blogINDIE 2006


Zumbidos de Cannes: Dia 7

Still de The Man From London (Londoni férfi) de Bela Tarr

THE MAN FROM LONDON (Londoni férfi) de Bela Tarr - Em Competição

"Baseado no romance de Georges Simenon..., 'The Man From London' não é, apesar do seu título e da presença proemninete de Tilda Swinton no elenco, um filme de língua inglesa [Swinton foi dublada por uma atriz húngara] Isto cria uma sensação muito peculiar de filme-estrangeiro-dos-anos-60 que nada mais é do que a imersão de Tarr na dureza preto-e-branco da Europa e, natch, a condição humana... Aqueles que se deleitam na melancolia agudamente conjurada de Tarr (e eu sou um deles) irão delirar. Quanto ao júri de Cannes - o filme compete no festival - imagino que eles vão passar." Glenn Kenny, Premiere

"A imprensa internacional certamente se lembrará por um longo tempo da exibição de ontem na competição de Cannes, 'The Man From London' do diretor húngaro Béla Tarr, que deu uma aula de cinema em sua forma mais hipnótica.

Embebendo o gênero do filme detetivesco (roubo, perseguição, investigação cruzada) em seu ritmo caracteristicamente contemplativo que nos conduz a uma percepção da realidade que é um tanto incomum na tela grande, 'The Man from London' desvenda, em preto-e-branco, o talento cinematográfico quintessencial de Tarr. Navegando no tempo e espaço, exagerado pelo tamanho de seus planos (a cena de abertura são 15 minutos de silêncio que terminam com uma tela escura), o diretor nos mostra seu talento artístico precioso.

Luzes e sombras impressionantes, infindos movimentos de câmera com uma fluidez excepcional e rara criatividade em espaços confinados, uma trilha-sonora assombrosa que se alterna entre o pingar de gotas como uma tortura chinesa e um relógio com dois toques recorrentes (um opressor, o outro melancólico), closes onde os rostos são escrutinizados, com um mar infinito se estendendo no fundo - Tarr se esforça ao seu limite, abrindo novos territórios àqueles que desejam explorá-lo." Fabien Lemercier, Cineuropa

THE EDGE OF REASON (Auf der anderen Seite) de Faith Akin - Em Competição

"'The Edge of Heaven', ritmicamente equilibrado e apresentando um leque de personagens inteligentes e carismáticos os quais todos mereceriam um filme só para cada um deles, abunda com dramas políticos e pessoais. Ele ataca, sem nunca simplificar ou tentar amarrar de forma certinha, assuntos de diáspora e de comportamentos multigeracionais. Também faz questões pertinentes sobre o impacto que a possível entrada na União Européia terá sobre o povo turco. Mas com tantos personagens e relacionamentos intrigantes, é frustrante que Akin não se deu tempo de juntá-los de forma mais convincente." Sukhdev Sandhu, The Telegraph

"O momento em que um bom diretor atravessa a ponte de sua carreira para se tornar um talento internacional está vividamente clara em 'The Edge of Heaven', o maduro, seguro e profundamente emocionante quinto filme de Faith Akin. Com um elenco soberbo, o drama no qual as vidas e arcos emocionais de seis pessoas - 4 turcos e 2 alemães - se entrecruzam através do amor e da tragédia, leva o atual interesse do diretor por duas culturas aparentemente divergentes a um nível de humanismo que está muito além de seu 'Contra a Parede' de 2003 ou a comédia dramática 'In July' de 2000. Distribuidores robustos certamente irão checá-lo." Derek Elley, Variety

"O diretor Fatih Akin continua sua pesquisa minuciosa sobre tudo aquilo que nos divide e interliga diferentes culturas e gerações em seu profundo filme em competição 'The Edge of Heaven.' Tal qual seu vencedor do Urso de Ouro em Berlin 2004 'Contra a Parede', o filme lida com indivíduos turcos vivendo na Alemanha, mas desta vez ele conduz a história de volta à Istambul." Ray Bennett, The Hollywood Reporter

TEHELIM de Raphael Nadjari - Em Competição

"Rapaz... Nadjari pôs o maior ovo do festival com um filme enormemente decepcionante após seu ótimo e intenso drama 'Avanim', um dos poucos filmes israelenses realmente bons dos último anos." Robert Koehler, filmjourney.org

"'Tehelim' [Salmos] é um drama quieto, sutil e notavelmente controlado. é tão suavemente precioso em cada pequeno detalhe e com um ritmo tão seguro e sem pressa à caminho de seu objetivo que as platéias rapidamente esquecerão que assistem a um filme e acreditarão que é a vida em si se desenrolando frente aos seus olhos." Dan Fainaru, Screen Daily

"É sobre o que acontece quando um homem desaparece de repente de sua outrora pacífica vizinhança em Jerusalém. a história examina não apenas as políticas da região como o impacto religioso que o desaparecimento tem sobre a esposa e filhos do homem. Esse foco estreito limitará severamente o apelo do filme." Ray Bennett, The Hollywood Reporter

"Explorando uma perda não-resolvida com a veracidade de um documentário, este conto íntimo e perturbador se provará mais frustrante do que esclarecedor para vários espectadores, apesar de sua premissa provocadora de debates." Lisa Nesselson, Variety.

PERSEPOLIS de Mariane Satrapi e Vincent Paronnaud - Em Competição

"Os temores que regularmente impactante 'Persepolis' seria diluído e embonecado em sua adaptação cinematográfica são na maior parte do tempo sem fundamento: dirigido pela própria Satrapi com a ajuda do quadrinhista underground Vincent Paronnaud, o filme é notavelmente fiel à tetralogia épica sobre o rito de passagem da autora. A principal limitação de Persepolis enquanto obra cinematográfica é sua estrutura episódica, que o deixa mais parecido com uma série de curtas autobiográficos amarrados do que um filme com um arco dramático.

