blogINDIE 2006


Os Melhores Filmes de 2006 (segundo os americanos)

Decidi que não vou fazer lista de favoritos esse ano. Ao mesmo tempo que já fui muito estúpido ao acusar as pessoas que compõem descontraidamente suas listas de "melhores" de psicopatas com complexo de superioridade para supercompensar sua irrelevância social, vou firmar o pé e assumir que não me sinto - nunca me senti - confortável me colocando nesse papel de juiz. Quem sou eu para dizer quais os filmes merecem atenção - independente se os chamo de "melhores" ou "favoritos"? Eu não sei porra nenhuma de cinema. Duvido que um dia eu aprenderei qualquer coisa sobre o assunto.

Sem contar os filmes que não vi, que não pude ou não quis ver. Que não vi "Syndromes and a Century". Que não vi "I don't want to sleep alone" e não entendendo porque a dona Francesca Azzi não escreveu uma resenha, já que ela fez o favor de esfregar o ingresso escaneado no meu focinho, aqui nesse mesmo blog.

Bem, a minha idéia era que a equipe desse blog mais os seus dois leitores postassem suas listas de filmes favoritos assistidos no ano e que eu comentasse com esse desaforo todo especial que aprendi na sarjeta - fica a proposta para quem quiser se aventurar. Nesse post, vamos poupar ao leitor o trabalho de se aventurar pela Internet e reunir aqui as listas norte-americanas mais interessantes postadas por publicações renomadas, traduzidas e comentadas (e perdoem qualquer coisa, estou batendo cada item a mão, sem cut and paste nem nada):

Cinematical (Chris Ulrich)

1) Os Infiltrados (The Departed, Martin Scorsese)
2) Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, Jonathan Dayton & Valerie Faris)
3) Filhos da Esperança (Children of Men, Alfonso Cuarón)
4) A Rainha (The Queen, Stephen Frears)
5) O Plano Perfeito (Inside Man, Spike Lee)
6) Cassino Royale (Casino Royale, Martin Campbell)
7) O Bom Pastor (The Good Sheperd, Robert DeNiro)
8) A Ponta de um Crime (Brick, Rian Johnson)
9) Vôo 93 (United 93, Paul Greengrass)
10) Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth, David Guggenheim)

Film Comment (Votação de Vários/Mentalidade de Colméia): Lista de Filmes Distribuídos Comercialmente

1) Os Infiltrados (The Departed, Martin Scorsese)
2) A Morte do Sr. Lazarescu (Moartea domnului Lazarescu, Cristi Puiu)
3) L'Armée des Ombres (Jean-Pierre Melville - 1969)
4) A Criança (L'Enfant, Jean-Pierre & Luc Dardenne)
5) A Rainha (The Queen, Stephen Frears)
6) Borat (Larry Charles)
7) Half Nelson (Ryan Fleck)
8) Vôo 93 (United 93, Paul Greengrass)
9) Volver (Pedro Almodóvar)
10) INLAND EMPIRE (David Lynch)
11) Three Times (Hou Hsaio-hsien)
12) O Homem Duplo (A Scanner Darkly, Richard Linklater)
13) (empate) Old Joy (Kelly Reichardt)
(empate) A Conquista da Honra (Flags of Our Fathers, Clint Eastwood)
14) Tristram Shandy: A Cock And Bull Story (Michael Winterbottom)
15) O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, Guillermo Del Toro)
16) Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima, Clint Eastwood)
17) Admiração Mútua (Mutual Appreciation, Andrew Bujalski)
18) A Última Noite (A Prairie Home Companion, Robert Altman)
19) Filhos da Esperança (Children of Men, Alfonso Cuarón)
20) Cassino Royale (Casino Royale, Martin Campbell)

Film Comment (Votação de Vários/Mentalidade de Colméia): Lista de Melhores Filmes sem Distribuição Comercial

1) Síndromes e um Século (Syndromes and a Century, Apichatpong Weerasethakul)
2) The Host (Gwoemul, Bong Joon-ho)
3) Juventude em Marcha (Pedro Costa)
4) Eu Não Quero Dormir Sozinho (I Don't Want To Sleep Alone, Tsai Ming-liang)
5) Zwartboek (Paul Verhoeven)
6) (empate) Still Life ( Jia Zhang-ke)
(empate) Woman on the beach (Haebyonui yoin, Hong Sang-soo)
7) Coeurs (Alain Resnais)
8) Bela Para Sempre (Belle Toujours, Manoel de Oliveira)
9) Offside (Jafar Panahi)
10) Ventos da Liberdade (The Wind That Shakes The Barley, Ken Loach)
11) Brand Upon The Brain! (Guy Maddin)
12) Bamako (Abderrahmane Sissako)
13) Eleição - O Submundo do Poder (Election, Johnnie To)
14) Southalnd Tales (Richard Kelly)
15) In Between Days (So Yong Kim)
16) No Silêncio Divino (Into Great Silence, Philip Gröning)
17) When the Levees Broke (Spike Lee)
18) Dia Noite Dia Noite (Day Night Day Night, Julia Loktev)
19) The Go Master (Tian Zhuangzhuang)
20) Red Road (Andrea Arnold)

