blogINDIE 2006


"DEU A LOUCA NOS MONSTROS" (The Monster Squad, 1987) EM DVD FINALMENTE!

"Chute o saco dele!"
"O Lobisomem tem saco?!?"

Considere essa a notícia da semana... melhor, a notícia da DÉCADA! Um arranca-rabo que prendeu os direitos autorais do filme de Fred Dekker por anos a fio foi finalmente resolvido e "The Monster Squad" será finalmente lançado em DVD - não pela Columbia/TriStar, não pela MGM, mas pela independente Synapse Films. A edição em DVD promete ser recehada, além de um transfer em HD.

Lançado em 1989/90 no Brasil pela Alvorada Filmes (e lançado mais tarde em VHS pela TransVídeo), eu procuro uma cópia desse filme em película para passar no Indie há anos (inclusive, contactando negociadores e pesquisadores). O máximo que consegui foi o contato do próprio Fred Dekker, que inclusive passou o ano passado exibindo suas cópias 35mm pessoais por todos os EUA e Canadá (será que ele viria pro Brasil?). Figurinha fácil na "Sessão da Tarde" por muito tempo, "Deu a Louca nos Monstros" conta a história de um grupo de pré-adolescentes fissurados pelos monstros clássicos do cinema. Até que Drácula & Cia. surgem no bairro a procura de um amuleto. Felizmente, os garotos contam com a ajuda de Frankenstein.

O filme foi roteirizado por Dekker e Shane Black (de "Máquina Mortífera" e "Beijos & Tiros") e contém, além de diálogos deliciosos, um dos melhores e mais naturais retratos de personagens adolescentes já vistos num filme de gênero. Mais além, "Deu a Louca..." conta com uma das mais viciantes montagens musicais do cinema (toma essa, série "Rocky"), ao som de "Rock Until You Drop" de Michael Sembello (que compôs "Maniac" de "Flashdance"). Fred Dekker, por sua vez, já havia dirigido "Noite dos Arrepios", outro clássico que tem os direitos autorais compeltamente enrolados.

Fred Dekker, após o fracasso de "RoboCop 3", ateve-se a escrever e produzir episódios de "Star Trek: Enterprise" - e está demorando muito para retornar à direção (minha humilde opinião). André Gower, o protagonista e galã adolescente, fez mais alguns papéis em seriados e telefilmes, se formou e agora está idealizando seu prórpio festival de cinema. Ryan Lambert - o rebelde - atualmente é guitarrista e volcalista da banda emo Elephone. E Brent Chalem, o gordinho, faleceu em 1997 de pneumonia, o que é bem triste.

Quando dou essa notícia - e com tamanha animação - não é mera nostalgia. Já assisti "The Monster Squad" mais vezes do que você imagina, estudando a estrutura do longa. Não apenas é um dos meus favoritos; acredito piamente que trata-se de uma das primeiras grandes obras-primas pósmodernas do cinema. À época do lançamento do DVD, em abril-maio, publico um artigo expressando os motifs do filme, ponto a ponto. Agora, é aguardar.
  Bernardo Krivochein    quarta-feira, janeiro 31, 2007    21 comentários
 
 


SUNDANCE 07: "Manda Bala" é o vencedor do prêmio de Melhor Documentário + lista de vencedores

"[Jason] Kohn conta sua história brasileira com um sentido brincalhão. O que põe o filme de Kohn a um nível acima, discutivelmente o melhor documentário que já vi até agora, é que seu humor funciona a propósito de seu tema humanista, de que a violência pode se tornar a principal indústria cultural de uma nação e unir toda uma diversa população com, algumas vezes, resultados trágicos." (Steve Ramos, IndieWire)

Então não é como se não fosse esperada a premiação do filme de Kohn (filho de mãe brasileira e pai americano, nascido nos EUA). "Manda Bala", descrito pelo próprio diretor como um "'Robocop' não-ficcional", ainda abocanhou o prêmio de melhor fotografia (para Heloísa Passos). Em época de "Tursitas", será que neguinho vai dar conta de americano falando mal da nossa querida e tradicional cultura da violência? A descobrir quando o filme passar nos festivais daqui.

Segue lista completa dos vencedores, que incluem o novo de Gela "13" Babluani ("The Legacy") e o genial animador Don Hertzfeldt, abocanhando o prêmio de melhor curta por "Everything Will Be OK". Hertzfeldt é autor de "Rejected", talvez o melhor curta de animação já feito na história.

Grande Prêmio do Júri - Ficção: Padre Nuestro
Grande Prêmio do Júri - Documentário: Manda Bala
Prêmio do Júri World Cinema - Documentário: Enemies of Happiness (Vores Lykker Fjender)
Prêmio do Júri World Cinema - Ficção: Sweet Mud (Adama Meshugaat)
Prêmio do Público - Documentário: Hear and Now
Prêmio do Público - Ficção: Grace Is Gone
Prêmio do Público World Cinema - Documentário: In The Shadow of The Moon
Prêmio do Público World Cinema - Ficção: Once
Melhor Direção - Documentário: Sean Fine & Andrea Nix Fine (War/Dance)
Melhor Direção - Ficção: Jeffrey Blitz (Rocket Science)
Melhor Fotografia - Documentário: Heloísa Passos (Manda Bala)
Melhor Fotografia - Ficção: Benoît Debie (Joshua)
Melhor Montagem: Hibah Sherif Frisina, Charlton McMillan & Michael Schweitzer (Nanking)
Prêmio de Roteiro Waldo Salt: James C. Strouse (Grace Is Gone)
Prêmio Especial do Júri - Júri de Documenário: No End In Sight
Prêmios Especiais do Júri por Atuação: Jess Weixler (Teeth) & Tamara Podenski (Four Sheets To The Wind)
Prêmio Especial do Júri por Singularidade de Visão: Chris Smith (The Pool)
Júri da Competição World Cinema - Prêmio Especial do Júri: Hot House
Júri da Competição Dramática World Cinema - Prêmio Especial do Júri: The Legacy
Prêmio do Júri - Melhor Curta-Metragem: Everything Will Be OK
Prêmio do Júri - Melhor Curta Internacional: The Tube With a Hat
Menções Honrosas do Júri de Curtas: Death To The Tinman; Fighting Cholitas; Men Undestand Each Other Better; Motodrom; Spitfire 944; t.o.m.
Prêmio Especial do Júri de Curtas: Freeheld
Prêmio Alfred P. Sloan (para filmes que abordem um tema científico): Dark Matter
  Bernardo Krivochein    domingo, janeiro 28, 2007    10 comentários
 
 



O que ver, como ver e quanto pagar pra ver

Já não é novidade que o governo neste país mete o bedelho em tudo... Principalmente naquilo em que não lhe diz respeito. O cinema, por exemplo....

Hoje uma imensa parcela da produção brasileira de cinema é financiada através de leis de incentivo, seja ela municipal, estadual ou federal. Ou seja, lançam-se os editais e uma comissão escolhe o que vai ser aprovado ou não. Depois desta peneira, quem vai decidir qual projeto sai do papel e qual vai pra gaveta é um gerente de marketing. Geralmente este gerente de marketing está sentado numa mesa de uma empresa com nome terminado em BRAS, ou seja é meio governo também. Não quero fazer aqui campanha contra as leis de incentivo que financiam nosso cinema (e nossa música, nossa dança, nosso teatro) mas apenas acredito que com mecanismos como esse, sempre vai haver alguma injustiça....

O governo decide também quanto você vai pagar para ir ao cinema. Esse governo estabeleceu que quem tem uma carteirinha paga menos e quem não tem carteirinha paga mais. Essas carteirinhas não são muito difíceis de conseguir não. Tem uma rádio FM que manda entregar uma na sua casa! Eu acho que o governo devia implantar esse mesmo sistema de carteirinhas nas padarias, sapatarias e farmácias também. Assim acaba com o problema dos altos custos dos remédios, dos calçados e do pãozinho, que todo mundo vive reclamando. Tem também a promoção que o governo lançou dizendo que maiores de 60 anos também pagam o ingresso mais barato. Seja este cidadão um dentista, um banqueiro, um aposentado da receita federal ou um juiz (ops! juiz não! Porque juiz não paga cinema! Outra promoção, que você só encontra aqui, no Brasil: a carteirada!). Então, aqui vai outra sugestão para reduzir o caos da saúde pública brasileira. Todos os cidadãos com mais de 60 anos pagam meia consulta, meia internação, meia operação de catarata (operando os 2 olhos, é claro!). E de tabela, os juízes, escrivãos, desembargadores e afins, não pagariam p* nenhuma no médico e no hospital, operando a próstata ou outro órgão qualquer... (trocadilho do caralho intencional).

