blogINDIE 2006



O que ver no Indie 2007 em São Paulo? (#4)

A NOVA GERAÇÃO POR ELA MESMA (continuação...)(4)

Novos diretores revelam em pequenos testemunhos, entrevistas, detalhes de produção, o que queriam para os seus filmes, seus planos, o desejo de filmar.

A OUTRA METADE

O diretor chinês Ying Liang, tem 30 anos, e dirigiu dois filmes: o primeiro foi Taking Father Home e o segundo A Outra Metade que foi exibido nos festivais San Francisco Film Festival (2007), New Directors/New Films (Lincoln Center, Nova York, 2007), International Film Festival Rotterdam (2007), Singapore International Film Festival, Tokyo Filmex (2006) e recebeu o Prêmio do Júri do Tokyo FILMeX.

Nesta entrevista concedida ao Tokyo FILMeX, Liang fala sobre as experiências e seu novo projeto:

O que mudou em relação ao seu primeiro filme?

Acho que a maior mudança foi na minha observação mais profunda sobre sociedade. Muitas coisas mudaram na cidade de Zigong e eu também amadureci como pessoa. Tive cinco meses para me concentrar no roteiro e dois meses para pesquisar, tudo isso sem um segundo emprego para me sustentar. Tecnicamente, eu tive melhor controle sobre a sonoplastia, o ritmo da narrativa e os ângulos da câmera, além de ter adicionado alguns efeitos de iluminação. Rodei o filme durante 39 dias e poderia ter usado mais do que os 30 principais atores. Encontramos uma loja abandonada que alugamos, construímos um estúdio lá dentro e redecoramos o interior para cenas diferentes.

A Outra Metade focaliza mais as crises emocionais, colocando os problemas femininos no mesmo nível de gravidade que as explosões e acidentes de trabalho em fábricas. O equilíbrio de poder entre os sexos está desigual porque as mulheres são mais fortes, e porque o rápido desenvolvimento de algumas regiões tem levado à desintegração da unidade familiar. Zigong é o tipo de lagoa onde os cidadãos não têm opção a não ser ir embora para procurar os peixes maiores, isso desfaz muitas famílias.

Você está trabalhando em um projeto novo?

Sim. O local ainda será Zigong e ocorre por volta da primavera ou verão. É sobre uma família grande que se desfaz por relacionamentos sociais e matrimoniais. Quero investigar este assunto porque o cerne do povo chinês ainda é a família, e sua textura é diferente daquela do ocidente.

Haverá qualquer mudança no seu estilo?

Depois de fazer dois filmes, aprendi a ter mais controle ao rodar fora do estúdio, bem como controlar melhor o elenco. Acho que vou usar um estilo parecido; mas se os dois últimos filmes tiveram elementos românticos, o filme novo será algo novo, imprevisível.

Leia crítica do Bernardo Krivochein sobre A OUTRA METADE.

Leia mais sobre A OUTRA METADE em post anterior no blogindie, clicando aqui.

Horário em que A OUTRA METADE será exibido no CINESESC
  Francesca Azzi    quarta-feira, novembro 28, 2007    0 comentários
 
 



O que ver no Indie 2007 em São Paulo?(#3)

A NOVA GERAÇÃO POR ELA MESMA (continuação...)(2)

Novos diretores revelam em pequenos testemunhos, entrevistas, detalhes de produção, o que queriam para os seus filmes, seus planos, o desejo de filmar.

O APERTO DE MÃO DA GUATEMALA

“Cinema que desafia as convenções, mostrando o que Jacques Tati poderia ter feito com a América rural” (Robert Kohler, Variety) /
“Um trabalho maravilhosamente empolgante e verdadeiramente original.” (Michael Tully, indieWire) / “Um dos indies mais interessantes e originais de 2006.” (Scott Macaulay, Filmmaker Magazine).

5 curiosidades sobre o filme de estréia do diretor americano Todd Rohal:

1 > Rohal queria criar um tipo de “comédia depressiva”, para isto fez com que o método de comunicação entre os personagens fosse um paralelo com a forma como a história é contada à platéia, em que a informação não é dada logo de cara, as palavras que são ditas não são exatamente o que parecem e as informações mais importantes estão nos detalhes e subtextos sutis do diálogo.

2 > A meta era criar um filme sem referências conscientes a outros filmes, mídia ou livros, e que pudesse criar um clima tanto engraçado como emocionalmente trágico. O filme acontece em uma cidade sem nome, evitando os estereótipos típicos de pequenas cidades comuns a tantos filmes indie. Criou-se um lugar bizarro, surreal, que poderia ser em qualquer parte do interior americano.

3 > Toda a equipe consistia de amigos próximos. Uma vez que o orçamento não previa o pagamento da equipe, era fundamental que todos tivesse razões além do pagamento para participar. A equipe foi convidada a contribuir com idéias e a interagir com os atores durante as filmagens. Uma foto antiga do ator Ken Byrnes (Sr.Turnupseed) foi descoberta ao escolherem o figurino. A foto acabou entrando no roteiro numa cena escrita pelo ator e o diretor alguns instantes antes da tomada.

4 > O carro laranja usado no filme é um Vanguard ComutaCar de 1981, um veículo inteiramente elétrico que foi inventado no auge da crise do petróleo no final da década de 1970. Foi um projeto único e inovador, mas a empresa foi obrigada a fechar após receber criticas. Existem hoje menos de 500 destes automóveis nas ruas norte-americanas.

