altruísmo público, de sensibilidade falsa - que corrói muitas das obras de Moore, e faz 'Sicko' ceder. Não espero que um filme resolva a crise do sistema de saúde dos EUA, mas mesmo como uma convocação à luta, 'Sicko' é mais confuso, mudo e disperso do que deveria ser." James Rocchi, Cinematical

"Moore sequer está presente na primeira metade, servindo de narrador onisciente até surgir a partir do meio do filme para oferecer sua exploração marca registrada de entrevistas na rua sobre como os EUA entenderam tudo errado novamente. Senti que o filme funciona completamente como entretenimento e, como sempre, Moore argumenta incisivamente usando elementos cômicos... E, como em muitos filmes de Moore, o argumento fica um tanto repetitivo e os personagens um tanto artificalizados. Ainda assim, me diverti apesar da falha do filme com suas responsabilidades documentais." Matt Dentler SXSW Blog

BOARDING GATE de Olivier Assayas - Em Competição

"Garota de lingerie preta com uma Luger alocada nas costas, no elástico sobre seu traseiro - essa é a extensão narrativa desse thriller cabeça-dura do cineasta Olivier Assyas. Estrelando Michael Madsen como um negociante ilegal internacional e Asia Argento de 'bad girl', 'Boarding Gate' é repleto de elementos que não vão além da atratividade ocasionada por seu cartaz." Duane Byrge, Hollywood Reporter

"Em tais situações [de ser a voz dissonante de todo um grupo], o indivíduo precisa, como Sabine Azéma dublou em 'On connait la chanson', 'Resiste!' ... achei 'Boarding Gate'espetacular." Glenn Kenny, Premiere

"Assayas oferece uma série de traições, fugas e perseguições surpeendentemente carentes, distintas penas por seu aguçado olhar para cores e seua pecha por deixar metade do campo visual permanecer fora de foco... Assayas nunca parece estar remotamente investido nesse nonsense todo - nem num modo subversivo e estritamente intelectual." Mike D'Angelo, ScreenGrab

"Um thriller transglobal de negócios sujos e sexo pervertido que ele tinha minado previamente em 'Demonlover', aqui com resultados igualmente decepcionantes." Lee Marshall, Screen Daily

"Assayas é fascinado, corretamente, pelo pútrido submundo da economia global. Mas sua imagem lúrida,e até romanticizada, de financeiros pervertidos parece refletir mais uma obsessão pessoal do que a realidade." Erica Abeel, Filmmaker

SAVAGE GRACE de Tom Kalin - Quinzena dos Realizadores

"[Savage Grace] passou por um processo maravilhoso de expansão. Melhora cada vez que penso nele... o filme de Kalin tem qualidades que fazem das suas visíveis dificuldades um charme e uma prova de que existe ali roteiro, conflitos humanos, diálogos significativos, e um elenco que defende o filme com os dentes, [Julianne] Moore, claro, sendo o destaque... Talvez tenha me lembrado [Samuel] Fuller, em especial, por ser um filme barato, realizado por um cineasta de visão que filma em termos pessoais e fora do alcance do radar de Hollywood. Savage Grace é diferente de qualquer coisa que o cinema dos EUA está fazendo, e imagino a contovérsia que irá gerar quando lançado." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio

"Pequena jóia semi-lapidada, banhada de inteligência, humor e talento. Primeiro filme a brilhar de fato na Quinzena dos Realizadores e até aqui o melhor entre os que pude ver nesse festival... Um filme anarquicamente tecido, no bom sentido, com reconstrução de época 'barata' funcionando surpreendentemente bem." Leonardo Sette, Revista Cinética

SHAMO de Soi Cheang - Marché du Film

"Infelizmente, é muito estilo com muita pouca substância no segundo filme de Soi Cheang após 'Dog Bite Dog' ano passado. Em 'Shamo', Soi continua a explorar os temas sombrios de seu predecessor enquanto estabelece mais profundamente a estética visual única e virulenta da Sameway Productions, porém o filme pára de desenvolver completamente seus personagens além do primeiro ato." Todd Brown, Twitch

(tradução das compilações da Greencine, Allocine e outras fontes)

DICA 1: Mais um diário brasileiro de Cannes, dessa vez para a Revista Cinética, em que Eduardo Valente eLeonardo Sette documentam sua experiência durante o festival. Link aqui.

DICA 2: O quadro de cotações da Screen International para a Competição Oficial em Cannes (edição da manhã de sábado)
  Bernardo Krivochein    sábado, maio 19, 2007
 
 
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