Agora, depois de nos dizer o que ver e quanto pagar para ver, o governo quer nos dizer como ver. Um projeto aprovado em primeira instância pela Câmara Municipal de Belo Horizonte quer estabelecer o Estatuto do Cinéfilo. Quem é cinéfilo bota o dedo aqui... Um código de posturas que as salas de cinema devem obedecer... Entre as medidas deste código consta até o confisco de celular! Ou seja, uma horda de mal educados, vai ao cinema, fala sem parar no celular e quem leva multa é a sala de cinema. Isto vai obrigar aos exibidores abrir uma nova vaga no seu quadro de funcionários: um híbrido de uma profissão do passado (o lanterninha) com uma mais em voga na atualidade (o segurança): o lanterninha-segurança-detectator-tabajara-de-celulares. Como todas as soluções neste país são de cima para baixo, manda um decreto aí que resolve essa bagunça!

Só falta agora o leão da metro rugir e de sobra você ter que pagar um imposto de renda adicional por ter ido ao cinema se divertir, emocionar, educar ou passar o tempo...
  Eduardo Cerqueira    sexta-feira, janeiro 26, 2007    2 comentários
 
 



Todos os curtas do Sundance 2007 estão disponíveis on-line

Bem, não sei se nestes inúmeros post e coments do Bernardo e da turma de 20 e poucos abaixo está o link para os filmes curtos do Sundance ( desculpe, nada contra mas não tenho tempo pra ler tudo isto, e quando se tem 42 o tempo urge, tento acompanhar, juro mas tá difícil, vocês são verborrágicos demais! Não podem reclamar do Godard, never!). Você pode assistir todos on-line e gratuitamente ( uma novidade, já que anteriormente eram taxados ou ficavam apenas breve tempo no ar). Como não sabemos por quanto tempo ficará disponível o acesso, aconselho para quem gosta de filmes curtos, corra!

Tenho certeza de que quando o Bernardo falou abaixo sobre os filmes na web de graça e pixelados estava querendo dizer de filmes "pirateados" e imagino que ele, como eu, não é só a favor da Internet livre e sem nenhuma cobrança, também seja adepto do filme on-line, não é a toa que produzimos um festival on-line há 7 anos que foi pioneiro na web brasileira. Bem, mas no caso do Sundance, assim como no caso do Fluxus, não são filmes pirateados para vc assistir no seu desktop ( tem que ter muito cuidado quando se fala disto, mesmo aqui neste blog) mas são filmes de curta duração autorais e AUTORIZADOS pelos seus realizadores, para que circulem na web. Claro, afinal é muito melhor que milhões de pessoas possam ver seu filme num ambiente web de um festival on-line do que ele seja visto apenas numa única exibição durante o festival ou que fique na gaveta de seu armário.

Ao contrário do Fluxus, porém, o Sundance apresenta muitos filmes de ficção com uma narrativa mais próxima do padrão tão denominado por aqui como "curta-metragem", no Fluxus já há uma aproximação com os padrões de filme menos narrativo e mais experimental ( apesar de também termos alguns "curtas de ficção bem tradicionais").

Bem, vou assistir aos filmes do Sundance para comentar com vocês aqui. Me impressiona que no blá blá blá de vocês aí embaixo não vi ninguém dizer nada sobre os filmes do Fluxus e como eles estão com votação em aberto, gostaria de saber os preferidos da turma de 20, claro que se tiverem tempo de desligarem um pouco os downloads ( brincadeirinha).

Mas aí vai o link para também opinarmos sobre a seleção do Sundance que thanks God ninguém precisa ir até aquela cidade perdida, Parque de Diversão em Utah, nas montanhas frias para ir ao cinema!

Curtas da competição do Sundance ON_LINE e FOR FREE!

*** foto do "Little Farm" do diretor Calvin Reeder comentado pelo Bernardo lá embaixo, vou nele primeiro, claro!

(Francesca Azzi)
  INDIE    quinta-feira, janeiro 25, 2007    11 comentários
 
 


Só não entendi uma coisa: o raio do filme é bom ou é ruim?" - um elogio ao diretor psicopata

O título deste post é parte um e-mail de um amigo, me indagando sobre minha posição quanto a "Apocalypto", novo filme de Mel Gibson e que postei minha resenha ontem no site principal.

A resposta é: não faço a menor idéia. E nem quero saber.

Isso é bem libertador, creio. Prefiro viver num mundo em que se debata a obra sem recair no mérito ou demérito, afinal eu sou o anti-nota, o anti-estrelinha, o anti-lista, o anti-crítico anticristo. Queria ser pró-concordância verbal, mas o flow do digitar atropela algumas das mais básicas normas gramáticais (e outras mais, por isso me perdoem). "Apocalypto" me fascina - é exatamente o que escrevi no texto - porque é um filme excitante, bem feito, esteticamente curioso, ousado (se bem que o truque da língua morta já tá ficando velho) e liderado por um tal de Rudy Youngblood que, embora suas raízes indígenas sejam questionadas, o talento do cara é inegável (e ainda liderando um filme em seu primeiro papel no cinema), mas principalmente porque Mel Gibson é louco de pedra.

Claro que tivemos bastante filmes do gênero WTF (What The Fuck?) nos últimos tempos, mas obras de diretores completamente sãos. Darren Aronofsky, de "A Fonte da Vida"? O mais inteligente da classe, faz trabalho para a caridade, cuida de cachorro doente, ajuda velhinha a atravessar a rua, etc. Então "A Fonte..." era uma catarse psicótica ou exibicionista? Veja bem, todos os sinais apontam que "The Fountain" pode virar um clássico, pois sua carreira (de realização ao mercado) se alinha exatamente a de filmes como "Blade Runner" e até "Cidadão Kane" (chegando a barrar esse último no quesito "aceitação", pois nem na França "The Fountain" foi bem recebido - e olha que a França aceitou até Mickey Rourke quando ele foi expulso de Hollywood por bater na Carré "Orquídea Selvagem" Otis!), mas os seus adoradores, baseados nessas coordenadas, dão isso como tão certo que nem retrabalham obsessivamente o filme em resenhas ou artigos, enquanto os intelectuais de cinema de hoje já partiram para outra há muito tempo.

Mas sinto falta de filmes exatamente como "Apocalypto" nos quais a psiquê do homem por trás da câmera aflora. Pegue o exemplo de Roman Polanski, que escapou do holocausto, teve a mulher morta pelo culto do Manson e expulso dos EUA por manter relações com uma menor de idade. Depois, neguinho não entende por que ele afunda tanto aquela nareba num pó e faz os filmes que faz. Os filmes de Polanski não poderiam ser de mais ninguém senão do Polanski, como os de David Lynch só poderiam ser de David Lynch (e o fato que Lynch é discretíssimo só aumenta a aura de sua oeuvre) e os de Miike só poderiam ser de Miike. Em seus filmes há muito mais do que uma trama a se decifrar - todas as escolhas estéticas e temáticas misteriosamente remontam um quebra-cabeça psicológico que se expande muito além da proposta superficial da narrativa. São filmes que contém um peso a mais e que, capturado pelo espectador, permite uma imersão muito mais intensa. No caso de "Apocalypto", é uma proposta incomum que se revela um filme de entretenimento como tanto outros, mas completamente ressecado ao seu essencial, por isso ainda incomum. Mesmo comercial, "Apocalypto" não é só mais um filme, a platéia fica incomodada e não apenas pela violência explícita. É impossível não identificar que exista algo off naquilo que, apesar de tudo, poderia passar como mais um filme a ocupar a sala com THX pelo espaço de uma semana até ser substituído e esquecido. Foi o que eu tentei encontrar ao escrever sobre o filme, mas não simplesmente aceite o que eu digo: assista e tente encontrar você também a chave para o bizarro mundo que é a mente do senhor Máquina Mortífera. Aqui eu posso "falar" sem ser interrompido, então o raciocínio flui melhor. Quando eu tiver que explicar isso vocalmente e em pessoa, vai acontecer discussão, tenho certeza.
  Bernardo Krivochein    quinta-feira, janeiro 25, 2007    2 comentários
 
 


Alain Delon no próximo filme de Johnnie To

Leia no Twitch, que leu no SAWF News.

Delon: "Johnnie To me pediu para estrelar seu próximo filme. Eu não poderia recusar uma oferta como essa." Alain Delon manja Johnnie To!

Vale lembrar que "Eleição", absolutamente ignorado pela crítica e público ao estrear no Brasil, além de estampar a capa da Cahiers de Cinema de janeiro, é a melhor bilheteria para um filme asiático lançado nos cinemas da França há muito tempo. Minha visão do filme foi razoável, mas "Exiled", a continuação de "The Mission"... um dos melhores filmes de 2006, sem dúvida. Amo de paixão. "Eleição 2" estreará no Brasil ainda este ano.

Alguém, por favor arranje um modo de exibir "O Sol Por Testemunha" em 35mm aqui no Rio? Alguns filmes precisam ser redescobertos num cinema, o que é tema para uma nota futura...
  Bernardo Krivochein    quarta-feira, janeiro 24, 2007    12 comentários
 
 


"Garoto Velho: a vingança é um polvo que se come vivo" no more? Justin Lin fora do remake de "Oldboy"

Entrevistado em Sundance, onde está apresentando sua comédia "Finishing The Game" (sobre os problemas da equipe cinematográfica para terminar as filmagens de "O Jogo da Morte" após a morte de Bruce Lee), o diretor Justin Lin disse que, por enquanto, o remake do filme de Chan-wook Park não parece que sairá do papel. Para Lin, o projeto ainda não está maduro o bastante para fazer jus ao original e sua agenda está lotada de projetos, então Lin confessou ter se desligado do remake. Não significa que "Old Boy: The Broadway Version" não irá acontecer, só não será mais liderado pelo diretor.

