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Zumbidos de Cannes: Dia 4

Ronit Elkabetz e Uri Gavriel em The Band's Visit (Bikur Hatizmoret) de Eran Kolirin

>> O título que mais teve sucesso em pré-vendas até agora foi Breath, de Kim Ki-duk, já tendo sua exibição no Brasil garantida. Enquanto isso We Are The Night de James Gray foi comprado pela Sony Pictures por uma generosa quantia mesmo antes de sua exibição competitiva no Festival de Cannes. A distribuidora francesa ARP, uma das que também abocanharam Breath, assinou um comentado contrato de distribuição local do western coreano de Kim Jee-woon, The Good, The Bad and The Weird.

>> Com menos tesouros do que aborrecimentos, as exibições competitivas tem oferecido poucas recomendações. De fato, dos oito filmes exibidos que almejam a Palma de Ouro, apenas um pode ser considerado uma verdadeira pérola. Se você medir o pulso dos críticos cobrindo a corrida pela Palma, as opiniões são significantemente desequilibradas, com filmes sendo considerados lindamente fotografados, mas longos demais(The Banishment de Andrey Zvyagintsev) ou simplesmente um despedício de espaço dentro da competição (Telehim de Raphael Nadjari). A descoberta na competição desse ano é o candidato romeno 4 Months, 3 Weeks and 2 Days de Cristian Mungiu, um pequeno drama malvado e chocante sobre um grupo de universitárias tentando realizar um aborto ilegal em 1989, durante o regime decadente de Nikolai Ceausescu." Reportagem de Anthony Kaufman para a indieWIRE

>> Para promover o filme U2 3D (três dimensões a mais do que a banda requer, ao meu ponto de vista), Bono Vox, The Edge, aquele outro e mais aquele outro apresentaram-se numa performance ao vivo em pleno tapete vermelho, para comoção geral. Se você gosta de imagens em movimento, clique no link, mas se você prefere dispensar o som, o blog da IFC tem ótimas fotos still.

DAI NIPPONJIN de Hitoshi Matumoto - Quinzena dos Realizadores

"Matumoto tem, possivelmente, o approach mais impassível para humor absurdista na história do mundo. Ninguém abre um sorriso. Ninguém pisca para a câmera. O filme inteiro se desenrola como se fosse apenas mais um dia no escritório, o que impulsiona o ridículo da situação a novas alturas. Provavelmente Dai Nipponjin não tem cacife o bastante para conquistar uma platéia mais ampla do que a do circuito de festivais ou de DVDs cults, mas para quem aprecia o inominável tipo de humor japonês, este filme é ouro puro." Todd Brown, Twitch

"Matumoto busca uma narrativa mais sofisticada, com um formato de falso documentário sobre um equivalente moderno (e bizarríssimo – interpretado por ele mesmo) do Ultraman/Spectroman. O filme tem um humor bastante doentio (sua grande força), mas ao mesmo tempo não esconde que sua força cômica não sustenta nem de longe as duas horas de duração. Após fantásticos primeiros quinze minutos, uma vez que a estranheza se torna aceita, o filme tem pouco mais a oferecer, e muito tempo a cobrir. Ainda assim, uma sessão deliciosa pelo inusitado de ver o filme neste contexto – ou de ver o filme, simplesmente." Eduardo Valente, Revista Cinética

LA QUESTION HUMAINE de Nicholas Klotz

"Klotz confirma aqui o que já estava claro no filme anterior: seu cinema é um de tintas políticas inegáveis, mas ao contrário de um Costa-Gavras ou de um Ken Loach, Klotz compreende que ao cinema não bastam os grandes temas, pede-se que a política esteja também na forma de um filme para que ele seja realmente profundo... O que importa é aguçar o sentido para o leitor saber: não se deve deixar 'La question humaine' passar batido." Eduardo Valente, Revista Cinética