5 > Rohal foi associado ao movimento Mumblecore que reúne uma nova geração de cineastas americanos que realizam filmes de baixo orçamento, que trazem na temática as questões de relacionamentos e são marcados pelo improviso nos (muitos) diálogos e no roteiro. Para Rohal, que atuou num dos filmes do movimento, seu filme difere bastante dessas características narrativas do Mumblecore e seu desejo não era fazer um filme sobre sua geração, mas para todos.

Leia mais sobre O APERTO DE MÃO DA GUATEMALA em post anterior no blogindie, clicando aqui.

Clique TAMBÉM para assistir ao trailer de O APERTO DE MÃO DA GUATEMALA:



Horários em que O Aperto de Mão da Guatemala será exibido no CINESESC

A BALADA DE AJ. WEBERMAN

Os diretores ingleses James Bluemel & Oliver Ralfe ao saberem da história de A.J. Weberman voaram para os Estados Unidos para realizar este documentário. Os diretores falam sobre o filme:

Bob Dylan uma vez disse: ‘não acho que vou realmente ser entendido até daqui talvez 100 anos’. Autor do Dicionário Dylan-Inglês, Dylanologista e criador da Garbologia (a prática de investigar o lixo de pessoas famosas para descobrir algo sobre suas vidas), A.J. Weberman fez da sua vida uma tentativa de entender Bob Dylan.Por vezes hilariante, outras vezes incômodo, este filme não é uma peça paralela ao filme de Scorsese sobre o Bob Dylan, No Direction Home, mas também uma observação interessante dos nossos desejos não equilibrados de saber mais sobre as celebridades e até onde queremos ir para obter essa informação, ou até mesmo fazer parte das suas vidas. Weberman não se percebe como perseguidor e insiste que Dylan deveria agradecer por sua presença: “como saber se eu não poderia ser para Dylan o que Verlaine foi para Rimbaud?”. É difícil ver este filme como um conto de um poeta e um crítico; assemelha-se mais a um olhar sobre o relacionamento bizarro entre um obcecado e o objeto da sua obsessão, e de como isso pode tomar conta da vida de um homem.

Conheça AJ,(Why be Normal?)! Veja agora se o trailer te animaria:



Horário em que A Balada de AJ Weberman será exibido no CINESESC. Haverá apenas 1 sessão.
  Francesca Azzi    quarta-feira, novembro 28, 2007    0 comentários
 
 


O que ver no Indie 2007 em São Paulo? (#2)

O crítico e curador do programa Dark Matinée, Bernardo Krivochein, dá algumas dicas sobre dois filmes que ele selecionou para o INDIE 2007 e que passam no primeiro dia da programação. (Publicado no indie.zine)


CARRO A SANGUE

» “A diversão mais retardada do ano!” [Ain’t It Cool News] // “Extremamente engraçado” [Jonathan Demme, diretor de “O Silêncio dos Inocentes”]

Irrepreensível. Consciente do espírito de completo deboche que paira sobre a produção, Alex Orr aproveita-se da liberdade que somente cineastas independentes podem usufruir e ousa algo mais:relevância. Em seu filme de estréia, Orr tece um A Pequena Loja dos Horrores ecologicamente consciente, mas justamente quando o politicamente correto lhe gratificaria um selo de aprovação, o filme empilha escatologia, humor risqué e a tão temida nudez feminina, sendo educacionalmente irrecomendável, mas cinematograficamente imperdível. Em plena luz dos massacres da Virginia Tech, o clímax ganha um aspecto muito além do cômico revoltante. Mal-comportado, hilário e inesperado, a chuva de sangue que proporciona só é comparável aos risos delirantes que provoca.

Clique para assistir ao trailer de CARRO A SANGUE.




Horário único que CARRO A SANGUE será exibido no CINESESC


HULDUFÓLK 102

» “Não Perca: um documentário inesperadamente sério sobre a rica herança mitológica da Islândia, que floresceu a tal ponto que engenheiros de estradas fazem o máximo de esforço para evitar deslocar uma potencial ‘rocha de elfos’. O objeto de pesquisa é praticamente irresistível e a duração de 74 minutos mantém a fantasia sob controle antes que as coisas se tornem Björk demais. A entrevista com um feiticeiro profissional de fala mansa, com direito a corvo, é para se guardar na memória.” [Andrew Wright, The Stranger]

Transcende a fronteira do real e do imaginário. Investigando a propriedade com a qual os islandeses defendem a existência de seres mitológicos em seu meio, a diretora Nisha Inalsingh realiza um filme-poema construindo a partir da convicção de seus enternecedores entrevistados, uma visão engenhosa de ansiedade cultural e social sob a qual desejos, cultura e temores são projetados. O deslumbrante cenário natural e a trilha-sonora de artistas como Sigur Rós e Múm fazem da Islândia palco perfeito para o surgimento do inacreditável, a qualquer momento. A questão em Huldufólk 102 é a mesma que ecoa para os fãs do cinema fantástico: a tangibilidade de se acreditar no invisível.

