blogINDIE 2006


Recap Fest 30/3

>> Da série "Juntinho é mais gostoso": rumores indicam que Wong Kar-wai está não apenas retornando às suas raízes chinesas para filmar um romance lésbico entre duas colegiais (limpando o paladar de suas últimas produções de língua inglesa, o já-filmado My Blueberry Nights e o problemático-agora-que-Nicole-Kidman-deu-pra-trás Lady From Shanghai; devemos lembrar que foi num momento de "limpeza de paladar" que Wong realizou um de seus filmes mais marcantes, Amores Expressos), como pretende realizar um episódio para mais um omnibus. Ainda é um rumor, mas como Wong era a melhor coisa de Eros, os fãs só podem esperar o melhor.

>> Da série "Juntinho é mais gostoso" 2: a pós-produção do omnibus Triangle (títulos iniciais provisórios: "Jigsaw" e "Iron Triangle") está a todo vapor. O projeto de 5 milhões de dólares é um filme contínuo (ao contrário do formato episódico convencional) no qual cada um baseou-se no roteiro do diretor que o antecedia para filmar o seu segmento. Tsui Hark assina o primeiro terço do filme, Ringo Lam o segmento intermediário e Johnnie To o terço final.

Mesmo parecendo que Hark pegou a vareta mais curta da proposta, nenhum dos diretores disse ao outro o que planejava filmar e nem pôde ver o material dos colegas (que compartilham, além do elenco, o diretor de fotografia, o editor e o compositor da trilha-sonora). "Triangle" acabou de ser submetido para o Festival de Cannes 2007, esperando ser aceito para a competição...

>> ENTRANDO EM CANNES 1: ...como um certo passarinho contou ao blog de Anthony Kaufman, num post intitulado "Onda asiática em Cannes?" O "passarinho" é Mike Goodrich da Screen Daily, que deu a entender que a presença asiática no festival será a mais forte em vários anos! Os rumores apontam para filmes novos dos chineses Jiang Wen e Wang Xiaoshuai, os coreanos Lee Chang-dong (de Oasis, lindo-pra-caralho) e Kim Ki-duk (que já tem nome, cartaz e trailer: chama-se Breath), o centésimo filme de Im Kwon-taek (Beyond The Years), Le Ballon Rouge de Hou Hsaio-hsien, My Blueberry Nights de Kar-wai (abrindo o festival, ainda por cima!), o último de Johnnie To intitulado The Sparrow, a ficção-cinetífica de Stepehen Chow (A Hope), Ploy de Pen-ek Ratanaruang e Blood Brothers, primeiro filme de Alexi Tan.

>> ENTRANDO EM CANNES 2: Cannes é meio o carnaval para o mundo do cinema - o ano só começa depois dele. Com a revelação do nome de Pascale Ferran como presidente do júri da seção Un Certain Regard, é um tiroteio de especulação que o artigo de Fabien Lemercier faz questão de sintetizar. Entre os títulos mais instigantes, Youth Without Youth de Francis Ford Coppola (a opinião inicial é que se trata de um filme "lento e difícil" - tá bom pra mim), Eastern Promises de David Cronenberg, The Man From London de Bela Tarr (finalmente terminado após o suicídio do produtor Humbert Balsan) e Kantoku Banzai de Takeshi Kitano, os novos de Denys Arcand (Age of Innocence) , Gus Van Sant (Paranoid Park), Alexandre Sokurov (Alexandra) e vários, vários outros possíveis candidatos. Clique no link ali de cima.

>> ENTRANDO EM CANNES 3 / GRINDHOUSE: Há uma grande possibilidade de que uma versão especial de Grindhouse seja exibida no festival francês. Gilles Jacob é um grande fã de Tarantino e Cannes nutre um grande afeto por seus alumni, o que já garantiria o lugar do longa dentro da programação, mas a história vai além e aqui a gente entra num spoiler sobre o filme (passe o cursor em cima do invisitext): tanto o filme de Rodriguez quanto o de Tarantino apresentam trechos de "rolos perdidos", ou seja, simulando a experiência de estarmos assistindo um rolo de película nas últimas, o filme dá um salto, personagens que se odiavam agora se amam e a história muda drasticamente - porém, Tarantino de fato RODOU o trecho dado como perdido (ao contrário de Rodriguez) e a exibição em Cannes seria em homenagem à tradição européia de respeitar a visão do diretor ao invés de jogos de censura ou de mercado (ano passado mesmo, a versão real de "Southland Tales" foi exibida em Cannes e parece que nunca mais será vista) fim de spoiler.

>> Já que estamos falando em Grindhouse, uma enxurrada de links para você se interar no assunto:
- Leia a versão resumida do livro Grindhouse: The Forbidden World of "Adults Only" Cinema de Eddie Muller no Greencine (até agora são apenas 5 capítulos> 1, 2, 3, 4 e 5)
- Matt Bradshaw no Cinematical: Meus Filmes Grindhouse Favoritos. Vi só 3 de 7 (Aniversário Macabro, Ilsa, She-Wolf of the SS e Holocausto Canibal) ... tô maus...

>> Continuando a leitura: Especial do jornal britânico The Guardian: World Cinema Special por Hannah McGill, diretora do Festival de Cinema de Edinburgh. Anexo segue um cinemapa em PDF por Andrew Pulver: quais países tem revelado os diretores mais hypados dos últimos anos.

>> As 20 Melhores Fantasias de FX Prático do Cinema me relembrou por que não gosto de listas em primeiro lugar: apesar de ótimas menções a Hex de Viagem ao Mundo dos Sonhos, Howard de Howard, O Super-Herói e um primeiro lugar pra lá de justo, outros como Pizza The Hut de S.O.S. Tem Um Louco Solto no Espaço e Golgothan de Dogma roubam os lugares de clássicos como Hoggle E Ludo de Labirinto - A Magia do Tempo, o Senhor das Trevas (Tim Curry) de A Lenda ou o Fauno de O Labirinto do Fauno.

Dicas de vídeos online: PRÉVIA EXCLUSIVA: um dos FAUX TRAILERS de GRINDHOUSE na IGN - esse é Thanskgiving de Eli Roth Amei, amei, amei - não é a toa que estão insistindo para que Roth o desenvolva de verdade num longa-metragem.

>> Paul Rudd e Michael Showalter reencenam as cenas cortadas de Lily Tomlin em I Heart Huckabees. Por que Paul Rudd não se tornou um astro da comédia ainda é além da compreensão humana.

>> Cenas dos bastidores de 007 - Viva e Deixe Morrer, na cena em que James Bond salta sobre crocodilos. Dica: se você vai repetir takes, faça de modo que os crocodilos não possam prever o comportamento do que lhes servirá de delicioso jantar.

>> Somente a Internet poderia juntar o vídeo viral do Little Superstar com o tiozinho do pornô Ron Jeremy. Resultado: o melhor comercial de todos os tempos.

>> Mais lista: as 10 melhores montagens musicais dos filmes dos anos 80.

>> E o meu vídeo favorito: três segundos para você adivinhar qual país do mundo televisa uma competição de abdominais entre um casal formado por um buldogue e um macaco contra um grupo de alunos do primário.
  Bernardo Krivochein    sexta-feira, março 30, 2007    4 comentários
 
 





"Na Cama" de novo diretor chileno

É sempre bom quando um filme indie estréia no Brasil. Mesmo que seja com um certo atraso. O diretor chileno Matias Bize, 27 anos, filmou "Na Cama" em DV, com 2 câmeras, 2 anos de preparo, 1 ano de leitura do roteiro, 6 meses de ensaio, 3 semanas de filmagem, 60 horas gravadas e 150.000 dólares de orçamento, em 2005. O resultado lhe rendeu vários convites para festivais, alguns prêmios e o melhor: a possibilidade de continuar sua jovem carreira. Já está finalizando seu último longa em Barcelona,"Lo Bueno de Llorar" que segundo ele trata do fim de um relacionamento, um casal que anda pelas ruas da cidade, terminando uma história.

