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REcap Fest Natalino

>> ALMODÓVAR 1 X 0 TARANTINO: O barraco do ano que não foi, justamente porque, entre todas as reações causadas pela polêmica declaração de Quentin Tarantino sobre o atual cinema italiano, coube ao espanhol Pedro Almodóvar dar o melhor chega-pra-lá no americano.

O princípio dessa quase-III-Guerra-Mundial foi em Cannes último, onde Tarantino declarou:

Eu realmente amava os filmes italianos dos anos 60 e 70. Mas o que aconteceu? É uma verdadeira tragédia. Os filmes italianos que assisti nos últimos anos têm sido sempre a mesma coisa. Eles só falam de garotas crescendo [para a vida adulta], garotos crescendo [idem], casais em crise e feriados para deficientes mentais [...] O cinema italiano atual é deprimente.

O que dividiu a classe cinematográfica italiana. Tarantino levou sabão de Sophia Loren, Fernan Ozpetek e, mais violentamente, do veterano Mario Bellocchio (“Tarantino é um bom diretor, mas fora de posição para nos dar lições. Ao dizer essas coisas, ele se revela um babaca que não entende de coisa nenhuma.”), ao passo que Pupi Avati e Dario argento, apesar de discordarem do tom agressivo da declaração, apoiaram a visão de que o cinema italiano atual é aborrecido.

Mas nessa briga de marido e mulher, o campeão foi a colher de Almodóvar que, ao receber o título de Comendador da Ordem do Mérito da República Italiana (uma das maiores honras civis conferidas pelo governo), fez um discurso no qual, após dedicar seu longa “Volver” à imagem da dona-de-casa italiana gravada em sua memória, partiu para fazer a melhor análise das palavras de Tarantino:

Quentin Tarantino é simpático e talentoso, mas que, de vez em quando, sofre de alguma espécie de incontinência verbal e, quando ele denigre o cinema italiano, duvido que ele tivesse em mente o cinema de Luchino Visconti, Pietro Germi e Pier Paolo Pasolini em mente, mas apenas aqueles cineastas do gênero do horror trash no qual ele se especializa, como [Mario] Bava, [Umberto] Lenzi e [Lucio] Fulci. Espanha e Itália possuem culturas semelhantes nas quais emoção, instinto, a arte de se sustentar e de sofrer para expressar o talento do indivíduo fazem parte do DNA nacional.

Melhor do que isso ter acontecido no ano em que Tarantino lança seu filme que mais se aproximaria da obra de Almodóvar (algo me diz que ele adoraria “À Prova de Morte”), é ver que Almodóvar conhece bem o seu trash horror. Por melhor diretor que seja Tarantino, falar do status quo do cinema de outros países é típica intimidação imperialista, comportamento integrado ao DNA de qualquer norte-americano. É como repreender brasileiros por não usarem mais cachos de bananas na cabeça ou se locomoverem pelas ruas da cidade numa fila de conga, tal como visto em “Orfeu Negro”.

Após anunciar a realização de “La Piel Que Habito” (instigante adaptação livre do romance “Mygale” de Thierry Jonquet sobre um cirurgião plástico que vinga-se do estuprados de sua filha, do qual Almodóvar disse que só manteria apenas uma cena), Almodóvar pretende realizar o seu “mais longo roteiro”, intitulado “Broken Hugs” e contando com Penelope Cruz como protagonista.

>> “DE LAMA LÂMINA”: MICARETA DE MATTHEW BARNEY EM MINAS GERAIS

Será que vai ter Ala das Amelie Poulains Roqueiras ou dos Óculos de Aros Grossos Alternativos? Sacaneio, mas é de inveja, simplesmente porque o pré-carnaval dos mineiros será mais “istáili” com a instalação “De Lama Lâmina” de Matthew Barney no Inhotim Centro de Arte Conteporânea, em Brumadinho, em processo de finalização e aguardada para abertura até março de 2008.

