blogINDIE 2006



Cinema Sim fala de um cinema-arte que inclui um espectador em pé, desperto.

Dispa-se de suas idéias sobre cinema. Imagine que é possível experimentar uma outra concepção de imagem em movimento que vai além daquilo que você conhece como oficial. Se algum dia você pensou em criar uma imagem com sua câmera portátil e fazer um vídeo, saiba que poderia ir muito além e criar sua própria máquina. A exposição "Cinema Sim - Narrativas e Projeções" traz experiências que vão além da velha arte centenária de contar histórias (e a questiona essencialmente) e nos coloca em pé diante das questões que envolvem a especularidade. Não é, como diz o curador, Roberto Moreira S. Cruz, no catálogo, "uma exposição sobre cinema, mas sobre idéias e conceitos que relacionam o cinema às artes visuais".

O que surpreende na exposição além dos 18 trabalhos dos 11 artistas é sua concepção conceitual sofisticada do início ao fim. Com apuro e bom gosto, a museografia de Valdy Lopes Jn (diretor de arte de filmes importantes como Cinema, Aspirinas e Urubus de Marcelo Gomes e Linha de Passe de Walter Salles e Daniela Thomas) nos insere num espaço imersivamente escuro, perfeito para fruir as obras e quem sabe criar modos de ver que assim como o cinema falam mais próximos ao inconsciente, (nos mínimos detalhes como em pequenas frestas de espelhos pregadas em certos lugares que nos dão a sensação de estar espiando um outro lado que na verdade não há; como nas imagens iniciais do cinema de Muybridge na escada do Itaú Cultural; como em toda iluminação ou nos letreiros na entrada inspirados em Blow Up de Antonioni e até mesmo nos displays eletrônicos com as informações sobre as obras).

Com todo este cuidado cenográfico, no entanto, o evento não suplanta as próprias obras, motivo principal de tudo. E a exposição foge da linha "cenográfica" - como aquelas que são produzidas para além de um contéudo estético e que plantam sua base na construção de uma temática, como as exposições tão comuns no Museu da Língua Portuguesa ou na Oca em São Paulo, ou a dos museus temáticos como o Museu do Futebol. Nestas exposições e museus temáticos interessa mais a cenografia e o nível de envolvimento criado com o espectador ( se intenciona uma interação, um jogo). Não há obras (em si ou per se) mas sim uma alusão a artistas ou movimentos que são explorados de maneira imersiva, às vezes superficial, às vezes divertidamente lúdica.

"Cinema Sim" não tem nada a ver com esta onda. Os artistas e suas obras estão ali como centro de uma curadoria, que demonstra um grande interesse nas idéias. E todo o entorno colabora para a obra. Isto deve ter feito os artistas convidados muito felizes.

No geral, as obras parecem estar divididas em duas grandes intenções. De um lado estão as máquinas criadoras de imagens, luz ou sensações que questionam a essência desta grande estrutura de imagem que temos do mundo ( das câmeras fotográficas industriais, das lentes, tema já tão discutido pelos teóricos da semiótica). Nesta experiência criativa está uma questão política na qual o artista se defronta com a sua capacidade de reconstruir o conceito, o clichê ou o produto pronto de consumo:imagem.

Neste nicho estão as obras do brasileiro Milton Marques (verdadeira engenhocas de desconstrução e construção alternativa do fazer ver, uma realidade própria, especial), do suiço Peter Fischer ( "Repellus" e "Fly", a engenharia perfeita para a experiência do visível ou invisível, (de arrepiar!)) e a cereja do bolo: a instalação do inglês Antony Maccall ( You and I, Horizontal III) - a luz dos projetores e uma neblina criam um volume de forma abstrata e um desenho de uma linha. A sala irradia esta luz e um milhão de sensações compartilhadas com outros ao mesmo tempo. Muita técnica, pouca técnica, sofisticação X alternativo. E quando você olha para cima e vê a pequena lâmpada do espanhol Rubén Ramos Balsa (no mesmo andar) e ouve os pés sapateando numa quase imagem, lembra-se que há algo de surreal nesta construção do olhar.

