blogINDIE 2006


Você tem um encontro em Paris, 1976, com Claude Lelouch

Talvez você já tenha visto, mas reveja. O curta de Claude Lelouch, "C´était un Rendezvous" (Era um Encontro), dirigindo sua Ferrari 275, por Paris, originou o videoclipe do Snow Patrol. Compare os dois filmes, veja e reveja Paris... de novo, vai! Ça vaut la peine! ( Ah! Como é bom viver só para um dia andar assim por Paris, mesmo que seja pela câmera insana de Lelouch, mesmo que seja por oito minutos ) Logo no início do curta ele avisa: não há trucagens, nem aceleração da imagem. Já sem o barulho do motor e com a música "Open Your Eyes" tudo fica mais macio, mais pop, menos insano, menos visceral, como disse a Dani. Compare!

Primeiro os 8 minutos de Lelouch.



Agora a coisa pop de hoje (ok, também é bom mas falta o espírito livre). Você pode rodar os dois juntos, no videoclipe foram cortados quase 4 minutos iniciais ( logo onde aparece o Arco do Triunfo, mas entendo que como plano sequência tinha que ser preservado o final, n´est pas?)

  Francesca Azzi    quarta-feira, maio 30, 2007    0 comentários
 
 


Mulheres, independentes, dirigindo as próprias histórias. Pq não? Oh, yeah!

Em ensaio fotográfico do New York Times esta semana passada, 6 diretoras do cinema independente norte-americano estão super produzidas, clicadas por Maciek Kobielski, usando grifes famosas como Jeremy Laing, Giorgio Armani, Ann Demeulemeester, Luella, Yohji Yamamoto ( clique na foto para ampliar), e fazendo valer a fama já alcançada ou a nova carreira que promete ser de sucesso. Sim, é difícil, mas elas estão lá, e sendo pautadas como aquelas que trazem novas abordagens narrativas. A matéria lincada a esta é sobre uma pesquisa recente na qual cientistas estão comprovando que as histórias que contamos sobre nós mesmos são uma forma importante de entendermos a personalidade humana. Palavra em desuso esta: personalidade (quer ler o artigo em inglês?clique aqui). Mas enfim, personalidade como tudo aquilo que define o gosto e as escolhas de um sujeito. Miranda July, segunda foto acima, é apontada como alguém que consegue em suas diversas maneiras de expressão (filmes, live performances, livros e websites) ter uma força muito peculiar para a auto-narrativa.

As audiovision-narradoras indies são:

"Mary Harron, 54, ( primeira à esq.) diretora dos filmes "American Pshycho" e "I Shot Andy Warhol, e de inúmeras séries de Tv. O melhor de ser uma diretora, segundo ela, é que você cria todo um mundo de sonhos e vive nele. Seu próximo sonho é contar sobre a cena punk de Nova York nos anos 70,"Please Kill me", na qual ela pretende ter Sarah Polley como a atriz principal, ela que está na foto abaixo.

Miranda July, 33, artista que estreiou na direção com "Eu, Você e Todos Nós" e ganhou de cara o Camera Dór em Cannes 2005. July tem tantas idéias para diferentes mídias que diz organizar seus cadernos assim: M para movie, P para performance, S para story, e I para Idéia.

Sarah Polley, (foto ao lado, à esquerda, atriz do filme "Minha Vida sem Mim") com 28 aninhos dirigiu seu primeiro longa "Away From Her e se sentia solitária na direção de seu filme, ao ver mais 56 mulheres no Sundance deste ano disse: "A idéia de dirigir filmes ser um papel não-tradicional para a mulher é irreal".

Valerie Ferris, 48, (direita, acima) diretora de videoclipes e comerciais, co-diretora de "Pequena Miss Sunshine" com Jonathan Dayton que diz estar fazendo o próximo no esquema "Slow film", em referência as técnicas do "slow food".

E as belas e documentaristas Jehane Noujaim, 32, ( foto da esquerda) arábe-americana que dirigiu "Control Room," filmado no Qatar em 2003, e Chiara Clemente ( a descabeladíssima) que está terminando o filme "Our City Dreams" um retrato íntimo de 5 décadas de artistas mulheres que vivem e trabalham em Nova York: Nancy Spero, Kiki Smith, Marina Abramovic, Ghada Amer and Swoon. Bravíssimas.
  Francesca Azzi    terça-feira, maio 29, 2007    1 comentários
 
 


Cannes 2007: Os Prêmios

>> (UPDATE: É A CERIMÔNIA, TÁ ACONTECENDO AGORA: aliás, são 16:22 e a TV5 está mostrando um tapete vermelho do Palais em Cannes, então imagino que a premiação já tenha sido exibida ou esteja prestes a acontecer - aliás, tá chato pra caralho, mas toca Air, "Kelly Watch The Stars" enquanto as pessoas trotam escadaria acima)

PALMA DE OURO: 4 MONTHS, 3 WEEKS, 2 DAYS (4 luni, 3 saptamini si 2 zile) de Cristian Mungiu
GRANDE PRÊMIO DO JÚRI: The Mourning Forest, de Naomi Kawase
PRÊMIO DO JÚRI: Persepolis, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud /Stellet Licht, de Carlos Reygadas
MELHOR DIREÇÃO: Julian Schnabel, Le Scaphandre et Le Papillon
MELHOR ATOR: Constantin Lavroenko, The Banishment
MELHOR ATRIZ: Jeon Do-Yeon, Secret Sunshine
MELHOR ROTEIRO: Fatih Akin, The Edge of Heaven
PRÊMIO ESPECIAL DOS 60 ANOS DE CANNES: Gus Van Sant, pela carreira e pelo êxito artístico de Paranoid Park
CAMERA D'OR: Meduzot, de Etgar Keret
CAMERA D'OR (MENÇÃO ESPECIAL): Control, de Anton Corbjin
  Bernardo Krivochein    domingo, maio 27, 2007    2 comentários
 
 


Zumbidos de Cannes: Dia 10

Still de The Mourning Forest (Mogari no Mori) de Naomi Kawase

>> Jane Fonda foi homenageada com uma Palma de Ouro Honorária por sua carreira e por seu engajamento político. Antes que você faça uma piada com a premiação vindo a tempo em que a carreira de Fonda se resume aos filmes "A Sogra" e "Georgia Rule" (com a cheiradona Lindsay Lohan), lembre-se dos áureos tempos de seus revolucionários vídeos de aeróbica. Essa Palma só foi ofertada a três outros artistas: Alain Resnais, Gérard Oury e Jeanne Moreau.

>> É amanhã o resultado da pelada, mas o blog de Cannes da francesa Allocine já está fazendo o bolão com sua lista de prováveis campeões. Acho que vai dar zebra na maioria. Clique aqui.

>> A TV5 exibe a transmissão da cerimônia de encerramento e de premiação a partir das 19h30.

THE MOURNING FOREST (Mogari no Mori)de Naomi Kawase - Em Competição

"Na floresta de Mogari, descobre-se o gosto das frutas, ignora-se a sede, refresca-se sem pudor, se dança com os espíritos e exorcizam-se os demônios. Raramente a natureza esteve tão viva diante de uma câmera. Uma natureza que lembra aquela dos filmes de Terrence Malick e de Hayao Miyazaki onde as pessoas reencontram uma proximidade quase infantil. É aqui que se encontra a força de 'Mogari no Mori'. Resta ver quanto tempo demorará para o júri apreciar o filme." Allocine

"Apostando numa relação radicalmente realista entre câmera, atores e ambiente (aqui no caso a natureza jogando papel central), o filme japonês teve a mesma dificuldade com a platéia “crítica”. Na medida em que o tempo do filme ia se esgarçando junto com sua narrativa, ao longo da sua segunda parte em que os personagens partem em uma deambulação pela floresta que lembra bastante os filmes de Apichatpong Weerasethakul (embora aqui o misticismo latente deste seja trocado por uma religiosidade bem fincada na Terra), os jornalistas e críticos debandavam da sessão em grupo... É verdade que o filme não atinge a força quase mágica e hipnótica dos melhores momentos de Shara, mas ainda assim é um trabalho de um mistério constante, com um final de destroçar corações no seu retrato do final de um longuíssimo processo de luto." Eduardo Valente, Revista Cinética

PROMISE ME THIS (Zavet) de Emir Kusturica - Em Competição

"Duas vezes ganhador da Palma de Ouro, o diretor Emir Kusturica trouxe um final feliz ao festival de cinema nesse sábado com uma explosiva festa dos Balcãs, quebrando a forma de uma competição repleta de contos sombrios. 'Promise Me This' é o último dos 22 filmes exibidos na competição principal, um dia antes da cerimônia de premiação" Mike Collett-White, Reuters

"Nascido em Sarajevo, o diretor confirma com esse filme que, mais do que um cineasta direto, ele é o apresentador de sue próprio circo cinematográfico que reotrna a cada dois anos à sua cidade com um show levemente alterado protagonizado pelo mesmo grupo de artistas. Novatos e grandes fãs das comédias de Kusturica ficarão encantados e deveriam reservar lugares nas primeira fileira agora mesmo (apesar que 'Zavet' completamente carece da resonância emocional ou sátira de seus melhores filmes), enquanto visitante ocasionais devem optar pelos lugares mais baratos." Boyd van Hoeij, european-films.net

"Atravessar as colinas para ir até o vilarejo e vender sua vaca, comprar um ídolo religioso e encontrar uma esposa: Tsane faz essas três promessas ao seu avô, que acredita estar morrendo. No estilo de 'Black Cat, White Cat' (1998),a peculiaridade de 'Promise Me This', anunciado como 'uma comédia com um coração leve e necessariamente louco', está em seu astro, Uros Milovanovic (que apareceu em vários filmes de Kusturica, inclusive 'Black Cat...' e 'Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios'), Aleksar Bercek e a bela Marija Petronijevic como Jasna." Camillo de Marco, Cineuropa

"Continuando a filmar com seu estilo de comédia pastelão grotescamente exagerada por motivos incompreensíveis, Emir Kusturica de fato consegue ultrapassar os excessos de seu filme anterior 'A Vida É Um Milagre', com seu novo filme bufão sobre um rapaz camponês que encontra o verdadeiro amor. A única razão concebível para essa bagunça estar incluída na competição pela Palma de Ouro é que o filme possa estar servindo para homenagear o vencedor de dois prêmios anteriores, mas que, no final, serve apenas para sublinhar o quanto o autor de 'Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios' afundou." Robert Koehler, Variety

MUTUM de Sandra Kogut - Quinzena dos Realizadores


"O filme, aparentemente, se passa nos dias de hoje, mas a paisagem, a casa, as pessoas e suas atitudes não ficariam deslocados nos anos 50. Ao respeitar fiel e sensivelmente as indicações do texto original, Kogut nos dá um mundo percebido por uma criança, ainda verde demais para entender as maquinações do ser humano e da vida adulta." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio

"O filme de Sandra Kogut, neste sentido, se irmana bastante com seu personagem: seu olhar atento para o mundo (não só as pessoas, mas também o ambiente e suas circunstâncias) certamente se diferencia da maior parte do que se faz atualmente no cinema brasileiro. Se tem por um lado traços de um certo cinema internacional de ficção atualmente bastante presente (um que busca a relação com o mundo a partir de uma idéia de observação deste mais do que pela imposição de uma narrativa ficcional excessivamente marcada), por outro lado também consegue traçar alguns pontos sobre uma certa vivência sertaneja tipicamente brasileira, sem precisar com isso se tornar vítima de um simbolismo marcado que torne os personagens pouco mais do que sintomas de alguma doença maior brasileira." Eduardo Valente, Revista Cinética

DAYS OF DARKNESS (L´âge des Ténèbres) de Denys Arcand - Filme de Encerramento

"'Days of Darkness', o trabalho seguinte de Denys Arcand ao seu 'As Invasões Bárbaras' (indicado ao Oscar), não é tão suave quanto aquele filme - mas é uma obra tão bizarra e inventiva o quanto poderia se desejar assistir... Exibido fora da competição em Cannes, 'Days of Darkness' é uma mistura perversa de 'Beleza Americana', 'Brazil', 'A Vida Secreta de Walter Mitty' e outras várias influências que conseguem incluir drama honesto, comentário social afiado, franqueza sexual e deslumbrantes números musicais. É como pegar aquele suéter de tricô empelotado na feira de artesanato: pode não ser tão perfeito quanto aquele feito por uma máquina, mas dá para dizer só de vista que foi feito por um ser humano." James Rocchi, Cinematical

(tradução das compilações da Greencine, Allocine e outras fontes)
  Bernardo Krivochein    sábado, maio 26, 2007    2 comentários
 
 


Zumbidos de Cannes: Dia 9

Still de You, The Living (Du Levande) de Roy Andersson

>> O vencedor da mostra Semana da Crítica foi a co-produção entre Argentina/Espanha/França XXY, de Lucia Puenzo, que explora os conflitos psicológicos de um adolescente hermafrodita (incrível descrição, estou oficialmente intrigado). Na mesma mostra, o grupo de defesa dos direitos dos autores franceses SACD escolheu "Jellyfish" para ganhar o prêmio de melhor diretor (para a dupla Etgar Keret e Shira Geffen). O mesmo Jellyfish ganhou o prêmio da TV5 Monde dos (Muito) Jovens Críticos, que dá uma grana para ajudar na publicidade e lançamento do filme.