Já "Na Cama" trata deste primeiro encontro entre Bruno (Gonzalo Valenzuela) e Daniela (Blanca Lewin), um sexo casual, num motel, muitos diálogos, um mesmo cenário (idéias parecidas você já viu milhares por ai, filmes parecidos você já viu pelo menos algum). O interessante em "Na Cama" é que seu diretor é jovem, e tem propósitos e já está sendo visto como uma nova revelação chilena, ele diz sempre tentar duas coisas com seus filmes: "- Fazer filmes que signifiquem desafios, riscos, não saber como vai terminar a história, ir experimentando até achar a mão certa. "- Contar histórias que emocionem, que comuniquem com o público, que consiga uma boa conexão com os espectadores".

Bem, talvez "Na Cama" seja um pouco água com açúcar, mas vale a pena tentar. No YTube, um trechinho do filme aqui.

Estréia no Estação Botafogo, dia 06/04, Rio
  Francesca Azzi    quinta-feira, março 29, 2007    1 comentários
 
 




New Directors/New Films 2007

E não só de filmes underground vive Nova York. O já tradicional New Directors/New Films também está acontecendo por lá desde o dia 21 e termina dia 01 de abril. Este pequeno festival no número de filmes mas grande em suas escolhas e na sua perspectiva de revelar pra valer novos diretores, se orgulha (eu também me orgulharia) de estar na sua 36a edição. Segundo eles mesmos, apresentaram para o mundo, ou pelo menos para o mundinho cult americano, os diretores: Chantal Akerman, Pedro Almodóvar, Héctor Babenco, Terence Davies, Guillermo del Toro, Atom Egoyan, Nicole Holofcener, Spike Lee, Richard Linklater, Sally Potter, John Sayles, Steven Spielberg, Tom Tykwer e Wim Wenders.(Estranho Walter Salles não estar nesta lista, but...).

Este ano vai rolar uma mesa redonda chamada HBO Films Roundtable entre diretores, produtores etc e também um programa de retrospectiva de filmes documentários considerados clássicos, ND/NF Classics.

Filmes que estiveram em Veneza, Cannes, alguns que já foram exibidos aqui, uma seleção que não diz respeito ao ineditismo mas sim a uma qualidade das obras. Realizado pelo Moma e pelo Film Society of Lincoln Center, o ND/NF 2007 tem como destaque na programação: o francofônico "Congorama" de Philippe Falardeau( link trailer); o belo russo "Euphoria" (Ivan Vyrypaev) ( foto), "Day Night, Day Night" de Julia Loktev que é sobre uma suicida, mulher-bomba que vaga pela Times Square com a intenção de se explodir sem uma "causa" específica. Você pode ver o trailer aqui do Festival de Toronto (Só Explorer,infelizmente). Este filme que ganhou o Independent Spirit Awards de Melhor Primeiro filme, já foi exibido na última Mostra de SP, sem nenhum comentário especial que eu tenha visto.

Do Brasil, apenas a participação de Karim Aïnouz, com o "O Céu de Suely" que ganhou o nome banal de "Love for Sale".

Confira a programação no link: http://www.filmlinc.com/ndnf/ndnf.html.
  Francesca Azzi    quarta-feira, março 28, 2007    0 comentários
 
 



New York Underground Film Fest começa hoje apresentando VIVA

Pequenos festivais mas duráveis e com certeza focados numa proposta, esta idéia norteia há 14 anos o New York Underground Film Festival de hoje, 28, até dia 03 de abril no Anthology Film Archives, no East Village.

Na abertura a première do filme VIVA (site oficial) primeiro filme de Anna Biller (também atriz principal do filme, foto) - que se diz um tributo aos "sexplotation flicks" dos anos 70. “Viva" conta a história de uma dona de casa entediada que foge para se tornar uma garota de programa, com perucas horrorosas e muito peignoirs.

Confira a lista do Underground e me diga se lá algo apetece para o Indie.
  Francesca Azzi    quarta-feira, março 28, 2007    0 comentários
 
 



Éste no
es Benicio

x_d
  Max_D!    sexta-feira, março 23, 2007    8 comentários
 
 


Falando de cinema, brincando de cinema

Você fala muito de cinema? É claro que esse “muito” deve ser diretamente proporcional ao quanto você gosta e do quanto efetivamente você tem ido ao cinema. Mas o cinema além de estar perdendo o público, também vai virar só conversa de comadres? Ou você ainda é daqueles que emenda uma ida ao cinema com uma boa pizza em seguida? Que tal (re)ver o filme do Cassavetes e depois pedir uma gigante mezzo aliche mezzo napolitana?
Apesar da concorrência desleal eu ainda acho que o cinema faz parte do top 5 de uma lista de bons assuntos para uma conversa. Mas a competição mais dura que o assunto cinema enfrenta hoje é quando entra na roda o paredão do Big Brother, o casamento da Suzana Vieira ou a trama da novela das 8.

Fanáticos como nós, mesmo quando a gente não conversava sobre cinema a gente brincava com o cinema. Quem não se lembra daquela deliciosa brincadeira de mímica que a gente fazia com os títulos dos filmes? Tem anos que eu não jogo isso, e me pergunto se alguém ainda joga. A gente tinha uns títulos de filmes na manga que eram verdadeiros trunfos. Geralmente eram títulos de filmes que nunca passavam no circuitão e que a gente só via nos cineclubes, e os amigos menos descolados, embora fossem sempre ao cinema, nunca tinham ouvido falar. Na minha lista não podiam faltar os títulos que eu considerava os mais difíceis para o time adversário adivinhar: Trens Estreitamente Vigiados, A Pequena Loja da Rua Principal, Encontro com Homens Notáveis, Vagas Estrelas da Ursa Maior e muitos outros.

Depois daqueles dias chuvosos numa praia nas férias de verão, a gente voltava com um estoque de títulos que iam durar o ano inteiro. Só depois que a gente esgotava essa lista é que a gente passava para outro jogo, o do dicionário...
  Eduardo Cerqueira    sexta-feira, março 23, 2007    1 comentários
 
 


Recap Fest 21/3

>> Antes a gente noticiou que Alain Delon tinha sido convidado para participar do novo filme de Johnnie To e todo mundo ficou molhadinho nas parte quentes.

Mas você sabe que filme eles farão juntos?

Essa notícia é velha (saiu primeiro no KFC Cinema e no Twitch), mas não vi em nenhum lugar de língua portuguesa: o novo filme de Johnnie To, produzido pela StudioCanal e por Brett Ratner (!), é o remake de um dos mais célebres filmes de Jean-Pierre Melville.

Alain Delon, num filme dirigido por Johnnie To: O Círculo Vermelho. Agora você sabe.

Tenha em mente que o projeto, apesar de aprovado, nem em pré-produção está. A última coisa que se soube foi que o próprio To está retocando o roteiro com seu estilo...

>> ...o que é um tanto estranho de ouvir, já que o roteirista da maior parte de sua filmografia é o excelente Yau Nai-Hoi, que faz sua estréia na direção este ano com Gun Chung, ou "Eye In The Sky". O violento drama criminal acabou de ter seus direitos internacionais comprados entusiasticamente pela Fortissimo Films. Nai-Hoi também será remaquiado em Hollywood: seu roteiro de The Mission (dirigido originalmente por Johnnie To) está recebendo a americanização devida. A direção do remake é do muito-competente-mas-americano-até-o-caroço Peter Berg ("Friday Night Lights").

>> Para não sair do assunto, Hou Hsiao-hsien (ou Hsiou-hsien, na fonética brasileira) fechou o "remake" do francês Le Ballon Rouge, estrelando Juliette Binoche. Aspas, pois as versões originais eram curtas-metragens sobre um garoto que se imagina perseguido por um balão vermelho pelas ruas de Paris. A francesa Films Distribution (não é erro, esse é o nome da distribuidora - descritivo, não?) já garantiu os direitos de distribuição e os produtores esperam estar com o corte final pronto para Cannes '07. E o bichinho já tem trailer, que é esse aqui.

>> Depois do mal recebido e ainda inédito por aqui Invisible Waves, o tailandês Pen-ek Ratanaruang retornará às raízes no seu novo longa, Ploy, no qual ele trabalhará com a estrela de seu anterior 6ixtynin9, Layta Panyopas. O filme, com direitos adquiridos pela Fortissimo Films, se passará dentro de um quarto de hotel e será o retorno de Ratanaruang à máquina de escrever. Outro filme de Ratanaruang foi o média-metragem de esportes produzido pela NIKE, sobre um torneio de peladeiros tailandeses jogando à luz de velas, num descampado debaixo do viaduto. Tal média-metragem virou sensação em seu país de origem.