HÉROS de Bruno Merle - Semana da Crítica

"O primeiro filme de Bruno Merle abunda com referências cinematográficas. Nenhuma descrição desse filme poderia fazê-lo soar como nada menos do que uma grande bagunça; por princípio, ele não deveria funcionar, mas de alguma forma consegue. Isso acontece em grande parte por causa da corajosa performance de Michael Youn, que positivamente incendeia a tela, interpretando Pierre como Samuel Beckett numa onda de speed."Bernard Besserglik, Hollywood Reporter

"Que fique claro que o filme não é tão diferente de qualquer outro - apesar do que um dos atores, Patrick Chesnais, tenha dito - mas nos relembra de tudo que nos cerceia ultimamente: celebridade, a crise na função cômica, e o que é chic e trashy à la Gaspar Noë." Emmanuel Burdeau, Cahiers du cinéma

"Quando apresentaram o filme, os dois atores principais Patrick Chesnais e Michaël Youn o descreveram, respectivamente, como 'um projeto atípico' e 'um OVNI dentre os filmes franceses atuais.' Era fácil sentir o incômodo provocado pela incerteza de como o filme seria recebido na Croisette, mas, no fim, não havia espaço para qualquer decepção." Vitor Pinto, Cineuropa

"Imagine um lunático enraivecido gritando por duas horas, virtualmente sem interrupções, a poucos centímetros da sua cara e você começará a ter idéia do que é assistir 'Héros.'" Peter Brunette, Screen Daily

L'AVOCAT DE LE TERREUR de Barbet Schroeder - Un Certain Regard

"Poderia ser utilizado como um complexo guia da ascenção do terrorismo global... Em vários aspectos, L'Avocat de le Terreur é um documentário convencional de cabeças falantes que evolui para um empolgante thriller quebra-cabeça reminiscente de um bestseller de Frederick Forsyth ou um drama épico como 'Munique.'" Allan Hunter, Screen Daily

"Certamente inspirará debates na França e Alemanha, assim como é de óbvio interesse para qualquer um que segue o enraízamento do terrorismo internacional moderno, o documentário sonda as áreas ambíguas da colorida vida de seu assunto controverso e chamativo. Quando perguntado se defenderia Hitler, o advogado Verges responde, 'Eu defenderia até Bush!' Sob quais condições? 'Caso ele se declarasse culpado.' " Lisa Nesselson, Variety.

"O filme de Schroeder é mais fascinante do que a maioria do documentários de cabeças falantes, pois o assunto em questão é tão estranhamente pertinente e provocativo. A história de Verge é também a história da mutação do terror zeitgeist, do qual muitos apontariam a enorme luta do povo argelino ao terror-chic decadente de Carlos e Magdalena Kopp... L'Avocat de le Terreur poderia ser, deveria ser, mais longo, mesmo se fosse apenas para dar ao público um pouco de espaço para respirar." Glenn Kenny, Premiere

"A informação chave sobre Verges é que ele nasceu na Tailândia em 1924 ou 1925 - até mesmo aqui ele é aparentemente nebuloso - de uma mãe do Vietnam e um pai da Reunion Island, a ilha do Oceano Índico que é parte da França. Ele portanto cresceu multiracial dentro de um cenário colonial, o que, como aponta um entrevistado, significa 'ser contra as coisas', ser anti-estabelecimento, anti-colonialista e anti-governo." Kirk Honeycutt, The Hollywood Reporter

YOUNG YAKUZA de Jean-Pierre Limosin - Fora de Competição

"O aprendizado de um jovem rebelde dentro da máfia nipônica serve de intrigante ponto de partida, mas pouca substância no documentário francês 'Young Yakuza.' Como outras pedras fundamentais da cultura japonesa, a gueixa, a Yakuza encontrou expressão dentro de filmes tanto locais qaunto ocidentais que procuravam revelar as práticas arcaicas e hierarquia restrita, mas que se mantiveram cobertas em segredo. O filme observa mais do que adentra. Não sendo culpa do cineasta, o documentário perde o foco graças ao seu disperso protagonista. Festivais poderão desejar dar uma espiada, mas a falta de conteúdo decepcionará." Russell Edwards, Variety