Justin Lin estreou em Sundance com um ótimo filme (inédito no Brasil) sobre a juventude de adolescentes marginais, descendentes de coreanos, intitulado "Better Luck Tomorrow". Depois do sucesso do filme, Lin integrou-se ao sistemão, realizando o fracassado "Annapolis" e em seguida "Velozes e Furiosos 3: Desafio em Tóquio". É nesse filme que eu queria chegar.

Você olha para a terceira continuação de uma franchise muito da discutível como "Velozes e Furiosos" sem nenhum de seus protagonistas originais e completamente desconectada daquela densa e complexa trama que guiava os anteriores. "Velozes e Furiosos 3" é um filme que não tem o menor direito de ser bom, aos olhos do público e crítica.

Eu adorei. É muito melhor do que "2 Fast 2 Furious" (que é mais gay do que "Brokeback Mountain") e bem mais interessante do que o original. Talvez seja porque japonês seja tudo excêntrico que você admite os exageros do submundo do drifting, então umas forçadas de barra como coreanos amigos de Lin fazendo às vezes de japoneses, rapper Bow Wow com pinta de malandro tendo que se livrar de yakuzas adolescentes ou que os protagonistas sejam todos do núcleo de intercâmbio são fatores facilmente perdoados se tendo o cenário sempre surpreendente de Tóquio. Acho que o casting de um ator como Lucas Black (um sujeito que sabe exatamente o tipo que representa, chegando a recusar papéis em filmes de gente como Robert Redford quando esse o pede para atenuar seu sotaque) é oportuna e muito feliz. A ação motorizada é incrível (e filmes como "Velozes e Furiosos" são exatamente isso: pornografia automobilística - o roteiro e o elenco são só convenção), utilizando muito menos CGI que os anteriores, tem um pouco mais de humor, o drama do marginal obrigado a morar com o pai no Japão é mais cativante do que os "eu sou o mais fodão da galera!" que regia os roteiros dos antecessores e o drifting dá ao filme um ângulo especial. Sem contar que a trilha sonora se livra dos hip-hops da quebrada mano e os substitui por canções de DJ Shadow (que abre o filme!) e Atari Teenage Riot ("Speed" - o que prova que houve gente de fato REFLETINDO sobre a trilha sonora) e é fantástica.
  Bernardo Krivochein    quarta-feira, janeiro 24, 2007    1 comentários
 
 



PEEKVID: Acervo de seriados inteiros e filmes asiáticos via streaming na Internet

O que separa o Peekvid de todos os outros sites derivados do YouTube é a completa falta de simancol de seu acervo: não apenas séries como 24, Prison Break e South Park tem todos os seus episódios disponíveis para serem assistidos, mas também séries, animés e filmes completos de toda a Ásia podem ser assistidos.

Olha, a qualidade é aquele flash péssimo que todos nós conhecemos e nos acomodamos, então eu sinceramente não sei a vantagem de se assistir um filme numa janela mínima e pixelada, mas lá vai. É apenas pela curiosidade. O Peekvid tem um acervo de filmes de Bollywood imenso (inclusive "Bhoot", primeiro filme de terror bollywoodiano dirigido pelo grande Ram Gopal Varma - diretor do visceral "Company" - e o insuportável remake de "Clube da Luta" com danças, muita felicidade e o torso de Zayed Khan coberto de lustra-móveis), títulos de cinema coreano pra lá de atuais ("Welcome to Dongmagkol" do qual já falamos no site, "Running Wild" e "The City of Violence", sem contar os recentemente refeitos em Hollywood "Il Mare" e "My Sassy Girl"), alguns bons chineses (o 'terrir' "Visible Secret, no qual a protagonista só consegue ver fantasmas com oolho esquerdo), japoneses ("Battle Royale" - para quem já não tem cinco versões importadas do DVD - e alguns títulos do Godzilla, incluindo-se aí o clássico trash "Godzilla vs. Megalon" - a cena de Godzilla deslizando sobre a própria cauda é um clássico momento MST3K) e sucessos tailandeses atuais ("Shutter" e "Ong Bak"). Curioso é também poder conhecer a TV coreana que invadiu o Japão com tanta força que um movimento anti-coreanos precisou ser inventado para proteger a pátria das influências. A culpa é de "Winter Sonata" e o galã flower man Bae Yong Jun.

Mas chegando na seção de filmes hollywoodianos deles, é que a ilegalidade come solta. Digamos que filmes recentes estão disponíveis para serem assistidos. E por recentes, eu digo, filmes que nem estrearam no cinema. Claro que neguinho faz isso direto no Torrent, no eMule ou no que seja (e se vaza, é culpa dessa política de screeners que é pra lá de burra - nem Matthew Barney que não quer que seus filmes sejam comercializados para serem assistidos somente no ambiente dos museus com suas exposições, se deu mal, tudo dele tá para baixar), mas ter isso escancarado a olhos vistos é... brabo.

Confesso que tenho usado para assistir aos episódios de "Friday Night Lights", baseado no filme mais-foda-do-que-brasilianistas-jamais-conseguirão-admitir-ou-compreender de Peter Berg.
  Bernardo Krivochein    terça-feira, janeiro 23, 2007    7 comentários
 
 


Sundance 07: "Little Farm" - curta em competição disponível na web.

No início do excitado texto de Quint sobre a exibição de "The Signal" noite passada, ele menciona como o curta que antecedia o longa-metragem era tão supreendente que dificilmente ele poderia ser superado (mas foi). O curta se chamava "Little Farm", de Calvin Reeder (que já dirigiu alguns longas, entre eles o elogiado-mas-desconhecido "June & July") e acompanhava a trajetória de uma família à fazenda do título. No local, eles acabam se deparando com uma manifestação espectral maligna e Reeder chuta o balde com muito gore, efeitos práticos e digitais, além de muito, mas muito humor negro.

Fuça daqui, fuça dali, encontrei o curta disponível para ser assistido no Atom Films. Imperdível. Não rio assim desde quando o Ralph chamou o superintendente Chalmers de "Super Nintendo Chalmers" em "Os Simpsons".

Faça-se um favor e clique aqui. 8 minutos que valem a pena.
Site oficial de "Little Farm"
  Bernardo Krivochein    terça-feira, janeiro 23, 2007    0 comentários
 
 


Sundance 07: "Hounddog" causa controvérsia antes mesmo de sua première
(fonte: Amy King)

É grande a controvérsia que ebule entre os conservadores sobre um filme que eles nem ainda assistiram. "Hounddog", dirigido por Deborah Kampmeier, estrelando Dakota Fanning faz sua première hoje [o filme foi exibido segunda-feira, data desta notícia] em Sundance. A fúria é por causa de uma cena em que a atriz de 12 anos é estuprada. De acordo com o New York Times, organizações como 'A Minor Consideration', dirigida pela ex-atriz mirim Donna Reed, Paul Petersen e a Fox News perpetuaram esse alerta inline. Fox diz: "Kampmeier não mostra o derradeiro estupro, mas é bem claro, segundo fontes que assistiram ao filme, que do modo como foram roteirizadas e dirigidas, as cenas em questão provocarão uma polêmica tão grande, senão maior, do que quando Brooke Shields interpretou uma prostituta pré-adolescente no clássico de Louis Malle, [Pretty Baby]" (nota: a Fox News, boa que só, faz referência a Atlantic City, do mesmo diretor, na nota original)

Dakota Fanning disse ao New York Times: "Existem tantas crianças as quais isso acontece a cada segundo", ela adicionou. "Esta é a parte triste. Se as pessoas deveriam estar discutindo sobre algo, é sobre esse assunto." Só o tempo dirá se o debate continuará uma vez que o filme atingir o grande público. Um dos comentários mais bem humorados, ironizando os conservadores, se encontra no fórum de "Hounddog" no IMDb: "Impeçam essas crianças de continuarem nascendo peladas!" A trama passada no sul americano, mostra uma garota precoce e problemática que encontra conforto na música de Elvis Presley.
  Bernardo Krivochein    terça-feira, janeiro 23, 2007    0 comentários
 
 



Sundance 07: "The Signal" torna-se a sensação do festival

"'The Signal' é a grande descoberta do Sundance Film Festival [...] O fator de escatologia supera a todos os limites [...] Este filme será um estouro. Marque o que eu digo. Ele está destinado a se tornar um clássico cult [...]"
Quint, para o Ain't It Cool News

Nós já tínhamos destacado "The Signal" como um dos títulos mais curiosos da edição de Sundance este ano, mas isso era na teoria. Na prática, a sessão da meia-noite de segunda-feira na qual foi exibida o marcou como "fenomenal", isso num ano de filmes sobre vaginas dentatas e zoofilia.