>> Aqui do lado, no célebre Festival de Cinema de Mar Del Plata, o longa coreano Woman On The Beach, do cult Hong Sang-soo, acabou de ganhar o prêmio de Melhor Diretor. Enquanto isso, mostras dedicadas ao trabalho de Sang-soo abundam nos EUA, sendo o filme Virgin Stripped Bare By Her Bachelors (2000) o maior foco de atenção e discussão nas publicações impressas e onlines de cinema. (nota: preciso me restringir a dar as notícias secas, mas não resisto - eu admiro o trabalho de Sang-soo, mas não são filmes que me causem uma resposta pessoal maior do que justamente a admiração. Tenho o box set com seus 3 primeiros filmes - além dos filmes mais atuais dele que pude assistir em mostras - , mas preciso ainda fazer certo esforço para chegar até o final de sua obra) UPDATE: Blogatona! Blogatona! Blogatona!

>> É o início da retaliação? Depois dos holofotes que a SXSW jogou em cima do movimento de cinema independente agora apelidado de Mumblecore (termo cunhado por Andrew Bujalski, de Admiração Mútua), uma série de críticas estão vindo à tona. Seja o pega-pra-capar que virou a seção de comentários do blog de Andy Kaufman, na recapitulação do festival texando feito na Film Threat ou na LA Weekly, o Mumblecore passa de sensação cinematográfica para algo a ser aproximado com cautela. Cineastas destemidos ou filhinhos de papai? E os críticos estão agindo de má fé ou somente cansados da super exposição conferida aos cineastas do movimento no referido festival? De que lado você estará?

>> É oficial: Emile Hirsch protagonizará Speed Racer, a versão live action do famigerado desenho cult pelas mãos dos Irmãos Wachowski, de "Matrix" e da seção de lingerie de sua loja preferida (pesquise qual dos dois irmãos é um crossdresser convicto). Agora é correr com a pré-produção e ver se o filme fica pronto para o verão de 2008, onde, muito diferente do desenho, os inimigos de Speed Racer serão o Homem de Ferro e a próxima continuação de Nárnia. Esse é o tipo de notícia boa para todo mundo. Hirsch nunca fez um trabalho realmente mais comercial e a conta corrente dele agradecerá mito esse projeto. Os fãs do desenho podem estar aliviados de que o papel principal está sendo defendido por um ator de verdade. Eu sou suspeito para falar, já que eu e meus amigos coordenamos uma espécie de fã-clube de Hirsch. Ele e Tadanobu Asano são os únicos atores de que faço questão de acompanhar todos os trabalhos. Estou feliz com essa perspectiva de maior rconhecimento de seu trabalho. Enquanto Speed Racer não vem, o público brasileiro poderá vê-lo em Alpha Dog, de Nick Cassavetes em 11 de maio.

>> Depois dos omnibus turísticos "New York Stories" e "Paris, je t'aime", o próximo porto natural tinha de ser Tokyo. Três diretores de diferentes nacionalidades atacam com três episódios passados na capital universal do foda-pra-caralho. Os diretores são: Leos Carax, Michel Gondry e Bong Joon-Ho. Mas o filme demora. As filmagens estão programadas para começar em meados de Julho ou Agosto.

Dicas de vídeos online: >>Falando em "Paris, je t'aime", um dos episódios pode ser visto na Internet - justamente aquele que é dirigido por Christopher Doyle, diretor de fotografia extraordinaire dos filmes de Wong Kar-wai. A estranheza transborda nesses minutos de loucura visual. (nota: como já pude assistir ao filme inteiro, sinto que preciso declarar que o curta de Doyle não foi um dos meus favoritos - gostei muito dos curtas de Tom Tykwer, Olivier Assayas e dos Irmão Coen, os outros são OK ou não, mas o de Alexander Payne é uma obra-prima, justamente o que fecha o longa-metragem. Devo escrever sobre isso mais tarde no site principal) Clique aqui, se é que o vídeo ainda está disponível.

>> NÃÃÃÃÃÃÃOOOO!!!

>> (essa é bem velha, mas eu sempre quis postar e eu não vi muita gente falando sobre isso, então lá vai)

Godard + Kelly Osbourne?

Aconteceu, e aqui está a prova: o clipe de One Word, um dos singles mais irresistíveis de 2006, do álbum "Sleeping In The Nothing", produzido pela vocalista do 4 Non Blondes (alguém lembra?). Baseado em Alphaville, o filme preferido da filha de Ozzy (!), o vídeoclipe acaba extrapolando Godard na referência ao próprio diretor. Resultado: é (muito) melhor do que o filme, só para fazer os cine-esnobes espumarem pela boca. O CD, como a maioria dos álbuns de pop, cansa depois que você descobre qual é o truque que está sendo aplicado, mas além de divertido, é honesto.
  Bernardo Krivochein    quarta-feira, março 21, 2007    8 comentários
 
 


Um filme perdido parte II: HIM de Ed D. Louie

Num dos posts abaixo, Eduardo Cerqueira foi praticamente atropelado por um rolo de película 16mm - que filme é, ninguém sabe. Se é que alguém se importa. Provavelmente é pornô. Alguns filmes foram feitos para serem eliminados, imagens descartáveis. Impressas na memória, a imagem pornográfica cinematográfica é fadada à eliminação material (pelo tamanho estigma social que carrega consigo, sendo portanto criada apenas para a satisfação privada - possivelmente solitária - e nunca admitida) e nunca pode ser recuperada.

Um dos mais célebres filmes "perdidos" chama-se "HIM", de Ed. D. Louie. "HIM" é um filme pornográfico gay que erotiza o Novo Testamento: Jesus Cristo é um lindo homem que se cerca dos mais másculos apóstolos que o seguem por todos os lados. "Jesus, que... SERMÃO que você tem!!!" (bow tchk tchk bow wow...) O filme - com apenas uma cópia - foi exibido apenas uma semana em um cinema poeira de Nova York e teria desaparecido da estratosfera, caso não ganhasse o prêmio "O Conceito Mais Não Erótico da Pornografia" do livro "The Golden Turkey Awards" de Michael Medved, na época um desbravador dos filmes B. Assim segue o trecho publicado nas páginas 165-8:

"Esse filme inovador, destinado exclusivamente às platéias gays, entra em detalhes sórdidos ligados a carreira erótica de Jesus Cristo. Os anúncios do filme mostram o rosto do Salvador (com uma cruz refletida em seu olhar) com o seguinte slogan inquisitivo: "Você está curioso para conhecer a vida sexual DELE?" O cineasta Ed D. Louie sacia essa curiosidade nos mostrando que o Filho de Deus era um homossexual voraz (afinal, por que ele passava tanto tempo cercado dos apóstolos?) O personagem central do filme, na realidade, era um jovem americano gay cuja obsessão por Jesus o ajuda a compreender o "sentido oculto" dos Gospels (...) Por completa falta de bom gosto, esse filme é inigualável. Numa das cenas, o nosso jovem herói procura o padre de sua paróquia para confessar sua fixação erótica por Jesus Cristo. O padre senta no confissionário, escutando as elaboradas fantasias pervertidas do jovem, aproveitando a situação para enfiar a mão debaixo de sua batina e masturbar-se grotescamente frente às câmeras. Esse adorável episódio marca um dos pontos mais decididamente baixos do cinema americano. Os poucos patéticos que desejam assistir "Him" devem ir ao cinema vestidos apenas num enorme saco de papel que, assim esperam, cubra seus olhos assim como o resto de seus rostos."

Ama teu próximo, bi. O "X" da questão é que no mesmo livro, Medved acusa que um dos +400 que cita no livro é uma mentira. Pela completa falta de provas cabais da existência de "HIM", muitos acreditaram ser ele o filme falso. Em outros livros sobre a exploração de imagens bíblicas na mídia contemporânea, "HIM" também foi mencionado, mas há grande probabilidade de serem relatos influenciados pela fama provocada pela leitura do livro de Medved. Muitos acusam o filme de não passar de uma brincadeira que saiu do controle, muitos interessados encontraram regitros de sua existência em outras fontes. Não há nem como determinar a veracidade do anúncio que ilustra esse post.