ARTFORUM: John Waters (diretor)

1) Vôo 93 (United 93, Paul Greengrass)
2) Jackass Number Two (Jeff Tremaine)
3) O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland, Kevin MacDonald)
4) Shortbus (John Cameron Mitchell)
5) Os Infiltrados (Martin Scorsese)
6) Sherrybaby (Laurie Collier)
7) O Plano Perfeito (Inside Man, Spike Lee)
8) Sleeping Dogs Lie (Bobcat Goldthwait)
9) Hamilton (Matthew Porterfield)
10) Maria Antonieta (Marie Antoinette, Sofia Coppola)

ARTFORUM: Barbara London (Curadora Associada do Departamento de Mídia do MoMA - NY)

1) Tekkon kinkreet (Michael Arias)
2) The Road to Mount Weather (Vídeo-Instalação, Cliff Evans)
3) Digital Video Effect: "Editions" (Seth Price)
4) 8 BIT (Marcin Ramocki & Justin Strawhand)
5) The Music of Regret (Laurie Simmons)
6) No Snow on the Broken Bridge (Yang Fudong)
7) Still Life (Jia Zhang-ke)
8) The Science of Sleep (Michel Gondry)
9) Shan Pipe Band Learns the Star Sprangled Banner (Bani Abidi)
10) Remembering Arthur (Martin Lavut)

indieWIRE (Votação de Vários/Mentalidade de Colméia): Melhores Filmes com Distribuição Comercial

1) A Morte do Sr. Lazarescu (Moartea domnului Lazarescu, Cristi Puiu)
2) A Criança (L'Enfant, Jean-Pierre & Luc Dardenne)
3) Os Infiltrados (The Departed, Martin Scorsese)
4) INLAND EMPIRE (David Lynch)
5) L'Armée des Ombres (Jean-Pierre Melville, 1969)
6) Three Times (Hou Hsaio-hsien)
7) Old Joy (Kelly Reichardt)
8) Vôo 93 (United 93, Paul Greengrass)
9) Filhos da Esperança (Children of Men, Alfonso Cuarón)
10) Half Nelson (Ryan Fleck)
11) A Rainha (The Queen, Stephen Frears)
12) Climates (Iklimer, Nuri Bilge Ceylan)
13) O Homem Duplo (A Scanner Darkly, Richard Linklater)
14) O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, Guillermo Del Toro)
15) Borat (Larry Charles)
16) A Última Noite (A Prairie Home Companion, Robert Altman)
17) Volver (Pedro Almodóvar)
18) Batalha no Céu (Batalla en el Cielo, Carlos Reygadas)
19) Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima, Clint Eastwood)
20) Admiração Mútua (Mutual Appreciation, Andrew Bujalski)

indieWIRE (Votação de Vários/Mentalidade de Colméia): Lista de Filmes sem Distribuição Comercial

1) Woman on the Beach (Haebyonui yoin, Hong Sang-soo)
2) Still Life (Jia Zhang-ke)
3) Juventude em Marcha (Pedro Costa)
4) In Between Days (So Yong Kim)
5) Coeurs (Alain Resnais)
6) (empate) Dia Noite Dia Noite (Day Night Day Night, Julia Loktev)
(empate) Dong (Jia Zhang-ke)
(empate) Honor de Cavalleria (Albert Serra)
9) Jardins en Automne (Otar Iosselani)
10) (empate) The Journals of Knud Rasmussen (Norman Cohn & Zacharias Knuck)
(empate) Opera Jawa (Garin Nugroho)
(empate) Interkosmos (Jim Finn)
(empate) Naisu No Mori: O Primeiro Contato (Naisu No Mori, Katsuhito Ishii, Hajime Ishimine & Shunichiro Miki)
14) (empate) Niwe Mung (Bahman Ghobadi)
(empate) O Sol (Solnste, Alexander Sokurov)
(empate) John and Jane Toll-free (Ashim Ahluwalia)
(empate) The Pervert's Guide To Cinema (Sophie Fiennes)
(empate) O Sabor da Melancia (The Wayward Cloud, Tsai Ming-liang)
(empate) Brand Upon the Brain! (Guy Maddin)
20) The Go Master (Tian Zhuangzhuang)

Slant Magazine: Ed Gonzalez

1) INLAND EMPIRE (David Lynch)
2) A Criança (L'Enfant, Jean-Pierre & Luc Dardenne)
3) L'Armée des Ombres (Jean-Pierre Melville, 1969)
4) Batalha no Céu (Batalla en el Cielo, Carlos Reygadas)
5) The Science of Sleep (Michel Gondry)
6) A Morte do Sr. Lazarescu (Moartea domnului Lazarescu, Cristi Puiu)
7) Maria Antonieta (Marie Antoinette, Sofia Coppola)
8) Miami Vice (Michael Mann)
9) Romántico (Mark Becker)
10) Gabrielle (Patrice Chéreau)