>> Já o vencedor da Quinzena dos Realizadores foi Control de Anton Corbjin, que abocanhou três prêmios: o prêmio CICAE Art & Essai de Melhor Filme, o Prêmio "Regards Jeunes" dado aos melhores filmes de diretores inciantes (primeira ou segunda obra) e o Prêmio Europa Cinemas Label para melhor filme europeu dentro da referida mostra. Control ainda ganhou um dinheiro esperto, uma vez que foi comprado para distribuição pela The Weinstein Company.

>> Às vésperas do final do festival, os diagnósticos gerais já começam a ser rascunhados: Dave Calhoun da Time Out chama a 60a. edição do Festival como uma das mais fortes dos últimos tempos, lamentando apenas a falta de uma obra-prima absoluta ou a de um desses filmes geralmente detestados que provocam vaias e revolta. Clique aqui.

WE OWN THE NIGHT de James Gray - Em Competição

"As alternâncias cuidadosamente orquestradas entre reflexões e fúria que faziam do filme anterior de Gray, 'Caminho Sem Volta'(The Yards), tão intrigante aqui abrem caminho para um melodrama previsível e corriqueiro, e uma tendência meia-bomba de contar mais do que mostrar, iniciada por duas linhas de diálogo que, se posso interpretar o comportamento dos meus colegas corretamente, realmente provocaram uma torcida para que o filme saísse da tela o mais rápido possível." Glenn Kenny, Premiere

"Há não muito tempo atrás, parecia que a carreira de James Gray enquanto diretor tinha terminado. Seu filme de 2000, 'Caminho Sem Volta', um drama com um elenco de jovens e talentosos parceiros - Joaquin Phoenix, Mark Wahlberg e Charlize Theron - tinha acabado de fracassar nas bilheterias... Quanta diferença sete anos fazem. Gray finalmente emergiu com um novo filme que pode garantir-lhe tanto o louvor da crítica quanto uma platéia mais ampla para o diretor de 38 anos de idade. Chamado 'We Own The Night', o filme é um cativante drama passado nos anos 80 no ápice de uma guerra sangrenta entre a polícia novaiorquina e a máfia russa que haviam marcado os oficiais e suas famílias como alvo. O filme estrela Phoenix e Wahlberg como os irmãos em conflito."Patrick Goldstein, The Los Angeles Times

UNE VIEILLE MAÎTRESSE de Catherine Breillat - Em Competição

"Uma recuperação gratificantemente forte do retrógrado 'Anatomia de um Inferno.' Logo que, Lonsdale está podando a aventureira espanhola (ou assim nos parece) Vellini, a 'velha meretriz' do título, interpretada por uma feral Asia Argento. E logo após que descobrimos que seu amante Ryno de Marigny (Fu'ad Ait Aattou, com lábios que fazem o Mick Jagger dos anos 60 se parecer com like Mark Linn-Baker) está prestes a se casar com a inocente herdeira Hermangarde (Roxanne Masquida, cujo relacionamento com Breillat deve ser, imagino, bem interessante), e que todo esse círculo social de 1830 gira em torno do comportamento libertino de Ryno." Glenn Kenny, Premiere

"Esta é uma espécie rara de drama de época que se faz parecer ao mesmo tempo fiel à sua época e inteiramente moderno. Os fãs ardentes de Breillat podem até se sentir traídos, respondendo emocionalmente apenas ao momento em que Vellini faméricamente ataca o sangue expelido pelo ferimento a bala de seu amante; a meu ver, esse filme corta mais profundamente do que seus outros mais ousados esforços, precisamente porque é populado por pessoas que, por mais fodidos que sejam, retém sua sanidade." Mike D'Angelo, ScreenGrab

"Um flashback enorme que acontece por volta de uma hora de filme, onde são recontados os 10 anos que Ryno e La Vellini passaram juntos, é de longe o momento mais interessante do filme, já que toda história se encaminha à ele e tudo o que o sucede não é apenas desinteressante quanto sem graça, no mesmo estilo de uma adaptação-para-televisão-de-um-romance-respeitado (associar 'sem graça' ao trabalho de Breillat é algo que esse crítico em particular jamais pensou que faria). Porque a energia do ato central apesar da época e dos costumes (isto é, quando os personagens estão vestidos), as outras partes, nas quais as roupas permanecem nos atores e também apresentam discursos elaborados,parecem ainda mais parados e poderia servir-se de um bom corte." Boyd van Hoeij, european-films.net.

YOU, THE LIVING (Du Levande) de Roy Andersson - Un Certain Regard

"De fato, o que impressiona aqui é a capacidade de unir uma ironia finíssima sobre a experiência das relações humanas, sem perder por nem um segundo o apego e o calor para com seus personagens. É um jogo de equilibrista dos mais delicados, como de resto também é este formato episódico que, no entanto, Andersson resolve com uma regularidade surpreendente e uma comicidade realmente hilariante (seu tempo e encenação de comédia, além da presença forte dos cenários construídos em estúdio para reproduzir uma cidade, lembram bastante o Tati de Playtime). E um plano final realmente impressionante. Se um filme for julgado pela relação entre a proposta de um realizador e sua capacidade de resolve-la no cinema, o filme de Andersson foi sem dúvida das melhores coisas vistas no Festival." Eduardo Valente, Revista Cinética

"'Songs From The Second Floor' sempre pareceu tão completo em sua estética única que era difícil imaginar o que Roy Andersson faria para um bis. A: Mais do mesmo, só com um tom mais sólido e menos excessivamente desesperado. De fato, 'You, The Living', uma adição de última hora a seção Un Certain Regard, em momentos parece uma comédia muda perdida, com gags construídas de forma magnífica... e uma trilha-sonora recorrente de jazz ao estilo Dixieland, com ênfase na tuba." Mike D'Angelo, ScreenGrab

"Ausente de 'You, The Living' está o espírito anticapitalista e o clima prevalecente de desespero apocalíptico, o quarto filme de Andersson é marginalmente mais leve, até mais doce em seu tom e na sua utilização brincalhona de sua trilha-sonora - o conjunto inclui uma guitarrista com um penteado punk, um quarteto de jazz da Louisiana e uma mulher que canta um número musical logo após uma queixa suicida - transforma 'You, The Living' numa espécie de ode miserável aos obstáculos da existência humana, com cada cena tecendo uma variação solo desse tema." Justin Chang, Variety

"Filmado em pastéis ultrapassados e interiores um pouco difusos, o filme cria a sua própria perspectiva paralela e um tanto inusitada de mundo, assim como os filmes anteriores de Andersson (e os filmes de Aki Kaurismäki da vizinha Finlândia). A chave do sucesso de ambos é que seus mundos são tão reconhecíveis pois reduzem o mundo real ao máximo de seu essencial sem comprometer seus personagens." Boyd van Hoeij, european-films.net

"'Fiquem agradecidos então, vocês os vivos, em sua cama deliciosamente aquecida, antes que a gélida onda de Lethe lamba seu pé fugitivo.' Essa citação de Goethe aludida em 'You, The Living'... resume precisamente os objetivos do diretor: adicionar um joie de vivre expresso no humor burlesco para um estado desesperado do ser humano e do mundo contemporâneo." Fabien Lemercier, Cineuropa.

DÉFICIT de Gael García Bernal - Semana da Crítica

"Gael García Bernal mostra tanta promessa por trás das câmeras quanto ele já tem como ator. O filme desce suave feito tequila, com um impressionante (ainda que não surpreendente) pontada em sua cauda de bônus." Geoff Andrew, Time Out

"Se comprometimento sincero e boas intenções fossem o bastante, esse primeiro filme do soberbamente bem sucedido - embora ainda bastante jovem - ator e galã mexicano Gael García Bernal (Y Tu Mama Tambien, Diários de Motocicleta, A Má Educação) seria uma obra-prima. No entanto, esses ingredientes, embora certamente desejáveis, não são o bastante, e o resultado é um filme que, apesar de seus nobres objetivos, nunca é intrigante e apenas razoavelmente assistível." Peter Brunette, Screen Daily

MY BROTHER IS AN ONLY CHILD (Mio fratello è figlio unico) de Daniele Luchetti - Un Certain Regard

"O título italiano da Un Certain Regard e sucesso de bilheteria local 'Mio fratello è figlio unico' é um retrato panorâmico divertido de um grupo de jovens italianos politicamente engajados nos anos 60 e 70 que não apenas aprende sua época, mas também, de forma diluída, a juventude italiana de hoje em dia." Boyd van Hoeij, european-films.net

"Roteirizado pela mesma dupla que lançou uma luz dura e comovente aos anos de pós-Segunda Guerra em 'O Melhor da Juventude', o filme oferece um caloroso humor que ilumina uma vista corajosa de esperança mesmo quando os procedimentos se tornam trágicos." Jay Weissberg, ScreenGrab

"Em comparação com 'Juventude', esse é um filme mais produzido e mais palatável para o grande público, uma vez que trata da paixonite tímida de Accio pela rebelde Francesca assim como trata das mudanças políticas da época. Existem uma série de piadas ra´pidas mas efetivas em cima do fanatismo de Accio e Manrico - a versão comunista de 'An Die Freude' de Beethoven cantada durante uma manifestação estudantil é uma hilária referência à correção política dos anos 70. Mas é no relacionamento entre os dois irmãos - caloroso, repleta de significado, belamente interpretado por Germano e Scamarcio - que o filme impressiona." Ed Lawrenson, Time Out

RETOUR EN NORMANDIE de Nicholas Philibert

"O filme não se afunda em lástimas nostálgicas, mas é uma exploração calorosa, engraçada e viva de temas interligados: História, documentação, loucura, memória, vida familiar e por aí vai. É um filme incrivelmente sutil, e possivelmente um pouco pesado para aqueles que acharam o pequeno Jojo o elemento mais interessante em 'Ser e Ter' (Être et Avoir); mas também é uma caça ao tesouro, com maravilhosos achados pelo caminho." Geoff Andrew, Time Out

"Em 1975, quando Philibert tinha 24, ele trabalhou como assistente de diretor no filme de época baseado num crime real 'Eu, Pierre Rivière, Tendo Assassinado Minha Mãe, Minha Irmã e Meu Irmão...' O jovem Philibert explorou as cidades do campo procurando por não-profissionais para interpretar os papéis centrais no drama passado em 1835. 30 anos depois, ele retorna ao vilarejo para entrevistar os civis que foram selecionados." Lisa Nesselson, Variety

"Uma empreitada diferencial e convivial, 'Retour...' não é entretenimento ou uma iluminação mais do que é um livro de rascunhos cinemático um tanto pessoal, no qual deveria estar carimbado 'retornar ao remetente'."Duane Byrge, The Hollywood Reporter

(tradução das compilações da Greencine, Allocine e outros)
  Bernardo Krivochein    sexta-feira, maio 25, 2007    0 comentários
 
 


Zumbidos de Cannes: Dia 8

Belén Rueda em El Orfanato, de Juan Antonio Bayona

>> Mais Filmes Comprados Para o Território Brasileiro:

LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON de Julian Schnabel - Europa Filmes
BONNEVILLE de [?] - Paris Filmes
STREETFIGHTER de [?] - Swen do Brasil
LIFE DURING WARTIME de Todd Solondz - Imagem Filmes

>> Adição de última hora no Festival de Cannes: o documentário "Rebellion: The Litvinenko Case" será exibido em sessões especiais na véspera do término do Festival de Cannes nesse sábado. Um crítico feroz do presidente russo Vladimir Putin, Litvinenko foi envenenado com o isótopo radioativo polônio 210 em novembro passado, falecendo após três semanas. Ele acusou Moscou pelo envenenamento em carta tornada pública após sua morte. O documentário de Andrei Nekrasov e Olga Konskaya foi filmado ao curso de dois anos até os dias de Litvinenko no hospital. A viúva, Marina Litvinenko, estará na França para as exibições.