Quase tudo em Cinema Sim intenciona lembrar esta condição ilusionista e porque não, uma política do olhar.

Do outro lado, estão as obras narrativas, aquelas cuja síntese de contestação se encontra no seio da estrutura semiótica. O elo comunicacional se quebra na contemplação das fotos animadas da brasileira Rosangela Rennó, "Frutos Estranhos", e no questionamento de onde se move, como se move, porque se move, a pele de 45 minutos do francês genial e já falecido, no ano passado, Thierry Kuntzel ( a obra "La Peau" que transita entre os dois nichos, já que usa um projetor especial com bitola de 70mm e recurso mecânico de looping, para contar sobre esta pele, uma metáfora do que se toca no olhar).

Sabemos que a vídeoarte sempre foi o Cinema Sim da história do audiovisual e que os artistas comungavam do experimental na arte, ocupando as galerias com seus vídeos e processos de desconstrução narrativa. Neste sentido, toda experiência narrativa tem referências nesta história, e a simultaneidade de eventos na obra do coreano Yong Seok-Oh em parte se revela nesta possibilidade múltipla de um cinema arte.

Há ainda a obra sensível e quase perfeita do japonês Hiraki Sawa, "Going Places, Sitting Down" cujo os protagonistas são cavalinhos de pau de balanço em casas inglesas, um universo muito particular.

Enfim, muito a se discutir no Seminário Ainda Cinema, que contará com a presença dos artistas e de um dos mais importantes teóricos franceses nesta área, Raymond Bellour, no sábado dia 01. É entrada franca e livre! O Seminário está sendo transmitido online. Veja no site tudo a respeito das obras e seminário e a mostra de vídeo: O Visível e o Invisível com curadoria de Berta Siechel, diretora do Dept de Audiovisual do Centro de Arte Reina Sofia em Madri.

A exposição fica em cartaz até dia 21 de dezembro.
"Cinema Sim - Narrativas e Projeções", no Itaú Cultural ( Av. Paulista 149, São Paulo).
  Francesca Azzi    quarta-feira, outubro 29, 2008    1 comentários
 
 



My name is Wakamatsu

Você nunca ouviu falar dele? Não sabe como pronuncia seu nome? É Wa(ua)kamatsu. Ele é japonês, hoje tem 71 anos e apesar de ter dirigido mais de 100 filmes, nunca foi exibido no Brasil. A Zeta Filmes e o SESC SP, junto ao CINESESC, terão o prazer de exibir 6 filmes na retrospectiva CINEMA RADICAL: KOJI WAKAMATSU dentro do INDIE 2008 São Paulo ( de 6 a 12 de novembro). Expoente do estilo pinku eiga ou pink films (filmes com forte erotismo, alguma nudez, violência psicológica, polêmicos para a reservada cultura japonesa do pós-guerra), sua obra passa a ter um caráter mais político e controverso, sendo censurado e incomprendido muitas vezes.

Veja o que Cássio Starling adiantou no BLOG ILUSTRADA NO CINEMA sobre Wakamatsu e sobre o INDIE EM SP.

Indie fará ataque cor-de-rosa em SP

"Aviso aos maratonistas: o tempo para retomar o fôlego será de apenas uma semana.
A esta altura todo mundo sabe que a Mostra Internacional de Cinema de SP, que começa nesta sexta, confirma-se, com números cada vez mais ciclópicos, como o maior evento cinematográfico da cidade. A correria para encaixar tudo o que se quer ver vai até o dia 30, e depois sempre tem aqueles dias a mais de repescagem.
A boa notícia é que, depois de estrear mansinho no ano passado, o Indie retorna a São Paulo no intervalo entre o fim da mostra e o início do Mix Brasil, que sempre traz alguns títulos interessantes. A abertura, neste ano, será no dia 6 (para convidados), e a programação se estenderá até 12 de novembro, sempre no Cinesesc (r. Augusta, 2.075), com ingressos a R$ 6 (R$3,00, estudante). A versão belo-horizontina do Indie, aberta na quinta passada, encerra-se hoje, depois de levar 134 títulos ao entusiasmado público da capital mineira.