Slant Magazine: Nick Schager

1) Three Times (Hou Hsaio-hsien)
2) L'Armée des Ombres (Jean-Pierre Melville, 1969)
3) INLAND EMPIRE (David Lynch)
4) A Proposta (The Proposition, John Hillcoat)
5) A Criança (L'Enfant, Jean-Pierre & Luc Dardenne)
6) Miami Vice (Michael Mann)
7) 4 (Chetyre, Ilya Khrjanovsky)
8) Old Joy (Kelly Reichardt)
9) Neil Young: Heart of Gold (Jonathan Demme)
10) A Fonte da Vida (The Fountain, Darren Aronofsky)

LA Weekly: Ella Taylor

1) L'Armée des Ombres (Jean-Pierre Melville, 1969)
2) Old Joy (Kelly Reichardt)
3) A Rainha (The Queen, Stephen Frears)
4) (empate) Iraque em Fragmentos (Iraq in Fragments, James Langley)
(empate) Our Brand Is Crisis (Rachel Boynton)
5) A Morte do Sr. Lazarescu (Moartea domnului Lazarescu)
6) Leis de Família (Derecho de Familia, Daniel Burman)
7) (empate) Venus (Roger Mitchell)
(empate) 49 Up (Michael Apted)
8) (empate)Lassie (Charles Sturridge)
(empate)A Casa-Monstro (Monster House, Gil Kenan)
9) Fateless (Lajo Koltai)
10) Borat (Larry Charles)

LA Weekly: Scott Foundas

1) L'Armée des Ombres (Jean-Pierre Melville, 1969)
2) (empate) A Conquista da Honra (Flags From Our Fathers, Clint Eastwood)
(empate) Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima, Clint Eastwood)
3) Vôo 93 (United 93, Paul Greengrass)
4) A Morte do Sr. Lazarescu (Moartea domnului Lazarescu, Cristi Puiu)
5) (empate) O Intruso (L'Intrus, Claire Denis)
(empate) INLAND EMPIRE (David Lynch)
6) (empate) Happy Feet - O Pingüim (Happy Feet, George Miller)
(empate) Apocalypto (Mel Gibson)
7) (empate) Climates (Iklimer, Nuri Bilge Ceylan)
(empate) Miami Vice (Michael Mann)
8) (empate) Filhos da Esperança (Children of Men, Alfonso Cuarón)
(empate) A Criança (L'Enfant, Jean-Pierre & Luc Dardenne)
9) A Última Noite (A Prairie Home Companion, Robert Altman)
10) (empate) Ricky Bobby: A Toda Velocidade (Talladega Nights: The Story of Ricky Bobby, Adam McKay)
(empate) Jackass Number Two (Jeff Tremaine)

Kaiju Shakedown: Grady Hendrix

Melhor Filme do Ano: Memories of Matsuko (Kiraware Matsuko no isshô, Tetsuya Nakashima)

New York Times: Manohla Dargis

1) L'Armée des Ombres (Jean-Pierre Melville, 1969)
2) Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, Clint Eastwood)
3) INLAND EMPIRE (David Lynch)
4) Our Daily Bread (Unser täglich Brot, Nicholaus Geyrhalter)
5) A Criança (L'Enfant, Jean-Pierre & Luc Dardenne)
6) Filhos da Esperança (Children of Men, Alfonso Cuarón)
7) Three Times (Hou Hsaio-hsien)
8) Miami Vice (Michael Mann)
9) Brand Upon The Brain! (Guy Maddin)
10) Borat (Larry Charles)

New York Times: A. O. Scott (adoro o comentário que ele dirige a Andrew Bujalski)

1) Cartas de Iwo Jima (Letters from Iwo Jima, Clint Eastwood)
2) O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno, Guillermo del Toro)
3) A Criança (L'Enfant, Jean-Pierre & Luc Dardenne)
4) Dias de Glória (Indigènes, Rachid Bouchareb)
5) Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, Jonathan Dayton & Valerie Faris)
6) Three Times (Hou Hsaio-hsien)
7) 51 Birch Street (Doug Block)
8) Volver (Pedro Almodóvar)
9) Pecados Íntimos (Little Children, Todd Field)
10) A Última Noite (A Prairie Home Companion, Robert Altman)

Comentários: Restaurado e lançado nos EUA em 2006, "Armée des Ombres" (longa de 1969 dirigido por Jean-Pierre Melville, o mesmo de "O Samurai" com Alain Delon) proporcionou aos cinéfilos americanos o êxtase da descoberta e da justiça cinematográfica- houve algo parecido no circuito brasileiro com o lançamento de "Amantes Constantes", o primeiro longa de Phillippe Garrel a ser exibido em territótio brasileiro (e um de seus melhores, pelo que pude ver até agora). Claro que agora tem uma cabeçada baixando o filme pela Internet - eu, inclusive - para conferir o porquê do fervor, mas enquanto o filme permanece não visto, estou desconfiado que trata-se da mentalidade cinéfila norte-americana: filme estrangeiro + filme antigo = impossível de ser ruim.