Trazendo elementos de "Videodrome" e de "Cell" de Stephen King, o texto do colaborador do site americano traz mais detalhes sobre o fio condutor da história: Mya Denton (Anessa Ramsey) está colocando chifres no marido Lewis (AJ Bowen) com Ben (Justin Welborn), mas ela é temerosa demais para terminar o casamento. Porém, um sinal está sendo misteriosamente emitido pela TV, afetando as linhas de telefones móveis e fixos. Caso alguém seja exposto ao sinal por muito tempo, instintos psicopatas afloram no indivíduo. Mya corre para casa e tenta evitar que seu marido não se vicie na transmissão. Enquanto isso, a cidade vai à loucura com uma interminável onda de assassinatos grotescos.

Cada um dos três diretores de "The Signal" (Dan Brush, David Bruckner e Jacob Gentry) se encarregou de um dos três fragmentos que compõem o longa, contado a partir da perspectiva dos três personagens principais. Ao contrário das expectativas, o ritmo do longa é fluido e uniforme, segundo membros da animada platéia que também elogiou o modo como a produção lidou criativamente com os limites orçamentários. 2007 acaba de ganhar mais um filme para se aguardar ansiosamente.

Para quem desejar apreciar um filme nesse mesmo estilo (supostamente), deve checar "The Wind", filme indiezaço de terror de 2000, um dos primeiros da onda digital nos EUA. No filme de Michael Mongillo, um vento estranho causa psicopatia a um grupo de universitários. As coisas terminam, como dizer... nada bem. Filme pequeno, comedido, insatisfatório num todo, mas bem curioso.

Site ofical de "The Signal"
Entrevista com o diretor Jacob Gentry (Bloody Disgusting)
Entrevista com o diretor Dan Bush (Bloody Disgusting)
Crítica de Quint para Aint It Cool News
  Bernardo Krivochein    terça-feira, janeiro 23, 2007    0 comentários
 
 



Sundance 07: Sonny Saito pressionado durante a relização de "Nanking"

Realizado pelo oscarizado documentarista Bill Gutentag, com co-direção de Dan Sturman, o filme utiliza imagens de arquivo, narração e dramatizações estreladas por, dentre vários, Woody Harrelson, Mariel Hemingway e Stephen Dorff, que interpretam o conteúdo de missivas de vários dos envolvidos nos eventos de 1937, "Nanking" estréia na competição oficial de documentários de Sundance, iniciado nesta sexta-feira.

Os eventos ainda são motivo de controvérsia entre China e Japão. Recentemente, os acontecimentos de Nanjing (Nanking, segundo a grafia ocidental) foram excluídos dos livros didáticos de História nos colégios japoneses, rendendo uma onda de protestos em toda a Ásia. Durante a Segunda Guerra Mundial, os soldados japoneses ocuparam a província chinesa de Nanjing, cometendo atrocidades tamanhas - pilhagem, estupros, execuções - que renderam ao episódio o título de "o holocausto esquecido". Estima-se o número de mortos entre 150.000 e 300.000.

Durante a realização do filme, vários membros da equipe de origem japonesa abandonaram o trabalho, alegando serem acusados de anti-patriotismo. Contudo, o ator japonês Sonny Saito, apesar de ser continuamente repreendido e ameaçado em seu blog, decidiu permanecer no filme. "Não sou um político, não posso dizer o que eles deveriam ter ou não feito, nem o que se deve fazer atualmente. Meu objetivo foi dar dignidade à representação dos soldados japoneses no filme", disse o ator a CNN. Saito também está em mais um esforço cinematográfico revisionista da Segunda Grande Guerra, "Cartas de Iwo Jima" de Clint Eastwood.

Link para o documentário longa-metragem "The Rape of Nanking" (1h17min). Assista com restrições, já que aparentemente existem fatos manipulados na narração.
  Bernardo Krivochein    segunda-feira, janeiro 22, 2007    16 comentários
 
 



Asfalto Vermelho: O caso Eric Red

Era muito depois da meia-noite quando vi John Ryder pela primeira vez, numa dessas clássicas sessões "Corujão" dos anos 80/90, onde os filmes programados hoje complementam o catálogo das obras mais adoradas por várias gerações. Era uma dessas sessões um pouco proibidas (pois era muito além do horário de dormir) e ao mesmo tempo um pouco permitidas (pois era fim de semana). A madrugada, quando se é criança, é imbuída de uma atmosfera ameaçadora exatamente pelas proibições paternas de conhecê-la. Se meus pais me proibiam de varar a madrugada, o motivo eu descobriria naquela noite: John Ryder. Ele me aterrorizou até as quatro da manhã e eu jamais esqueceria o momento em que, atirado do carro, a câmera faz um travelling frontal rente ao asfalto, como o calor que distorce o horizonte, aproximando-se de Rutger Hauer, se erguendo e finalmente ficando de pé, como um titã. E nós, diminutos, insignificantes e freageis, ainda no nível do solo.

Nunca me esqueci de "A Morte Pede Carona" (The Hitcher, 1986, Dir.: Robert Harmon) e nem poderia, pois nunca parei de assistí-lo desde aquela primeira vez. Mesmo com o DVD, ainda guardo a primeira edicão em VHS da América Vídeo como uma peça de colecionador, agora inútil (o filme ainda seria relançado no formato pela Flashstar Vídeo). Todas as vezes que eu o assisto (e esse fim de semana o assistirei finalente no maior e melhor formato até agora na minha experiência: o Home Theatre em HD), bastam as primeiras notas da trilha de Mark Isham e as tomadas da estrada deserta pelas lentes de John Seale para que eu me abstraia de tudo aquilo não relacionado ao filme. "A Morte Pede Carona" mudou a minha vida da mesma forma que um semi mudou a vida de Jannifer Jason Leigh.

Em tempo do lançamento do remake revoltante de "A Morte Pede Carona", dirigido por Dave Meyers e produzido pela Platinum Dunes, empresa de Michael Bay especializada em bastardizar clássicos cults do terror (se bem que eu gostei do remake de "O Massacre da Serra Elétrica" enquanto montanha-russa temática baseada no longa original de Tobe Hooper, localizada no hoje expandido parque de diversões da New Line), faz-se necessário relembrar o caso absolutamente surreal de Eric Red, roteirista-sensação nos anos 80 que enterrou não apenas sua carreira nos anos 90 (tendo que se contentar com o mesmo agente de estrelas decadentes como Bo Derek e Adam West, e a escrever as notas de uma produtora de filmes-para-vídeo para sobreviver), como também os corpos de duas vítimas de um bizarro acidente rodoviário.

Nascido em Pittsburgh em 1961, Eric Red ficou órfão de pai em 1977. Após dirigir um curta-metragem, Red se mudou para Austin, Texas. Lá ele escreveu o roteiro de "The Hitcher", sua tese de mestrado no conservatório do AFI (American Film Institue) e que foi imediatamente comprado. O filme arrecadou 6 milhões de dólares na bilheteria, mas rapidamente atingiu o status de cult, assim como "Quando Chega a Escuridão" (Near Dark, 1987, Dir.: Kathryn Bigelow), excelente terror que traduz o mito dos vampiros para a atmosfera dos andarilhos em território americano. Com a diretora Bigelow, Red escreveria uma espécie de trilogia, da qual "Near Dark" é o primeiro episódio (os outros títulos: "Blue Steel - Jogo perverso" com Jamie Lee Curtis e "Undertow - Desejo Assassino"). Mas com todos os filmes que viria a dirigir ("Anatomia de um Assassino", "Lua Negra"), "A Morte Pede Carona" é o que marcaria sua carreira, não apenas pelo modo como instituiu um híbrido de cinema de ação e terror (no caso de "A Morte...", perfeitamente balanceado), mas como sintetizou as obscuras obsessões automobilísticas violentas que permearão suas obras a seguir.

"Quaisquer sejam as explicações, há um número de similaridades entre os elementos dos filmes e roteiros não produzidos de Eric Red e o incidente na Wilshire [Boulevard]. Personagens são atropelados por carros ou caminhões nos finais de 'The Hitcher', 'Near Dark', 'Blue Steel' e 'Undertow'" [1]

Além dos acidentes automobilísitcos, eventos tensos dentro de bares ou lanchonetes estão presentes em pelo menos "Near Dark" e "The Hitcher", assim como o final do referido evento na avenida de Los Angeles. Sejam as cenas sinais de uma mente perturbada ou presságios sinistros, temos a família de vampiros cometendo um massacre dentro do bar de caipiras em "Near Dark", e a antológica cena com dedos e batatas fritas, ou o confronto psicológico entre Hauer e C. Thomas Howell e finalmente a explosão do posto de gasolina - que se inicia quando o jipe de Hauer atravessa os protões da garagem.