Em São Paulo, segundo Francesca Azzi, que integra o trio de curadores do evento, o recorte manterá os títulos completamente inéditos das seções “Mostra Mundial”, “Premiers Films”, “Música do Underground” e “Nippon Connection”. Mas a cereja do bolo é a seleção de seis títulos do mestre do “pinku eiga”, Koji Wakamatsu.

Um dos mais sólidos gêneros do cinema japonês a partir dos anos 60, os “filmes rosa” foram, além de extremamente populares, território de experimentação estética e simbólica para diretores que ainda permanecem fora do cânone. Na opinião do diretor Nagisa Oshima, cujo ousado “Império dos Sentidos” bebeu direto na fonte dos “pinku”, “os filmes de Koji Wakamatsu oferecem aos seus espectadores uma experiência que não tem equivalente sob a luz do sol. É a voz do desejo, dos propósitos delituosos e, portanto, da miséria matizada, que ecoa na noite. Conseqüentemente, a relação entre os filmes de Wakamatsu e o espectador é altamente subjetiva, privada e, portanto, concreta”.

O pessoal do Indie preferiu manter segredo dos seis títulos que integram a mostra Wakamatsu, mas pelo menos três já estão confirmados: “The Embryo Hunts in Secret” (de 1966) é descrito como “um primor de claustrofobia e assédio sexual”; “Ecstasy of the Angels” (de 1972) mistura radicalismo político e violência sexual a um uso expressivo de distintas bitolas que conduz o filme para além dos limites do experimental; por fim, “United Red Army” (2007) (trailer), seu trabalho mais recente, mantém evidente a vocação política do cinema de Wakamatsu ao reconstituir a evolução de uma fração do movimento estudantil dos anos 60 até se transformar em um grupo terrorista alinhado com as Brigadas Vermelhas italianas e os alemães Baader-Meinhof.

Em pleno acordo com o espírito do Indie, é preciso garimpar para descobrir bons trabalhos que ainda se encontram fora do circuito óbvio da consagração cinéfila. Neste sentido, a mostra realizada pela Zeta Filmes preserva a idéia de risco, tanto para o melhor como para o pior. Do que foi exibido em BH e vale, desde já, a atenção curiosa está “Quando Eu Era uma Criança Lá Fora”, terceiro trabalho de John Torres que mistura documentário e auto-ficção. Trata-se de um exemplar do emergente cinema filipino que pode satisfazer quem tem interesse por descobertas.
Outro título que já chega com certa repercussão é “Tudo Perdoado”, estréia na direção da francesa Mia Hansen-Love (ex-crítica dos “Cahiers du Cinéma”). Definido pelo colega Eduardo Valente como “pequeno filme grande”, o que é sempre mais estimulante que os “grandes filmes pequenos” que costumam entulhar os caminhos da cinefilia curiosa."(dia 15/10/2008)


Logo publicaremos no site e comentaremos aqui no blog a programação do INDIE SP. Ainda estamos fechando alguns filmes. Até breve!
  Francesca Azzi    segunda-feira, outubro 20, 2008    6 comentários
 
 



INDIE 2008 anuncia balanço final

O INDIE 2008 - MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL terminou nesta última quinta-feira, dia 16 de outubro. Nesta oitava edição, durante sete dias, o INDIE teve mais uma vez uma grande presença do público alcançando 12.758 mil espectadores. Foram exibidos 134 filmes, sendo 72 inéditos no país, produções de 17 países, em 121 sessões.

O INDIE 2008 – MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL teve patrocínio da Oi, apoio da Contax e Oi Futuro com os benefícios da Lei Estadual de Incentivo a Cultura de Minas Gerais e Lei Municipal de Incentivo a Cultura de Belo Horizonte. Uma realização da produtora Zeta Filmes.