SECRET SUNSHINE (Milyang) de Lee Chang-dong - Em Competição

"'Secret Sunshine' é um filme provocante que pode criar bastante controvérsia. Nenhum assunto é capaz de criar protestos mais rapidamente do que religião e 'Secret Sunshine' não se esquiva ao questionar a existência de Deus ou a criticar o papel da religião na sociedade... Similar a memorável performance de Moon So-Ri em 'Oasis', em'Secret Sunshine' Do-yeon Jeon fornece uma performance tão, senão mais, podrosa... A estrutura da história em si não é usual uma vez que flui de forma inesperadamente circular, começando como um drama romântico, tornando-se um suspense e finalmente sendo sobre a descida de uma mulher ao seu próprio abismo pessoal. 'Secret Sunshine' é um filme que ficará na sua mente dias após tê-lo assistido. Perguntas que nos fazemos internamente, mas que não são realizadas no cinema são postas corajosamente em 'Secret Sunshine'. As respostas nunca são reveladas com clareza no filme, mas ele nos permite a respondê-las nós mesmos." Luna Park

"Nem um frame é desperdiçado nesse drama coreano de 142 minutos dirigido por Lee Chang-Dong, que começa com mãe e filho parados na estrada à caminho de Milyang, a cidade coreana cujos caracteres se traduzem como o título do filme. Os primeiros 40 minutos são do gênero cômico-dramático de uma típica situação 'peixe-fora-d'água' que faria Hollywood querer comprar os direitos de remake, mas uma terrível tragédia lança o filme e sua heroína para uma direção completamente diferente." Glenn Kenny, Premiere

"'Secret Sunshine' é um filme ambicioso, quase romancesco do diretor-roteirista Lee Chang-dong ('Peppermint Candy') que finalmente fracassa em suas tentativas de dramatizar os conflitos internos da protagonista em termos fílmicos. Os créditos concedidos ao filme pelo seu climático início e pelo interessante segundo ato são dissipados pelo longo arco final onde o filme perde o fôlego." Derek Elley, Variety

"O filme mais ambicioso e mais bem concluído de Lee até agora, 'Secret Sunshine' é um raro filme que possui a complexidade e a riqueza de um grande livro - um que se mantém revelando novas camadas para nós o mais profundamente nos envolvemos com ele, e no qual é difícil de prever o que acontecerá em seguida tanto em 10 minutos ou em 2 horas... deve ter sido ainda mais difícil para Lee conceber a agilidade com que ele guia 'Secret Sunshine' através dessas reviravoltas afiadas de comédia e desespero, escuridão e luz. Pois no final, o filme é uma obra sólida e impossível de imaginá-la de outra forma - um canto secular ao pequenos triunfos e tragédias cavernosas do cotidiano,e nossa fantástica habilidade de superar.[Sobre a performance de Do-yeon Jeon] Este é o tipo de performance que grandes diretores inspiram a grandes atores e estabelece um alto padrão pelo qual todos os outros em Cannes 2007 serão julgados." Scott Foundas, LA Weekly

ALEXANDRA de Alexander Sokurov - Em Competição

"O filme mais recente de Alexander Sokurov é o seu mais convencional em meória recente. Nem um tiro é disparado nesse longa antiguerra; o que Sokurov está tentando realizar aqui é iluminar a rtediosa opressão durante a ocupação... Convencional que seja, este pode ser um dos seus filmes mais sutis." Glenn Kenny, Premiere

"O valor de uma bela trilha-sonora orquestral fica claro no filme do russo Alexander Sokurov, 'Alexandra', um olhar austéro sobre a vida na Chechênia. Andre Sigle, uqe poroduziu esse filme em competição, também compôs a trilha e seu calor arrebatador traz consigo algo da alma da pátria Rússia àquela paisagem esvaziada e tórrida... O filme oferece uma visão simpática de uma Chechênia ávida pela independência, onde 50.000 civis e 6.000 soldados russos perderam a vida na guerra de 1994. Mas também é gentil para os jovens soldados que policiam a região onde a disputa ocorre. O filme deve ser bem sucedido no circuito dos festivais e será abraçado pelo circuito de arte." Ray Bennett, The Hollywood Reporter

"Embora ele certamente negará, 'Alexandra' é o filme mais diretamente político de Alexander Sokurov em vários anos. 'Alexandra' habita um mundo de especificidade e universalidade. O cenário é a Chechênia e o questionamento de 'Alexandra' sobre 'o que é pátria?' é uma crítica inegável àquele conflito particular, que seguramente faria Vladimir Putin bastante desconfortável. Mas Sokurov utiliza esse conflito aparentemente sem fim para refletir a totalidade da experiência de guerra, não de uma forma superficial e sentimentalóide, ams revelando a perda da humanidade básica." Jay Weissberg, Variety

EL ORFANATO de Juan Antonio Bayona - Semana da Crítica

"De vez em quando, um filme que não está no nosso calendário litúrgico recebe a reputação de imperdível. Nas conferências de imprensa ou nos corredores perto das caixas postais dos críticos, ouvimos falar de um filme que capturou a imaginação de uns espectadores sortudos e se tornou um fenômeno do boca-a-boca... É como se descobríssemos que uma xícara de café-com-leite num bar escondido é o cálice sagrado. Você precisa tomar um gole dela. Esse é o odor urgente que foi anexado a 'El Orfanato', um suspense espanhol escrito por Sergio G. Sanchez, dirigido pelo estreante Juan Antonio Bayona e exibido na pouca freqüentada Semana da Crítica... As boas notícias são duas: 'El Orfanato' não decepciona; e foi comprado para distribuição norte-americana pela Picturehouse, a companhia que distribuiu 'O Labirinto do Fauno.'" Richard e Mary Corliss, Time Magazine.

"Já o assisti duas vezes, o que talvez seja algo irresponsável de fazer dado todos os filmes e eventos a serem absorvidos no Festival de Cannes. Mas é um trabalho tão deliciosamente assustador e excitante que não pude resistir." Jeffrey Wells

"Uma incômoda síntese espanhola de 'Os Inocentes', 'Os Outros' e todos os outros filmes de terror sobre a fixação psíquica de uma mulher com algumas crianças não-tão-inocentes, esse conto macabro de loucura maternal deverá ser capaz de emparelhar aclamação crítica e a impressão do produtor Guillermo del Toro com lucros robustos no circuito de arte e com louvor internacional em seguida." Justin Chang, Variety

"Enquanto mais comercial e mais doce do que o trabalho de Del Toro, ' El Orfanato' ainda é um olhar eficiente e belo sobre uma casa mal-assombrada que servia de orfanato no passado, e os espíritos de crianças perturbadas que continuam fazendo bagunça para o terror de uma pequena família. Não é território novo, mas é imaginativo de formas inclusive sublimes." Matt Dentler, SXSW
  Bernardo Krivochein    quinta-feira, maio 24, 2007    2 comentários
 
 


Zumbidos de Cannes: Dia 7

Still de The Man From London (Londoni férfi) de Bela Tarr

THE MAN FROM LONDON (Londoni férfi) de Bela Tarr - Em Competição

"Baseado no romance de Georges Simenon..., 'The Man From London' não é, apesar do seu título e da presença proemninete de Tilda Swinton no elenco, um filme de língua inglesa [Swinton foi dublada por uma atriz húngara] Isto cria uma sensação muito peculiar de filme-estrangeiro-dos-anos-60 que nada mais é do que a imersão de Tarr na dureza preto-e-branco da Europa e, natch, a condição humana... Aqueles que se deleitam na melancolia agudamente conjurada de Tarr (e eu sou um deles) irão delirar. Quanto ao júri de Cannes - o filme compete no festival - imagino que eles vão passar." Glenn Kenny, Premiere

"A imprensa internacional certamente se lembrará por um longo tempo da exibição de ontem na competição de Cannes, 'The Man From London' do diretor húngaro Béla Tarr, que deu uma aula de cinema em sua forma mais hipnótica.

Embebendo o gênero do filme detetivesco (roubo, perseguição, investigação cruzada) em seu ritmo caracteristicamente contemplativo que nos conduz a uma percepção da realidade que é um tanto incomum na tela grande, 'The Man from London' desvenda, em preto-e-branco, o talento cinematográfico quintessencial de Tarr. Navegando no tempo e espaço, exagerado pelo tamanho de seus planos (a cena de abertura são 15 minutos de silêncio que terminam com uma tela escura), o diretor nos mostra seu talento artístico precioso.

Luzes e sombras impressionantes, infindos movimentos de câmera com uma fluidez excepcional e rara criatividade em espaços confinados, uma trilha-sonora assombrosa que se alterna entre o pingar de gotas como uma tortura chinesa e um relógio com dois toques recorrentes (um opressor, o outro melancólico), closes onde os rostos são escrutinizados, com um mar infinito se estendendo no fundo - Tarr se esforça ao seu limite, abrindo novos territórios àqueles que desejam explorá-lo." Fabien Lemercier, Cineuropa

THE EDGE OF REASON (Auf der anderen Seite) de Faith Akin - Em Competição

"'The Edge of Heaven', ritmicamente equilibrado e apresentando um leque de personagens inteligentes e carismáticos os quais todos mereceriam um filme só para cada um deles, abunda com dramas políticos e pessoais. Ele ataca, sem nunca simplificar ou tentar amarrar de forma certinha, assuntos de diáspora e de comportamentos multigeracionais. Também faz questões pertinentes sobre o impacto que a possível entrada na União Européia terá sobre o povo turco. Mas com tantos personagens e relacionamentos intrigantes, é frustrante que Akin não se deu tempo de juntá-los de forma mais convincente." Sukhdev Sandhu, The Telegraph

"O momento em que um bom diretor atravessa a ponte de sua carreira para se tornar um talento internacional está vividamente clara em 'The Edge of Heaven', o maduro, seguro e profundamente emocionante quinto filme de Faith Akin. Com um elenco soberbo, o drama no qual as vidas e arcos emocionais de seis pessoas - 4 turcos e 2 alemães - se entrecruzam através do amor e da tragédia, leva o atual interesse do diretor por duas culturas aparentemente divergentes a um nível de humanismo que está muito além de seu 'Contra a Parede' de 2003 ou a comédia dramática 'In July' de 2000. Distribuidores robustos certamente irão checá-lo." Derek Elley, Variety

"O diretor Fatih Akin continua sua pesquisa minuciosa sobre tudo aquilo que nos divide e interliga diferentes culturas e gerações em seu profundo filme em competição 'The Edge of Heaven.' Tal qual seu vencedor do Urso de Ouro em Berlin 2004 'Contra a Parede', o filme lida com indivíduos turcos vivendo na Alemanha, mas desta vez ele conduz a história de volta à Istambul." Ray Bennett, The Hollywood Reporter

TEHELIM de Raphael Nadjari - Em Competição

"Rapaz... Nadjari pôs o maior ovo do festival com um filme enormemente decepcionante após seu ótimo e intenso drama 'Avanim', um dos poucos filmes israelenses realmente bons dos último anos." Robert Koehler, filmjourney.org

"'Tehelim' [Salmos] é um drama quieto, sutil e notavelmente controlado. é tão suavemente precioso em cada pequeno detalhe e com um ritmo tão seguro e sem pressa à caminho de seu objetivo que as platéias rapidamente esquecerão que assistem a um filme e acreditarão que é a vida em si se desenrolando frente aos seus olhos." Dan Fainaru, Screen Daily

"É sobre o que acontece quando um homem desaparece de repente de sua outrora pacífica vizinhança em Jerusalém. a história examina não apenas as políticas da região como o impacto religioso que o desaparecimento tem sobre a esposa e filhos do homem. Esse foco estreito limitará severamente o apelo do filme." Ray Bennett, The Hollywood Reporter

"Explorando uma perda não-resolvida com a veracidade de um documentário, este conto íntimo e perturbador se provará mais frustrante do que esclarecedor para vários espectadores, apesar de sua premissa provocadora de debates." Lisa Nesselson, Variety.