Trailer de HUDULFÓLK 102:




Horário único que HULDUFÓLK 102 será exibido no CINESESC
  INDIE    quarta-feira, novembro 28, 2007    0 comentários
 
 


O que ver no Indie 2007 em São Paulo? (#1)

A proposta principal do INDIE é trazer novos diretores, que estão no seus primeiros filmes, e que produziram de maneira independente. Claro que para quem procura por um filme na programação do "Novos Diretores, Novos Filmes", a dúvida é: o que vou ver, entre filmes e diretores desconhecidos?

Muitos dos filmes que estão na programação foram inscritos e selecionados por nós, outros foram convidados, com base numa pesquisa de curadoria (o Bernardo também participa, e, principalmente, faz a curadoria do Dark Matinée). No fanzine para tentar diminuir a distância entre o público e os filmes, e redimensionar a dúvida do "o que quero ver" ( se você não for daquele tipo que quer "ver tudo") publicamos alguns textos e declarações dos próprios diretores. A idéia é que as declarações deles, mais do que os prêmios e inúmeros festivais que participaram estimulem a escolha. Então, vou publicando aqui, um pouco sobre alguns filmes da programação.

A NOVA GERAÇÃO POR ELA MESMA
Novos diretores revelam em pequenos testemunhos, entrevistas, detalhes de produção, o que queriam para os seus filmes, seus planos, o desejo de filmar.



O LADRÃO DE MEMÓRIAS

O filme do diretor americano Gil Kofman traz a história de Lukas, um não-judeu que de forma obsessiva resolve assumir a dor de ser um judeu vítima do Holocausto. Kofman relata abaixo como teve a idéia para o filme e o que pretendia ao contar esta história.

O pai, a avó e o tio da minha esposa foram sobreviventes do Holocausto e viveram vidas plenas mesmo ainda ligados às sombras do passado. Podia-se ver a imagem da dor em todos os seus gestos; seus sorrisos, acenos com a cabeça, a maneira com que bebiam o café.

Após tal dor e sofrimento, havia pouco que podiam fazer para se livrar desse fardo. Ignorados pela sociedade e pela civilização em geral, eles ainda conseguiram se casar, criar filhos e continuar a fazer o que pareciam fazer melhor, ‘sobreviver’. Porém quando eventos catastróficos como a Bósnia, Ruanda e Darfur aconteciam, eles ficavam tremendamente desanimados pela repetida falta de interesse do mundo em agir, e você podia ver claramente o doloroso passado ressurgindo no seu presente.

Sempre tive respeito e reverência por estes membros da família. Parte de mim sabia que jamais entenderia esta dor. Por outro lado, uma outra parte de mim sempre teve curiosidade, até mesmo fascínio, pela natureza do seu sofrimento. Como é possível existir depois de tal dor?

O Ladrão de Memórias é meu esforço em fazer uma conexão qualquer com estes sobreviventes. Não necessariamente contar a sua história (temos os arquivos para isso), mas ver como seus relatos poderiam se integrar às nossas vidas atuais e de que forma suas histórias desesperançosas poderiam continuar a ressoar. Eu também queria levar ao extremo o exame da natureza da empatia, bem como investigar o que aconteceria caso se quisesse realmente entender e se identificar com o sofrimento do outro. (Gil Kofman)

Horários que LADRÃO DE MEMÓRIAS será exibido no CINESESC



BLED NUMBER ONE

O diretor Rabah Ameur-Zaïmeche faz em “Bled Number One” uma continuação do seu primeiro filme “Wesh Wesh”. Se no primeiro Kamel, interpretado pelo próprio diretor, estava na França, este marca sua volta à Argélia. Três perguntas para Ameur-Zaïmeche:

O que significa o título Bled Number One ?

É uma tirada contra nossos vizinhos marroquinos e tunisianos. As pessoas do norte da África gostam de fazer piadas umas sobre as outras. Como o filme traz a diáspora argelina, tive que voltar à vila (bled) onde tudo começou, a primeira “bled”. Poderíamos ter dado o nome Bled 0, mas para isso seria necessário que os argelinos fossem menos sensíveis! Se tivéssemos dado esse nome, eles não nos teriam deixado filmar no seu país.

Por que você resolveu também atuar no filme ?

Atuo porque ganho uma sensação de ser tomado pelas coisas, de precisar incorporá-las fisicamente. Além disso, ser ator e diretor pode ser uma experiência de libertação. Quando se passa de um para o outro, significa que você está menos preocupado com as restrições de cada tarefa; isso traz um senso de perspetiva e te permite levar as coisas adiante. Da mesma forma que Kamel, que força seu caminho através das fronteiras.

Você acha que sua nacionalidade francesa de origem argelina te faz ver o mundo de forma
diferente ?

Sim. Tudo parece maior. Felizmente a humanidade não deriva de uma cultura única. Estar dividido entre duas culturas te torna mais consciente do fato de que tudo está mudando. Isso é o que ocorre com os jovens de origem norte-africana que moram nas cidades do interior francês. Estão longe dos seus países de origem e da sua cultura, portanto precisam inventar uma nova forma de se expressar. Não aprendi a fazer filmes numa escola de cinema ou trabalhando como estagiário; aprendi fazendo, de forma bastante empírica. É algo que flui de você e descubro o resultado na sala de edição. Quero fazer os filmes que trago dentro de mim desde a infância.