Numa edição marcada pelo cinema independente, autoral e, principalmente, pela produção de uma nova geração de realizadores, o INDIE 2008 dividiu sua programação em sete programas. Entre eles, os já tradicionais Mostra Mundial, Indie Brasil e Música do Underground. Além dos programas especiais que foram Nippon Connection on Tour dedicado ao audiovisual contemporâneo japonês; Nova Escola de Berlim que exibiu os novos expoentes do cinema alemão; e a Premiers Films que trouxe cinco realizadores franceses estreantes.

Entre os sucessos de público este ano ficaram filmes como Joy Division, Anywhere USA, A Fronteira da Alvorada, Como Ser, O Silêncio de Lorna e o mineiro Tomba Homem que teve direito a sessão dupla. Todas as sessões tiveram entrada franca e foram realizadas no Usina Unibanco de Cinema e Cine Humberto Mauro.

O INDIE 2008 segue agora, pela segunda vez, para a sua versão paulistana. Durante os dias 6 a 12 de novembro, no CINESESC, uma parte da programação do Indie, com cerca de 28 filmes, será exibida em 34 sessões, numa realização conjunta com o SESC SP.

O nona edição do INDIE acontecerá em outubro de 2009.
  INDIE    segunda-feira, outubro 20, 2008    0 comentários
 
 


O Indie e seu público

Muitos jornalistas, amigos e pessoas envolvidas com cinema, comentam que não entendem o fenômeno de público do Indie. Outros comentam que os festivais estão sempre cheios ( nem sempre para ver filmes, não é?) e depois as salas do circuito cultural ficam vazias e para onde vai toda esta gente? Isto, em Belo Horizonte. Mas muita gente também sempre diz que não entende como o Indie, por ter uma programação bem complexa, com filmes de diretores estreantes, muitas novidades, consegue atrair este público. Talvez só uma pesquisa possa responder estas tantas perguntas. Achamos isto e aquilo, mas não temos nenhuma certeza. Olhamos o nosso público com curiosidade e ficamos lá no meio organizando filas, formatos de exibição e sessões junto com os monitores, os porteiros, bilheteiras, técnicos do Usina e da Rain Digital ( que aliás agradecemos muito todo o apoio). A verdade é que não sabemos porquê.

Observamos este ano que o público está cada vez mais jovem, e pensamos que também é natural que seja assim, afinal, teoricamente nosso público inicial já envelheceu 8 anos. Então quem tinha 18 anos em 2001, hoje está com 26 anos, já trabalha, já está com a tarde ocupada, é natural que diminua o ritmo de freqüência. Mas novos garotos estão com 18 e estão lá. É esta renovação que nos interessa, e claro a manutenção também de um público adulto, formado alí.

Não acho que é apenas a gratuidade que torna mais acessível ao público, nem é como diz um jornalista mineiro, uma hipocrisia falar em democracia nos festivais, já que o público seria de classe média (ele também não sabe porque não freqüenta os festivais. Aliás ele nunca foi lá no Indie para ver qual é a cara deste público ( Não foi por falta de convite!). E ele também não fez pesquisa para saber quais as camadas da população são privilegiadas com a entrada franca). Enfim, estamos todos falando sem saber.

O fato é que não interessa apenas que seja um público grande, interessa que seja um público de qualidade que busca conteúdos culturais de alto nível informacional. O Indie nunca se disse democrático quanto a seu contéudo, pelo contrário, a proposta é articular novos contéudos estéticos que não são de fácil assimilação, instigar valores estéticos e éticos que vão além da indústria cultural padronizada e que se encontram fora do mercado/circuito comercial. Enfim, neste sentido, nosso público se mostra sim um público privilegiado, não no sentido de classes, mas de conseguir assimilar conteúdos complexos. Esta é a idéia de formação de público. Apresentar e cultivar o prazer estético, manter uma certa regularidade destes contéudos e permanecer. Talvez esta seja, entre todas, a missão do festival mais importante: permanecer para conseguir formar o hábito, para apostar no futuro de uma cidade onde o cinemas de ruas e o cinema cultural está quase desaparecendo.