"Esse espelho é partido pelo cineasta que pára no meio do percurso. Ele privilegia M. Kumagai, figura ao mesmo tempo pacífica e aterrorizante, em detrimento de Naoki. 'Young Yakuza' permanece ainda assim como uma obra única sobre um meio totalmente secreto e idealizado que esconde toda a tristeza e desespero de seus membros já rejeitados pela sociedade antes de se integrarem à Yakuza. A descoberta da realidade pode se revelar rude para o cinéfilo adepto de 'Kill Bill', mas ainda assim fascinante." Allocine

THE BAND'S VISIT de Eran Kolirin - Un Certain Regard

"Uma banda egípcia fica presa numa cidade esquecida no meio do desrto israelense 'The Band's Visit,' uma calorosa e deliciosa perspectiva das relações multiculturais que prova que um toque leve às vezes é tudo o que se necessita para abordar tópicos mais sérios. O diretor inciante Eran Kolirin possui um olho brincalhão para composições de quadro e um belo modo de dirigir seus atores, ocasionalmente flertando com o 'fofinho', mas puxando as rédeas antes de ir para o lado errado do sentimentalismo. Um sedutor de platéias que certamente varrerá espectadores de Israel -- e também Egito se lá for permitida sua estréia -- públicos internacionais o receberão mais do que calorosamente." Jay Weissberg, Variety

"Houve uma certa chateação quando o adorável filme do israelense Eran Kolirin 'The Band's Visit', sobre um grupo de metais egípcio preso numa pequena cidade israelense, foi programado para uma prestigiada sessão de sábado na mostra Un Certain Regard. O diretor estava desconfortável com seu filme sendo exibido durante o Sabbath judeu, mas ele foi persuadido pela atriz principal, Ronit Elkabetz, de que nem Deus discute com os programadores de Cannes." Jason Solomons, The Guardian

"O roteiro de Kolirin pode não ser bem amarrado o bastante e o ritmo tranqüilo arrisca perder a platéia de vez em quando. Mas seus personagens consistentes, vivos e realistas, esplendidamente colocados frente à banalidade intencional de uma paisagem esquecida é memorável e eficiente. A cãmera de Shai Goldman o serve com imagens reminiscentes de pinturas de natureza morta." Dan Fainaru, Screen Daily

"O melhor filme do Festival de Cannes até agora, de longe. 'The Band's Visit' nos mostra o que é possível fazer não tendo um set e nem elementos para grandes bilheterias - você pode fazer um incrível filme sobre pessoas... Um 'pequeno' filme de grande alcance, foi recebido com um aplauso em crescendo na sua exibição na Un Certain Regard. Sublinhado com uma comédia leve e contraposto com revelações inesperadas, este filme é um oásis de criatividade dentro da barrenta grandiloqüência do festival." Ray Bennett

CHACUN SON CINÉMA de Vários - Fora de Competição

"A colaboração foi televisada na França através do Canal Plus simultaneamente com a exibição em Cannes e será lançado em DVD em 25 de maio... Especialmente a primeira parte dos curtas, a imagem dominante é a de velhos cinemas que cairam em estados irreformáveis, de desintegração e desuso... Como é a regra para esses tipos de compilações, esta é de certa forma superior que os demais, pois um bocado dos filmes são imaginativos, envolventes e/ou interessantemente pessoais; até os mais ruins contam com a virtude da brevidade. Ganha o prêmio de curta feito para puro entretenimento o filme de Walter Salles passado no Brasil." Todd McCarthy, Variety

"O resultado é uma sessão inspiradora composta pelo mesmo número de curtas, todos unidos por este tema fértil em sensações cinéfilas. Considerando que esse formato revela-se sempre problemático, os filmes de expressão e sentimento ganham em número dos eventuais tropeços, e um tropeço é um tropeço, mesmo com apenas três minutos." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio*

* na crítica, ele descreve os segmentos um a um, vale a espiada. Clique aqui.

(tradução das compilações da Greencine, Allocine e outras fontes)
  Bernardo Krivochein    domingo, maio 20, 2007
 
 
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