Leia crítica de BLED NUMBER ONE, publicada pelo Cahiers Du Cinéma em post anterior no blogIndie, clicando aqui.

Horários que BLED NUMBER ONE será exibido no CINESESC
  Francesca Azzi    quarta-feira, novembro 28, 2007    0 comentários
 
 


INDIE 2007- São Paulo||| Com vocês: HONG SANG-SOO! O coreano mais cult do cinema mundial. ( Leia abaixo entrevista publicada no indie.Zine )

Hong não gosta de dar entrevistas. Ele disse certa vez em Cannes: “É muito mais importante assistir a meus filmes e tentar desenhar os seus próprios significados, do que escutar as minhas palavras”.

Pois este coreano tímido, de 47 anos, que começou sua carreira há apenas 11 anos atrás, revela-se um esteta, admirador do cinema do japonês Ozu, de Rohmer e de outros grandes franceses. Seus filmes reafirmam suas influências e sua boa intenção de contar histórias bem particulares, entrecruzando a vida de seus personagens sutilmente, com ar casual, cria um possível instantâneo do que significa os encontros & desencontros na vida do homem coreano comum.

“Eu começo com uma situação ordinária e banal, e esta situação tem algo em si que me faz sentir forte. É um sentimento estereotipado, mas muito forte. Tenho este desejo de olhar para isto. Talvez seja um sentimento cego. Eu o coloco na mesa e olho pra ele. Abro e estas peças submergem, elas não estão relacionadas umas com as outras. Mas eu tento achar modelos que façam com que estas peças se encaixem, é o que faço”.

(Se você puder NÃO assista apenas a 1 filme de Hong. Assista a todos (Do dia 30/11 a 6/12, o Indie 2007 SP, no Cinesesc, exibirá com entrada franca, 6 filmes desse diretor). Talvez assistindo a apenas um filme, você não consiga entender sua complexidade, às vezes disfarçada por uma superficialidade meio “nouvelle vague”, à primeira vista. Seus temas recorrentes fazem com que você entenda melhor do que se trata esta particularidade e decifre O MUNDO DE SANG SOO. Os filmes dialogam entre si, os personagens e temas se complementam de um filme para outro. A compreensão assim acontecerá num outro nível).

“É muito gratificante para mim como ser humano fazer filmes. Me estimula e me encoraja. Procuro por algum tipo de forma, finalizo alguma coisa. Filmar é um reflexo do ser!”

Para a revista Cinema Scope (http://www.cinema-scope.com por Kevin B. Lee) ele falou sobre Mulher na Praia, confira.

» Qual foi a sua inspiração para fazer “Mulher na Praia”?

HONG SANG-SOO: Quando eu concebo uma idéia para um filme, ela me vem normalmente com uma situação do dia-a-dia. Para mim, tem que conter algo que eu conheça instintivamente, que se eu mergulhar naquilo, o resultado revelará tensões, dilemas, coisas que eu gosto de lidar. Desta vez, aconteceu que eu conhecia uma mulher que trabalhava com cinema. Um dia, eu fui para o campo e tinha um destes restaurantes na estrada. Uma mulher que trabalhava lá me lembrou esta outra mulher. Por alguns minutos eu senti como se a conhecesse, que estava tocando seu braço e lhe perguntando “como está?”. Senti esta afinidade. Apesar de saber que era absurdo, isto ficou na minha cabeça. Quando comecei a pensar em qual filme eu queria fazer, esta situação veio.

» Como nos outros filmes, este aborda o processo da filmagem, desta vez com a cena onde o diretor entrevista duas mulheres numa mesa. Você faz algum tipo de entrevistas assim para seu filme?

HONG: Eu sempre quis fazer mais entrevistas com as pessoas reais, mas sou um tanto preguiçoso. Na minha carreira, eu acho que me aproximei das pessoas nas ruas apenas duas vezes. Mas com os atores e atrizes eu faço muita entrevista. Preciso de uma fotografia da pessoa, não como ator, mas como pessoa. Não quero ser influenciado pelo que eles são ou o que eles fizeram como atores. Tento percebê-los como pessoas de verdade, como se estivesse encontrando-os pela primeira vez. Sinto que preciso mostrar algo dentro do personagem principal, o problema que está na mente dele.

» O fato do protagonista ser um diretor de cinema parece convidar o público para uma associação autobiográfica.

HONG: Não é que estou falando da minha filosofia através dele. É difícil distinguir a personalidade do personagem e a minha influência. O que eu faço com meu personagem é mais importante que sua profissão. Quando escolho a profissão de certo personagem formo expectativas intrínsecas sobre o que ele pode ou não ser capaz. Se ele não é um diretor, não pode seguir uma estranha e pedir uma entrevista. Mas quando decidi que ele seria um diretor, eu não sabia que teria que fazê-lo conduzir estas entrevistas.

» Alguns dizem que Mulher na Praia é seu filme mais acessível. Você pensa em termos de acessibilidade do público?

HONG: Comecei a pensar nisto depois de Conto de Cinema, tinha um desejo como diretor de ficar cavando dentro de mim mesmo, descobrindo novas coisas sobre o que é meu verdadeiro mundo. O outro desejo é me comunicar com os outros. Talvez seja minha idade, mas uma pequena voz fica me perguntando quando estou filmando “Será que eles vão entender isto?”. Eu não tinha esta voz antes.