Veja então, o público do Indie deste ano!












Fotos: Alexandre C. Mota ( Aldeia Fotografia e Imagem)
  Francesca Azzi    quarta-feira, outubro 15, 2008    1 comentários
 
 



Um cinema de garagem, um Gibi

O cinema (apesar de sua grandiosidade e ubiqüidade como arte moderna e industrial, reproduzível e amplamente distribuída), pode ser uma experiência única, pequena, não-comercial e quase artesanal. No Indie 2008, o programa Cinema de Garagem, que tem curadoria do video-artista Dellani Lima busca a presença destes filmes feitos com nenhum orçamento, nenhum patrocínio e que são o retrato daquilo que chamamos primeiras experiências cinematográficas. Apesar da câmera estar lá, a edição, a idéia e o conceito que envolve a narrativa, há por trás destes filmes, um livre manifesto, é onde está o conceito de experimentação, num sentido estético mas também no sentido vanguardista de quebra das normas pré-estabelecidas, a busca pela renovação do código, o novo? Claro que sabemos que as vanguardas não existem mais, mas há no gesto da provocação um resquício de tentativa, um compromisso com a criação, uma liberdade, uma jovialidade, uma contestação que só pode ser compartilhada com um público assim tão jovem quanto. Hoje, a sala estava lotada, um riso solto no ar a cado pequeno detalhe, denunciava: estamos todos aqui reunidos para ver o que há de ser experimentado! Estamos aqui reunidos para comemorar o Cinema de Garagem, quer tema melhor? Quer público melhor do que este? Tudo em aberto...

Amanhã, muito aguardado é o Tomba Homem de Gibi Cardoso. Ele, o Gibi, é figura carimbada na cidade, e com certeza terá um público grande. Já estamos pensando em fazer a segunda sessão. O que Gibi ressaltou durante os Diálogos Independentes foi também a sua experiência com os diretores Cao Guimarães e Lucas Bambozzi ao usar seus instintos para achar personagens (Alma do Osso, Andarilho, Fim do Sem fim etc) e que por muito tempo buscou a Tomba Homem. No filme, me impressionou o cuidado que Gibi teve com Tomba Homem, um olhar observador, leve e nada agressivo, uma visão gentil, poética de um travesti que já é idoso, doente, cheio de histórias do passado, mas nada rancoroso.

Gibi não teve patrocínio para realizar o filme, e não conseguiu nenhuma captação através das leis de incentivo, mesmo assim não desistiu e usou o seu bar para arrecadar dos amigos o dinheiro necessário para realizar seu primeiro filme. Qual será seu próximo personagem? É o que eu queria perguntar para ele.

Mariana Peixoto, jornalista do Estado de Minas, fez uma matéria de capa do Caderno EM Cultura, com o Gibi Cardoso, hoje, dia 13/10. Entenda melhor quem é Tomba Homem e Gibi, lendo a matéria aqui.
  Francesca Azzi    segunda-feira, outubro 13, 2008    0 comentários
 
 


How to Be é a cara do Indie

São 5:50. A sala está lotada e as pessoas estão felizes. É o filme de Oliver Irving, How to be ( Como Ser) com o ator já bem cultzinho ( tem até fãs no Brasil!) Robert Pattinson - que além de cara de menino confuso e carente no papel de Arthur, arranca gargalhadas do público com sua falta de jeito, meio angustiado.

Em How To Be, Art passa por aquele período que grande parte do próprio público do Indie pode estar passando, uma fase em que não sabemos nem o que ser, nem como ser. Ele tem 20 e poucos e está desajustado, quer ser músico, e toma um fora de sua namorada. O pai e a mãe o ignoram, mas através de um livro de auto-ajuda, ele vai tentar reverter esta história.