Em 31 de maio de 2000, Eric Red engatou seu jipe no Honda Branco ocupado pelo skatista em ascenção Kenny Hughes e sua namorada irlandesa (a quem Hughes acabara de buscar no aeroporto), parado no sinal vermelho. Hughes engata o freio-de-mão e sai do carro para verificar o estrago e confrontar o motorista. Red engata no carro uma segunda vez, forçando-o rua abaixo (nesse ponto, a namorada de Hughes salta do veículo). Red força os dois carros a subirem a calçada numa velocidade estimada de 60 km/h, destruindo um ponto de ônibus e arrastando consigo o universitário Don Roos, que fugia para o bar de sinuca Q's Billiards, em busca de segurança. Red conduz os carros para dentro do tal bar, destruindo a fachada e atingindo os clientes que assistiam a um jogo de basquete. Apenas ao atingir o balcão de madeira, os carros finalmente pararam, não sem antes vitimizar o advogado Noah Baum, que morre esmagado entre as ferragens.

E olha que a história piora.

Eric Red sai do carro atordoado ao mesmo tempo que um dos amigos de Hughes alcança o bar. O amigo do skatista vê Red, apoderado de uma vareta pontiaguda, se apunhalar no peito com o objeto. Insatisfeito com a ineficácia, Red cata um dos vários cacos de vidro no chão e com ele corta profundamentea prórpia garganta. As testemunhas do acidente imoblizam Red contra o solo e estancam a ferida, esperando as autoridades surgirem no local e tomarem as providências. Em "A Morte..." o personagem John Halsey tenta, sem sucesso, se suicidar no meio do deserto após um acidente ocorrido dentro do carro.

Red sobrevive e finalmente é processado pelos familiares das duas vítimas fatais do episódio. Surge o depoimento do próprio Red, alinhando uma série de eventos que justificariam sua atitude como "road rage" (crise nervosa psicótica de motoristas frustrados, seja pela vida pessoal, pelos congestionamentos, etc.). Surge o suposto médico de Red, que o diagnostica com "Síncope", uma condição sem causa ou cura que causa desmaios (o tal médico, descobriria-se, era um gastroenterologista, sem capacidade de tratar síncopes e teria atendido Red apenas uma vez). Red, que havia declarado falência e atravessado por um violento divórcio (sua ex-mulher contatou os familiares das vítimas e se dispôs a ser testemunha de acusação - Red pediu sua presença no hospital e declarou, entre outras coisas, o quão fácil seria cortar a garganta). A falta de provas circunstanciais faz Red sair livre desse evento, estranhamente pouco coberto pela mídia.

Mas outro caso envolvendo Red está prestes a acabar, permitindo que o diretor/roteirista possa realizar seu retorno à carreira ciematográfica: o caso da falência aberta por Red. Um processo milionário de 5 anos movido por um juiz do Texas contra Red pode acabar no momento em que Red acusar seus própios advogados de má fé, assim escapando sem nenhuma pena, multa ou prejuízo. Nesse interim, Red já anunciou ser membro da Sociedade de Cineastas de Austin (que inclui Richard Linklater, Robert Rodriguez e Mike Judge, que dizem nunca tê-lo visto ou conversado com ele nos eventos patrocinados pelo grupo) e a possibilidade de se tornar professor na universidade local (aos quais o reitor já declarou ser falsa). Hoje, Red vive junto com a jovem diretora/designer Meredith Casey em Austin, Texas. Ele pode ser facilmente encontrado dissertando sobre seus filmes preferidos no site especializado em cinema de horror Arrow In The Head, organizado por John Fallon, admirador do diretor. Não há previsão de estréia nacional para o remake de "A Morte Pede Carona".

[1] CULLUM, Paul. "Death Race 2000" In.: LA Weekly. 13 jan. 2006.

Fontes:
Death Race 2000 - Artigo da LA Weekly
Arrow In The Head
IMDb
Wikpedia - Eric Red
  Bernardo Krivochein    sexta-feira, janeiro 19, 2007    18 comentários
 
 


CCBB: Programação das Mostras de Cinema & Vídeo 2007

O núcleo de cinema e vídeo do CCBB começou 2007 pegando fogo com a mostra "Cinema de Assalto!" - uma série de filmes policiais que, entre outras coisas, traz uma cópia 35mm de "O Círculo Vermelho" de Jean-Pierre Melville (citado inúmeras vezes nesse mesmo blog por causa de "Armée des Ombres", para muitos o melhor filme do ano), que vai saber de onde eles desenterraram, mas é um tesouro imperdível. Para o resto do ano, o CCBB promete uma série de mostras e eventos instigantes. Entre os mais curiosos:

Fassbinder: Um Anarquista Romântico (26/02 a 18/03)

No 25˚ aniversário da morte do prolífico diretor alemão, uma mostra que permitirá que o público entre "em contato com uma das estéticas mais distintas dos anos 70", além de permitir um panorama sobre arte, vida e política da Alemanha contemporânea. Sem detalhes sobre a programação de filmes e eventos, mas não duvide da possibilidade de uma exibição non-stop de todos o seriado "Berlin Alexanderplatz", a mais longa narrativa cinematográfica já feita e recentemente restaurada para ser exibida em festivais mundo afora (e ser lançada em DVD pela Criterion Collection durante o ano). Curadoria de Ruy Gardnier.

Robert Bresson e o Cinema Contemporâneo (4-22/04)

A mostra pretende abordar a cinematografia do diretor francês - cuja estética sonora é um de seus maiores méritos artísticos - e seu impacto no cinema através da exibição de filmes influenciados por Bresson (títulos prometidos vão de Godard, Ming-liang a Manoel de Oliveira e Bertrand Bonello). Não leve objetos afiados para a sessão de "Au hasard Balthazar": você poderá utilizá-los contra seus próprios pulsos ao final da sessão. Curadoria de João Juarez Martinez.

(nota: podemos considerar a mostra "E o som se fez!"- 30/06-22/07: Curadoria de Taís Bastos - uma extensão dessa: a referida mostra contará com a exibição de "Uma mulher é uma mulher" - Godard e "O Sacrifício" - Tarkovsky)

Analógico Digital (9-17/05)

Continuação do ciclo "Arte em Movimento", uma série de eventos (exibição de filmes, palestras, debates) sobre o futuro das artes cinematográfica frente ao desenvolvimento tecnológico. Há um foco na exibição em película de filmes realizados ou finalizados digitalmente. Esse é um dos assuntos que mais me instigam, mas: 1) toda palestra sobre o assunto que vi só chove no molhado; 2) acho esquisita - mas bastante intrigante - a exibição de filmes em película num evento sobre os efeitos da tecnologia, especialmente com o impacto da distribuição digital. É esperar para ver. Curadoria de Gustavo Galvão.

José Mojica Marins - 50 Anos de Cinema (23/07-19/08)

Em ano de "Encarnação do Demônio" (é verdade o rumor de que há uma maldição em torno do filme? Eu apostaria que é culpa do roteiro do Dennison Ramalho, que deve ser heavy-metal), que jeito melhor de comemorar o retorno de um dos personagens mais icônicos da cultura brasileira do que com uma mostra de seus filmes? Quem resiste à oportunidade de ver, em linda e gloriosa película 35mm, "A meia-noite...", "Esta noite.." e a antológica cena de zoofilia em "24 horas de sexo explícito"? Tem debate também, se você curte esse tipo de fetiche. Curadoria de Eugênio Puppo.

Alexander Kluge - O Quinto Ato (24/09-07-10)

Renovou o cinema alemão. Um dos fundadores do Manifesto Oberhausen (26 jovens diretores que convocaram os profissionais a fundar um novo cinema nacional e acabar com a apenlinha do cinema bras... alemão). Experimentador, criticava o cinema comercial e a televisão através da criação de uma contra-esfera pública, explorando ainda os conceitos de montagem vertical do vídeo. Não conheço nada do sujeito, é por isso que eu quero ir. Curadoria de Jane de Almeida.

Animê (19-21/10)

A mostra conta com o apoio da Fundação Japão e se resume como um retrospecto da história do animê. Minha pergunta: por que se ater somente às raízes (teve algo similar no Festival de Los Angeles de anos atrás)? Claro que ver coisas como os primeiros trabalhos do Studio Ghibli e do Osamu Tezuka (inclusive taí a oportunidade de se exibir "Aru machikado no monogatari" ou na França "Histoires du Coin de la Rue"), mas e as obras do Studio 4C (Satoshi Kon, Michael Arias), ou os trabalhos mais recentes e inéditos de Mamoru Oshii ou o "Tales From The Earthsea" do filho do Miyazaki? Não sei quem será o curador, mas escute o apelo de milhares de fãs que dependerão dessa mostra para ter a oportunidade de asssitir numa tela apropriada esses filmes, que raramente chegam por aqui: traga o maior número deles possível! Seca a conta da Fundação Japão! Assalte os cofres do BB!

Que situação hein, Debord? (24/10-11/11)

Ai... essa tiradinha já no título da mostra foi de matar o guarda. Guy Debord, mentor dos Internacionais Situacionistas, crítico da Sociedade do Espetáculo, cujos escritos teriam inspirado as revoltas de maio de 68, forneceu uma das maiores fontes de inspiração/usurpação para alguns dos maiores nomes da nouvelle vague, inclusive o sr. Godard, que nunca admitiu. Bem, os filmes de Debord serão exibidos nessa rara oportunidade, junto com ciclo de palestras e debates. "A Sociedade do Espetáculo/Comentário sobre a Sociedade do Espetáculo", lançado pela editora Contraponto há alguns poucos anos atrás, é leitura fundamental e o paradoxo de Debord não diminui nem um pouco a observação aguçada de uma sociedade encurralada pelas leis do consumo. Curadoria de Marcus Bastos.