PERSEPOLIS de Mariane Satrapi e Vincent Paronnaud - Em Competição

"Os temores que regularmente impactante 'Persepolis' seria diluído e embonecado em sua adaptação cinematográfica são na maior parte do tempo sem fundamento: dirigido pela própria Satrapi com a ajuda do quadrinhista underground Vincent Paronnaud, o filme é notavelmente fiel à tetralogia épica sobre o rito de passagem da autora. A principal limitação de Persepolis enquanto obra cinematográfica é sua estrutura episódica, que o deixa mais parecido com uma série de curtas autobiográficos amarrados do que um filme com um arco dramático.

Essa mesma fidelidade pode ser decepcionante para o público, especialmente na França (onde será lançado 23 de Junho) onde centenas de milhares de livros foram vendidos: não há nada no filme que não já esteja na sua versão impressa e alguns dos leitores de Satrapi podem resistir a irem ao cinema apenas para ver uma versão animada de seu romance Bildungsroman. Mas no exterior, os livros de Persepolis venderam apenas o bastante para criar um hype sem inundar o mercado - condições perfeitas para uma adaptação de uma graphic novel." Lee Marshall, Screen Daily

"Ao assistir 'Persepolis', o espectador diverte-se muito e aprende enormemente sobre a cultura iraniana. Aqueles que leram os quadrinhos sabem que trata-se de um mergulho em Teerã, à época da queda do Shah e da revolução islâmica, através dos olhos de uma jovem livre, fútil e insolente. Podemos aliás evocar esse mesmo assunto á outro freqüentador de Cannes, Nanni Moretti, pois Marjane Satrapi realiza igualmente aqui um retrato cheio de ironia. O filme não é de uma evidente dimensão universal esta que, somada às suas qualiddes formais (a simplicidade não impede a criatividade) e um elenco de vozes impecável (Darrieux que xinga feito um marinheiro, Chiara Mastroianni que diverte com seu canto falso...), faz do filme um candidato á palma mais do que crível." Allocine

"Qualquer incrédulo ainda não convencido de que a animação pode ser um meio excitante tanto para crianças quanto para adultos vai ter seus argumentos esgotados à face de 'Persepolis.' Como a série graphic novel em 4 volumes na qual é baseada, este tour de force autobiográfico é completamente acessível e arte da mais alta ordem. O conto em primeira pessoa da rebelde Marjane Satrapi, que tinha 8 anos quando a revolução islâmica transformou sua nativa Teerã, carrega um lirismo corajoso que espalha grandes alegrias e imensa tristeza." Lisa Neeselson, Variety

(nota: os volumes de Persepolis estão disponíveis no Brasil pela Companhia das Letras - O 4º e último volume foi lançado este ano)

MISTER LONELY de Harmony Korine - Un Certain Regard

"O filme mais desnorteante que assisti até agora foi 'Mister Lonely' de Harmony Korine. A exploração colorida de um grupo de imitadores de celebridades terá seus adordores e seus detratores. Eu ainda não sei bem onde me encaixo nessa equação. É a história de um artista de rua chamado Michael (Diego Luna), que ganha a vida imitando o Rei do pop. Desncantado com sua existência marginal, ele faz amizade com uma imitadora de Marilyn Monroe (Samantha Morton) que o seduz para um castelo escocês que serve de comuna para outras faux faces famosas (incluindo Anita Pallenberg como Rainha Elizabeth II, e James Fox como o Papa). Enquanto isso, Korine introduz uma história bizarra mas divertida estrelando Werner Herzog como um padre na América do Sul que pode ter descoberto freiras voadoras... É um filme enlouquecedor, em partes iguais frustrante e envolvente que me lembrou um bocado de 'Palíndromos' de Todd Solondz. E, tal qual aquele subestimado filme, este aqui será bem divisivo. Enquanto narrador, é o trabalho mais maduro de Korine e ele mais ou menos se conteve nas texturas ríspidas e nas imagens perturbadoras de seus trabalhos anteriores." Matt Dentler, SXSW Blog

"Sei lá, cara, sei lá. Depois da exibição, ouvi alguém mais velho e sábio do que eu fazer a seguinte observação: 'Aqui na Europa, você consegue alguém para financiar um filme assim sem o menor problema; 3 milhões de euros, pode levar. E sem a menor dúvida será selecionado pelo comitê de Cannes, o comitê de Veneza. Enquanto isso, não é diferente de nenhum filme que um casal do 20e arrondissement, ou da o 68th Street de Manhattan no caso, sequer pagaria 10 dólares para ver. Ou colocar um centavo na prodição.' antes que você pense que ele estava protestando, ele pronunciou tudo isso com um sorriso furtivo. E por que não."Glenn Kenny, Premiere

GO GO TALES de Abel Ferrara - Midnight Selection

"Meu filme favorito feito por um diretor americano até agora - apesar de financiado e filmado na Itália - é 'Go Go Tales' de Abel Ferrara, exibido fora de competição como parte da seção da meia-noite. A selvagem e selvagemente alegórica comédia se passa durante o curso de uma longa noite movimentada no decadente clube de striptease Paradise Lounge... Esse adorávelmente pervertido clima de cabaré evoca 'O Assassinato do Bookmaker Chinês', mas com sua exacerbada melancolia e calorosa vibração comunitária, este poderia ser o 'A Última Noite' de Ferrara, terminando não com um fade out gracioso, mas numa nota desafiadora."Dennis Lim, IFC News

"Algo em torno de um terço da platéia abandonou a sessão de ontem. Aqueles que permaneceram eram devotos de Ferrara, ávidos, quase fanáticos. Ofendidos pela debandada de seus inimigos jurados, eles se vingaram no final esbravejando sua desafiadora apreciação durante os créditos finais. Essa manifestação, no entanto, era frustrada pois estavam apenas a demonstrando para si mesmo ao que o público que ela era direcionada já se encontrava dormindo em seus quartos há muito tempo." Xan Brooks, The Guardian

(tradução das compilações da Greencine, Allocine e outras fontes)
  Bernardo Krivochein    terça-feira, maio 22, 2007    5 comentários
 
 


Zumbidos de Cannes: Dia 6

Lu Huang em Blind Mountain (Mang Shan) de Li Yang

>> EXCLUSIVO: ALGUNS DOS FILMES COMPRADOS PARA DISTRIBUIÇÃO NO BRASIL (até agora)

CONTROL de Anton Corbjin - Daylight Filmes
THE BAND'S VISIT de Eran Kolirin - Swen do Brasil [?]
BREATH de Kim ki-duk - California Filmes
ASHES OF TIME REWORKED de Wong Kar-Wai - Imagem Filmes
THE BLACK OASIS de Stephen Elliott - Imagem Filmes
TIMBER FALLS de [?] - PlayArte
BLACK WATER de Andrew Traucki e David Nerlich - PlayArte
ROMULUS, MY FATHER de Richard Roxburgh - California Filmes

>> Caso na coletiva de imprensa de Chacun son Cinema, que reuniu alguns dos grandes diretores da atualidade: entre Egoyan, Gitai, Hsaio-hsien, os irmãos Dardenne, os irmãos Coen, Salles e outros, estava um Roman Polanski (também na Croisette para conseguir financiadores para seu próximo projeto, Pompeii, a ser estrelado por Orlando ia-abandonar-tudo-e-virar-budista-mas-parece-que-desisti Bloom) que irritou-se com a pergunta meio babaca de um jornalista filhote de cruz-credo, subiu nas tamancas (deve ter demorado alguns minutos com a ajuda de um banquinho para o Ananias polonês) e bradou enfurecida a santa: "Vocês jornalistas estão realizando entrevista com 33 dos maiores diretores da atualidade e vocês não tem nada de interessante para perguntar?!?" Logo após dar o espetáculo, Polanski rodou sua capa e escafedeu-se para fora do palco, deixando na tenda onde se realizava o evento o inebriante futum de mal estar, tanto para os diretores quanto para os jornalistas. O debate é entre aqueles que apóiam a iniciativa de Polanski (e Cannes é tapete vermelho, numa coletiva de imprensa é virtualmente possível que saia qualquer coisa de interessante) e outros que acharam a cena apenas uma forma desesperada de chamar atenção. Só compreende Polanski, Romário. Ah, e Luana Piovani, mas essa pode pegar na mão do diretor o quanto quiser, porque papel no filme dele não rola não.

>> "Aqui em Cannes, as pessoas gostam de julgar o sucesso ou o fracasso de um filme através do número de espectadores que saem da sala. Mas o êxodo de ontem à noite do filme de Abel Ferrara 'Go Go Tales' não prova que ele é um fracasso.' Xan Brooks desenvolve no blog do The Guardian. Clique aqui.

>> No mesmo The Guardian: Quando 35 diretores se reuniram em Cannes para mostrar a diversidade de sua arte (em Chacun Son Cinema), a falta de mulheres foi chocante. Será que Jane Campion era a única que se elevou aos seus padrões?" pergunta Kira Cochrane no artigo "Onde estão as mulheres cineastas em Cannes?"

>> E uma triste história de amor: Glenn Kenny da agora e-magazine Premiere, conta como o diretor David Lynch, que era super amigo, super simpático e super legal, passou a evitá-lo durante esse Festival de Cannes. Leia mais em "David Lynch simplesmente não está tanto a fim de mim" no seu blog.

DEATH PROOF de Quentin Tarantino - Em Competição

"Até aqui, Tarantino privilegiou tanto a ação (Pulp Fiction) quanto o diálogo (Jackie Brown). Dessa vez, ele exercita os dois com a máxima intensidade. O filme não é este que está neste momento, agora, diálogo ou ação, diálogo que atrasa a ação, ou ação que anula o diálogo. Uma faz esquecer a outra, e isto é intoxicante. Não há preferência, é 100% espectador, 100% autor. Seja bla-bla-bla, seja a estupidez. Seja os agradecimentos, como disse Cyril Neyrat ao sair imediatamente do Debussy. Dizer e fazer, esses são iguais e esses são igualmente absolutos: QT é tanto um escritor genial de diálogos quanto é genial filmador de carros e lutas. Pura inteligência numa parte e na outra. Puro amor. Pura alegria. Ambos são perfeitamente iguais, mas não pertencem tanto ao filme quanto às mulheres e sua fúria. Tarantino hoje se transforma num dos raros grandes diretores da História que não é um misógino." Emmanuel Burdeau, Cahiers du Cinema

"Bom começar dizendo que é fantástico passar por uma descarga elétrica de cinema desse tipo, e também tão rara. Se a obra de Tarantino tem uma carga toda especial de eloquência, até agora ele não havia se dedicado especificamente ao gênero "ação", e, em tratando-se de Tarantino, ele parece entender que a palavra significa movimento, deslocamento, solavanco e ruído. Efeito sobre a platéia indescritível, o que me leva a crer que o objetivo do projeto Grindhouse (resgatar a experiência comunal do cinema B) foi amplamente atingida, não apenas no sentido cerebral e conceitual, mas especialmente de maneira visceral... Tarantino, dominando totalmente a linguagem, leva o filme do longo lero ao filme de horror e ação num tempo espetacularmente curto." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio

"[T]alvez, Death Proof seja, muito ao contrário da brincadeira desatenta que eu imaginei, o filme que Tarantino sempre esteve se preparando para fazer. Um filme onde tudo o que era “elogiável” mesmo para a alta cultura cinematográfica em seus filmes anteriores (a cronologia desmontada, o caráter um tanto épico das suas narrativas, a presença de grandes atores-símbolos) fica para trás (ou no mínimo um tanto de lado), e o que importa mesmo é o movimento, são as imagens, são os sons, a música, a completa imersão do espectador numa catarse constante banhada de sexo, de violência, de artifícios, de identificação, de cinema enfim. Death Proof é antes de tudo isso: cinema, puro e simples, o tipo de espetáculo que simplesmente não poderia ser (re)produzido por nenhuma outra forma de arte. Por isso tudo, e muito mais (a ser dissecado com calma no futuro), é um filme grandioso [...]" Eduardo Valente, Revista Cinética

STELLET LICHT de Carlos Reygadas - Em Competição

"Desenvolve-se um drama familiar, mas logo suspeitamos que esta família está mesmo a serviço de Reygadas, obstinado pela idéia de evocar não apenas Bresson, mas também o russo Andrei Tarkovsky e o dinamarquês Carl Dreyer. Se funcionou para eles, porque não funcionaria também para Reygadas? É, mas a fina linha que separa a homenagem orgânica do pastiche pode sempre ser um problema. Ao final da sessão, o som agora se põe, em tempo real, muita gente querendo ir embora e aguardando o esperado fade." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio

"Uma história sobre graça e o mundo decadente, Stellet Licht tem uma grande dívida com o mestre dinamarquês Carl T. Dreyer, mesmo quando oferece contínuas provas da arte intensa e individual própria do sr. Reygadas." Manohla Dargis, The New York Times.