Na minha lista do ano passado, estavam inclusos "A Morte do Sr. Lazarescu" e "Three Times", que agora figuram em várias listas de melhores de 2006. Num ato de auto-felação literário, houve quem acusasse a minha lista de elitista e que eu estava mais é fazendo pose de fodão a escolher filmes "obscuros". Pois aí está. Não sou só eu citando os filmes "obscuros". Eu poderia parar nas listas e esperar que elas mandassem meus acusadores a ir tomar no cu, mas não adianta: agora é a minha vez e eu vou esfregar na cara até o nariz do filho da puta ficar em carne viva. Claro que o mérito é somente dos filmes - que são fodas mesmo - e não de um babaca como euque fez uma listinha, mas daí a acusá-los de não-merecedores só porque a porra do cinema de shopping de Tatuapé não passou, vai é muito tomar nesse cu gordo. Então detratores, ó: vocês se fo-de-ram. Vai geral tomar no cu, seu bando de filhos da puta, viadinhos de merda. Pra piorar o caso de vocês arrombados, uma das listas de Melhores da Música em 2006 da ARTFORUM ainda inclui "Eli Eli Lema Sabachthani" do Shinji Aoyama, um dos meus "obscuros" preferidos do ano passado também. Então tem uma cabeçada de aval de gente muito melhor do que eu e certamente melhor do que você pra te sangrar as pregas.

Tô meio frustrado, porque a melhor parte das listas, para mim, é a descoberta de títulos que me passaram desapercebidos ou desconhecidos mesmo. Tem alguns títulos interessantes (me chamam atenção "Romántico" e "51 Birch Street"), mas a maior parte foi vista ou eu já tinha conhecimento de sua existência.

O conhecimento da existência de filmes como "Hamilton", "Admiração Mútua", "4" e "Old Joy" vem da pré-programação do INDIE, mas que infelizmente não entram na programação por questões orçamentárias, mas que são sempre sugeridos e contatados. Nem tudo é desgraça, no entanto, uma vez que 2006 viu o êxito de "Four Eyed Monsters", exibido no INDIE em 2005 e também podemos contar com a exibição em avant-première de "O Sabor da Melancia" e, claro, a única exibição nacional de "Naisu No Mori" (e que é muito divetido vê-lo na lista da indieWIRE acima de um filme do Sokurov, isso lá é). Mas... sei lá: de vez em quando eu olho essas listas e penso que o público que freqüenta o festival poderia estar integrado na discussão das obras junto do resto do mundo inteiro, mas ninguém parece interessado em discutir cinema - para falar nem bem, nem mal - inventar seus próprios sites de cinema, suas próprias revistas eletrônicas, suas próprias publicações ou mesmo seus próprios filmes. Nisso (o estimulo da discussão e da criação textual e/ou fílmica), o INDIE até agora deixou a desejar. Muito. Vou ficar de vilão na história, mas essa parada de exibir filme de graça faz com que o espectador não dê valor para o que assiste. O INDIE não vai passar a ser pago (mas tenho para mim a certeza de que ele se beneficiaria disso), mas essa mentalidade de "de graça = não vale nada" prejudica um pouco. Quem sabe em 2007, isso mude.

Me atinge que eu posso estar desencorajando os outros a escrever quando falo mal do fazer listas. Na realidade, o que eu quero é que as pessoas escrevam muito mais do que somente listas. Lista não se escreve, lista se monta. Suas resenhas, seus pensamentos, suas opiniões, isso é escrever - o que eu gostaria de ver mais não dos medalhões que figuram na folha de pagamento de periódicos apenas para vomitar suas criticazinhas de merda, mas do espectador esclarecido, do espectador interessado, tão motivado que ele precisa compartilhar suas opiniões com a cambada de desconhecidos, apesar do embasamento, apesar da gramática, apesar de tudo. Tenho visto pouco disso e muita, mas muita notinha e bolinha, como valores absolutos e indiscutíveis. Virou todo mundo o Prof. Girafales. É foda.

E, claro, listas são ótimas para quem as odeia ler e adora destruí-las. Longe de mim ficar impondo meu gosto no dos outros, mas já o fazendo, eu não sei a razão de tanto amor para "A Rainha" do Stephen Frears, que não passa de um telefilme glorificado pela atuação da sempre excelente Helen Mirren. Se eu concordo com as listas? Digamos que alguns dos meus filmes preferidos foram citados, mas a maioria - e os mais marcantes para mim nesse ano - nem sequer ali figuram. Talvez isso só venha a dizer do meu péssimo gosto e da minha debilidade em entender cinema. Ou talvez os críticos escolhidos não tenham os assistido ainda. Eu sei que os meus preferidos são meus e só eu sei deles, o que já me basta. Na verdade, todos os meus filmes favoritos, só eu os assisti.

E os seus?