E para finalizar com um gemido de prazer:

Festival Jodorowsky (28/11-09/12)

Os filmes de Jodorowsky vêm, os cartazes vêm, os quadrinhos vêm, os palestrantes vêm, a taróloga vem. E o próprio Jodorowsky vem. Com essa informação, cinéfilos, nerds, intelectualóides e fãzóides, num gemido uníssono, acabaram de perceber que perderam o ano e não vão fazer nada direito até o sujeito chegar. Curadoria de Guilherme Marback.
  Bernardo Krivochein    quarta-feira, janeiro 17, 2007    27 comentários
 
 


"Eu Não Quero Dormir Sozinho" e você?



Quando meu filho era pequeno, a pediatra me explicou algo que nos tirava do sério há meses: crianças, mesmo recém-nascidas, não gostam de dormir sozinhas. Elas fazem de tudo para ter companhia. Passado 10 anos, meu filho ainda hoje, todos os dias antes de dormir, pereguina pela casa tentando convencer a mim, ao pai, a prima, ou quem mais estiver nos visitando sobre a possibilidade de alguém deitar ao seu lado. Todo dia pergunto a ele: porque você não gosta de domir sozinho?

Quando me deparei com o título do último filme de Tsai Ming-Liang disse a meu filho que iria a este filme para ver se compreendia melhor o seu enigma do "Eu Não quero Dormir Sozinho".

Interessante a trajetória de Tsai Ming-Liang que saiu de um super-colorido e maluco "The Wayward Cloud" ou "O Sabor da Melancia" (2004, França / Taiwan, 112 min.) que é uma comédia musical ( que em alguma coisa lembra o absurdo-incompreendido-do- Indie-2006-desaprovado-longuíssimo-repetitivo- mas-de-qualquer-maneira-inédito "Naisu No Mori"... algum traço de galhorfa nonsense constrangedora, vc concorda?) para uma pausa escura e silenciosa em "Eu Não quero...".

Para os que ainda não viram, Tsai Ming-Liang volta a seu país de origem, a Malásia (ele mudou-se para Taiwan com 20 anos), para filmar sob uma névoa pesada e úmida que cai sob Kuala Lumpur, uma cidade onde nativos e imigrantes chineses e indianos convivem sem falar a mesma língua. Hsiao-Kang (Lee Kang-Sheng), um sem teto chinês, está abandonado depois de sofrer um assalto mas é salvo por um grupo de trabalhadores indianos, entre eles está Rawag (Norman Atun). Este moço indiano cuida de Hsiao-Kang com tamanha devoção, lhe dá banho, comida, e o deixa dividir o mesmo colchão. No início do filme, o colchão parece ser tudo. Um colchão velho abandonado pode siginificar muito na vida de um sem-teto. Encontrado na rua por Rawag, transporta o mendigo quase-morto, é lavado, arrumado para ser um lugar de descanso na sua improvisada casa dentro de um fábrica abandonada, mas que possui algo essencial para todos, mas principalmente para um indiano: água.

Mas quando se descreve rapidamente a sinopse de "Eu Não quero...", esta não revela exatamente o processo conceitual do filme, já que estamos diante de um filme que não é de forma alguma calcado numa narrativa ou numa história, mas sim em pequenas ações dos personagens. O tempo é outro, uma sinopse ao resumir uma insegura trajetória do olhar, aniquila a sensação ( acho que a idéia é esta mesmo que você fique inseguro). Torna-o palatável demais, fácil demais e isto não corresponde ao filme em si. "Eu Não quero..." se arrasta em imagens quietas, escuras e quase ( se não fosse cinema, eu diria) estáticas, aos poucos você conhece e acompanha Rawag, e as feições e comportamento de Hisiao-Kang também são observadas pela câmera à distância. Talvez não tenha nem um plano muito fechado no rosto de Hisiao-Kang, eu não conseguiria descrever seu rosto ( Lee Kang-Sheng que faz Hisiao-Kang é o ator fetiche de Ming-Liang e está em todos os seus filmes desde 1991).

O filme se passa nesta cidade, em torno destes personagens meio perdidos neste centro urbano abandonado e em resumo, ainda fazem parte dele uma mulher chinesa decadente dona de um bar que quase escraviza a garota Chy (Shiang-chyi Chen) que cuida também de um ancião em coma. Não há nada muito claro. Mas o cinema de Ming-Liang é sobre estas obscuridades e novamente sensações impressionantes de pequenas realidades que dizem muito mais do que a verdade.

Interessante observar que o cinema não combina muito com a verdade. A verdade é algo que não se pode dizer em palavras, dizem os budistas, mas tão pouco pode ser mostrada pela ilusão do cinema, não é mesmo? O cinema nos ilude e por isso saca em nós todo este gozo mais do que absoluto de entendermos que a verdade é mera ficção e que portanto podemos nos mergulhar nestes minutos de êxtase fantasmagórico, fantasioso, no qual não somos ninguém, a não ser aquele que tudo quer ver.

Mas de repente em "Eu Não Posso Dormir Sozinho" ("Hei yan quan"), você começa a enxergar aos poucos algumas verdades. Me perguntava por que o indiano Rawag cuidadava com tanto carinho de um desconhecido que ele encontrou na rua, porque alimentava-o, limpava-o e dava-lhe um lugar para dormir a seu lado, enquanto que a rebelde Chy cuidava com tanto eficiência e desprezo daquele velho ancião em coma? No amor, tudo é viável? Por que podemos gostar ainda mais de um outro estranho do que daquele que cuida de nós? Ao tentar enxergar o próprio filme e sua possível revelação deste rosto no bréu, vislumbra-se, como na água daquela piscina, como nasce o amor, ao mesmo tempo que nasce a escravidão. O abandono, o silêncio da solidão, o ato do amor , podem estar resumidos em pequenos atos, para si quase invisíveis. "Eu Não quero Dormir Sozinho" é assim, em certo sentido, uma pequena verdade muito próxima daquilo que todos nós sabemos o que é mas que é inominável em nós.

Retorno ao meu filho um pouco mais intrigada do que sai para a sessão, mas com um pouco mais de sagacidade.

(Francesca Azzi)
  INDIE    quarta-feira, janeiro 17, 2007    2 comentários
 
 



Atriz da série "Cream Lemon" brutalmente assassinada pelo próprio irmão
fonte: Twitch IPC Digital

Os restos do corpo da atriz Azumi Muto foram encontrados mutilados e separados dentro de quatro sacos de lixo, do lado de fora de seu apartamento, em 3 de janeiro. As investigações da polícia local descobriram que o crime, provavelmente ocorrido vários dias antes (por volta de 30 de dezembro), fora perpetuado por seu próprio irmão. O acusado, Yuki Muto, justificou o crime pela "pressão social" de ser associado aos papéis da irmã em filmes "exploitation" e pelas adjetivação diminutivas deferidas por sua irmã a ele.

É uma história triste, mas que se torna (ainda) mais esquisita porque Muto foi a protagonista da quinta continuação da série "Cream Lemon" para o vídeo. A adaptação do hentai - que teve seu primeiro filme exibido na última edição do Indie - gira em torno do amor incestuoso entre um casal de irmãos-mas-apenas-no-papel.
  Bernardo Krivochein    terça-feira, janeiro 16, 2007    3 comentários
 
 


Para quem tinha alguma dúvida de que "The Host" é muito mais do que um filme coreano mainstream de monstro:



...prazer em esclarecer.

O longo artigo para a ArtForum desse mês foi escrito por Gary Indiana. Na Letras & Expressões (RJ), a revista/catálogo/bíblia costuma sair por um pouco menos de 60 reais, mas só deve chegar a partir do meio de janeiro. É salgado, mas sem querer fazer o "cult" ou o "intelectualóide que dispensa centenas de reais com revistas importadas metidas a besta", as edições da ArtForum que dedicam as capas a algum filme costumam ter os melhores textos sobre cinema escritos atualmente, então quem tiver um dinheiro sobrando, dê para a caridade. Se continuar sobrando, aí você compra.

Ano passado, a edição com a capa dedicada a "Zidane - Un Portrait du XXIe Siècle", além de um artigo foderoso do mencionado filme, tinha uma reportagem ótima sobre "Juventude em Marcha" e o cinema de Pedro Costa. A seguinte, tinha um texto sobre o Kiyoshi Kurosawa, a quem eu sou doido de montar uma retrospectiva de toda a obra por aqui - onde ele é conhecido e adorado, mas não é exibido em salas de cinema.