Veja um quadro que bolamos para brincar um pouco como os temas recorrentes na obra de Sang-Soo (** clique no quadro para ampliar):



Consulte toda a programação do INDIE 2007 - SP|||| de 30 a 06/12, no CINESESC, Rua Augusta, 2075.
  Francesca Azzi    quinta-feira, novembro 22, 2007    1 comentários
 
 



O Indie vai encontrar São Paulo: 25 filmes de 10 países e a obra do coreano cult Sang-Soo serão exibidos no Cinesesc, durante 7 dias. Prepare-se!

Agora é oficial: o INDIE acontecerá em São Paulo. A versão será menor do que em BHZ, mas o espírito da mostra permanece. Filmes inéditos no Brasil, com quase nenhuma chance de distribuição comercial e de novos diretores independentes predominam na programação.

O INDIE 2007 em sua versão SP acontecerá de 30 de novembro a 06 de dezembro no CINESESC - espaço privilegiado da cidade que mantém uma programação intensa de filmes indies, cults e festivais; graças a co-realização do SESC-SP. E é fato: manteremos a entrada franca! Isto porque a intenção é continuar apostando no público jovem, criar um espaço de acesso para este público.

É incrível pensar como foi todo o processo com o SESC e também como as coisas caminharam durante este ano todo. Mas não poderíamos começar em lugar melhor, é um privilégio para a Zeta Filmes a parceria com o Sesc e o Cinesesc.

Morando há 3 anos em São Paulo, vendo tudo que rola por aqui, fica difícil acreditar que haveria espaço para mais um evento de cinema nesta mega-cidade. Mas acreditamos que o INDIE tem uma perspectiva e vamos ver como tudo vai rolar. É a primeira experiência deste festival que acontece há 7 anos em Belo Horizonte, que já contabilizou mais de 140.000 espectadores durante estes anos. Público atento este do Indie BH que senta e assiste a um filme do início ao fim e que sabe o que quer ver.

O público paulista vai poder assistir a 6 filmes do cineasta coreano, pouco conhecido no Brasil, Hong Sang-Soo e a abertura será dia 29, com o filme "A Virgem Desnudada por Seus Pretendentes". Dedos cruzados! Vou tentar postar aqui algumas impressões, fotos e também textos do Fanzine.

O site com a programação já está no ar. Confira todos os filmes com as sinopses e informações sobre os diretores, os horários e tudo mais.
INDIE 2007 SP!
  Francesca Azzi    segunda-feira, novembro 19, 2007    7 comentários
 
 



Chupando picolé

O que pode de ter de tão inesperado e surpreendente em chupar um picolé, ainda mais quando este picolé é feito de água? Esta é a proposta inusitada do trabalho de Cildo Meirelles que faz parte da exposição FUTURO DO PRESENTE, em cartaz no Itaú Cultural em São Paulo. Realizada pela primeira vez na Documenta de 2002 e produzida pela primeira vez no Brasil, consumir “Elemento Desaparecendo Elemento Desaparecido” é acima de tudo uma experiência metafísica.

Pesando 130 gr e envolto em uma embalagem de listras horizontais verdes e com o desenho geométrico de uma gota d´àgua, o picolé é um objeto, a princípio, como outro picolé qualquer. Mas este á inodoro e sem gosto: é feito de água potável! Um manifesto sobre a sustentabilidade, um alerta sobre a escassez de água anunciada pelos mais apocalípticos? Pode ser... mas o significado mais instigante e interessante a respeito deste picolé esta na própria experiência de chupá-lo. O saber sabor da arte! Ao desembrulhá-lo e leva-lo à boca, segurando o palitinho, assim como se faz com qualquer outro picolé, nosso estímulo é o de sorver como se buscássemos alí os paladares e texturas de um bom picolé de limão ou chocolate. Mas esta expectativa é imediatamente quebrada ao percebermos que este picolé é diferente: sólido e duro como uma pedra compacta de gelo, impossível de ser mordido, somos induzidos a chupá-lo. Este exercício de descoberta de uma outra maneira de saboreá-lo, faz com que se comece a construir um pensamento crítico e reflexivo sobre o picolé. Assim como quando estamos diante de uma obra de arte, é preciso então abrir a nossa mente e tentar compreender o siginificado desta pedra de gelo espetada em um palito...

É esta “dobra” reflexiva, este estado contemplativo motivado pelo exercício primário de chupar e engolir repetidas vezes o líquido do picolé, que consiste a experiência estética proposta pelo artista e da qual somos protagonistas. A informação estética contida no picolé é efetivada a medida que é significada pelo consumidor no ato reflexivo de chupá-lo pelo período de aproximadamente 45 minutos!!! Este um tempo propositivo, ao qual estamos submetidos -caso sejamos corajosos o bastante para levar a cabo toda a matéria gelada do picolé -e que nos condiciona este exercício metafísico de se construir e desconstruir todas as verdades que estão contidos na experiência. Ao final o que resta é o palito, que entre os nossos dedos carrega a frase “Elemento Desaparecendo Elemento Desaparecido”. O picolé, a água, o pensamento e as idéias. Nossa tendência é guardar este objeto, índice desta experiência que se esvai ao mesmo tempo em que é vivida.
  Roberto Moreira S. Cruz    quinta-feira, novembro 15, 2007    2 comentários
 
 


Tudo ao mesmo tempo agora. Calma, respire.