A existência de "HIM" permanece um mistério. Se tiver existido, trata-se de um caso raro de pornografia gay que se torna ilustre muito tempo depois de seu negativo ter cumprido seu destino; tal qual os espectadores que cruzam o planeta e desaparecem sem deixar rastros.
  Bernardo Krivochein    segunda-feira, março 19, 2007    2 comentários
 
 



Quem se interessa por cinema de vanguarda e todas as várias correntes do cinema moderno e contemporêneo, que vão além da narrativa tradicional e da sala de cinema, já deve ter ouvido falar de um livro chamado EXPANDED CINEMA. Foi publicado nos Estados Unidos em 1971 e há muito está esgotado. Esta é uma leitura obrigatória e ao mesmo tempo quase impossível de ser feita, pois quase ningúem tem este livro. Graças as maravilhas do mundo google é possível conseguir, na íntegra o livro de Gene Youngblood em formato pdf no link abaixo. 444 páginas para quem quer saber um pouco mais o que é cinema expandido .
  Roberto Moreira S. Cruz    sexta-feira, março 16, 2007    2 comentários
 
 




G&G

A dupla Gilbert and George permanece ativa. Suas célebres performances ainda são citadas em toda e qualquer pesquisa que se refere à body art e ao conceitualismo dos anos 60. Fiéis à idéia da auto-representação a dupla, a partir dos anos 90, começou a produzir trabalhos fotográficos de grandes dimensões, muito coloridos, visualmente sedutores. Inspirados nos vitrais medievais e na iconografia da publicidade, estas imagens são auto-retratos nos quais o casal sempre aparece, vestido como respeitados senhores anglo-saxões e de inabalável reputação. Gilbert and George transformaram sua arte num divertido exercício em que a vaidade e a auto-promoção servem como pretexto para se fazer uma arte ao mesmo tempo persuasiva e transformadora, capaz de tratar de temas universais como religiosidade e sexualidade, sem cair no apelo fácil e consumista das imagens da mídia. Quem estiver passando por Londres tem que conferir a retrospectiva dos artistas na Tate Modern.
(Thanks Dani pela dica).
  Roberto Moreira S. Cruz    quinta-feira, março 15, 2007    1 comentários
 
 




Made in Brasil

Havia algo de despretensioso e inconseqüente nos vídeos produzidos no Brasil na década de 70. As situações em que os artistas se representavam eram sempres prosaicas e informais. Leticia Parente foi uma das videoartistas que melhor soube utilizar os recursos do vídeo naquela época e com muita personalidade criou obras incríveis. O conjunto completo de seus vídeos pode ser conferido numa exposição no Paço da Artes em São Paulo, que exibe os 11 trabalhos produzidos por ela entre 1975 a 1978. No mais importante deles, a artista costura no próprio pé a frase "Made in Brasil". Estes trabalhos serão lançados brevemente em DVD, num projeto de remasterização dos vídeos produzido por seu filho, o pesquisador André Parente e que tem o patrocínio da Petrobrás e do Itaú Cultural.
  Roberto Moreira S. Cruz    quinta-feira, março 15, 2007    1 comentários
 
 



Um filme perdido


Estava eu num fim de tarde luminoso, no canteiro central da Afonso Pena (a “Avenida Paulista” de Belo Horizonte, para quem não ligou o nome a coisa em si). Meu carro estava na oficina e resolvi voltar para casa caminhando (coisa que acontece uma vez a cada 2 anos bissextos).

Enquanto esperava o fluxo de carros passar para poder atravessar, vejo uma bobina de um filme 16mm rolando pela pista parando exatamente na minha frente. Um bom pedaço do filme se desenrolou e eu comecei a rebobiná-lo, lutando contra o vento e os carros que passavam. Olhei em volta para ver se alguém estava à procura do rolo. Não vi ninguém. Achei que o filme pudesse ter caído do baú de um motoboy apressado, ou da bolsona de uma produtora distraída, mas ninguém apareceu... A bobina não tem qualquer identificação do filme ou do seu proprietário. Dei uma olhada contra o sol, mas não consegui distinguir muita coisa.

Depois disso, olhei para o céu e me senti o próprio Jim Carrey em o Show de Truman, e pedi aos produtores lá em cima para tomarem mais cuidado com o precioso material. Esta semana vou assistir esse pedaço de filme e se descobrir alguma coisa ou souber do que se trata, eu conto aqui . Mas, enquanto isso, se por acaso, alguém estiver enlouquecido procurando um rolo de um filme perdido em Belo Horizonte, é só falar!
  Eduardo Cerqueira    quinta-feira, março 15, 2007    1 comentários
 
 


Os Melhores Filmes Inexistentes

A distribuição cinematográfica irregular pelo território nacional (e o limitado número de cidades que abrigam festivais de cinema)faz muita gente reclamar dos filmes que normalmente comentamos no site. Você imaginaria que as locadoras, a Internet, a cultura de downloads e DVD Rips poderiam suprir isso, mas nem todos os filmes se fazem acessíveis. Alguns simplesmente desaparecem.

Mas outros projetos surpreendentes são anunciados, aguando a boca de cinéfilos mundo afora, e por problemas de produção, acabam não sendo realizados, nos deixando apenas a imaginar suas infinitas possibilidades. Em homenagem ao leitor que reclama do difícil acesso às produções que ele gostaria de assistir, segue esse pequeno artigo: os filmes preferidos que todos nós jamais poderemos assistir.

1) DUNA, de Alejandro Jodorowsky

Segundo Jodorowsky, uma divindade em seu sonho disse-lhe que seu próximo projeto deveria ser filmar "Duna". Para o diretor, o livro de Frank Herbert é apenas uma versão, uma perspectiva pessoal de um universo vivo. O "Duna" de Herbert - o escritor apenas teria canalizado uma voz e não era nem o criador tampouco o dono daquele universo - não era definitivo e Jodorowsky queria dar sua interpretação.

Recém-saído do sucesso de "A Montanha Sagrada", Jodorowsky informou o seu projeto aos produtores ingleses da Camera One, que distribuíra o mencionado filme. A última frase da ligação foi a do produtor Michel Seydoux - em Paris - dizendo que viajaria para Los Angeles no dia seguinte e compraria os direitos de adaptação cinematográfica do filme. E assim foi feito.

Jodorowsky afirma que o processo de pré-produção foi uma experiência de interferência divina - a seu favor. Querendo realizar o filme no deserto de Tassili, o governo da Argélia se mostrava interessado no projeto. Seu filho Brontis interpretaria Paul, o protagonista. Para a cena final de transmutação da matéria, seriam consultados alquimistas de verdade. Para as cenas de guerra, faria laboratório com verdadeiros guerrilheiros sul-americanos.

A roteirização do filme precisaria ser detalhado e envolveu o amigo Moebius, para elaborar o estilo visual do filme, e com Douglas Trumbull, o mesmo roteirista de "2001: Uma odisséia no espaço". Mais pessoas foram se aenxando ao projeto: Dan O' Bannon para os efeitos especiais, H. R. Giger para desenhar o planeta Harkonnen. Com a não-realização de "Duna", impedida por Hollywood que considerava o projeto "excêntrico e não-comercial", os dois foram "misteriosamente" contratados para realizar "Alien" meses mais tarde. (O'Bannon seria internado num hospital psiquiátrico após o processo de criação de "Duna")

Para a trilha-sonora, Jodorowsky queria um estilo musical diferente para cada planeta e situação: Estilo muscial diferente, bandas diferentes. O grupo francês de rock, Magma, se encarregaria dos momentos de batalha e... Pink Floyd para a trilha incidental. Jodoroswky tentou uma reunião desastrada com o grupo enquanto gravavam "Dark Side of the Moon" nos estúdios Abbey Road, para a irritação do diretor. O prórpio grupo pediu desculpas e remarcou um outro encontro, onde acertaram o compromisso de compôr a música do longa-metragem.