"Traços - e, lá para o final, grandes e distintos borrões - de Ordet de Carl T. Dreyer colorem Stellet Licht... que conta uma história silenciada de adultério e crise espiritual que se desenrola numa comunidade Menonita contemporânea. Os visuais widescreen tipicamente envolventes e a presença de atores não-profissionais falando um Plautdietsch derivado do alemão formam uma combinação inicialmente hipnótica, mas o encanto se quebra bem antes do final da inflada duração do filme, indicando um teste de resistência para todos exceto as platéias mais ascéticas do circuito de arte." Scott Foundas, Variety

Uma fábula alegórica de sutil força e profundidade, [porém] os planos longos e silêncios estudados ainda são de uma pretensão inegável. Há um plano em que a câmera desce do céu noturno para captar a alvorada de um novo dia que, enquanto bela, demora seis minutos. E esse só é o primeiro plano do filme." Kirk Honeycutt [eu não gosto de Reygadas, mas gosto da descrição do plano]

"Bastante como The Banishment, exibido há alguns dias para desdém completamente universal, Stelle Licht um conto não-adornado de infidelidade matrimonial, sem uma história digna de nota e de uma intensa fascinação com a paisagem e os cortornos das faces humanas. Mas é o tom e julgamento que importam em épicos miniatura como esses e Reygadas, para quem esse filme representa um enorme salto de maturidade, compreende a diferença entre choques sombrios e angústia sutil. Não há modo possível de resumir o poder de Stellet Licht sem descrever cada plano individualmente, e mesmo assim, você só estaria tendo uma vista geral de seu poder cumulativo; só posso dizer que estava arrebatado do início ao fim, apesar de ser o tipo de cinéfilo Neanderthal que feralmente prefere narrativas tradicionais do que poemas tonais." Mike D'Angelo, ScreenGrab

LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON de Julian Schnabel - em Competição

"Até terça-feira, parecia que o candidato principal a Palma de Ouro era 'No Country for Old Men' dos irmãos Coen. Mas com 'Le Scaphandre et le Papillon' de Julian Schnabel, a competição deve se tornar acirrada. O filme lindamente fotografado é focado no editor da Elle Magazine Jean-Dominique Bauby, que sofreu um infarte intenso e ficou totalmente paralizado. Mas Bauby, que está ligado à maquinas para ajudá-lo a respirar, ainda possui sua inteligência, sua imaginação e o uso de um dos olhos. E enquanto permanece deitado no leito do hospital, lentamente descobre uma razão para viver. ele quer escrever um livro." Charles Ealy, Austin Movie Blog

"Uma tentativa passável de capturar um retrato belo e intimista sobre o que é realmente essencial e recompensador na vida. Mas o filme não é sobre nenhuma dessas coisas,e não chega sequer perto de 'Antes do Anoitecer' em termos de ressonância poética e impacto emocional. É realizado sensivelmente e tecnicamente bem feito, mas é um filme sobre um estado de quase 100% de confinamento que se faz parecer um bocado confinador." Jeffrey Wells

"Sendo mais intrigante em suas tentativas de recriar a experiência da paralisia na tela grande, o longa-metragem filmado de forma estonteante se morfa em uma colagem de sonhos e fantasias, distanciando um pouco o espectador da consciência de Bauby exatamente quando procura nela envolvê-lo mais profundamente. Ainda assim mexe com o espectador, e já vendido para um grande número de territórios, o agridoce Papillon deve conquistar uma recepção calorosa mundialmente após ser libertado do casulo de Cannes." Justin Chang, Variety

"Um pequeno milagre [...] Tomando um approach diferente ao vencedor do Oscar de 2004 'Mar Adentro', no qual Javier Bardem interpretava um quadriplégico suicida, o filme traz uma perfomance principal igualmente refinada de Mathieu Amalric, e se equipara ao amplo apelo daquele filme." Ray Bennett, The Hollywood Reporter

"Narrado com humor e humanidade, 'Le Scaphandre...' não falhará em emocionar qualquer platéia. Mathieu Amalric se tornou um dos atores franceses mais ocupados e confiáveis nos últimos anos... Apesar do papel ter sido oferecido originalmente para Johnny Depp, é difícil imaginar qualquer outro lhe fazendo justiça." Allan Hunter, Screen Daily

BLIND MOUNTAIN de Li Yang - Un Certain Regard

"Li Yang demonstra mais uma vez que ele é o mestre da tenão fílmica com seu segundo longa-metragem, 'Blind Mountain.' Baseado na prática cada vez mais intensa do tráfico de esposas na China rural, falta nesta história assustadora e, ainda assim filmada límpidamente, sobre o seqüestro e venda de uma jovem universitária, a narrativa rica e o estudo de personagens do impressionante debut de Li, 'Blind Shaft'... Mas ele nos oferece uma aula de manipulação de público, intensificando nossa identificação com a heroína abusada e nos alimentando com apenas migalhas de esperança nos momentos certos, para nos manter em suspense até seu final deliciosamente abrupto, que provocou um acesso de aplausos catárticos dos membros da imprensa durante a primeira exibição do filme na Un Certain Regard."Lee Marshall, Screen Daily (Preciso. Ver. Esse. Filme. Agora.)

"Mesmo com os muitos cortes exigidos pelas autoridades chinesas ao diretor para permitir que o filme fosse exibido em Cannes, 'Blind Mountain' retém um enorme impacto político além de ser um drama comovente." Ray Bennett in the Hollywood Reporter.

"Se o espectador responde ao tema (certamente válido) do filme - a história se passa no começo dos anos 90, mas poderia se passar no presente em várias áreas distantes da China - o filme tem uma entediamente falta de desenvolvimento dramático que um punhado de personagens sem profundidade. A maior parte da ação e o desenvolvimento potencialmente interessante, se passam durante o último rolo, quando termina abruptamente com um final fácil e edificante justamente quando tudo começara a ficar interessante." Derek Elley, Variety

PLOY de Pen-Ek Ratanaruang - Un Certain Regard

"O problema principal do filme de Ratanaruang é que na passagem que faz de um cinema mais observacional das relações no começo para um cinema que tenta mesclar sem distinções realidade, fantasia e pesadelo, o cineasta nem se sai totalmente bem numa parte nem na outra – e com isso parece mais formalista até do que realmente é, porque não conseguimos acreditar de todo no que encena. Há, de novo, momentos de força (especialmente quando a jovem Ploy do título está em cena), mas no geral o filme se aproxima perigosamente do “cinema falsamente profundo” de um Kim Ki-duk." Eduardo Valente, Revista Cinética

GARAGE de Lenny Abrahamson - Quinzena dos Realizadores

"Engraçado, emocionante e trágico, Garage a segunda colaboração entre o diretor Lenny Abrahamson e o roteirista Mark O'Holloran - depois do premiado 'Adam & Paul' - já era suspeito a possível boa surpresa de Cannes 2007. A confirmção está aqui... pois o filme emocionou a platéia durante sua exibição na Quinzena dos Realizadores." Vitor Pinto, Cineuropa

"Chamar 'Garage' de um filme pequeno, mas o diamante Hope, todas as partes consideradas, também tem proporções mínimas. Os dois, em todos os casos, são tesouros." Peter Brunette, Screen Daily

"Humor cansado abre caminho para drama capenga... a narrativa se arrasta providenciando piadas baratas e quando o roteiro revela suas intenções dramáticas, a trama torna-se de uma obviedade sem sal." Russell Edwards, Variety

(tradução das compilações da Greencine, Allocine e outras fontes)
  Bernardo Krivochein    segunda-feira, maio 21, 2007    4 comentários
 
 


Zumbidos de Cannes: Dia 5

Kristjan Kasearu e Mart Laisk em Magnus de Kadri Köusaar

BREATH de Kim Ki-duk - Em Competição

"Em 'Breath', fantasia surreal de Kim Ki-duk passada no corredor da morte, uma jovem mulher vinga-se do marido infiel ao visitar um assassino prestes a ser executado e tendo um dos mais estranhos casos com ele... O diretor extrai interpretações intensas de seu elenco, especialmente Zia, e cria imagens impressionantes dentro da curiosa lógica de seu conto. Tem algo a ver com inalar maldade e exalar bondade, mas aqueles que esperam que o filme faça algum sentido não devem segurar o fôlego." Ray Bennett, The Hollywood Reporter

"Kim Ki-duk, cuja reputação internacional baseou-se por vários anos nos excessos que ele se indulgia em filmes como 'A Ilha' e 'Bad Guy', não chega a atingir o mesmo nível ao qual ascendeu em 'Primavera, Verão...', mas ele não sente mais a necessidade de chocar e opera maravilhosamente dentro das condições minimalistas que ele impõe a si mesmo." Dan Fainaru, Screen Daily

"Um dos trabalhos mais dispersos e desapaixonados desse maverick sul-coreano, apesar de ainda marmorizado com momentos tenros e estranhamente cômicos, este filme que afeta sutilmente o espectador será melhor aceito entre já existente fã-clube de Kim do que arrebanhará novos membros." Derek Elley, Variety

"'Breath' é sério candidato a ser lembrado como o filme no qual a predileção de Kim por personagens mudos tornou-se intolerável até mesmo para seus fãs... Como o festival pode preferir 'Breath' ao invés do penúltimo filme de Kim, o soberbo e alegórico 'Time', que foi exibido aqui apenas no Marché, é além da minha compreensão. É como se rejeitar 'Festa de Família' de Thomas Vinterberg, e então programarem 'Dogma do Amor.'" Mike D'Angelo, ScreenGrab

PARANOID PARK de Gus Van Sant - Em Competição

"Em 'Paranoid Park,' o novo experimento independente e de baixo orçamento de Gus Van Sant, o diretor está mais aberto ao que ele encontra, ávido por absorver os detalhes cotidianos de um rapaz em particular e da crise repentinamente imposta sobre ele. Portanto ele realizou um dos seus melhores filmes até então, recapturando a mágica de seus belos trabalhos anteriores tais quais 'Mala Noche'e 'Drugstore Cowboy.'... Van Sant usa um elenco composto em sua maioria de não-profissionais e permite que seu brilhante diretor de fotografia, Christopher Doyle, filme num estilo livre, tanto em Super 8 e 35mm, para que ele capture as emoções e as sensações dos estudantes e skatistas. Este filme pode ir a qualquer festival que desejarem seus produtores e deve ser extremamente bem sucedido nos circuitos cinematográficos da Europa e América do Norte." Kirk Honeycutt, The Hollywood Reporter

"Acabo de sair do 'Paranoid Park', do Gus Van Sant, e na minha opinião ele se supera. 'Elephant' visto agora seria uma experiência de erro e acerto, 'Last Days' uma experiência radical mais segura e esse novo filme o formato bem desenvolvido e, ao que parece, no ponto." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio

"Com uma mise-en-scène maestral e inigualável de um diretor no ápice de sua arte e que engaja-se em experimentações visuais e auditivas, reciclando e renovando os avançoes de seus filmes anteriores, 'Paranoid Park' é uma jornada fascinante e hipnótica que encantou admiradores do diretor vencedor da Palma de Ouro de 2003, mas que não emocionou as platéias insensíveis ao convite artístico de Van Sant, que consideram o filme (respeitavelmente ainda assim) apenas uma sucessão de belas imagens." Fabien Lemercier, Cineuropa

"Não é realmente significativo quando asseguro que 'Paranoid Park', o novo filme de Van Sant, é precisamente o retrato lírico e provocativo da adolescência que todos erroneamente pensaram que 'Elefante' era... No mais, este conto brilhantemente esquizóide de Alex (estreante sensacional Gabe Nevins), um colegial skatista punk com um peso na consciência, adentra a mentalidade adolescente com uma clareza e eloqüência que 'Elefante', com seus ecos de tragédia do mundo real que distraíam (e, aomeu ver, eram obscenos) jamais poderia alcançar." Mike D'Angelo, ScreenGrab

"Um riff semi-experimental e visualmente apaixonante de Crime e Castigo de Dostoievski que quase não tem nenhum ponto de contato com a existência humana... Van Sant quer que suas cenas breves, impassíveis e subpopuladas - algumas delas filmadas em 8mm, outras com música sobreposta para que não ouçamos o diálogo - pareçam mais a verdadeira existência adolescente do que os clichés do cinema comercial. É um objetivo justo, mas o efeito derradeiro é o oposto. Como essas crianças ótimas foram parar num filme de arte tão meia-idade, e como podemos resgatá-las dele?" Andrew O'Heir, Salon

"A má notícia é que o recente modus operandi de Van Sant atravessou a linha do 'momentum' para se tornar 'rotineiro' - ele se transformou no equivalente cineasta do personagem Wooderson de 'Jovens, Loucos e Rebeldes' (Dazed and Confused): ele fica mais velho, mas os protagonistas permanecem com a mesma idade... Imagino quando - ou se - seu cinema feroz do início de sua carreira retornará." James Rocchi, Cinematical

A MIGHTY HEART de Michael Winterbottom - Fora de Competição

"Em sua primeira produção para um grande estúdio, Michael Winterbottom apresenta uma minuciosa riqueza de detalhes para esse retrato metódico e rigoroso do seqüestro e morte de Pearl no Paquistão, visto através dos olhos daqueles que se esforçaram para o seu retorno. Winterbottom, que já havia se aventurado nas polºiticas do Oriente Médio com 'Neste Mundo' e 'O Caminho para Guantánamo' prova ser o homem à altura da tarefa. Apesar do prolífico e camaelônico diretor inglês não é um cineasta que se repete, seus dons para a narrativa docudramática - uma habilidade de guiar tramas complicadas, evitando toda oportunidade de sensionalismo em nome de uma sutil sensação de crescente ameaça - não poderia ser mais adequada ao material." Justin Chang, Variety

IMPORT/EXPORT de Ulrich Seidel - Em Competição

"De vez em quando mesmo o crítico, que deve tentar analisar e contextualizar e tentar trazer alguma luz sobre a experiência artística, tentando achar algum olhar objetivo a partir da sua subjetividade, deve se permitir um momento em que simplesmente deixe de lado o distanciamento e trace um limite. Pois o meu é este: depois de tentar 3 vezes, sem conseguir, ver até o fim o primeiro filme de Ulrich Seidl na Mostra de SP (Dias de Cão), ontem eu resolvi arriscar uma olhada no seu novo filme na Competição, Import Export. E, doloroso como foi, eu até assisti 1h50 das 2h15 do filme – mas, como dizem os americanos “enough is enough”. Me perdoem se não haverá nenhum comentário crítico sobre o filme, portanto, para além deste: nem por todo o dinheiro do mundo eu entro de novo numa sala de cinema passando um filme de Ulrich Seidl – assim como eu não assisto o vídeo do assassino de Virginia Tech. Há determinados limites onde compactuar com certas coisas é apóia-las. Estou fora." Eduardo Valente, Revista Cinética

"Na mesma veia de seu filme mais conhecido, 'Dias de Cão'(2001), o autor e documentarista austríaco Ulrich Seidl continua neste filme, seu primeiro longa de ficção em seis anos, a explorar os aspectos mais sombrios da existência humana. Seidl já foi descrito como um sadista, mas sob toda a tragédia, depressão e constante crueldade está obviamente um idealista desapontado implorando que as pessoas cuidem umas das outras." Peter Brunette, Screen Daily

"Miserável, mas maestral. A marca registrada de Seidl, seu olhar destemido para o desespero não surgirá como nenhuma surpresa aos já familiarizados com seu trabalho. Performances impecáveis de atores majoritariamente não-profissionais acrescentam vida à visão obscura de Seidl, apesar do uso explorativo e insistente de pacientes geriátricos reais, que beira a crueldade." Russell Edwards, Variety

"Com um roteiro sem perspectiva central inadequadamente filmado, o filme não deve ir muito mais longe do que sua inexplicável inclusão na competição aqui em Cannes." Ray Bennett, The Hollywood Reporter

MAGNUS de Kadri Kousaar - Un Certain Regard

"'Magnus,'escrito e dirigido por uma jovem mulher chamada Kadri Kousaar, é o primeiro filme da Estônia a ser incluído na competição oficial em Cannes. O filme pinta um retrato tão negro da vida no antigo estado soviético que acabou sendo banido em seu país de origem. Eles podem ter tocado num ponto sensível." The Hollywood Reporter

"Foi apaludido ontem no Debussy, onde foi exibido dentro da mostra Un Certain Regard. Uma experiência reconfortante para Kadri Kõusaar, de 26 anos, que estava determinada a levar essa difícil história de um suicídio adolescente para as telas, convencendo seu elenco e equipe altamente inexperientes a segui-la em sua primeira viagem ao mundo dos longa-metragens. Apesar de seu tema sombrio, o filme não é só tristeza e tragédia, ao que é iluminado pelo estilo de vida rock'n'roll e libidinoso de Mart... O filme foi produzido pela Donus Film no Reino Unido com a Vitamin K Film na Estõnia. Banido dos cinemas na Estônia porque uma mulher moveu um processo contra o filme, acusando-o de ser baseado na sua vida, 'Magnus' ainda tem uma chance com platéias internaconais." Annika Pham, Cineuropa

"Gentilmente alternando-se entre comédia descompromissada e drama pesado, o filme filosoficamente concebido 'Magnus' é uma experiência emocional profunda. Inspirado em eventos reais, este impressionante debut da diretora-roteirista de 26 anos Kadri Kousaar é bem orquestrado e ocasionalmente, visualmente inovador. Personagens francos e engraçados o previnem de cair na morosidade quando o filme contempla as grandes questões da vida. Infelizmente, deixa a bola cair no desnecessário rolo final. Atualmente, está sendo suprimido na Estônia devido à motivos de âmbito legal instigadas por uma 'conhecida do protótipo.' Vagas proemninetes em grandes festivais são certas, mas prospectos internacionais podem também pagar dividendos para distribuidores corajosos." Russell Edwards, Variety

COUNTERPARTS de Jan Bonny - Quinzena dos Realizadores

"Penetrante e incomum história de violência doméstica na qual a vítima em evidência é o marido... No entanto, este tipo de exercício em imparcialidade não foi compartilhado com a platéia. Inesperadamente (ou não), o público aplaudiu entusiasticamente quando Georg finalmente reagiu às agressões da esposa. 'Estava curioso para ver como as pessoas responderiam àquilo. Acho que a violência é tão extrema que tal reação é normal. É preciso relaxar a tensão. É como rir num filme de horror. Algumas outras pessoas não aprovarão. Elas pensarão que não havia razão para que ele explodisse, especialmente se ele se conteve por todos esses anos,'concluiu Bonny." Vitor Pinto, Cineuropa
  Bernardo Krivochein    segunda-feira, maio 21, 2007    2 comentários
 
 


Zumbidos de Cannes: Dia 4

Ronit Elkabetz e Uri Gavriel em The Band's Visit (Bikur Hatizmoret) de Eran Kolirin

>> O título que mais teve sucesso em pré-vendas até agora foi Breath, de Kim Ki-duk, já tendo sua exibição no Brasil garantida. Enquanto isso We Are The Night de James Gray foi comprado pela Sony Pictures por uma generosa quantia mesmo antes de sua exibição competitiva no Festival de Cannes. A distribuidora francesa ARP, uma das que também abocanharam Breath, assinou um comentado contrato de distribuição local do western coreano de Kim Jee-woon, The Good, The Bad and The Weird.

>> Com menos tesouros do que aborrecimentos, as exibições competitivas tem oferecido poucas recomendações. De fato, dos oito filmes exibidos que almejam a Palma de Ouro, apenas um pode ser considerado uma verdadeira pérola. Se você medir o pulso dos críticos cobrindo a corrida pela Palma, as opiniões são significantemente desequilibradas, com filmes sendo considerados lindamente fotografados, mas longos demais(The Banishment de Andrey Zvyagintsev) ou simplesmente um despedício de espaço dentro da competição (Telehim de Raphael Nadjari). A descoberta na competição desse ano é o candidato romeno 4 Months, 3 Weeks and 2 Days de Cristian Mungiu, um pequeno drama malvado e chocante sobre um grupo de universitárias tentando realizar um aborto ilegal em 1989, durante o regime decadente de Nikolai Ceausescu." Reportagem de Anthony Kaufman para a indieWIRE

>> Para promover o filme U2 3D (três dimensões a mais do que a banda requer, ao meu ponto de vista), Bono Vox, The Edge, aquele outro e mais aquele outro apresentaram-se numa performance ao vivo em pleno tapete vermelho, para comoção geral. Se você gosta de imagens em movimento, clique no link, mas se você prefere dispensar o som, o blog da IFC tem ótimas fotos still.

DAI NIPPONJIN de Hitoshi Matumoto - Quinzena dos Realizadores

"Matumoto tem, possivelmente, o approach mais impassível para humor absurdista na história do mundo. Ninguém abre um sorriso. Ninguém pisca para a câmera. O filme inteiro se desenrola como se fosse apenas mais um dia no escritório, o que impulsiona o ridículo da situação a novas alturas. Provavelmente Dai Nipponjin não tem cacife o bastante para conquistar uma platéia mais ampla do que a do circuito de festivais ou de DVDs cults, mas para quem aprecia o inominável tipo de humor japonês, este filme é ouro puro." Todd Brown, Twitch

"Matumoto busca uma narrativa mais sofisticada, com um formato de falso documentário sobre um equivalente moderno (e bizarríssimo – interpretado por ele mesmo) do Ultraman/Spectroman. O filme tem um humor bastante doentio (sua grande força), mas ao mesmo tempo não esconde que sua força cômica não sustenta nem de longe as duas horas de duração. Após fantásticos primeiros quinze minutos, uma vez que a estranheza se torna aceita, o filme tem pouco mais a oferecer, e muito tempo a cobrir. Ainda assim, uma sessão deliciosa pelo inusitado de ver o filme neste contexto – ou de ver o filme, simplesmente." Eduardo Valente, Revista Cinética

LA QUESTION HUMAINE de Nicholas Klotz

"Klotz confirma aqui o que já estava claro no filme anterior: seu cinema é um de tintas políticas inegáveis, mas ao contrário de um Costa-Gavras ou de um Ken Loach, Klotz compreende que ao cinema não bastam os grandes temas, pede-se que a política esteja também na forma de um filme para que ele seja realmente profundo... O que importa é aguçar o sentido para o leitor saber: não se deve deixar 'La question humaine' passar batido." Eduardo Valente, Revista Cinética

HÉROS de Bruno Merle - Semana da Crítica

"O primeiro filme de Bruno Merle abunda com referências cinematográficas. Nenhuma descrição desse filme poderia fazê-lo soar como nada menos do que uma grande bagunça; por princípio, ele não deveria funcionar, mas de alguma forma consegue. Isso acontece em grande parte por causa da corajosa performance de Michael Youn, que positivamente incendeia a tela, interpretando Pierre como Samuel Beckett numa onda de speed."Bernard Besserglik, Hollywood Reporter