Fim de ano e apesar do cansaço generalizado, os eventos culturais não páram de acontecer. Então, respire fundo e atenção para não deixar a preguiça tomar conta da alma. Uma coisa de cada vez.

> Em São Paulo: Começou dia 13, terça-feira, o Mix Brasil - Festival da Diversidade Sexual que está na 15a edição. Não é impressionante como o tempo passou rápido? O Mix está com 15 anos! Certamente quando ele surgiu em 1992(!!) trazia uma força, uma curiosidade, um recorte muito específico que era quase necessário. Eu não sei exatamente qual o público do Mix hoje ( se está restrito a sua temática...) mas sempre espero que sua programação traga não só filmes com a temática GLTS, mas filmes bons! Este ano serão 179 filmes, sendo 33 longas e 98 curtas-metragens de ficção, mais 48 documentários, 5 cidades ( São Paulo, Guarulhos, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Brasília), em datas um pouco diferentes, em vários espaços, confira no site do festival. Destaque para o documentário "A Incrível História do Cinema Gay" do diretor alemão André Schäfer que registra depoimentos de diretores como François Ozon e Patrice Chéreau e os atores Tilda Swinton e Stephen Fry.

> Em Belo Horizonte: O Telemig Celular arte.mov – Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis começa hoje, dia 15/11. A programação está bem mais extensa do que o ano passado e além da competição online dos curtas para celular no site, há eventos de "arte locativa" (Traduzindo... são intervenções, ações e performances que utilizam a tecnologia móvel nos espaços públicos. Gostaria de saber depois como vai funcionar... enfim, serão realizadas pelo grupo Preemptive Media e pelo artista Mark Shepard (ambos norte-americanos) e pelo carioca Bruno Viana. Também haverá uma performance do grupo carioca Hapax (que irá se apresentar após um percurso na cidade rastreado por GPS) e uma exposição com trabalhos e documentações do grupo inglês Blast Theory),e um simpósio com o tema "Tecnologias Sociais: os dispositivos móveis como agentes de utopias e distopias coletivas". Desvende os meandros conceituais que envolvem as já não tão novas tecnologias audiovisuais móveis lá no site e blog do evento.

> Falando em pequenos filmes para grandes tecnologias: II Festival Internacional MobileFest que acontecerá no SESC Avenida Paulista, de 21 a 25 de novembro, está com inscrições abertas para processo colaborativo MobileActive que se trata de um encontro sob a coordenação da pesquisadora americana Katrin Verclas que apresentará estudos de casos internacionais sobre o potencial da tecnologia móvel em ações de mobilização da sociedade civil em prol da cidadania. Inscreva-se e veja no site as outras "Ligações", programas e conferências. Link do site

> A Mostra SESC de Artes começou dia 13 e segue até dia 2 de dezembro. Este é um grande evento que envolve todas as áreas de expressão e todas as unidades do SESC, também no interior: teatro, dança, multimídia, artes visuais, literatura, cinema e vídeo, hibridismo (sim, senhor!). Eu ainda não tive tempo de analisar a big programação. Aconselho a quem interessar, a dar uma olhada no blog e ver as dicas dos produtores do evento:Blog.
Ou a baixar aqui o pdf da programação completa. Imprima e deixe no banheiro, estude e passe as dicas adiante - falta gente para selecionar e indicar tantas coisas legais nesta cidade!

> Na Cinemateca também de São Paulo duas mostras retrospectivas. A mostra José Mojica Marins – Retrospectiva da Obra – 50 anos de carreira (também no CCBB). Com curadoria do Eugenio Puppo que comenta no release: "Embora largamente reconhecida, por conta de verdadeiros clássicos da cinematografia brasileira, como À meia-noite levarei sua alma e O estranho mundo de Zé do Caixão, a extensa e controversa filmografia de Mojica nunca havia sido objeto de uma ampla retrospectiva. Esta mostra abrange a maioria dos filmes do diretor e exibe, também, a obra inédita A praga, que Mojica começou a rodar em 1980 e que foi finalizada."

E até dia 18, a mostra "Leon Hirszman Anos 70" com alguns clássicos de sua filmografia que acabam de ser restaurados e remasterizados digitalmente. Também será exibido o documentário inédito de Eduardo Escorel Deixa que eu falo, sobre o diretor.

> Aberta a última grande exposição de 2007 do Itaú Cultural "Futuro do Presente". Depois com certeza irei comentar. Mas o destaque vai para... Começa hoje, dia 15, e vai até dia 20 de novembro, dentro da programação uma mostra de filmes chamada "Futuro Mais-Que-Perfeito" "Produções de autores como Wong Kar Wai, Andrei Tarkovsky, Michel Gondry, Jean-Luc Godard, Carlos Manga, Sérgio Machado e Wagner Morales trazem à tona abordagens criativas e inventivas do cinema sobre o porvir." A idéia da curadoria desta mostra é "abordar o futuro não só através de leituras sci-fi, mas sob a perspectiva do presente ou de uma estética que reflita o futuro, modos distintos e inventivos de pensar o que já é vestígio do futuro no presente." Interessante, não? Boa oportunidade para rever 2046, para ver London Brief do Jon Jost e conhecer a obra da finlandesa Eija Lisa Athila, Love is a Treasure.