E Salvador Dalí no papel de Imperador. Que, para participar do projeto, impôs uma série de condições: receber 100.000 dólares a hora (apenas para ser o ator mais bem pago da História), trabalhar apenas sete horas, trabalhar sem roteiro ("minhas idéias são melhores do que as suas") e desenhar o trono do Imperador: uma privada com dois tubos em forma de golfinhos, um para cocô, outro para xixi. Muita dor de cabeça depois, um novo acordo: Dalí só trabalharia 3 horas, mas permitiria que um boneco de latéx de sua pessoa fosse feito, assim resolvendo o problema de fazê-lo presente quando a cena assim exigisse.

O projeto acabou sendo vítima das intrigas de Hollywood, os desenhos de pré-produção circulando por todos os grandes estúdios e sendo roubados em outras produções. Jodorowsky é grato pela experiência e relatou com detalhes o processo de criação de "Duna" no artigo "O Filme Que Você Nunca Verá", que pode ser lido aqui.

2) A ILHA DO DR. MOREAU, de Richard Stanley

Depois do sucesso de "Hardware" e do calvário que foi a produção do excepcional "Dust Devil - O Colecionador de Almas", Richard Stanley, junto com Michael Herr, roteirizou o livro bastardo de H. G. Wells. Filmar "A Ilha do Dr. Moreau" - seria a terceira versão cinematográfica da história - era o projeto dos sonhos para Stanley. O (ótimo) roteiro, comprado pela New Line Cinema, se tornou um grande imã de talentos em Hollywood. Marlon Brando topou assumir o papel titular (de Dr. Moreau, a ilha seria interpretada por Shelley Winters) e Val Kilmer - recém-saído de "Batman Eternamente" - aceitou interpretar o protagonista, o agente da ONU Prendick. O orçamento foi acertado em 35 milhões de dólares e a produção estava pronta para rodar na Austrália.

Kilmer, famoso pela excentricidade, decidiu que gostaria que seu trabalho fosse reduzido a apenas 20%, obrigando Stanley a substituir Kilmer por Rob Morrow no papel de Prendick. Kilmer atuaria no papel de Montgomery, auxiliar de Moreau. Mas, nos primeiros dias de filmagem, Kilmer simplesmente não apareceu (um piti do ator já conhecido entre as equipes de filmagem de Hollywood) e, quando apareceu, não tinha nenhuma fala decorada, não sabia que cenas filmaria. Uma confusão e um tremendo desperdício de dinheiro da produção.

Os "dailies" dos primeiros quatro dias de filmagem chegaram aos escritórios de Michael DeLuca, presidente da New Line Cinema, para completo choque dos produtores: o que eles viram era uma anarquia geral. Em apenas quatro dias, Stanley foi aliviado de suas funções como diretor, substituído por John Frankenheimer. Morrow, vendo a merda em que se metera, também abandonou o set, sendo substituído pelo inglês David Thewlis (uma das primeiras opções do diretor para o papel de Prendick, mas ironicamente vetado pelos produtores que não queriam um protagonista britânico).

O que se seguiu foi uma das histórias mais insólitas de Hollywood. Stanley e a namorada resolveram acampar no mato ao invés de retornarem para a Inglaterra. Um dos membros da equipe, despedido e recontratado, foi despedido de novo e entrou em contato com Stanley, noticiando o caos geral no set. Em posse de uma das fantasias das criações genéticas de Moreau, Stanley se fez passar por um extra, invadiu o set e começou a contactar os membros da equipe. Sua presença foi mantida em segredo pelo elenco e equipe técnica. Stanley pediu desculpas a Brando (que até ofereceu dinheiro a Stanley pelo infortúnio; Stanley recusou) e compartilhou das angústias de Ron Perlman, seu papel do Ditador das Leis despido completamente da importância que lhe cabia no roteiro original.

"A Ilha do Dr. Moreau" de Frankenheimer é uma bagunça (em dado momento, Brando atua com um balde de champagne na cabeça que encontrara abandonada no chão ao seu lado, a prova cabal das filmagens completamente fora de controle) que até resguarda a estrutura do roteiro de Stanley, mas polariza a história entre mocinhos e vilões, sem preservar a ambigüidade e a truculência imaginadas pelo diretor inglês. No terceiro ato do roteiro, "A Ilha do Dr. Moreau" revela-se um homage à "Cannibal Holocaust" e à dinastia dos filmes de terror italianos, explodindo numa assustadora bola de violência, sem contar a eficácia com que antevê o gênero de eco-terrores que se seguiria. (o inglês "O Longo Fim-de-Semana" vem à mente, mesmo que exista muito pouco realmente ligando ambos os "filmes")

"A Ilha de Dr. Moreau" que temos é um cult movie, notório pelo fator "Que caralhos está acontecendo nesse filme?", que pode até ser divertido pelos motivos errados, mas ler o roteiro de Richard Stanley nos parte o coração: é constatar que um de seus possíveis filmes preferidos jamais será feito.

No site oficial de Richard Stanley, dá para ler tanto o roteiro ignorado quanto o dolorido (mas hilário) relato da zona que foram as filmagens de "A Ilha do Dr. Moreau".

(semquerer colocar pressão, mas o DVD de colecionador - com 5 CDs! - de "Dust Devil", lançado pela Subversive Cinema é obrigatório. E relativamente barato - me saiu por 100 reais. Mais foda e completo do que qualque coisa que a Criterion Collection já lançou. É por causa desse DVD que escrevo esse artigo)

3) ALIEN 3, de Vincent Ward


Era verão e esse teaser passou no cinema. Não é mentira, esse teaser existiu e eu vi na tela grande. Em "Alien 3", eles invadiriam a Terra. Nem os Aliens e nem o filme imaginado vieram. O bolo de boas-vindas mofou.

Talvez a história de pré-produção mais turbulenta em Hollywood, "Alien 3" contou com um número impressionante de roteiros rejeitados (mais de 30), incluindo uma versão de William Gibson, outra de Eric Red (!), outra de David Twohy. O projeto de "Alien 3" era uma puta, aceitava diretores apenas para dispensá-los na manhã seguinte. Em um ano, "Alien 3" já havia dormido com toda Hollywood e começou a pegar mal. Nesse "não fode, nem sai da moita", a Fox gastou os tubos pagando por serviços de conceitualização prestados, mas o filme não se concretizava. Nada era bom o bastante, i.e., as propostas para a terceira continuação do filme de Ridley Scott eram muito ousadas, portanto muito caras. David Fincher entrou na barca furada no último segundo apenas para tentar salvar o que restava do projeto e felizmente sobreviveu para se tornar um dos diretores mais interessantes da atualidade (a comunidade de fãs de "Alien" surpreendentemente compreendem e respeitam a situação em que Fincher foi obrigado a realizar o insatisfatório filme). Nada de Terra; agora temos um planeta-presídio decadente. Locação mais econômica, impossível.

Dentre os roteiros rejeitados, um tesouro foi resgatado: a sugestão de Vincent Ward para a terceira continuação de "Alien" é uma obra-prima. A Fox, atirando para todos os lados, interessa-se pelo trabalho do jovem diretor, que colhia o sucesso de "Navigator - Uma Odisséia no Tempo". Os executivos pedem um roteiro de Ward, que surge com a proposta mais insólita e original: o "pod" de Ripley cai num planeta de madeira, habitado por monges que rejeitaram a tecnologia. Com Ripley, vem a xêpa alienígena, tocando o terror no planeta-mosteiro. Os monges acreditam que o Alien é o capeta encarnado. A seqüência mais impressionante do roteiro é quando Ripley, presa num calabouço pelos monges, é atacada pelo Alien. Como não pode ser morta, já que incuba um alienígena dentro de si, Ripley é VIOLENTADA pelo Alien noite após noite. Uma leitura assustadora que deveria render imagens de pesadelo.

Ward cita duas referências: visualmente queria evocar as pinturas de Hieronymus Bosch, com todos os moinhos, fornos e chaminés, o conteúdo era uma adaptação gótica de "Branca de Neve e os Sete Anões". No final aberto, os monges, desolados, estão reunidos em volta de uma Ripley adormecida num dos casulos de hibernação, aguardando o "beijo do príncipe encantado", que poderá nunca chegar. Foda pra caralho.