UPDEITANDO: Mais dois comentários: "Os Infiltrados" encabeçando a lista de geral. Eu não odeio o filme, mas é só uma bastardização do original com momentos de inspiração explosivos, mas esparsos e simplesmente estéticos, de efeitos nulos ou até negativos no filme. Mas ele tem o seu vigor, é mil vezes melhor do que os genéricos do gênero ao qual "Os Infiltrados" - bem ou mal - pertence (16 Quadras, alguém?) e ainda é o melhor Scorsese dos últimos tempos, o que nos leva a crer que o que Scorsese vinha produzindo há alguns tempos atrás devia ser é muito ruim mesmo. Fique com os chineses. Tony Leung é mais cool que DiCaprio. Andy Lau é mais bonito e talentoso que Damon - e ainda apóia cineastas independentes asiáticos. Waal...

Ver "O Intruso" de Claire Denis figurando no quinto lugar na lista de Scott Foundas me dá vontade de escrever uma lista só para colocá-lo no topo (é de 2004, mas é tão inigualável que se transforma em hors concours independente da data na lista). O entrave na distribuição de um filme tão vanguardista é a única coisa que o impede de ser revolucionário, pelo menos numa escala mais ampla. Claire Denis é a diretora que mais me frustra no mundo, porque quando eu gosto de um filme dela, ela me encanta horrores e eu quero casar com a mulher. Quando eu erro um filme dela, eu quero assassiná-la, queimar as cópias dos filmes para que o mundo nunca descubra. A mesma mulher que faz um dos meu filmes favoritos em todo o sempre ("Nenette et Boni" - e "Beau Travail" tem seriamente pleiteado um espaço no meu coração) também fez uma das experiências mais sofríveis que já pude passar no cinema ("Vendredi Soir"... brr... afetação de mulherzinha chinfrim, cruz credo). "O Intruso" é como um jogo de associação mental sem restrições - água, que me lembra mar, que me lembra peixe, que me lembra panela, que me lembra ouvido, etc. - que parece sair direto da alma para a película sem filtros, nem obstáculos, nem processos intermediários. Projetado da mente para a tela, simples assim.
  Bernardo Krivochein    sexta-feira, dezembro 29, 2006    10 comentários
 
 


Os últimos dias ou a sensação de fim de mundo


Este fim de ano, naquele misto de sensações obsoletas, uma confusão mental me prendia a idéia de que precisava aprender a lidar com este sentimento de fim de mundo. Todo ano é a mesma coisa. Esta época para os deprimidos é sem dúvida a pior. Não me considero uma pessoa deprimida, não patologicamente, mas sei bem do que se trata a depressão e para quem sabe o que é, tudo que diz respeito ao Natal e as festas pode ser catastrófico. Até as luzinhas, como diz um amigo meu, podem ser fatais. Uma inauguração de árvore, um papai noel de shopping, um daqueles embrulhos escritos Merry Christmas, ou os dias chuvosos da época, pior então são as disputas nas lojas femininas pelo sapato que "eu vi primeiro", ou os vendedores perguntando se é um presente, se é para você, qual número?, numa insistência doentia em perguntas para quais vc nem tem resposta. Toda esta melancolia piora muito ao perceber que seus planos para 2006 não deram certo, e que você não está nem mais rico, nem mais magr0 e nem mais confiante que tudo isto será possível. De novo: sensação de fim de mundo.

Tá bom, este blog é sobre cinema e não sobre lamúrias de fim de ano. A vida é mesmo tão importante para aqueles que comemoram o Natal? Ok, eu entendo, as vezes sinto isto. Mas sei lá, desde os 13 escrevi no meu diário: "Tenho medo do Natal, enfim consigo dizer". Porque ali vamos estar todos juntos ( que minha família nunca leia este blog) ... ai que lentidão a vida! E a idéia de que não vamos ter nunca um rewind para corrigir o que não entendemos muito bem ou para retomar ações na cena do passado: esta sensação fica bem mais forte na mente, nesta época.

Melhor achar uma maneira de ficar menos no computador, caminhar e ler os 500 livros que comprou pra férias e deixar as crianças brincarem até morrer. Morrer também não porque isto não é palavra que se use nesta época. Das coisas boas deste mundo, uma delas é deixar o tempo passar, sem compromissos, perder a hora e não pegar nenhum avião, arrastar o chinelo por aí e não responder a nenhuma pergunta.

Assisti a "Last Days" pelo pay per view e claro que Gust Van Sant capricha na melancolia do nosso héroi, Kurt Cobain, e naquela sua confusão interna, zanzando sem ver nem querer saber de ninguém. Ali claro está estampada todas as grande angúsitas do homem que escreveu "Come as you are, as you were, as I want you to be. As a friend, as a friend, as an old enemy. Take your time, hurry up, the choice is yours, don't be late. Take a rest, as a friend, As an old memoria... Memoria..."