Love is a Treasure (Amor é um Tesouro)que passa dia 20/11, às 20:30h, de 2002, tem 55 min, é um filme sobre mulheres que desenvolveram psicoses. A produção é baseada em pesquisas e entrevistas, mas as histórias e diálogos são ficcionais. A estética do filme mistura realismo e fantasia, análoga à estrutura das experiências psicóticas. (Quero muito ver isto!)

Veja toda a programação no site do Itaú Cultural:http://www.itaucultural.org.br/



** foto "Love is a Treasure" de Eija Lisa Athila.
  Francesca Azzi    quinta-feira, novembro 15, 2007    1 comentários
 
 


It´s complicated





Por Camilla Engman.
  Francesca Azzi    terça-feira, novembro 13, 2007    0 comentários
 
 



Você não sabe quem é Alejandro Jodorowsky!??

Não!!! Não faz mal... O CCBB ( RJ/SP e DF) traz até você, tudo sobre ele. É o Festival Jodorowsky que vai exibir 12 filmes, apresentar uma exposição e promover debates com a presença do próprio Alejandro (Ah! Ele tem um website oficial, caso queira se antecipar e saber quem é este místico artista e cineasta clique aqui) .

O festival traz produções do artista em diversas áreas:

Cinema: São 12 filmes: alguns inéditos, como Tusk e O ladrão do Arco-íris, outros poucos exibidos por aqui, como El topo, A montanha Sagrada, Fando e Lis; Santa Sangre e filmes sobre e/ou relacionados com a obra do cineasta: Echek, de Adam Jodorowsky (filho do diretor), A Constelação Jodorowsky, de Louis Mouchet, Filmes da meia-noite: da Margem ao Mainstream, de Stuart Samues e Victor Kushmaniuk;

Exposição: fotografias do acervo pessoal do autor, sua família, fotos de bastidores, trechos de história em quadrinhos, páginas de roteiros, cartas de tarô e manuscritos estarão expostos no saguão do CCBB do Rio de Janeiro durante a mostra. (A exposição acontecerá somente no Rio de Janeiro).

Debates, conferências e noite de autógrafos: Alejandro Jodorowsky vai conversar com o público sobre os três eixos principais de sua obra: cinema, quadrinhos e tarô. Haverá também debates com conhecedores da obra do artista.

Autógrafos: O diretor vai autografar, em noite especial - dia 26 de novembro, seus livros publicados no Brasil: Quando Teresa Brigou com Deus (Ed. Planeta), Os Bórgia (Ed. Conrad, comic ilustrado por Manara, roteirizado por Jodorowsky), Incal (Ed. Devir, ilustrada por Moebius e roteirizado por Jodorowsky). Na ocasião será lançado pela Editora Devir o comic Antes do Incal, roteirizado por Jodorowsky e inédito no Brasil.

A curadoria é de Joel Pizzini e Guilherme Marback. Para quem nunca ouviu falar do cara eles informam:

"Alejandro Jodorowsky já fez de quase tudo no campo das inovações artísticas. Diretor de cinema e teatro, ator, produtor, compositor, escritor, autor teatral, filósofo, humorista, especialista em tarot, um dos criadores do “Teatro do Pânico”, espiritualista e mestre dos quadrinhos. Um fabuloso visionário, que edifica universos inteiros, na criação de cada história.

Nasceu no Chile em 1929, mas viveu também no México por vários anos (onde concentra sua produção cinematográfica) e na França, onde reside até hoje. Desde cedo teve fascínio pelo surrealismo e o absurdo.

Dirigiu peças teatrais de autores como Beckett, Ionesco e Strindberg. Na década de 60, trabalhou com o famoso mímico Marcel Marceau e conheceu Fernando Arrabal o que resultou no surgimento do “movimento pânico”. Seu primeiro filme “Fando e Lis” é fruto deste movimento. No começo dos anos 70, fez grande sucesso no universo underground com o cult-movie "El Topo". Outros filmes se sucederam, com destaque para "A Montanha Sagrada" e "Santa Sangre".

A sua trajetória nos quadrinhos é marcada por histórias que marcaram época como “Aníbal 5”, “O Incal” e mais recentemente a saga da família Bórgia.

Na literatura, destaque para “Quando Teresa Brigou com Deus”, inspirado numa frase de outro artista multimídia, o “papa do surrealismo”, Jean Cocteau - “Cada pássaro canta melhor na sua árvore genealógica”.

Os estudos místicos de Jodorowsky fazem com que ele se torne uma referência internacional ao reconstruir o Tarot de Marseille e ao desenvolver a Psicomagia.

Existem muitos fãs de Jodorowsky no Brasil que nunca tiveram oportunidade de ter um contato maior com sua obra. Foram pouquíssimas as exibições de alguns de seus filmes nos circuitos alternativos do país."