  Bernardo Krivochein    domingo, janeiro 14, 2007    10 comentários
 
 



Descendo a Estrada Zyzzyx: como a pior bilheteria da História deslanchou uma batalha entre mídias e formatos
fonte: CHUD, Box Office Mojo

Se ninguém nunca esperava, foi porque ninguém - ou quase ninguém - nunca viu. Devin Faraci, crítico e repórter do site CHUD, foi informado de um pequeno, mas curioso factóide: a pior bilheteria de todos os tempos pertencia a um tal "Estrada da Morte" ("Zyzzyx Road", disponível em DVD nacional pela Califórnia Vídeo), dirigido por Jon Penney e estrelado por Tom Sizemore, Katherine Heigl e Leo Grillo, esse último também dono da Leo Grillo Productions, que realiza filmes nos quais o próprio Grillo possa estrelar. O excêntrico nome do filme (pronuncia-se "Zai-zix") é baseado numa estrada real, assim batizada com o intuito de ser a última palavra dos dicionários e guias turísticos. O contador Grant (Grillo) conhece Marissa (Heigl) em Las Vegas e os dois fazem o demônio de duas costas num motel de beira de estrada. Mas o namorado de Marissa os flagra e, acidentalmente, Grant o mata. O casal enterra o presunto na estrada título e a culpa o lança num thriller "pispicológico".

"Zyzzyx Road" foi exibido durante uma semana no Highland Village Park Theater em Dallas, Texas - como mero cumprimento de acordo com os demais financiadores e distribuidores internacionais (que exigem exibição em circuito como parte do contrato e para tirar dos filmes o estigma de "diretos para o vídeo"), uma prática normal para vários filmes. O total especulado de uma semana em cartaz: 30 dólares. Futuramente, ao ser entrevistado pelo próprio Faraci, Grillo revelaria que, na realidade, a bilheteria real foi de 20 dólares, uma vez que dois dos ingressos foram ressarcidos pelo próprio Grillo a dois membros da equipe de seu próximo filme, curiosos para conhecer o seu trabalho. Faraci então partiu para a missão de encontrar pelo menos um dos raros espectadores que pagaram para assistir "Zyzzyx" nos cinemas, o que rendeu mais artigos e estendeu a fama da história - no mesmo dia, reproduzida por vários blogs e sites.

Até o momento em que o repórter Dade Hayes reproduziu a história no jornal Variety, dedicado aos profissionais da indústria de entretenimento. O mesmo Variety que reproduziu as seguintes palavras de desprezo ao jornalismo de internet: "Se alguém parece que não tomou banho ou não sai de casa por semanas, ele provavelmente é um blogger." (Peter Bart)

A história de Faraci foi descaradamente roubada pelo jornal (com direito a plágio) e a fonte - um site de Internet - foi devidamente ignorada. Os protestos se espalharam como rastro de pólvora e, temendo uma retaliação, uma menção tardia e incomodada foi feita, respeitando a mentalidade jornalística arcaica do formato.

Mas as batalhas não terminam por aí: durante as filmagens de "Zyzzyx", uma outra produção chamada "Zzyzx" (Richard Halpern) iniciou uma batalha pelos direitos de utilização do título. Grillo ganhou o primeiro round, afastando a produção concorrente com uma ordem de suspensão e extinção. Mas não só o filme foi realizado como o diretor Halpern disponibilizou o seu filme pela internet e deixou nas mãos do público a decisão de qual dos dois filmes é o melhor.

Se o caso de Faraci com a Variety remete à discussão sobre o papel da crítica e os novos formatos (há um ótimo texto na Revista Cinética sobre isso), o caso de Grillo e Halpern só estende a insustentabilidade do formato tradicional de distribuição para a contemporaneidade, talvez pelo excessivo número de filmes sendo realizados, também uma questão colocada em foco pela Cahiers du Cinema na segunda metade do ano passado. E se a sala de cinema é mero protocolo para os distribuidores internacionais de determinado filme, que vislumbra principalmente o mercado de DVD? E se a internet se torna o único meio de exibição para determinados filmes? E se nem exibição no cinema não garante que seu filme seja visto, como fazê-lo ser notado entre os incontáveis vídeos da Internet? Como fazê-lo se distingüir entre os demais?

Assista blocos de pixels aparentemente organizados como o filme "Zzyzx" através de Google Vídeo clicando aqui.
  Bernardo Krivochein    sexta-feira, janeiro 12, 2007    1 comentários
 
 



Vigiando os Festivais: Assis em Rotterdam, 7 brasileiros em Palm Springs e alguns destaques da próxima edição da SXSW.

"Baixio das Bestas", segundo longa de Claudio Assis (Amarelo Manga) estará competindo pelo Tiger Award, na mostra principal do Festival de Rotterdam. O prêmio vislumbra os primeiros e segundos filmes de diretores de todo o mundo. "Baixio..." ganhou o prêmio de Melhor Filme na última edição do Festival de Brasília debaixo de muita polêmica e tem previsão de estréia nacional para o dia 11 de maio. Tão interessantes são os debates e oficinas que acontecem ao longo do festival - incluindo círculo de debates como o "What (is) Cinema?", "Exposing Cinema" e "Happy Endings" - sobre os novos meios de distribuição cinematográfica - mas que promove o contato entre os cineastas através de um torneio de futsal (!!!). E eu que sempre achei que a festa de abertura do Indie deveria é ser um churrascão em cima da laje, com grelha de tijolo no chão e tudo o mais...

Na reta final, o festival de cinema de Palm Springs termina na próxima segunda-feira. Neste ano, foram exibidos nada menos do que sete longas brasileiros na programação: "Os 12 Trabalhos" de Ricardo Elias, "Antônia" de Tata Amaral, "O Maior Amor do Mundo" de Cacá Diegues, "Cinema, Aspirinas e Urubus" de Marcelo Gomes, "Eu Me Lembro" de Edgar Navarro, "O Passageiro" de Flávio Tambellini e "Zuzu Angel" de Sérgio Rezende.

E, para fechar, um dos maiores celeiros de talentos independentes dos EUA, o mega-festival South By Southwest - que abrange uma numerosa maratona de filmes e shows - se prepara para sua edição 2007 em Austin, Texas. A programação ainda está recebendo candidatos, mas é certo que "The Lookout", début do roteirista Scott Frank ("Irresistível Paixão") na direção, abrirá o festival. Além destes, o mais novo longa de Andrew Bujalski, o documentário sobre a vocalista do trio R&B TLC "The Last Days of Left Eye", "Manufacturing Dissent", "What Would Jesus Buy?", "Suffering Man's Charity" e "638 Ways To Kill Castro". Os filmes de terror ganharão um foco todo especial, com direito a mesa redonda mediada por Harry Knowles (AICN) e com participação de Eli Roth. Entre os filmes do gênero: "Black Sheep"(ovelhas mutantes), "Mulberry St." (ratos-zumbi), "Grimm Love" (alemão canibal), "Sisters" (remake do filme de DePalma, dirigido pelo talentoso Douglas Buck, mas que parece que é uma droga, de acordo com o burburinho de Sitges) e "Borderland" (jovens que se perdem por aí). Um dos destaques é "Hannah Takes The Stairs", novo longa de Joe Swanberg, que também assina a vinheta do SXSW deste ano.

E aguardem: só faltam 7 meses para o INDIE 2007.
  Bernardo Krivochein    sexta-feira, janeiro 12, 2007    1 comentários
 
 


"O Sacrifício" é o melhor filme do ano
fonte: ennonsti; Arrow In The Head

Eu perdi "O Sacrifício" (The Wicker Man, de Neil LaBute) quando esse foi exibido no Festival do Rio e nos cinemas... rapaz, como eu estou arrependido. Neil LaBute é um dos meus roteiristas favoritos, sempre criticado pela misoginia latente de seus roteiros cinematográficos e/ou teatrais (na realidade, revelando uma sociedade ainda tão machista que poderíamos puxar as mulheres de volta para a caverna pelos cabelos, confortavelmente pelas ruas). O remake de "O Homem de Palha" (Robin Hardy, 1973), como todos os remakes - independentes da qualidade final - era desnecessário, mesmo embora não fosse nenhum apaixonado pelo original (mas, ao que parece, eu só assisti a versão curta do filme). Mas é a pósmodernidade e o original não interessa, e sim como o subvertemos.

Nada mais justo, então. Para a cover do "Homem de Palha", foi criada uma versão resumida que transforma "O Sacrifício" em dois minutos de insanidade cômica - a história do policial (Nicholas Cage) investigando a misteriosa comunidade onde sua filha, morta num acidente, foi vista, se transforma na história de um completo babaca a solta pela cidade, socando mulheres gratuitamente! Entre as cenas, os destaques são Cage fantasiado de urso caindo na porrada com mulheres, arrancando a máscara de crianças incautas, roubando bicicletas e "AS ABEEELHAS!!!"

Aparentemente, todas as cenas dessa versão fazem parte dos 20 minutos finais do longa de LaBute e são ainda mais engraçadas DENTRO do contexto do terrível (segundo terceiros) filme. Nenhum filme que tem Nicholas Cage batendo em menininhas pode ser ruim. Eu já quero comprar o rolo em 35mm desse filme e passá-lo em sessões da meia-noite. Pronto: meu pé de meia já está feito.

Assista e veja se você resiste a não sair correndo para a locadora alugar o filme - recentemente lançado pela Califórnia Vídeo.