A instalação é de natureza brasileira: trata-se de um trator florestal que ergue à sua frente em sua espátula uma árvore de seis metros arrancada pela raiz (escalada por uma figura tipicamente barneyniana), com um homem semi-nu içado sob as engrenagens (como pode ser visto no episódio “Hoist” do omnibus “Destricted”) ao mesmo tempo que puxa uma enorme caixa de lama seca, sobre a qual os músicos do bloco carnavalesco de Arto Lindsay puxaram sambas tradicionais, mantras e riffs experimentais de guitarra no Carnaval da Bahia em 2004. Não é a tentativa de remontar “De Lama Lâmina” em outros estados do Brasil: a Bienal de SP teve que abandonar a idéia, uma vez que o chão não suportaria o peso da obra.

Não se sabe se nesta Barney Folia mineira, como na edição baiana, vai ter Arto Lindsay e bateria, nem Caetano Veloso (que apareceu para dar aquele “chêro”), nem Björk, assim como também não confirmaram presença AfroReggae, Harmonia do Samba, Banda Calypso e Ivetinha. Também não foram divulgados os preços dos abadás – de penas místicas de gansos virgens suicidas do leste de Istambul representando bastardizações pop dos ícones medievais, e no corte assimétrico atualmente tão superfashion. Espera-se que, assim como ocorreu na Bahia, os mineiros tenham a oportunidade de assistir também ao Ciclo Cremaster na íntegra (não que os não-mineiros não possam fazê-lo: oops, para este o link! http://www.greylodge.org/gpc/?p=383), talvez a estréia de seu último média-metragem (o registro do “De Lama Lâmina” na Bahia; imagino que seja algo como a parada japonesa numa das cenas de “Drawing Restraint 9”) e, quem sabe, a presença do próprio Sr. Björk durante os primeiros dias da instalação, como aguarda a fundação responsável por Inhotim.

E, apenas para gratuitamente satisfazer minha vontade de escrever minha nova palavra preferida, Inhotim, visite o site de Inhotim e procure pela programação de Inhotim. Inhotim. http://www.inhotim.org.br/

>> DEFINA “CINEMA DE ARTE”, SR. PROTAGONISTA-DO-REMAKE-DE-“LIGAÇÃO PERDIDA”-E –ASTRO-DE-“UMA VIDA EM SETE DIAS”

Edward Burns, sensação da cena independente quando seu longa-metragem “Os Irmãos McMullen” virou sensação da noite para o dia ao ganhar o prêmio de Melhor Filme no Festival de Sundance de mil-novecentos-e-lá-vai-bolinha, seguiu sua carreira com um contrato na Fox e trilha-sonora de Tom Petty com “She’s The One” (no Brasil, “Ela é” alguma-coisa, com Cameron Diaz, Burns et al), com algum sucesso, pôs tudo a perder ao sair da comédia de relacionamentos para o drama de relacionamentos “Uma Chance Para Ser Feliz”, estrelando Lauren Holly (então esposa de um Jim Carrey em ascensão: Holly o chifrou publicamente com Burns, que a roubou definitivamente de Carrey, levando o público a boicotar o filme) e Jon Bon Jovi (então uma merda de músico que Brurns ajudou a transformar numa merda de ator), filme que foi parar no fundo do caixote de VHS a 1,99 É Pra Acabar. Depois disso, a história de Cinderela do cinema independente estava se humilhando ao lado Xanxilina Xolie naquela obra-prima lá, fazendo papel de namorado em “Will & Grace” (de qual dos dois eu não sei). O meliante foi visto por último pagando mico (e peitinho!) na ei-pessoal-vamos-violar-a-obra-de-Ray-Bradbury-e-lucrar-no-sucesso-de-“O Efeito Borboleta”-ao-mesmo-tempo?!, atrocidade hilariante (mas mortal) “O Som do Trovão”, troço indescritível (mas im-per-dí-vel!) que faria o Zé do Caixão se recusar a gravar introdução caso fosse selecionado para passar no Cine Sinistro.

O auteur e dublê de galã irlandês continua na ativa e resolveu despirocar: acaba de lançar seu último filme, “Purple Violets” (que parece ser sobre uma escritora sofrendo com o peso das antecipações públicas em cima de sua carreira, mas é intitulado como um pornô com cenas exclusivamente anais), diretamente na internet como o primeiro longa-metragem exclusivo no iTunes (por quanto tempo...) por módicos 14,99 dólares. O longa, encabeçado por Selma Blair e Patrick Wilson, conta com o próprio Burns, Debra Messing e Dennis Farina no elenco. Tchudo mucho bunitchénhu, como preza o internetês, até que Burns, como no primeiro tópico deste post, abriu a boca para falar uma tarantinada daquelas:

“Este é o ano em que o Cinema de Arte morreu. Se as pessoas não estão indo ao cinema para assistirem a Reese Witherspoon e Tom Cruise, elas não irão para assistir a Patrick Wilson e a mim. A platéia simplesmente não está mais lá.”