O Nirvana fez uma revolução e apesar de ser consumido pelo consumo, como tudo aliás, o jovem herói não comprou sua casa em Beverly Hills, não deixou sua marca na calçada da fama, não leiloou sua guitarra por milhões para os japoneses e nem confabulou sobre morar em Londres para se ver livre dos jecas americanos. Não fez pacto com o diabo, ou só fez com ele, não tomou seus 40 mg de fluoxetina por dia, não olhou uma vez mais para sua filha e não conseguiu encontar uma saída neste bosque do desespero e da alucinação. A vida vale tão pouco tem hora, não é? E nós tentamos disfarçar toda esta nossa fragilidade. É muito ruim ser tão frágil, mas também é muito ruim não poder sê-lo, mesmo que seja no Natal, é preciso encarar o fato de que ninguém, a não ser você, vai enxergar além do seu próprio descontentamento. Memoriaaaaaa!

(Francesca Azzi)
  INDIE    quarta-feira, dezembro 27, 2006    2 comentários
 
 


FLUXUS NO AR!

Ufa! Conseguimos! Colocar o FLUXUS no ar ainda em 2006. Foi uma missão daquelas, mas lá estão os filmes da competição. Para quem não conhece o FLUXUS é um festival de cinema de curta duração totalmente online no qual o público pode assistir e votar naquele que mais gostou. Além disso, um júri especializado escolhe o melhor em cada categoria. Este júri também assiste pela Internet e depois se encontra em um chat online mediado por mim. Vamos anunciar o júri dia 15 de janeiro. O legal do júri online é que posso convidar curadores e artistas de vários países que vão assistir aos trabalhos de onde estiverem, isto cria uma grande visibilidade para os novos diretores que terão seus trabalhos observados por especialistas. O FLUXUS está criando há mais de 6 anos, uma comunidade virtual em torno de artistas do audiovisual, muitos deles voltam a inscrever seus trabalhos, e como mantemos o acervo é uma oportunidade do filme ser visto e revisto. Descobrimos várias possibilidades de criação em cinema em países como a Lituânia, Estônia e Hungria ou seja não ficamos restritos ao que já conhecemos, a cada ano são mais de 400 filmes inscritos, de todo o mundo. Além disso, o trabalho do Fluxus não termina aí, depois da competição, montamos um dvd TOUR que fará a itinerância por vários países em festivais e centros de arte e cultura. Em 2006, o Fluxus foi para França, Portugal, México, Lituânia, Polônia e vários eventos no Brasil.

O FLUXUS é um festival único. Segue mais informações sobre a competição atual.

"Com 38 filmes, vindos de 15 países, o Fluxus 2006 apresenta uma nova geração de diretores, ao mesmo tempo em que traz nomes consagrados, e muitas idéias originais. Apresenta produções originalmente realizadas em película (35mm, 16mm, Super-8), vídeos digitais, flashs e filmes feitos com câmeras de celulares, e traz obras de ficção, documentários, video-arte, experimentais e animações. É o espaço para o novo audiovisual autoral, independente e criativo na web.

O FLUXUS apresenta três categorias competitivas e até o dia 19 de fevereiro o público pode votar e escolher o Melhor Filme pela Escolha da Audiência. Na categoria E-CINEMA estão os 16 filmes de ficção, documentários, experimentais e vídeo-arte. Nesta categoria, o cinema em sua significação mais ampla, tanto realista como poético, tanto conceitual como narrativo. São 16 filmes vindos da Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Hungria, Índia, Inglaterra, e Romênia. Traz entre seus destaques o último vídeo do renomado videoartista Seoungho Cho ("Show Your Tongue"); uma nova geração de diretores orientais como Jun Ho Oh ("The Place You Left") e Jimmy Cheng ("Blood Ties"); além filmes brasileiros como dos diretores Pedro e Paulo Vilela ("O Lago"), Marina Weis ("A Secreta Obscenidade de Cada Dia") e Carlos Magno e Chico de Paula ("Kalashnicov").

Na ANÉMIC são 14 animações e uma grande diversidade de temas - a vida, a guerra, a existência, a morte, a música - e de técnicas como Flash, 3D, stop motion, colagem e desenho tradicional. Há produções dos Estados Unidos, Estônia, França, Holanda, Inglaterra, Itália e Brasil. Os franceses estão entre os destaques como Joris Clerté ("Ce que je suis" e "À Tort ou à Raison") e Stéphane Berla ("Café Bouillu"), assim como, há também a animação em 3D de Youngwoong Jang ("Mirage"), o Flash premiado do italiano Hermes Mangialardo ("Blow"), e o poético trabalho de Keng-Ming Liu ("Travel Diary").

O FLUXUS 2006 traz também a nova categoria CINEMOBILE dedicada a apresentar filmes feitos com câmeras de celulares. Foram selecionados apenas trabalhos que fugissem do uso banal desse novo aparato tecnológico e propusessem alguma investigação para a linguagem deste meio. Estão na competição 8 filmes, com duração de poucos minutos ou de alguns segundos, que foram feitos totalmente ou parcialmente com câmeras de celular, com ou sem edição. Destaque para o filme alemão "Hong Kong Showcase" de Michael Brynntrup; para a série proposta pela inglesa Jess Loseby em "Handbag Surveillance – Oxford Street", e para o premiado trabalho da brasileira Consuelo Lins, realizado na França, "Leituras". Há ainda obras de uma reconhecida geração de videortistas brasileiros como Lucas Bambozzi (série "Panorâmicas Contidas), Clarissa Campolia ("Onde você Está?") e André Amparo ("Toró")."