"Que fique claro que o filme não é tão diferente de qualquer outro - apesar do que um dos atores, Patrick Chesnais, tenha dito - mas nos relembra de tudo que nos cerceia ultimamente: celebridade, a crise na função cômica, e o que é chic e trashy à la Gaspar Noë." Emmanuel Burdeau, Cahiers du cinéma

"Quando apresentaram o filme, os dois atores principais Patrick Chesnais e Michaël Youn o descreveram, respectivamente, como 'um projeto atípico' e 'um OVNI dentre os filmes franceses atuais.' Era fácil sentir o incômodo provocado pela incerteza de como o filme seria recebido na Croisette, mas, no fim, não havia espaço para qualquer decepção." Vitor Pinto, Cineuropa

"Imagine um lunático enraivecido gritando por duas horas, virtualmente sem interrupções, a poucos centímetros da sua cara e você começará a ter idéia do que é assistir 'Héros.'" Peter Brunette, Screen Daily

L'AVOCAT DE LE TERREUR de Barbet Schroeder - Un Certain Regard

"Poderia ser utilizado como um complexo guia da ascenção do terrorismo global... Em vários aspectos, L'Avocat de le Terreur é um documentário convencional de cabeças falantes que evolui para um empolgante thriller quebra-cabeça reminiscente de um bestseller de Frederick Forsyth ou um drama épico como 'Munique.'" Allan Hunter, Screen Daily

"Certamente inspirará debates na França e Alemanha, assim como é de óbvio interesse para qualquer um que segue o enraízamento do terrorismo internacional moderno, o documentário sonda as áreas ambíguas da colorida vida de seu assunto controverso e chamativo. Quando perguntado se defenderia Hitler, o advogado Verges responde, 'Eu defenderia até Bush!' Sob quais condições? 'Caso ele se declarasse culpado.' " Lisa Nesselson, Variety.

"O filme de Schroeder é mais fascinante do que a maioria do documentários de cabeças falantes, pois o assunto em questão é tão estranhamente pertinente e provocativo. A história de Verge é também a história da mutação do terror zeitgeist, do qual muitos apontariam a enorme luta do povo argelino ao terror-chic decadente de Carlos e Magdalena Kopp... L'Avocat de le Terreur poderia ser, deveria ser, mais longo, mesmo se fosse apenas para dar ao público um pouco de espaço para respirar." Glenn Kenny, Premiere

"A informação chave sobre Verges é que ele nasceu na Tailândia em 1924 ou 1925 - até mesmo aqui ele é aparentemente nebuloso - de uma mãe do Vietnam e um pai da Reunion Island, a ilha do Oceano Índico que é parte da França. Ele portanto cresceu multiracial dentro de um cenário colonial, o que, como aponta um entrevistado, significa 'ser contra as coisas', ser anti-estabelecimento, anti-colonialista e anti-governo." Kirk Honeycutt, The Hollywood Reporter

YOUNG YAKUZA de Jean-Pierre Limosin - Fora de Competição

"O aprendizado de um jovem rebelde dentro da máfia nipônica serve de intrigante ponto de partida, mas pouca substância no documentário francês 'Young Yakuza.' Como outras pedras fundamentais da cultura japonesa, a gueixa, a Yakuza encontrou expressão dentro de filmes tanto locais qaunto ocidentais que procuravam revelar as práticas arcaicas e hierarquia restrita, mas que se mantiveram cobertas em segredo. O filme observa mais do que adentra. Não sendo culpa do cineasta, o documentário perde o foco graças ao seu disperso protagonista. Festivais poderão desejar dar uma espiada, mas a falta de conteúdo decepcionará." Russell Edwards, Variety

"Esse espelho é partido pelo cineasta que pára no meio do percurso. Ele privilegia M. Kumagai, figura ao mesmo tempo pacífica e aterrorizante, em detrimento de Naoki. 'Young Yakuza' permanece ainda assim como uma obra única sobre um meio totalmente secreto e idealizado que esconde toda a tristeza e desespero de seus membros já rejeitados pela sociedade antes de se integrarem à Yakuza. A descoberta da realidade pode se revelar rude para o cinéfilo adepto de 'Kill Bill', mas ainda assim fascinante." Allocine

THE BAND'S VISIT de Eran Kolirin - Un Certain Regard

"Uma banda egípcia fica presa numa cidade esquecida no meio do desrto israelense 'The Band's Visit,' uma calorosa e deliciosa perspectiva das relações multiculturais que prova que um toque leve às vezes é tudo o que se necessita para abordar tópicos mais sérios. O diretor inciante Eran Kolirin possui um olho brincalhão para composições de quadro e um belo modo de dirigir seus atores, ocasionalmente flertando com o 'fofinho', mas puxando as rédeas antes de ir para o lado errado do sentimentalismo. Um sedutor de platéias que certamente varrerá espectadores de Israel -- e também Egito se lá for permitida sua estréia -- públicos internacionais o receberão mais do que calorosamente." Jay Weissberg, Variety

"Houve uma certa chateação quando o adorável filme do israelense Eran Kolirin 'The Band's Visit', sobre um grupo de metais egípcio preso numa pequena cidade israelense, foi programado para uma prestigiada sessão de sábado na mostra Un Certain Regard. O diretor estava desconfortável com seu filme sendo exibido durante o Sabbath judeu, mas ele foi persuadido pela atriz principal, Ronit Elkabetz, de que nem Deus discute com os programadores de Cannes." Jason Solomons, The Guardian

"O roteiro de Kolirin pode não ser bem amarrado o bastante e o ritmo tranqüilo arrisca perder a platéia de vez em quando. Mas seus personagens consistentes, vivos e realistas, esplendidamente colocados frente à banalidade intencional de uma paisagem esquecida é memorável e eficiente. A cãmera de Shai Goldman o serve com imagens reminiscentes de pinturas de natureza morta." Dan Fainaru, Screen Daily

"O melhor filme do Festival de Cannes até agora, de longe. 'The Band's Visit' nos mostra o que é possível fazer não tendo um set e nem elementos para grandes bilheterias - você pode fazer um incrível filme sobre pessoas... Um 'pequeno' filme de grande alcance, foi recebido com um aplauso em crescendo na sua exibição na Un Certain Regard. Sublinhado com uma comédia leve e contraposto com revelações inesperadas, este filme é um oásis de criatividade dentro da barrenta grandiloqüência do festival." Ray Bennett

CHACUN SON CINÉMA de Vários - Fora de Competição

"A colaboração foi televisada na França através do Canal Plus simultaneamente com a exibição em Cannes e será lançado em DVD em 25 de maio... Especialmente a primeira parte dos curtas, a imagem dominante é a de velhos cinemas que cairam em estados irreformáveis, de desintegração e desuso... Como é a regra para esses tipos de compilações, esta é de certa forma superior que os demais, pois um bocado dos filmes são imaginativos, envolventes e/ou interessantemente pessoais; até os mais ruins contam com a virtude da brevidade. Ganha o prêmio de curta feito para puro entretenimento o filme de Walter Salles passado no Brasil." Todd McCarthy, Variety

"O resultado é uma sessão inspiradora composta pelo mesmo número de curtas, todos unidos por este tema fértil em sensações cinéfilas. Considerando que esse formato revela-se sempre problemático, os filmes de expressão e sentimento ganham em número dos eventuais tropeços, e um tropeço é um tropeço, mesmo com apenas três minutos." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio*

* na crítica, ele descreve os segmentos um a um, vale a espiada. Clique aqui.

(tradução das compilações da Greencine, Allocine e outras fontes)
  Bernardo Krivochein    domingo, maio 20, 2007    2 comentários
 
 


Zumbidos de Cannes: Dia 3

Clotilde Hesme, Ludivine Sagnier e Louis Garrel em Les Chansons d'Amour de Christophe Honoré

>> Harry Knowles do Ain't It Cool News conseguiu um enorme furo: por causa de sua extensa campanha em cima de Rocky Balboa, Sylvester Stallone cedeu ao site o direito de exibir 3min 29 de John Rambo, o mesmo showreel que foi exibido esse sábado para possíveis distribuidores no mercado de filmes em Cannes. A partir do 2min 12 o sangue tá comendo tão solto nas imagens que dá até pra confundir com o trailer de 'Hostel 3'. Siga o link e assista, antes que o vídeo seja retirado do ar na segunda-feira.

>> Enquanto isso, nos EUA, 'Sicko', de Michael Moore, já comete sua segunda controvérsia (após o escândalo envolvendo a viagem de Moore à Cuba para filmar cenas do documentário sobre o falido sistema de saúde dos EUA, o que enfureceu o governo norte-americano). Jim Kenefick é um direitista convicto que ataca abertamente o documentarista desde os tempos do The Awful Truth. Pois a mulher de Kenefick foi abalada por uma terrível doença e em, seu blog, lamentava-se dos altos custos do seguro de saúde. Moore, então, promoveu uma campanha para arrecadar fundos e enviou ao seu nêmesis um cheque de 12.000 dólares.

Kenefick, abandonado pelos seus amigos políticos e desesperado pela mulher, não pensou duas vezes e embolsou o cheque. Daí você pensaria que o cara recebeu uma lição de humildade, não? Pois Kenefick continuou o fogo contra Moore: "Eu não sou um idiota. Eu sei quando dizer sim a algo, mesmo quando as cordas ao que esta coisa está ligada são óbvias. Que tipo de idiota rejeitaria 12.000 dólares? [...] 12.000 dólares equivalem ao orçamento de Moore para comprar Bolo Ana Maria" disse o direitista, com sua ética rudimentar e revelando a facilidade com que os conservadores abrem as pernas por dinheiro, ao The Daily News.

LES CHANSONS D'AMOUR de Christophe Honoré - Em Competição

"O diretor foi promovido para a competição da mostra oficial com Les Chansons d'Amour, que passou na competição hoje de manhã. Não parece ter empolgado muita gente, e o filme investe em mais um formato musical onde, de repente, personagens começam a cantar para externar suas dores, felicidades e observações sobre a vida. A música termina tendo papel irrelevante no filme, que desenvolve personagens e situações com o bom e velho diálogo entre as pessoas, em situações naturais. Pouco inspirador esse filme, uma amiga crítica espanhola pôs a pá de cal em cima associando-o ao espanhol 'Do Outro Lado da Cama'." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio

"Filme realizado com rapidez e urgência incríveis (a filmagem foi há menos de quatro meses), a potência do cinema de Christophe Honoré vem sim de um transbordamento de sentimentos, que torna justamente quase natural que este transbordamento se externe através de canções – e, diga-se, de belas canções, que inclusive são de onde nasceu o filme, já que Honoré escreveu o roteiro a partir de músicas já existentes de Alex Beaupain [...]os personagens não param de se bater, e nesse embate vale tudo – inclusive errar o tempo todo. E é por isso que 'Les chansons d’amour' é um filme quase insuportavelmente belo." Eduardo Valente, Revista Cinética

"É uma instituição à qual diretores franceses ambiciosos tem retornado com freqüência, até nomes como Godard e Rivette flertando com ela, enquanto a última inovação realmente bem sucedida nesse campo foi o musical sobre a AIDS 'Jeanne et le Garçoin Formidable' de Ducastel e Martineau... Mas o filme em competição de Honoré, ainda que teoricamente posicionado para erguê-lo ao topo do rank de autortes franceses emergentes, é uma maçaroca empelotada auto-indulgente que não consegue sucesso nem como uma narrativa realista nem como um romance leve, e que conta com uma trilha-sonora nada excepcional para seu conto de jovens chics e artistas em remorso e se apaixonando." Jonathan Romney, Screen Daily

"Tanto seu retrato da morte e do romance são igualmente implausíveis. O último filme de Honoré, 'Dans Paris' passou rente do pretensioso, mas este novo filme é apenas mal concebido e fraco. As músicas são péssimas também." Dave Calhoun, Time Out.