  Bernardo Krivochein    quarta-feira, janeiro 10, 2007    3 comentários
 
 



Quem quer ver um homem ter o cólon perfurado pelo pau de um cavalo, levante a mão!*

fonte: The Documentary Blog

No meu post sobre os filmes selecionados para Sundance - que é daqui a pouco, assim como Rotterdam - eu passei batido pela seção de documentários (exceto pela menção ao filme de abertura). Agora, chega a minha atenção "Zoo", documentário de Charles Mudede e Robinson Devor. A dupla já havia dirigido o excelente "Police Beat", uma espécie de "Juventude em Marcha" em Seattle e de bicicleta, mas que periga desaparecer sem ser descoberto por permanecer sem distribuidora.

"Zoo" conta a história por trás do "caso de sexo com cavalo de Enumclaw". Ou seja, o famoso vídeo de Kenneth Pinyan, conhecido na Internet por Mr. Hands, que morreu após dar o cu para um cavalo e sofrer inúmeras perfurações naquilo que já foi bem perfurado pelo Senhor. Como isso aconteceu? Bem, procure você mesmo pelo vídeo "Mr. Hands Gets Fulfilled" no eMule (que mundo irônico). Não se preocupe: esse vídeo não tem distribuição no Brasil, então não é pirataria.

O do-cu-mentário, anteriormente chamado "In The Forest There Is Every Kind of Bird", explora a própria tolerância do espectador, até onde poderíamos aceitar a perversão de terceiros, abordando o caso de várias pessoas que, na surdina, mantém seus furicos preenchidos por pirocas eqüinas em saus fazendas. Dar o cu - e comer também - para cavalos é a "onda" desse pessoal, até que o tiro saiu pela culatra (e muito sangue e coágulo também) e foi instituída a Lei de Pinyan, que proíbe os indivíduos de colocarem as quilométricas trombas dos cavalos dentro de si.

"Papai, cavalo tem tromba?"

Ô se tem, minha filha. Imagino se, segundo o citado site sugere, os diretores optarem por uma veia a la "O Homem-Urso", que música metaforizando a temática eles optarão para os créditos finais? Eu sugiro uma da Beth Guzzo, cujo refrão era: "ê, peão/peão que é bom já sabe/cavalo que salta rodando/mulher que ama gritando/não é defeito não, meu irmão/é qualidade!", mas "Ela deu o rádio" do Genival Lacerda também é uma boa pedida. E quão a sério as pessoas levarão o filme que posicionaria dar o cu para um cavalo uma questão de risco de vida como o tal do Timothy que virou lanche do Zé Colméia. "Perigo: Cavalos!" Acho que no Brasil, a bestialidade já está bem integrada a cultura popular: é o protagonista comendo o cu da galinha em 'Menino de Engenho" e o vídeo daquela babuíno da Daniela Cicarelli se reproduzindo com empresário paulista - aquele animal que proibiu o YouTube.

O quão explícito o filme será, é esperar o burburinho de Sundance para saber. "Zoo" já teve seus direitos de exibição garantidos pela ThinkFilm, uma distribuidora que ano a ano tem feito as apostas mais arriscadas em termos de lançamentos. Claro, estou me mordendo de vontade para exibi-lo no Indie. Fiquei agora com vontade de fazer um documentário do Goatse ou do Tubboy.

*para ser cantada ao som da clássica "Levante a mão" de Gorila e Preto.
  Bernardo Krivochein    terça-feira, janeiro 09, 2007    3 comentários
 
 


Cahiers du Cinema: Top 10 de 2006 (Post em Estado Provisório)

Essa vai a pedido do Lucas Moreira e também pra saciar minha própria curiosidade - saiu hoje a lista dos melhores filmes segundo os críticos e leitores da Cahiers du Cinema. Vou tentar adicionar mais o Top de 2005 (que não tem formalmente em site nenhum, apenas as listas até 2004) da mesma publicação, mas outras listas interessantes que surgiram em várias outras fontes desde o último post. Como eu estou no trabalho, não posso abusar do tempo livre. A lista, rápido:

Top 10: Críticos (Votação de Vários/Mentalidade de Colméia)

1) (empate) Coeurs (Alain Resnais)
(empate) O Sol (Solnste, Alexander Sokurov)
3) The Host (Gwoemul, Bong Joon-ho)
4) Lady Chatterley (Pascale Ferran)
5) Un couple parfait (Nobuhiro Suwa)
6) (empate) Ces rencontres avec eux (Danièle Huilet & Jean-Marie Straub)
(empate) A Dama na Água (Lady in the Water, M. Night Shyamalan)
(empate) Capote (Bennett Miller)
9) Os Infiltrados (The Departed, Martin Scorsese)
10) (empate) A Conquista da Honra (Flags of our Fathers, Clint Eastwood)
(empate) O Novo Mundo (The New World, Terrence Mallick)

Top 10: Leitores (Votação de Vários/Mentalidade de Colméia)

1) Lady Chatterley (Pascale Ferran)
2) Os Infiltrados (The Departed, Martin Scorsese)
3) Coeurs (Alain Resnais)
4) Volver (Pedro Almodóvar)
5) O Sol (Solnste, Alexander Sokurov)
6) Miami Vice (Michael Mann)
7) Maria Antonieta (Marie Antoinette, Sofia Coppola)
8) Flanders (Flandres, Bruno Dumont)
9) O Crocodilo (Le Caïman, Nanni Moretti)
10) Dans Paris (Christophe Honoré)

Comentário muito brusco: Sem querer acusar ninguém de nada, mas quanto a essa lista dos leitores...

Lady Chatterley - capa da Cahiers de Novembro
Os Infiltrados - capa da Cahiers de dezembro
Miami Vice - capa da Cahiers de julho-agosto
Maria Antonieta - capa da Cahiers de maio
Dans Paris - capa da Cahiers de outubro

... sem contar que Jean-Michel Frodon, cabeça da revista, saiu em defesa enraivecida a de "Flandres" do Bruno Dumont (que só eu e a Raphaela gostamos, a resposta foi negativa no Brasil em todos os festivais que passou e com todas as pessoas que conhecemos) e deu-lhe um puta destaque ao "Crocodilo" do recém-demitido do Festival de Turim, Nanni Moretti (que estava querendo transformar o festival - notoriamente independente e cabeçudo - em uma "celebração", isto é, festival com muito luxo, festa e ostentação e menos cinema). Não é uma acusação, mas uma suspeita que eu tenho que os leitores da Cahiers todo ano votam suas listas na esperança de fazê-las bater, filme a filme, com a lista oficial dos escritores da revista.

É um comentário escroto (bem adequadamente escroto, já que veio de mim), mas é uma suspeita sincera. E que, claro, não tira o mérito da qualidade de ambas as listas. Na realidade, eu também posso ser colocado em cheque, já que um dos meus filmes preferidos de 2006 também fez capa da Cahiers - mas não foi citado em nenhuma lista, de nenhum dos posts. Estou doido para assistir a "Dans Paris", mesmo embora eu seja bem dividido com o filme anterior de Christophe Honoré, "Ma Mère", adaptação do romance do heavy-metal George Bataille ("A História do Olho", que é cacetudo). E, calro, bom saber que existe alguém no mundo com quem eu possa rasgar seda sobre "Flandres" (agora é a minha vez de gostar de um filme do Dumont, finalmente! Posso?) E o dia que as pessoas entenderem que "The Host" é muito mais do que ele se apresenta (o que já é foda o bastante), elas terão uma revelação divina que as fará esporrar nas calças por 15 minutos a fio e o filme se tornará um sucesso de bilheteria tão grande que vai faltar dinheiro em circulação no mundo.

Perceba ainda que ambas as listas são encabeçadas por filmes nacionais. Seria complô para firmar a hegemonia do filme francês no circuito internacional de arte, aproveitando-se da celebridade da publicação? Seria o reconhecimento de uma indústria cinematogreafica francesa que, mesmo apelando para os blockbusters populares, ainda possui uma corrente de autores ora novos, ora que se renovam? (e será que Resnais permanecerá ausente no Brasil por mais um carnaval? Depois de "Pas sur la bouche", inédito por aqui, será que "Coeurs" encontrará distribuição no Brasil?)

Olho essa lista - que vai rodar o mundo e ser discutida em todos os países - e ver como uma publicação de qualidade ajuda a promover o seu cinema, uma publicação que não abriu as pernas e passou a ser publicada em inglês (mas existem alguns artigos traduzidos no site, sim), mas nem por isso deixou de ser influência - aproveitando-se de sua época dourada, claro, mas pelo menos ela teve uma época dourada, o que é mais do que as outras publicações podem se gabar. A capa desse mês é um still do Simon Yam em "Election" do Johnnie To (tee hee, "Exiled" é tão melhor...). Caralho, eu quero entrar numa banca e comprar uma revista com Simon Yam na capa - em português! Pode ser a "Revista de Cinema", a "G Magazine", a "Globo Rural", mas eu bem que gostaria. O resto desse parágrafo foi deletado.

Link para a lista da Cahiers du Cinema
  Bernardo Krivochein    quinta-feira, janeiro 04, 2007    7 comentários
 
 
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