Anote aí:

CCBB RJ - 20/11 a 02/12
CCBB SP - 26/11 a 09/12
CCBB Brasília - 28/11 a 09/12
ingressos: R$ 6,00 / R$3,00

Centro Cultural do Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66, centro - Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3808 2020
  Francesca Azzi    segunda-feira, novembro 12, 2007    3 comentários
 
 


Cahiers du Cinema vota os 100 mais belos filmes do mundo

Palmarès deixa incômoda sensação final

Numa votação em massa, a mentalidade de colméia havia de imperar; isso não é surpresa. O que é surpresa - uma das mais incômodas - é ver a revista que revolucionou radicalmente a análise cinematográfica no mundo inteiro (e que ainda se mantém referência de bons filmes, ainda que os anos Jean-Michel Frodon sejam regidos por uma placidez um tanto monótona) oferecendo, nesta grande e pretensiosa oportunidade de revelar ao mundo os "100 filmes mais belos do mundo" uma lista que, salvo a generosidade cultural da França, difere-se muito pouco da anual lista americana da AFI, encabeçada, todos os anos, por Cidadão Kane. alista inisinua que a definição de "beleza" concebida para a eleição dos filmes foi a mais lugar comum, a da figuratividade, do inquestionavelmente e imediatamente reconhecível como belo, aliás, resgatemos esse "imediatamente reconhecível" e associemo-lo também à sensação de déjà vu das seleções.

71 críticos de cinema participaram do projeto de Claude-Jean Philippe, com o apoio da prefeitura de Paris, onde, aparentemente, a única regra era que os filmes escolhiam deveriam ser obrigatoriamente longa-metragem. Mas imagina-se que era até redundante estabelecer tal regra explicitamente (assim, como a regra não dita, de que nenhum filme contemporâneo é elegível, aparentemente). O que eu espero pessoalmente de uma lista, especialmente da Cahiers du Cinema e muito mais nessa época em que o cinema do mundo se faz acessível digitalmente, é a descoberta, o filme desconhecido, ou o filme antes dado como feio defendido lindamente, milagrosamente por um indivíduo no máximo de seu poder de retórica. Eu quero ser surpreendido. A presente lista é apenas uma afirmação dos velhos aviões de carreira.

Bem, publicaremos o Top 15 dos 100 filmes selecionados, que se fazem todos disponíveis para o seu conhecimento no link no final do post (inclusive, os Top 15 vem acompanhados de links para o YouTube: trailers, imagens raras de filmagens, etc. - isso sim ficou muito legal, mas, novamente, seria melhor que a internet tivesse maior crédito do que esse). As 71 críticas novas para os filmes de preferência de cada crítico serão publicadas numa Cahiers especial (que este mês, traz o novo Ford Coppola na capa e um sugestivo especial de 30 DVDs):

1) Cidadão Kane, Orson Welles
2) O Mensageiro do Diabo, Charles Laughton
3) A Regra do Jogo, Jean Renoir
4) Aurora, F. W. Murnau
5) O Atalante, Jean Vigo
6) M, O Vampiro de Dusseldorf, Fritz Lang
7) Cantando na Chuva, Stanley Donen
8) Um Corpo Que Cai, Alfred Hitchcock
9) O Boulevard do Crime, Marcel Carné
10) Rastros de Ódio, John Ford
11) Ouro e Maldição, Eric Von Stroheim
12) Rio Bravo, John Ford
13) Ser ou Não Ser, Ernst Lubitsch
14) Viagem à Toquio, Yasujiro Ozu
15) O Desprezo, Jean-Luc Godard

Para ver a lista completa, visite o site da Cahiers du Cinema.
Será que eu inicio um movimento para votação de uma lista complementar dos 100 mais belos filmes já feitos?
  Bernardo Krivochein    sexta-feira, novembro 02, 2007    6 comentários
 
 


"The Tracey Fragments": disponível para intervenção

Filme canadense premiado lança concurso e permite download gratuito de seu conteúdo via internet

"The Tracey Fragments" foi exibido há poucas semanas atrás no Festival do Rio 2007, logo após tere sido premiado na seção Panorama da Berlinale. Dirigido por Bruce McDonald a partir de um romance de Maureen Medved (que também assina o roteiro) e estrelando a excelente Ellen Page ("Hard Candy"), o filme acompanha a busca da personagem principal por seu irmão Sonny, que acredita ser um cachorro. A jornada noite adentro pelos submundos da cidade nos carrega, à medida que o filme evolui, mais profundamente para a vida de Tracey, as disputas caseiras de seus pais, os problemas no colégio, os delírios de seu namorado, providenciando uma análise comicamente perturbadora e estilizada da vida adolescente contemporânea.

A cultuada banda Broken Social Scene não apenas compôs a trilha-sonora como influenciou, por causa de seu projeto de abertura de licença criativa (batizado Creative Commons), o projeto "Tracey: Re-Fragmented" no qual a produção disponibiliza, em 4 arquivos (cujos tamanhos variam entre 4 e 5 gigas) de Final Cut Pro (1 arquivo para cada semana de filmagem), todo o material filmado, além da trilha-sonora e o roteiro, para que os usuários baixem e re-editem o filme à sua própria maneira. O concurso, que disponibilizará a versão vencedora como um bônus nos extras do DVD de "The Tracey Fragments", está aberto apenas para os canadenses, mas o conteúdo, de graça, está disponível para ser baixado por todos, via Bit Torrent. E se você não tiver Final Cut Pro, não se acanhe: esse tem no Bit Torrent também.

Para aventurar-se no projeto, visite o site do filme.
  Bernardo Krivochein    quinta-feira, novembro 01, 2007    2 comentários
 
 
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