"Tropeça um pouco ao capturar o pesar genuíno que existe no centro do filme, apesar mais uma vez que sua consideração pela família é infalível e alguns dos maiores charmes do filme vem do calor que inspira. Irrepreensívelmente francês no modo como lida com temas como ménage-a-trois e sexualidade porosa, esse conto de um romance interrompido por uma tragédia e que reencontra seu caminho em direção a um novo amor deve ter êxito em seu país de origem, com prospectos internacionais favoráveis." Jay Weissberg, Variety

"Um musical bastante ruim, repleto de músicas repetitivas e ainda assim esquecíveis, tentativas meia-boca de coreografias informais e um narcisismo cômodo fantasiado de ardor." Mike D'Angelo, ScreenGrab

"O filme de Honoré emprega a mesma estrutura de três capítulos e até os subtítulos - Ida, Ausência e Retorno - de 'Os Guarda-Chuvas do Amor, e os dois filmes compartilham o tema de amor e perda. Mas os parisienses indiferentes, viciados em (cigarros) Gauloise, infiéis e declamadores de citações em 'Chanson' estão a um mundo de distância da inocência agridoce de 'Cherbourg'." Wendy Ide, The London Times

"O diretor-roteirista de 36 anos supera brilhantemente as dificuldades do gênero, com as canções de Alex Beaupin pontuando perfeitamente uma intrigante história de emoções turbulentas em variadas formas (amor, bissexualidade, morte, pesar, renascimento)... O filme revela uma Paris proletária e multicultural capturada com muita veracidade através da perambulação de vários personagens pelas ruas da cidade." Fabien Lemercier, Cineuropa

NO COUTRY FOR OLD MEN de Joel e Ethan Coen - Em Competição

"Realmente fantástico. O filme se desenrola como o cotidiano de uma dessas cidades a oeste de Texas (foi filmado primeiramente em Marfa) onde nada de importante acontece até o dia que subitamente uma enorme desgraça toma corpo." Matt Dentler, SXSW Blog

"Nada menos do que brilhante. É, de longe, o filme mais violento dos Irmãos Coen , ultrapassando o impassível desmembramento de corpos em 'Fargo'. Marca um retorno dos Coen à Texas, onde eles fizeram seu primeiro longa-metragem, 'Gosto de Sangue'. Como aquele filme, 'No Country' encanta com os usuais personagens menores que insistem em surgir cena após cena. Você odeia vê-los sendo assassinados, mas você sabe que é o que vem pela frente, tal qual uma praga bíblica." Charles Ealy, Austin Movie Blog

"Uma explosão incinerante de um tenso gênero de cinema filmada através de ricas veias de melancolia, filosofia caseira e humor muito, muito dark... O brilahnte e envolvente romance de Cormac McCarthy é ouro para os Irmãos Coen, que retornam à boa forma após uma série de filmes pouco impressionantes. Enquanto traz as marcas registradas dos Coen: a costumeira capciosidade e técnica impecável, o filme possui a vitalidade e a inventividade do melhor do cinema americano dos anos 70, o que é uma tremenda conquista nos dias de hoje. Também conta com um dos vilões mais originais e memoráveis do cinema recente, nunca algo ruim para atrair a platéia, especialmente quando é interpretado tão audaciosamente por Javier Bardem... [Tommy Lee Jones] parece provar que nasceu praticamente para interpretar papéis de Cormac McCarthy e ele prova isso aqui." Todd McCarthy, Variety

"Os Coen sabem criar um inferno perfeitamente orquestrado, e longas sequências do filme transcorrem sem fala, uma em especial deixou a platéia gigante da Debussy totalmente petrificada, no silêncio. Quando os personagens abrem a boca, mais uma vez temos a esperança de que as legendas no Brasil façam justiça ao lero especial e muito engraçado desse filme que, surpreendentemente, dá uma guinada especial ao final e revela-se um comentário reflexivo sobre os EUA e seu histórico de violência." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio

"O cinema tipicamente superior dos Coens sustenta a atmosfera eletrizante durante a maior parte do filme, mas eles acabam se deixando derrotar por permanecerem fiéis demais à obra de Cormac McCarthy." Ray Bennett,Hollywood Reporter

"Fomos assistir 'No Country For Old Men' e fomos imediatamente arrebentados pelo filme. Já no meio do filme, o considerava o melhor longa dos Coens desde 'O Grande Lebowski'. Ao final, imaginava se essa não seria sua obra-prima." Xan Brooks , The Guardian

"A evocação elegíaca da tranformação da paisagem americana em curto-circuito moral é lidada de forma preciosa, mas há reservas sobre o ritmo e equilíbrio que impedem o filme de atingir a grandeza que, de vez em quando, parece ao seu alcance." Allan Hunter, Screen Daily

"Este é um thriller completamente cativante e niilista, um modelo de narrativa impecavelmente construída e implacável. Tudo o que se poderia esperar do casamento dos irmãos Coen com McCarthy era um filme que não se pode parar de assistir, por mais que você deseje ser parte dele, enquanto ele o guia por um mundo tão horrivelmente opressor que 'você põe sua alma em risco', como um personagem diz." Kenneth Turan, The Los Angeles Times

SICKO de Michael Moore - Fora de Competição

"Sicko não me informou nada de radicalmente novo sobre o quão absurdo é o nosso sistema de saúde, mas o soletrou de forma bem clara e, a mim pareceu, o quão melhores são os sistemas de saúde no Canadá, Inglaterra e Franca. Não serve apenas para abrir nossos olhos, resumidamente, mas um filme que abre nossos poros emocionais." Jeffrey Wells

"Empregando sua típica narração pessoal e seu approach DAvi contra Golias, Moore revitaliza o que é, em essência, um assunto deprimente ao embalá-lo em ironia e injetando leveza onde fôr possível: uma longa lista de condições de saúde que justificam que a pessoa seja negada cobertura do seguro é transformada num scroll text que adentra o espaço ao som do tema de 'Star Wars'; um gráfico que revela os EUA na posição 38 na lista de melhores sistemas de saúde do mundo - acima da Eslovênia - é seguida por imagens de arquivo de condições primitivas de operações. Talvez a história mais emocionante seja a de Julie, uma funcionária de hospital cujo marido tinha uma doença potencialmente terminal que a equipe médica acreditava poder tratar com um transplante de medula óssea. O seguro considerou o tratamento experimental e se recusou a cobri-lo. Incapaz de pagar uma alternativa, seu marido morreu." Alissa Simon, Variety

"A receita que Dr. Moore sugere pode causar discussões. Mas ele faz tanto sentido em seus argumentos que a discussão poderia ser civilizada, não fosse o fogo pesado que virá da indústria de seguros e farmacêutica, com bilhões de dólares de lucro em risco, e certos políticos cujos bolsos estão alinhados com as doações de campanha dessas indústrias." Kirk Honeycutt, Hollywood Reporter

"A perspectiva apaixonada, provocante e repleta de gags de Michael Moore para o acusador documentário funcionou lindamente em Tiros em Columbine e Fahrenheit 11 de Setembro - e funciona ainda melhor em 'Sicko'. No exterior, especialmente na Europa, 'Sicko' chocará e reconfortará na mesma medida - se não formos condescendentes, poderemos ver sua decisão em contrastar o sistema americano com o sistema gratuito de saúde oferecido no Canadá, Inglaterra e especialmente na Françla como um presente caloroso para os distribuidores e platéias desses territórios. Mas os pontos-de-vista feitos por Moore são (na maioria) bem fundamentados - e gerenciados, como sempre, com uma veia irônica que os deixam difíceis de discordar." Lee Marshall, Screen Daily

"'Sicko', o novo filme de Michael Moore, é ostensivamente sobre o sistema de saúde na América; não é, tanto mais quanto Moby dick é sobre uma pescaria de fim de semana. Como os outros documentários de Moore... o tema centra de 'Sicko' é a democracia americana - como funciona, onde não funciona - e a cultura do capital. [É o tom] de auto-celebração caridosa, de altruísmo público, de sensibilidade falsa - que corrói muitas das obras de Moore, e faz 'Sicko' ceder. Não espero que um filme resolva a crise do sistema de saúde dos EUA, mas mesmo como uma convocação à luta, 'Sicko' é mais confuso, mudo e disperso do que deveria ser." James Rocchi, Cinematical

"Moore sequer está presente na primeira metade, servindo de narrador onisciente até surgir a partir do meio do filme para oferecer sua exploração marca registrada de entrevistas na rua sobre como os EUA entenderam tudo errado novamente. Senti que o filme funciona completamente como entretenimento e, como sempre, Moore argumenta incisivamente usando elementos cômicos... E, como em muitos filmes de Moore, o argumento fica um tanto repetitivo e os personagens um tanto artificalizados. Ainda assim, me diverti apesar da falha do filme com suas responsabilidades documentais." Matt Dentler SXSW Blog

BOARDING GATE de Olivier Assayas - Em Competição

"Garota de lingerie preta com uma Luger alocada nas costas, no elástico sobre seu traseiro - essa é a extensão narrativa desse thriller cabeça-dura do cineasta Olivier Assyas. Estrelando Michael Madsen como um negociante ilegal internacional e Asia Argento de 'bad girl', 'Boarding Gate' é repleto de elementos que não vão além da atratividade ocasionada por seu cartaz." Duane Byrge, Hollywood Reporter

"Em tais situações [de ser a voz dissonante de todo um grupo], o indivíduo precisa, como Sabine Azéma dublou em 'On connait la chanson', 'Resiste!' ... achei 'Boarding Gate'espetacular." Glenn Kenny, Premiere

"Assayas oferece uma série de traições, fugas e perseguições surpeendentemente carentes, distintas penas por seu aguçado olhar para cores e seua pecha por deixar metade do campo visual permanecer fora de foco... Assayas nunca parece estar remotamente investido nesse nonsense todo - nem num modo subversivo e estritamente intelectual." Mike D'Angelo, ScreenGrab

"Um thriller transglobal de negócios sujos e sexo pervertido que ele tinha minado previamente em 'Demonlover', aqui com resultados igualmente decepcionantes." Lee Marshall, Screen Daily

"Assayas é fascinado, corretamente, pelo pútrido submundo da economia global. Mas sua imagem lúrida,e até romanticizada, de financeiros pervertidos parece refletir mais uma obsessão pessoal do que a realidade." Erica Abeel, Filmmaker

SAVAGE GRACE de Tom Kalin - Quinzena dos Realizadores

"[Savage Grace] passou por um processo maravilhoso de expansão. Melhora cada vez que penso nele... o filme de Kalin tem qualidades que fazem das suas visíveis dificuldades um charme e uma prova de que existe ali roteiro, conflitos humanos, diálogos significativos, e um elenco que defende o filme com os dentes, [Julianne] Moore, claro, sendo o destaque... Talvez tenha me lembrado [Samuel] Fuller, em especial, por ser um filme barato, realizado por um cineasta de visão que filma em termos pessoais e fora do alcance do radar de Hollywood. Savage Grace é diferente de qualquer coisa que o cinema dos EUA está fazendo, e imagino a contovérsia que irá gerar quando lançado." Kléber Mendonça Filho, Cinemascópio

"Pequena jóia semi-lapidada, banhada de inteligência, humor e talento. Primeiro filme a brilhar de fato na Quinzena dos Realizadores e até aqui o melhor entre os que pude ver nesse festival... Um filme anarquicamente tecido, no bom sentido, com reconstrução de época 'barata' funcionando surpreendentemente bem." Leonardo Sette, Revista Cinética

SHAMO de Soi Cheang - Marché du Film

"Infelizmente, é muito estilo com muita pouca substância no segundo filme de Soi Cheang após 'Dog Bite Dog' ano passado. Em 'Shamo', Soi continua a explorar os temas sombrios de seu predecessor enquanto estabelece mais profundamente a estética visual única e virulenta da Sameway Productions, porém o filme pára de desenvolver completamente seus personagens além do primeiro ato." Todd Brown, Twitch

(tradução das compilações da Greencine, Allocine e outras fontes)

DICA 1: Mais um diário brasileiro de Cannes, dessa vez para a Revista Cinética, em que Eduardo Valente eLeonardo Sette documentam sua experiência durante o festival. Link aqui.

DICA 2: O quadro de cotações da Screen International para a Competição Oficial em Cannes (edição da manhã de sábado)
  Bernardo Krivochein    sábado, maio 19, 2007    7 comentários
 
 
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