É isto aí, assista o que puder, vote e me diga o que vc mais gostou.

** Imagem acima do filme de animação BLOW.

(Francesca Azzi)
  INDIE    quinta-feira, dezembro 21, 2006    0 comentários
 
 



Quem são The Lonely Island

Com a entrada de Andy Samberg, Akiva Schaffer e Jorma Taccone no staff, o programa Saturday Night Live ganhou uma energia há muito desaparecida pela entrada e saída de colaboradores de humor questionável (como Horatio Sanz e Colin Quinn). Aposta de risco do produtor do show, Lorne Michaels, que não apenas abrigou o trio como permitiu a inserção de um novo quadro: os curtas-metragens do SNL (SNL Digital Shorts), atualmente o mais bem sucedido do programa (embora o Weekend Update seja bastante sólido). Samberg, Schaffer e Taccone formam o grupo The Lonely Island - mas como eles vieram a se tornar conhecidos?

Pela Internet. A trupe, original da Califórnia, mudou-se para New Jersey onde convocaram amigos para estrelarem os pequenos curtas que disponibilizariam pela webpage oficial. Paralelamente, os membros do grupo se empenhariam em shows de stand-up comedy ou na produção de vídeoclipes para terceiros, o que ajudaria a promover o seu trabalho. O sucesso chamou a atenção primeiramente dos canais Fox e MTV, para os quais fizeram o piloto de "Awesometown", apenas para serem rejeitados, tanto por um quanto por outro.

É compreensível a rejeição: "Awesometown" é um anti-programa. Enquanto alguns quadros dão continuidade, o restante é um bando de sketches e intervenções desorganizadas, independentes, mas igualmente engraçadas. É um programa estranho, mas cativante, uma colagem de referências pop atemporais (algumas extremamente obscuras e ultrapassadas) escolhidas sob o signo do colapso e/ou convergência de gostos.

Não deu outra, o piloto foi para a Internet, integrado ao catálogo de curtas (a animação "Nintendo", que transforma o inesquecível sidescrolling "Kung-Fu" numa trama de assassinato) e paródias de séries teen ("The 'Bu", paródia de "The O.C.", que, com sua trama gradualmente absurda e nonsense, previu acidentalmente o "subir no telhado" de sua fonte de inspiração) e virou febre entre os universitários americanos. A palavra se espalhou, chegando ao conhecimento de Lorne Michaels e o resto já é história. Através da exibição do primeiro Digital Short, "Lazy Sunday" (uma ode à experiência de se ir ao cinema em Manhattan, cantada em forma de gangsta rap burguês), The Lonely Island transformou o pequeno fenômeno da Internet em febre nacional.

Agora, o trio se prepara para o lançamento de "Hot Rod", o primeiro longa-metragem dos rapazes (dirigido por Schaffer, com Samberg no papel principal e os amigos no elenco, e produzido por Michaels) sobre um dublê que pretende saltar o Snake River numa motoneta para conquistar o amor do padrasto (interpretado por Ian McShane, de "Deadwood").

Aqui segue uma lista dos SNL Digital Shorts:

Lazy Sunday - o vídeo que estabeleceu os garotos na boca do povo. Estrelando Samberg e o comediante Chris Parnell como amigos novaiorquinos combinando ir ao cinema para assistir "As Crônicas de Nárnia" em forma de gangsta rap com uma letra absolutamente yuppie e ridícula (a gíria do rap americano utilizado para falar de bolinhos e itens de bombonière). O refrão é um trocadilho do título do filme com a palavra "Chronic", perfeitamente traduzível como Larica.

Natalie Portman: Gangsta Rapper - a própria Natalie Portman mostra sua verdadeira face, novamente em forma de gangsta rap. Imagine a doce Portman gritando irada versos como: "Eu mato seu f*** cachorro por diversão, então não me provoque" ou "todas as crianças que se inspiram em mim poder ir chupar o meu p***" ou "eu quero beber e brigar/eu quero f*** a noite inteira".

Doppelganger - aqui a narrativa do The Lonely Island pode ser vista mais claramente. A pequena história de três colegas de trabalho procurando entre os transeuntes os seus possíveis sósias, até que um debate leva a trama para um rumo inesperado. Conceito simples e ótima brincadeira com gêneros narrativos.

Young Chuck Norris - um vídeoclipe ironizando as power ballads dos filmes dos anos 80, estrelando Samberg como o impassível jovem Chuck Norris. Piada de uma nota só, inspirada unicamente no conceito de que Chuck Norris é, na verdade, engraçado. E estão certos. (baseado na febre do Chuck Norris' Facts)

D*** In A Box - Essa paródia dos grupos de R&B mela-cueca dos anos 90 (Color Me Badd, Boys II Men) é a mais recente produção SNL Digital Short e talvez a mais engraçada de todas. Estrelando Samberg e Justin Timberlake (que, aliás, fez um dos discos mais fodas do ano - pra meter no cu dos indies, emos, rockers, new wavers, new ravers, de geral) como um duo de R&B no romântico videoclipe que propõe uma opção de presente de Natal bastante, um... econômica.