Uma coisa é você falar do esvaziamento dos cinemas pela emergência de outros meios de entretenimento que superam o cinema no custo, conveniência e aproveitamento total da experiência – o cinema de entretenimento enquanto programa social virou diversão apenas para caipiras, porque se irrita mais com as conversas paralelas do que investe-se emocionalmente no que se assiste. Agora, daí para falar que é o Cinema de Arte que está morrendo, e ainda por cima utilizando os exemplinhos infelizes da citação, é o pior dos equívocos: os “filmes de arte” em questão são “Leões e Cordeiros”, estrelando Cruise, e “Rendition” estrelando Witherspoon, nenhum dos quais enquadram-se na categoria padrão de “Cinema de Arte”, seja nos orçamentos generosos (nas casas dos vários milhões) e nas suas ambições artísticas – tratam-se apenas de um tipo de cinema de entretenimento “adulto”, mais sério, metido, que aborda temáticas sócio-políticas em voga. Engajamento e informação não é sinônimo de “arte”: se você acredita no contrário, sinto informar-lhe que você é mortalmente retardado. Segundo: quando das salas de cinemas só restarem os escombros assombrados, abandonados por um público encantado com a magia da TV Digital, o único tipo de cinema que sobreviverá nas exibições raras, marginais, proibidas, será o de arte, porque seu público permanecerá fiel e resistirá na sua insistência em ter a experiência completa: a projeção, a grande escala. Por exemplo: vou ao cinema menos, é fato (não tenho essa grana toda), mas eu não parei de ir ao cinema – eu sei reconhecer que a oportunidade de se assistir um Friedkin, um Cassavetes, um Kar-wai ou um Resnais no cinema é um privilégio, portanto eu me desloco e faço o investimento. O público que aprecia esse tal “Cinema de Arte” – que, por si só, já é um termo amplamente utilizado apenas para denegrir um certo estilo de cinema ao qual o indivíduo, cheio de si, é contrário - é mais escroto, mais seletivo, mas quando vai, vai mais de uma vez, compra a lancheira, o bonequinho, etc. Terceiro: quem é que é idiota para medir sucesso de “Cinema de Arte” pela bilheteria que faz? Sério, porque eu não consigo me lembrar de ter visto Syberberg no topo da parada do Cineview ou a SET alardeando o Fassbinder como o diretor do blockbuster mais esperado do verão na capa. Burns deve estar se apegando às críticas positivas de quando ele era novidade e tá se achando gatinho ainda.

>> NOTA RÁPIDA SOBRE A SELEÇÃO DE SUNDANCE 2008
Na lista dos títulos das mostras competitivas do Festival de Sundance 2008, nenhum tupiniquim. Capitão Olavinho não vai subir o morro nevado de Park City, escolhendo Berlin para suas férias competitivas. Afinal, Alemanha, Nazismo, BOPE: casamento perfeito. Na bagagem, só precisa levar o saco.

O que mais me chamou a atenção entre os títulos da competição de Sundance deste ano foi o alemão “Die Welle” (The Wave) de Dennis Gansel, baseado na história verídica sobre as conseqüências sobre uma escola inteira de um experimento no qual um professor de História reproduz o estado nazista dentro de uma sala de aula, criando castas sociais dentro da classe. Para quem me acompanha há algum tempo, essa história já é velha: um telefilme foda pra caralho já foi feito em cima dessa história, “The Wave” (1981, Alexander Grasshoff), o qual citei favoravelmente ao alemão “A Experiência”, neguinho me perseguiu para saber onde que eu tinha visto o filme (na TNT), como consegui-lo (não sei até hoje) e que, pensando agora, explica muito do comportamento do público perante “Tropa de Elite”.