Talvez você não se identifique com esta comédia leve, mas How To Be é um filme jovem, criativo e tem tudo a ver com grande parte do público do Indie.
Veja seus próximos horários aqui.

Assista ao recado do produtor inglês do filme, Justin Kelly, para o público do Indie. Atenção, ele está falando em português.

  Francesca Azzi    sábado, outubro 11, 2008    1 comentários
 
 



O pungente Loren Cass abre as sessões do Indie 2008.

Cena a cena, Chris Fuller vai tirando imagens que há muito habita a sua mente e as transforma em cinema. Os muitos momentos das viagens noturnas no ônibus, as imagens da high school, a sua suja suja cidade, a beira do sujo sujo mar. Quando Jason deita no chão, na porta de casa, ele espera. Nicole quando transa, transa, com este, agora com aquele, espera. Esperam a grande tormenta, que irá movimentar o chão e os arrancar de lá, esperam que algo de ruim aconteça. Nada de bom poderia acontecer, não é mesmo? Loren Cass está lá, tatuada. Os conflitos sociais permeiam todo o filme, imagens na TV não permitem esquecer, não são o pano de fundo, elas habitam e são construídas, inventadas, originadas, também pela espera de cada um daqueles jovens de Saint Petersburg.

Fuller começou a pensar em Loren Cass quando tinha 15 anos, passou 3 anos escrevendo o roteiro, filmou em 14 dias, editou em 6 meses, ele tinha 21 anos. Um filme notadamente cheio de pequenas idéias, pensadas, planejadas, que habitavam a mente desse novo cineasta americano. O que seria do cinema sem as pequenas idéias?

Assista ao trailer do filme abaixo e veja a sinopse e horários no site do INDIE 2008

  Indie09    quinta-feira, outubro 09, 2008    4 comentários
 
 



O que um diretor de cinema quer dizer para o público além daquilo que diz seu filme?

A obra de um realizador fala muito por si mesma. Podemos num exercício teórico analisar pinturas, esculturas, filmes, instalações, movimentos estéticos sem nunca ter escutado a voz do artista. Sua fala verbal, articulada ou não, sua experiência. Mas sempre tivemos esta ansiedade, de saber mais, de ver os manuscritos, de estudar o passo a passao da realização, de inventar uma ciência da criação ( crítica genética), por isso vamos a museus, exposições retrospectivas atrás da voz destes artistas para enfim, decifrá-los? Ouvir é mesmo muito importante hoje. Ouvir a experiência subjetiva de alguém é ainda mais revelador.

O Indie traz os Diálogos Independentes para que alguns diretores brasileiros possam expressar e acalmar esta nossa ânsia por um pouco mais. Não é debate, não é mesa de discussão e os temas não são relacionados ao mercado de distribuição ou as polêmicas sobre a existência de muitos festivais ou não, a idéia é falar sobre os filmes, a experiência do filme sob o ponto de vista de seus realizadores. Esta relação entre a obra e seu público, a obra e sua feitura, seus processos principalmente. Como pensaram seus filmes, qual a pulsão, a energia que está circulando entre eles? Para conversar com os diretores, convidamos o jornalista Cássio Starling, crítico de cinema da Folha de São Paulo que também estará imbuído de suas próprias subjetividades e com seu olhar aguçado por questões.

Na sexta-feira,10/10, 21:00 h, no próprio cinema onde acontece a mostra,Usina, sala 3 será a vez de Carla Gallo ( O Aborto dos Outros) e Marcelo Galvão ( Rinha). No sábado,11/10, também as 21:00h, Carlos Nader ( Pan-cinema Permanente), Eryk Rocha (Pachamama) e Gibi Cardoso ( Tomba Homem). Leia nos links sobres os filmes e seus diretores.