Mas, espere: você pode ler o roteiro do que poderia ter sido aqui.
  Bernardo Krivochein    quinta-feira, março 15, 2007    7 comentários
 
 


Vamos lá! Anunciando oficialmente... Inscrições abertas para o Indie 2007!

O INDIE 2007 – Mostra de Cinema Mundial recebe inscrições de filmes de ficção e documentários de longa-metragem nacionais e internacionais; e também de documentários que tenham como tema manifestações musicais. A sétima edição do INDIE irá acontecer entre os dias 22 a 30 de agosto.

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O INDIE 2007 - MOSTRA DE CINEMA MUNDIAL, evento anual que acontece em Belo Horizonte, e que está na sua sétima edição, abre inscrições para três de seus programas: Indie Brasil, para trabalhos de ficção e documentários, com duração acima de 60 minutos, realizados no Brasil; para o programa Música do Underground, apenas para filmes documentais e/ou experimentais sobre música, com duração acima de 40 minutos, nacionais e internacionais; e para longas de ficção e documentários internacionais para o programa Mostra Mundial. Os trabalhos devem ter sido finalizados entre 2006 e 2007 e produzidos originalmente em qualquer formato (35mm, 16mm, 8mm, VHS, HI-8, DV). A programação completa do INDIE 2007 trará ainda outras programas como Retrospectivas, Kino para Crianças, Dark Matinée, entre outras.

As inscrições para o INDIE 2007 acontecem até o dia 20 de abril e a ficha de inscrição e o regulamento completo estão no site do Indie. As inscrições também podem ser feitas através do Withoutabox, um sistema internacional de inscrições que reúne vários festivais, no site http://www.withoutabox.com/login/4945.

Na sua última edição, em 2006, o INDIE exibiu 167 filmes, de 29 países, exibidos em 281 sessões e teve 26.438 espectadores. Todos as sessões tiveram entrada franca. O Indie 2007- Mostra de Cinema Mundial, que acontecerá entre os dias 22 a 30 agosto, é organizado pela produtora cultural Zeta Filmes e realizado com o apoio da Lei Federal de Incentivo a Cultura, Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, e pela Lei Municipal de Cultura de Belo Horizonte.

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MAIS INFORMAÇÕES
ZETA FILMES - INDIE
Tel: (31) 3296-8042 / 3293-1582
E-mail: indie@zetafilmes.com.br
Site: www.zetafilmes.com.br/indie
  Francesca Azzi    quarta-feira, março 14, 2007    0 comentários
 
 


Elegia ao Fluxus.06

Estreio neste blog para falar de um fim, o da 6ª edição do Fluxus. Óbvio que, como designer e programador do site, sou absolutamente suspeito. Mas o fato é que sou fã do Fluxus desde seus tempos de Brasil Digital, desde sua primeira edição em 2000.

Em pleno Y2K o festival começou como uma idéia ousada: exibir vídeos em um momento em que banda larga ainda era sonho de consumo de classe média e era prudente que os vídeos que se aventurassem pelo fio do telefone fossem pequenininhos e com poucos movimentos de câmera. Mais que isso, a web ainda vivia a ressaca do estouro da bolha de investimentos no fim da década de 90. As perspectivas de crescimento acelerado se arrefeciam e o vídeo, que muitos apostavam que logo entraria pelo computador chutando a porta da frente, teve que guardar o pé. Algum investidor mais ortodoxo certamente desaconselharia investir em multimídia. Vi um amigo investir no vídeo na web e ver a empresa ir pelo buraco.

Apesar disso, lá estava o Brasil Digital. Havia a limitação de banda e processamento. A maior qualidade disponível era para conexões de 256 Kbps, um verdadeiro infoduto para os padrões de então. Em 2002 ainda não havia pistas de que o vídeo finalmente decolaria na web. Ainda assim, o festival seguia firma, foi rebatizado como Fluxus e se tornou internacional. Até ali, no entanto, o que importava era trazer a produção videográfica para a rede, daí a divisão conservadora das categorias: E-cinema, .Doc e Animatec.

Lembro-me de ter participado de uma mesa redonda, em 2003, em que alguém na platéia perguntou algo sobre a influência da tecnologia na estética da produção audiovisual. O cinema nasceu como um teatro filmado, com uma câmera estática assistindo às ações que lhe atravessavam o enquadramento. Não demorou, no entanto, a abandonar essa condição passiva e perseguir seu objeto. Essa busca atingiu seu ápice outro dia mesmo, com o advento das steadicams, mas quase ao mesmo tempo o cinema e o vídeo ganhavam um novo meio de veiculação, a internet. E justamente por conta da limitação de banda e de processamento até então, os filmes feitos para a web eram parcimoniosos nos movimentos de câmera. Chacoalhadas na câmera significavam pelo menos 19.200 pixels mudando juntos a uma taxa de 15 vezes por segundo. Catrancos e bufferings não perdoavam e a imagem em movimento, em seu mais novo e tecnológico meio de circulação, era obrigada a recriar a estética inaugural do teatro filmado.

O próprio ano de 2003 trouxe, no entanto, uma novidade para o Fluxus. Se o vídeo vacilava em retomar seu flerte com a web, nem por isso as narrativas ficaram paradas na rede e se desenvolveram a ponto de merecer uma categoria no festival, a Interactiva.

Em 2005 o Fluxus voltou de um retiro espiritual com força total. No ano da fundação do YouTube, o vídeo já é uma realidade na web. Processadores mais eficientes e a popularização da banda larga e das placas de vídeo permitem a revolução brochada de anos antes. Mas vídeo na web para o Fluxus era chover no molhado e mais uma vez o festival antecipou tendências e vislumbrou a popularização dos celulares com câmera e os vídeos pessoais, atualmente em pleno boom. Para acolher essa estética incipiente, pintou a categoria futur_0.

Nesta 6ª edição, inaugurada em 2006, o Cinemobile provou que o vídeo de celular já está consolidado como possibilidade estética. Se os 256 Kbps eram o papa-léguas da primeira edição, passaram a ser a velocidade mais modesta em 2006 e o Fluxus já "entrega" a 1 MBps imagens ricas em movimentos e com uma janelona de 420x130 pixels. A limitação estética praticamente despareceu e o Fluxus.06 marcou essa passagem, a de uma nova web que, ao romper suas limitações técnicas, abraça, acolhe e adota, por sua agilidade imediatista, uma nova estética ancorada nos dispositivos digitais de bolso.

Meu carinho pelo Fluxus é, portanto, plenamente justificável. Quem um dia for contar a história do vídeo na web vai ter que passar por lá.
  Cristiano Simões    terça-feira, março 13, 2007    3 comentários
 
 


SXSW, INDIE '07, ETC.

Ensaiando um retorno ao blog. Este post é uma coleção tola de assuntos sortidos. Favor pular para o post acima ou abaixo.

No blog de Anthony Kaufman, há este post recente sobre a geração de novos indies americanos (exaustivamente linkado e elogiado pelo Greencine Daily e no Self-Reliant Filmmaking) vocalizando a proverbial pedra que muitos já vem há muito tempo cantando (Eu também cantei! Eu quero crédito! Quando vocês leitores forem escrever sobre os seguintes filmes e diretores nos seus blogues, jornais, etc., façam esse medíocre feliz e me dêem algum crédito!): a parada do momento é o grupo de diretores de indies lo-fi que armaram um esquema de brodagem e improvisam uma sistema de distribuição independente. Mesmo morando longe uns dos outros (conhecendo-se através dos inúmeros festivais de cinema por todo o território americano), as obras de um autor ecoam na de outro, já que eles se descobrem compartilhando das mesmas influências e anseios. Andrew Bujalski, Joe Swanberg, Aaron Katz, os irmãos Duplass, Michael Tully, Todd Rohal... é uma galera.