>> ALIÁS, PADILHA: Eu achava o discurso de José Padilha, condenando a interpretação idêntica que gostosos e desgostosos com seu “Tropa de Elite” extraíam da obra (a do BOPE como solução para a violência), hipócrita e reacionário (como já foi impecavelmente ilustrado pelo texto de Érico Fuks, o melhor entre todos já escritos sobre o filme, para a Cinequanon, intitulado “Tropa de Elite: Cosmética do Trapo” http://www.cinequanon.art.br/grandeangular_detalhe.php?id=34), mas algo me diz que talvez ele não faça a menor idéia do que está falando.

Explico: um episódio que passou sem a polêmica merecida foi o de Padilha, em conferência de imprensa nos EUA, falando como “Tropa de Elite” foi um projeto rejeitado pela Globo Filmes porque ele recusou-se a se comprometer o conteúdo e o impacto do filme com o “padrão Globo de Qualidade”. Até aí, palmas para o diretor: nós sabemos muito bem o que significa o tal “padrão Globo de Qualidade”: um preciosismo técnico e um falso bom gosto que, quando se percebe sem Ibope, nos rende as lendárias apelações para o Latininho e o Sushi Erótico; A Globo sem Ibope é como a tia que escolhe o aniversário da sobrinha de 5 anos para ficar bêbada e fazer uma cena sobre como seu casamento é um fracasso. As afirmações de Padilha foram “negadas” pelo chefe de departamento da Globo Filmes (ou coisa parecida). “Negada” está entre aspas, porque ele começa a declaração desdizendo Padilha e, em seguida, repetindo a história das fracassadas negociações praticamente palavra por palavra.

Mas a Globo é uma prostituta por Ibope e não apenas vai exibir o rejeitado “Tropa de Elite” como pretende fazer um seriado a partir do filme (confirmando que o filme não passa de fetiche sócio-engajado-fashion do momento, como o “Black (and Favelated) Is Beautiful” de “Cidade de Deus” et al). Da Rede do Plim Plim, a gente não esperaria por menos (“Instinto Selvagem” na íntegra, alguém?). Mas e de Padilha, que está abrindo as pernas para o conglomerado que quase condenou seu filme ao limbo aoter tão heroicamente confrontado o demônio da conformação estético-narrativa de Daniel Filho e cia.? Qual é a mensagem aqui? Certo, o filme agora existe e é conhecido na forma como Padilha o concebera, mas por que seria correto comprometê-lo em sua exibição televisiva (supondo que o será)?

Esse discurso do “eu agora digo isso/aquilo que eu disse não era o que eu quis dizer” já me cansou. Acho que Padilha se aproveita para virar a casaca quando lhe é mais conveniente e se diverte com a celeuma (barata) que cria. Acho que não estou puto nem com ele, mas com aqueles que compram que o discurso do filme não espelha a do seu diretor. Talvez não seja sempre o caso, fato. Mas acho que é o caso com este filme em particular, típico de um diretor que joga verde para colher maduro, alimentando a bestialidade das massas ao qual o filme se destina e depois fazendo média com o círculo de autores e debatedores afins, temendo que a reprimenda o exclua de suas reuniões burguesas que ele tanto sonha em freqüentar.

>> A (VERDADEIRA) MORTE DO SR. LAZARESCU: Ion Fiscuteanu, ator romeno que tornou-se mundialmente conhecido por sua interpretação do papel-título do fundamental “A Morte do Sr. Lazarescu” de Cristi Puiu, faleceu no último dia 11 de dezembro aos 70 anos, em Bucareste.

>> MOMENTO “ONDE ESTÁ O SEU DEUS AGORA?!?” DA SEMANA: Eu odiava “Young Folks” do Pete, Bjorn & John. Toda vez que eu via as alternativas-aspirantes-a-Amelie-Poulain fazendo a dança-padrão dos indies – a “alga submarina” (para um lado... para o outro..., independente do ritmo da música sendo tocada) – meu pau vestia seu casaco, saía da Casa da Matriz e caminhava contemplativo pela noite deserta, sendo somente encontrado na manhã seguinte, alimentando patos no lago do parque, pensando em sua própria vida. Cada vez que aquele assobio maldito irrompia pelo set do DJ, eu sentia um misterioso impulso de assassinar o presidente dos EUA.