Tragam suas perguntas, mas lembrem-se é sobre a criação, o filme, o cinema!
Então, esperamos você lá.
  Francesca Azzi    quarta-feira, outubro 08, 2008    1 comentários
 
 



Novo filme de Philippe Garrel abre Indie 2008 em BHZ

Philippe Garrel, veterano diretor francês, 60 anos hoje, me parece, teve um único filme lançado comercialmente no Brasil, no ano passado, Amantes Constantes (Les Amants Réguliers) de 2005. Amado e cultuado por uns e ignorado por outros, trazia seu filho Louis Garrel como François, numa Paris agitada pelos movimentos de maio de 68. Agora volta com o mesmo preto & branco, e o mesmo olhar fotograficamente nouvelle vague ( nos dois casos, a fotografia é de William Lubtchansky, o mesmo de Nouvelle Vague de Godard (1990)- que escreveu "A" história junto a cineastas pós-vanguardistas franceses da década de 60 e 70 como Agnés Varda, Marcel Camus e que possui mais de 100 filmes no seu vasto curriculum (113 no Imdb!). Aos 71 anos, Lubtchansky não treme a mão em seus contrastes e planos fechados e subjetivos.

La Frontière... é um filme cheio de aura. Destes filmes que trazem um clima e no qual a construção de uma lógica qualquer parece estar um pouco além do óbvio. Há uma história, mas interessa muito mais a subjetividade dos personagens, e é neste artificialismo contemporâneo que se encontram a mulher, o homem, o amante, a próxima mulher. O universo está fechado para que esta pequena visão romântica aconteça, pouco importa se os conceitos são atuais, se poderia haver telefones, emails e celulares. Se poderia existir outro mundo, que não aquele... Para Garrel há apenas um homem, uma mulher apaixonados, ou separados. Neste universo atemporal tudo contribui para a construção de quase um culto. Um cinema culto, à beleza feminina encarnada na loirice demoníaca de Carole ( Laura Smet, filha da atriz Nathalie Baye de Uma Relação Pornográfica!) e no ar angelical, disperso, dúbio, ingênuo e sensual de François (o filho Louis Garrel). Culto também à histeria, a disfarçada ingenuidade de Eve (a não menos bela e morena, Clémentine Poidatz), a um certa visão masculina de mundo. Culto, enfim, ao próprio cinema e seu caráter poético, lúdico, ainda incapaz de ser completamente decifrado.

Recebido com vaias e grande polêmica pela crítica francesa em Cannes, Philippe Garrel está ainda mais convicto de seu reflexo no espelho. Ele preza por seu estilo. É vaidoso e não deve satisfações à ninguém. Nessa escolha por falar sobre este homem jovem e apaixonado, François, há com certeza algo de si mesmo. La Frontière deixa a todos surpresos, não apenas porque encarna um elemento fantástico mas porque demonstra que o cinema pode ainda ser a fala de um autor cult, cultuado ou não, mas intensamente personalizado, nesta escolha.

Nesta quinta-feira, dia 09, às 20:30h, os convidados do festival poderão assistir ao A Fronteira da Alvorada, em cópia 35, no Savassi Cineclube. O filme passará para o público na sexta-feira, dia 10, as 21:30h, no Usina. E será posteriormente distribuído pela Imovision.

A sinopse:

Carole (Laura Smet) é uma estrela de cinema. Apesar da fama, ela vive praticamente sozinha. O marido, que trabalha em Hollywood, parece desprezá-la. François (Louis Garrel) é um fotógrafo que quer registrar seus momentos mais íntimos. Tornam-se amantes. Durante duas semanas vivem no hotel aonde François a fotografa. Um ano depois, logo após seu casamento, ele tem uma visão.
  Francesca Azzi    segunda-feira, outubro 06, 2008    0 comentários
 
 




A programação do INDIE 2008 está no ar!


O site do festival está pronto. Todos os filmes e horários. Leia as sinopses e escolha seu filme. Vai lá.

Teremos o apoio da MovieMobz e em breve você poderá criar a lista de filmes, comentar no menu interativo.
  Francesca Azzi    quinta-feira, outubro 02, 2008    4 comentários
 
 
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