Ainda não mandei a minha proposta de curadoria e programação para a produção da Zeta Filmes (que se consiste em alguns dos indivíduos que vocês estão tendo a oportunidade de conhecer e dialogar através desse blog), mas daquilo que provavelmente se tornará um texto polêmico nos próximos meses entre os membros da produção - minhas considerações sobre a edição passada - adianto publicamente o seguinte: não programar pelo menos Swanberg ou Katz para essa edição é empacotar o INDIE, que carrega suas ambições enquanto festival de cinema no próprio nome. Mesmo que a mostra de cinema fantástico Dark Matinée seja uma pastagem que a produção me deixa correr livre e que eu devesse me recolher à insignificância do meu ser ao tentar dar pitaco na Mostra Mundial, acaba sendo do meu maior interesse que a mostra principal do INDIE apresente uma programação respeitando muito mais as sensibilidades dos festivais do gênero do que a possibilidade de atualizar o público mineiro com os lançamentos cinematográficos que não conseguem chegar à BH. Meus palpites são motivados pelo interesse maior de querer assistir aos filmes, tal qual o espectador curioso que não sabe como fazer para ter acesso a eles: independentes, elogiados, exaustivamente debatidos e sem chance de distribuição (no sentido comercialmente opressivo da palavra). Não é que minha palavra seja a lei: no ano passado, Daniella, uma das programadoras do festival, pescou o curiossísimo filme do russo Pavel Ruminov, uma batata que eu passei, e Francesca inacreditavelmente programou "Naisu No Mori", dito por este que vos fala como "O" filme "impossível de programar" de uma lista de vários outros (que não foram programados!). A insistência no assunto dessa new wave americana é porque a Francesca não se mostrou muito impressionada com o trabalho de Swanberg (aliás, adorei a primeira temporada do seriado independente para a internet "Young American Bodies" e o primeiro longa do cara, "Kissing on the mouth" é um bocado impressionante) e o pessoal me parece meio indiferente a esse estilo de cinematografia. Mas é porque eu já venho falando desse independentes americanos há muito tempo, chame de intuição ou do que quiser, meu medo é de comer mosca num assunto no qual já estamos discutindo intensamente e com tanta antecedência (aliás, eu também sugeri a programação do filme do Bujalski em fevereiro de 2006 para o INDIE daquele ano, só para me gabar de outra coisa). Justamente com um tipo de cinema que é a cara do festival! Não era para inventar briga fora da minha bolha do Dark Matinée, mas eu não vou desistir até ver alguns dos filmes da new wave indie norte-americana naquele catálogo. Que comecem os debates.

Não tem mais volta. O INDIE 2007 tem data: 22 a 30 de agosto. A ficha de inscrição está no ar. Gosto do layout da página, como gosto ainda mais da idéia da página do festival desse ano ser em luxuoso e amigável HTML. Gosto como o logotipo do INDIE está pesado, forte, "tijolento". Mas não gosto da data. Para falar a verdade, odeio a nova data do INDIE. Tudo o que não podia era atrasar sua realização (deve ter sua razão, mas ainda assim...) Acho nada estratégica - e o público deve concordar comigo: o festival perde as tardes desocupadas de férias dos estudantes coleciais e universitários, fica muito próximo das mostras de RJ, SP e Brasília, encaixando todas num bloco homogêneo e chato. Devia ser em julho, quando não tem nada acontecendo em termos de eventos de cinema no Brasil inteiro. Não é como se fôssemos disputar o mesmo público que está louco para assistir "Quarteto Fantástico 2".

O que a Dark Matinée reserva em 2007? Obviamente não vou adiantar nenhum filme aqui e agora, pois a última coisa que eu preciso é levar uma rasteira e ter o filme que demorei meses para descobrir sendo roubado de minhas asas por algum outro programador esperto o bastante para ficar de olho no blog. Digamos que as produções mais especuladas e aguardadas estão fora do baralho. Em seu lugar, filmes que ninguém faz a menor idéia de que existem - e são espetaculares. Mais ainda, estou ensaiando um conceito de "mixagem de filmes". Um filme que se liga tematicamente a outro, que se liga esteticamente ao seguinte, etc. Uma nada característica ausência de Ásia nesse ano. O número proposto de filmes é recorde, mas imagino possíveis de serem programados. Ainda estou criando o "mock-catálogo" improvisado, mas está ficando divertido. Tem até filosófico desenho animado em CGI e pornô softcore dos anos 60 na lista.

Já que estamos no assunto "programação de filmes", me explica uma coisa: "Hot Fuzz" acabou de estrear nos cinemas britânicos, estréia no meio do ano nos EUA, não tem previsão de estréia no Brasil (a UIP deve estar esperando o hype se acumular entre os americanos para tomar coragem de lançá-lo aqui) e... estréia daqui a algumas semanas na Argentina! Com o título "Arma Fatal"! Não é que eu esteja alimentando a ilusão de fazer a avant-première do novo filme de Simon Pegg e Nick Frost no INDIE (hmmm....), mas ser assegurado de que o filme passará por aqui em algum momento do ano seria bom. Porque levar rasteira dos argentinos é foda...
  Bernardo Krivochein    terça-feira, março 13, 2007    9 comentários
 
 


O que assistir no "É Tudo Verdade"?


Serão 141 filmes, entre longas e curtas. Todos documentários. Serão 5 cidades, São Paulo ( começa dia 22 de março e vai até 01 de abril) , Rio ( de 23 a 01) e depois Brasília, Campinas e Porto Alegre. O festival "É Tudo Verdade" cresceu e muito. Seu orçamento agora está na casa de 1 milhão de reais, e graças a determinação de seu diretor, Amir Labaki, pode se expandir para além de SP e Rio. Diante desta imensa lista com a programação, e considerando que são todos filmes documentários, fiquei pensando o que assistir, como escolher entre tantos filmes, tão interessantes. Então ao invés de publicar a lista completa aqui, vai umas sugestões.

Claro que a mostra competitiva é sempre especial, porque traz filmes que passaram por uma seleção, inéditos e na mostra internacional serão só 14 longas. Entre eles listo alguns e porque:

- "Fabricando Polêmica" (Manufacturing Dissent, Debbie Melnik, Canadá, 77’, 2007) – Um retrato das manhas e artimanhas de Michael Moore. Apesar do Michael Moore ser uma figura polêmica e um tanto ilustre do mundo do documentário, sempre achei ele um tanto suspeito e você? Duvido que este doc desafie o mito, mas...

- "Três Camaradas" (Drie Kamaraden, Masha Novikova, Holanda, 99’, 2006) –Três jovens chechenos, amantes dos Beatles, Led Zeppelin e Pink Floyd. Termina a URSS, começa o conflito na Chechênia. Numa década, duas guerras impactam tragicamente três destinos. Selecionado para o Sundance 2007. Pela curiosidade do tema, do lugar, de ter uma questão que diz respeito ao destino de cada personagem.

- "Manhã no Mar" (Mañana al Mar, Inês Thomsen, Alemanha/ Espanha, 83’, 2006) – Paulina, 76 anos, Joseph, 88 e Antônio, de quase 80, não dispensam visitas ao mar, apesar do inverno em Barcelona. Porque é próximo de uma ficção, é poético, ingênuo.

- "Perdedores e Ganhadores" (Losers and Winners, Michael Loeken e Ulrike Franke, Alemanha, 96’, 2006) – O choque cultural entre funcionários alemães e operários chineses que chegam à Alemanha para desmontar uma fábrica. Filme de abertura, Leipzig 2006; melhor filme, Um Mundo/Praga 2007. Porque viver na Alemanha como imigrante não é bolinho, porque o chineses são durões, ou não?

Da Competitiva Brasileira são 7 longas que estão competindo a 100.000 reais!, eu veria:

- "Descaminhos" (Marília Rocha, Luiz Felipe Fernandes/Alexandre Baxter, João Flores, Maria de Fátima Augusto, Leandro HBL, Armando Mendz e Cristiano Abud, Brasil/MG, 73’, 2007) – Viagem antropológica entre paisagens naturais e urbanas, pelas cidades e pela vida das comunidades às margens das ferrovias, a partir do olhar de oito novos diretores.
Porque gosto do trabalho de alguns deles. Porque o trabalho é coletivo e são jovens diretores.

Das outras mostras especiais:

-"Você Vai Atuar Esta Noite?" (Spelar Du Ikväll?, Are You Playing Tonight?, Torben Skjöt Jensen, Ulf Peter Hallberg, Suécia, 73’, 2006) – Neste filme-ensaio que combina documentário e ficção, o ator bergmaniano Erland Josephson, vítima de Mal de Parkinson, contempla a própria identidade e investiga a verdade oculta do teatro, contracenando com algumas das grandes atrizes suecas: Lena Endre, Maria Bonnevie e Stina Ekblad.