Essa música infernizou a noite de rock durante o verão inteiro de 2007, noite dita alternativa (portanto supostamente freqüentada por um público antenado, mas isso já virou folclore), mas ela não passa(va) de uma versão de “Love Generation” para os anêmicos fotofóbicos fãs de Arctic Monkeys (claro que fui quase linchado pelos meus amigos quando fiz essa alusão em plena pista, em plenos pulmões). Chegam as listas de melhores canções e melhores álbuns de 2007 e... nada de Pete, Bjorn & John? Ah, deixe-me entender: popularizou-se demais, “se vendeu”, cansou. O mínimo que vocês poderiam fazer é mostrar um pouco mais de fidelidade e menos de hipocrisia.

Música preferida dos alternativos. Eis que me deparo com o primeiro episódio de “Gossip Girl”, idéia muito mequetrefe de um “Sex and the City” para piranhas pré-pubescentes baseado na famosa série de não-literatura adolescente. Música que abre o primeiro episódio e, portanto, toda a saga? “Young Folks” do Pete, Bjorn & John, ilustrando não as desventuras emocionais universitárias dos alternativos engajados com camiseta do Sonic Youth e óculos de aro grosso, mas sim de umas vagabundas louras ricaças em Nova York que só sabem dar o rabo e comprar na Prada. Yes! Música chiclete, mostra a tua (verdadeira) cara! Onde está o seu Deus agora, alternativo pentelho e arrogante?

Depois dessa, eu até baixei a música no meu iPod e ando sorridente pela rua ao imaginar um clipe para ela, no qual a lotação da Drinkeria Maldita corta aos pulsos ao perceberem que não se diferenciam em nada dos playboys que tanto desprezam, provavelmente ouvindo a mesma “Young Folks” enquanto dão voadoras nas costelas das freqüentadoras do Baronetti.

>> MEU FILME, SUA FRANQUIA: Sim existe um “Pânico na Floresta 2”: a continuação DTV dirigida pelo fanboy Joe Lynch acabou preenchendo vagas em diversos festivais de cinema fantástico mundo afora com bastante êxito. Trata-se de um terror completamente noves-fora sobre um grupo de participantes de um reality show aventurando-se no território dos caipiras deformados do primeiro episódio. Eu gostaria de dizer que compartilho da mesma surpresa ardorosa que pegou muitos desprevenidos (quão bom poderia a continuação de um terror fracassado ser, não é?), mas o que encontrei foi um filme apenas divertidinho, com mucho gusto pela escatologia, de fato, mas sem nenhuma amostra de criatividade nas outras frontes: a trama é derivativa, os personagens são péssimos, os diálogos bem fracos, a cinematografia é feiosa e, pecado mortal, não dá medo nem nojo. É galhofa pura e tem sim coisas bem engraçadas, especialmente quando Lynch resolve apostar nos aspectos mais bizarros, mas é isso aí: uma comédia cujo humor é do tipo “eca!” Ando procurando algo mais desafiador do meu cinema fantástico, se é que me faço entender. Acho que o filme de terror contemporâneo pode oferecer muito mais do que só “nojinho”.

Se o seu desejo ainda é assistir a contribuição de Lynch ao gênero, procure “Pânico na Floresta 2”, que se chama nas prateleiras das locadoras “Floresta do Mal”. Não se confunda, existe sim um “Pânico na Floresta 2” nas prateleiras - que não é “Pânico na Floresta 2”. Acontece que o primeiro “Pânico na Floresta”, apesar de realixzado pela Fox, foi distribuído no Brasil pela PlayArte. Quando calhou da Fox fazer uma continuação e lançá-la ela mesma em DVD no Brasil, o título da franquia estava nas mãos da PlayArte; a Fox inventou um outro nome, a PlayArte não se fez de rogada e inventou um genérico para dar capitalizar na “fama” daquele primeiro “Wrong Turn”. Mas que filme seria então este intitulado “Pânico na Floresta 2” pela PlayArte?

Aqui está o grande tesouro: trata-se de lançamento antecipadíssimo de “Timber Falls” de Tony Giglio, outro filme de terror também bastante elogiado em festivais de cinema fantástico que, aparentemente após o sucesso em Bruxelas, foi comprado para distribuição cinematográfica nos EUA por uma divisão minor de um grande estúdio. Ainda não vi o filme, mas tenho lido boas coisas sobre ele. Fica para esse fim de semana.
  Bernardo Krivochein    sexta-feira, dezembro 21, 2007
 
 
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