Essa mesma fidelidade pode ser decepcionante para o público, especialmente na França (onde será lançado 23 de Junho) onde centenas de milhares de livros foram vendidos: não há nada no filme que não já esteja na sua versão impressa e alguns dos leitores de Satrapi podem resistir a irem ao cinema apenas para ver uma versão animada de seu romance Bildungsroman. Mas no exterior, os livros de Persepolis venderam apenas o bastante para criar um hype sem inundar o mercado - condições perfeitas para uma adaptação de uma graphic novel." Lee Marshall, Screen Daily

"Ao assistir 'Persepolis', o espectador diverte-se muito e aprende enormemente sobre a cultura iraniana. Aqueles que leram os quadrinhos sabem que trata-se de um mergulho em Teerã, à época da queda do Shah e da revolução islâmica, através dos olhos de uma jovem livre, fútil e insolente. Podemos aliás evocar esse mesmo assunto á outro freqüentador de Cannes, Nanni Moretti, pois Marjane Satrapi realiza igualmente aqui um retrato cheio de ironia. O filme não é de uma evidente dimensão universal esta que, somada às suas qualiddes formais (a simplicidade não impede a criatividade) e um elenco de vozes impecável (Darrieux que xinga feito um marinheiro, Chiara Mastroianni que diverte com seu canto falso...), faz do filme um candidato á palma mais do que crível." Allocine

"Qualquer incrédulo ainda não convencido de que a animação pode ser um meio excitante tanto para crianças quanto para adultos vai ter seus argumentos esgotados à face de 'Persepolis.' Como a série graphic novel em 4 volumes na qual é baseada, este tour de force autobiográfico é completamente acessível e arte da mais alta ordem. O conto em primeira pessoa da rebelde Marjane Satrapi, que tinha 8 anos quando a revolução islâmica transformou sua nativa Teerã, carrega um lirismo corajoso que espalha grandes alegrias e imensa tristeza." Lisa Neeselson, Variety

(nota: os volumes de Persepolis estão disponíveis no Brasil pela Companhia das Letras - O 4º e último volume foi lançado este ano)

MISTER LONELY de Harmony Korine - Un Certain Regard

"O filme mais desnorteante que assisti até agora foi 'Mister Lonely' de Harmony Korine. A exploração colorida de um grupo de imitadores de celebridades terá seus adordores e seus detratores. Eu ainda não sei bem onde me encaixo nessa equação. É a história de um artista de rua chamado Michael (Diego Luna), que ganha a vida imitando o Rei do pop. Desncantado com sua existência marginal, ele faz amizade com uma imitadora de Marilyn Monroe (Samantha Morton) que o seduz para um castelo escocês que serve de comuna para outras faux faces famosas (incluindo Anita Pallenberg como Rainha Elizabeth II, e James Fox como o Papa). Enquanto isso, Korine introduz uma história bizarra mas divertida estrelando Werner Herzog como um padre na América do Sul que pode ter descoberto freiras voadoras... É um filme enlouquecedor, em partes iguais frustrante e envolvente que me lembrou um bocado de 'Palíndromos' de Todd Solondz. E, tal qual aquele subestimado filme, este aqui será bem divisivo. Enquanto narrador, é o trabalho mais maduro de Korine e ele mais ou menos se conteve nas texturas ríspidas e nas imagens perturbadoras de seus trabalhos anteriores." Matt Dentler, SXSW Blog

"Sei lá, cara, sei lá. Depois da exibição, ouvi alguém mais velho e sábio do que eu fazer a seguinte observação: 'Aqui na Europa, você consegue alguém para financiar um filme assim sem o menor problema; 3 milhões de euros, pode levar. E sem a menor dúvida será selecionado pelo comitê de Cannes, o comitê de Veneza. Enquanto isso, não é diferente de nenhum filme que um casal do 20e arrondissement, ou da o 68th Street de Manhattan no caso, sequer pagaria 10 dólares para ver. Ou colocar um centavo na prodição.' antes que você pense que ele estava protestando, ele pronunciou tudo isso com um sorriso furtivo. E por que não."Glenn Kenny, Premiere

GO GO TALES de Abel Ferrara - Midnight Selection

"Meu filme favorito feito por um diretor americano até agora - apesar de financiado e filmado na Itália - é 'Go Go Tales' de Abel Ferrara, exibido fora de competição como parte da seção da meia-noite. A selvagem e selvagemente alegórica comédia se passa durante o curso de uma longa noite movimentada no decadente clube de striptease Paradise Lounge... Esse adorávelmente pervertido clima de cabaré evoca 'O Assassinato do Bookmaker Chinês', mas com sua exacerbada melancolia e calorosa vibração comunitária, este poderia ser o 'A Última Noite' de Ferrara, terminando não com um fade out gracioso, mas numa nota desafiadora."Dennis Lim, IFC News

"Algo em torno de um terço da platéia abandonou a sessão de ontem. Aqueles que permaneceram eram devotos de Ferrara, ávidos, quase fanáticos. Ofendidos pela debandada de seus inimigos jurados, eles se vingaram no final esbravejando sua desafiadora apreciação durante os créditos finais. Essa manifestação, no entanto, era frustrada pois estavam apenas a demonstrando para si mesmo ao que o público que ela era direcionada já se encontrava dormindo em seus quartos há muito tempo." Xan Brooks, The Guardian

(tradução das compilações da Greencine, Allocine e outras fontes)
  Bernardo Krivochein    terça-feira, maio 22, 2007
 
 
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