- "Acampamento de Jesus" – (Jesus Camp, Heidi Ewing e Rachel Grady, EUA, 84’, 2006) – A diretora do acampamento de verão Kids on Fire, na Dakota do Norte, Becky Fischer, esforça-se para que não haja mau entendimento: Harry Potter é um inimigo de Deus condenado à morte no tempo do Antigo Testamento. Crianças ouvem atentamente o que ela diz e são criadas num movimento político que, segundo os líderes, pode ser determinante para as eleições nos Estados Unidos.

-"Cine Manifest" (Cine Manifest, Judy Irola, EUA, 75’, 2006) – No início dos anos 70, um grupo de jovens formou um coletivo de produção chamado Cine Manifest, em San Francisco. Mais de 30 anos depois, eles se reencontram. A maioria tem as mesmas crenças políticas, mas os realizadores descobrem que trocaram um pouco do idealismo pela experiência da vida real.

- "Kobe" (Rainer Komers, Alemanha, 45’, 2006) – Sem diálogos nem narração, apenas com sons captados in loco, é revelado o cotidiano da cidade marítima japonesa, danificada por um terremoto em 1995.

- "Handerson e as Horas" (Kiko Goifman, Brasil, 52’, 2007) – Handerson é um morador da periferia de São Paulo. Seu trajeto diário para o trabalho leva cerca de três horas, mas essas horas podem ser a vida acontecendo, principalmente quando os amigos resolvem comemorar o aniversário dele dentro do ônibus.

- "Sempre no Meu Coração" (Andréa Pasquini, Brasil, 52’, 2006) – Mostra um pequeno clube desconhecido comandado por um músico genial e sugere uma “viagem” no tempo através da memória e do afeto.

Claro que há muito mais e ainda 17 documentários curtos do diretor polonês Krzysztof Kieslowski, alguns inéditos, deliciosos como:
"O Escritório" - Filmado com uma câmera escondida, o documentário satiriza a burocracia e o trabalho de um escritório e "Estação" - A câmera do diretor registra pessoas que estão adormecidas ou esperando por alguém ou algo na estação central de Varsóvia.

Ah! E não podemos esquecer da conferência internacional que acontecerá no Itáu Cultural paralela ao festival. Este ano a idéia é "ampliar a reflexão sobre o complexo tecido que envolve a ética, princípio fundamental ao documentário que, diferentemente da ficção, trabalha com reais situações e personagens".

Há que se escolher!
  Francesca Azzi    terça-feira, março 13, 2007    0 comentários
 
 


A Aura de Fabián Bielinsky

O diretor argentino Fabián Bielinsky morreu prematuramente num quarto de hotel em São Paulo, em agosto de 2006. Com 47 anos e muito conhecido pelo seu filme "Nove Rainhas", caminhava a passos largos para um futuro promissor. Seu último filme "Aura" já estava lançado e premiado na Argentina e por aqui já estava com distribuição garantida mas com sua morte, tudo parece ter se atrasado. Acabei não conseguindo passar o filme no Indie 2006 e assistindo-o na tevê a cabo ( mais uma vez o payperview se adiantou aos lançamentos no cinema passando filmes inéditos e com capacidade para o mercado). Mas agora, enfim, será lançado pela Europa Filmes.

O filme de Bielinsky fala de certa maneira de uma antevisão "planejada". Ricardo Darín, hoje o mais importante ator argentino, faz um epilético taxidermista que constrói em sua mente crimes perfeitos. Por acaso, o destino colocará em suas mãos a possibilidade de realizar um plano. O filme segue um ritmo tenso, silencioso, sinistro como o personagem Esteban, não é um thriller como explica o próprio Fabián, numa antiga entrevista:

"Cuando fue escrita alrededor de 1984 por un joven ayudante de dirección recién licenciado en la escuela de cine, era un policial, un thriller. Tenía un héroe, y una sólida estructura moral, que incluía la redención, y el sacrificio. Cuando veinte años más tarde el ayudante convertido en director la retomó, todo cambió. El héroe se convirtió en poco menos que lo opuesto, la estructura moral se cayó en pedazos, ya no hay sacrificio posible que redima a nadie. Los años no habían pasado en vano, y de algún modo "El aura" ya no volvería a ser un thriller."

Hoje, dia 12/03, no Espaço Unibanco em SP, uma oportunidade para assistir a "Aura" que será exibido depois do lançamento do livro da jornalista Denise Mota "Vizinhos Distantes" e depois de uma mesa de debates (às 20hs) sobre os temas que envolvem o livro - ("os frutos de uma investigação de seis anos na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai sobre condições, problemas e perspectivas que atravessam o cinema no Mercosul a partir de 1991. Uma obra composta por entrevistas, análises e dados colhidos junto a profissionais do setor audiovisual").
  Francesca Azzi    segunda-feira, março 12, 2007    1 comentários
 
 


Ascension (!!!) eu, você e todos nós por Anish Kapoor



Eu e o segurança refletidos na obra de Anish Kapoor. A exposição do artista indiano, radicado na Inglaterra, no CCBB de SP vai até dia primeiro de abril. Apesar de poucas instalações, são tão consistentes que ficam reverberando na retina. Ao ver a sala em branco (dois volumes a primeira vista invisíveis no branco, no terceiro andar do belo prédio), você pensa: ainda bem que eu sai de casa num domingo de sol e peguei o metrô para ver isto. Ainda bem! Porque amanhã meu dia será menos medíocre e eu acreditarei por algumas horas que estou em algum caminho, e que minha vida não é tão inútil, e que de repente eu posso ainda me deslumbrar. Muito melhor do que qualquer filme, indie ou não, em cartaz. Miss, not.
  Francesca Azzi    domingo, março 11, 2007    1 comentários
 
 


Solte a mulher-diretora-de-cinema que mora dentro de você!




Saiba mais sobre este grupo de mulheres http://www.guerrillagirls.com/. Adoraria um dia poder trazê-las para uma performance no Indie. Não aguento mais este papo de dia das mulheres, me dêem de presente uma bomba! Quero mais que as mulheres se libertem destes estereótipos todos! Ou seja, ontem tive um dia meio Guerrilla Girl, amanhã compro minha máscara de gorila e saio por aí, rindo deste mundo tão machista, tão masculino quanto careta. Não é incrível ter tão poucas mulheres na direção cinematográfica?
  Francesca Azzi    sexta-feira, março 09, 2007    1 comentários
 
 


A arte efêmera de Swoon





Swoon é uma artista de 29-30 anos que se destacou em Nova York pelo seus trabalhos de "Street Art". Ela, que já expôs no Moma, prefere as ruas por seu caráter efêmero e compartilhado, como se seus desenhos pudessem cumprir um ciclo de vida. Há alguns anos atrás ela deu um depoimento com estas imagens (assista ao video aqui)ao New York Times.

Dia 01 de março, este mesmo jornal, publicou uma matéria que relata um ataque anônimo aos grafites nas ruas do Brooklyn e Manhattan. Alguém não identificado, que não deve gostar de arte e muito menos de arte nas ruas, está pixando os desenhos com tinta verde e roxa e deixando um comunicado escrito num papel branco. Swoon que já teve um dos seus trabalhos estragados já declarou que isto nada interfere na sua ambição artística e que continuará fazendo suas máscaras hiper-recortadas de papel, figuras com textura e profundidade. Alguns desenhos de Swoon, que já estão nas ruas há mais de 6 anos, estão gastos pela corrosão do tempo e por outras interferências naturais, o que os torna ainda mais interessantes e valiosos.

Para saber mais sobre o caso, e acompanhar o mundo do Street Art e da "arte efêmera" acesse também o blog do Wooster Collective, Marc Schiller que organiza este site também foi o responsável pela exposição de grafites, com artistas do mundo todo, num prédio desocupado do Soho, que depois foi destruído, em dezembro último. A bien tôt!
  Francesca Azzi    terça-feira, março 06, 2007    1 comentários
 
 
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