("Não vou te dar um anel de diamantes/Porque isso não vai adiantar de nada/Não vou te dar um carro luxuoso/Você precisa saber que você é minha estrela brilhante/Não vou te dar uma casa na colina/Uma garota como você precisa de algo real/Eu vou te dar algo que vem do meu coração/(Algo especial, garota)/É o meu p*** numa caixa!") Eu amo essa porra, a música não me sai da cabeça.
  Bernardo Krivochein    quarta-feira, dezembro 20, 2006    0 comentários
 
 



HERR DIREKTOR: O que o futuro reserva para Uwe Boll?

A notoriedade. É simplesmente o curso natural da sua carreira. Deixe-me explicar por quê:

Boll nasceu em 22 de junho de 1965 na Alemanha. Ex-boxeador, doutor em literatura alemã e autor de dois livros sobre o áudiovisual, Boll dirigiu seu primeiro filme, "German Fried Movie" (1991), com recursos próprios e distribuição independente. O filme se tornou um notável sucesso de bilheteria, chamando a atenção de produtores locais para financiar seus filmes. Assim, o diretor abriu sua própria companhia, Boll KG.

Para um diretor se manter num mercado de difícil acesso, ele só precisa realizar o primeiro filme. A qualidade destes e dos outros que se seguirão não interessa, inclusive podem ser completos fracassos (de bilheteria ou de conteúdo), porque se há uma coisa que rege o interesse de financiadores é a prova material: é melhor investir num fracasso enraizado do que apostar no novo - Boll se beneficiará disso e voltaremos a esse ponto mais adiante.

Uwe Boll arrisca alguns filmes em território americano e, independente da qualidade destes ("Sanctimony", "Heart of America"), ele os conclui. É o bastante para que a Sega ponha fé no diretor para adaptar o one-person shooter "House of the Dead" para as telas. Começa a saga de Uwe Boll.

"House of the Dead" é tenebroso. O filme é tão sufocantemente ruim que, mesmo assistindo em casa, cedi ao incontrolável impulso de roer meu próprio braço para me livrar da cadeira de tortura. Não bastasse, o filme integra imagens do próprio videogame na ação - algo que virá ser estudado com afinco por teóricos do cinema ainda por nascer (aliás, esse é todo o ponto desse texto). Porque sua falta maior não é ser um filme "ruim" no sentido de "tosco", mas no sentido de "chato". Tenha em mente quantos "clássicos" foram os filmes mais chatos da sua vida (não precisa confessar, só reconheça para si mesmo) para o meu objetivo final com esse post.

Enfim, o bichinho foi comprado pela finada Artisan, que ainda teve o descaramento de lançá-lo nos cinemas. Muitos filmes que podem ser considerados "bons" realizados e admirados por gente um pouco mais legal não conseguem esse destino, daí podermos considerar "House..." uma história de sucesso: o filme ruim, chato e mal-feito que consegue um destino estelar. Enquanto em bilheteria, o filme devidamente fracassou, aparentemente "House..." se bancou com as vendas internacionais. Havia uma mídia pesada por trás disso:

Os internautas.

A terrível recepção de "House..." por críticos da Internet deu fama a um filme solenemente ignorado pelos resenhistas da imprensa estabelecida. Mais além, destruir Uwe Bol se tornou esporte mundial, inspirando vários anônimos a compartilharem seus textos mais venenosos e jocosos para milhares de leitores rirem com o sofrimento da experiência de 90 minutos. Porém, Uwe Boll não compartilhou da piada e partiu para algo inédito: o confronto direto de seus detratores, inclusive citando abertamente os sites e pseudônimos em entrevistas e no próprio site. Com isso, Boll alimentaria mais a fogueira e ganharia o apelido Dr. Boll, disseminado imediatamente na rede.

Com o anúncio inconseqüente de seus projetos, Boll tornou-se também famoso por macular videogames com suas adaptações para a narrativa cinematográfica. Completamente regido pela apropriação descriteriosa de elementos "cool" de outras superproduções de sucesso, ele realiza o detestavelmente incompetente "Alone In The Dark", um jogo de terror altamente inspirado por H.P. Lovecraft, em suas mãos transformado em um filme-evento a la "Matrix" (inspirado mais pelas continuações do videogame do que o jogo original). Seu doutorado em letras se faz valer pelo bíblico prólogo escrito, recorde de maior texto em scroll da história do cinema (tão genial que me fez imaginar que Boll estava na realidade adaptando "Qbert"). "Alone..." é como o garoto retardado da escola que ainda vai vestido de gladiador de RPG no segundo grau (e se achando o máximo!), fazendo as pessoas em volta se indagarem se ele sequer se dá conta. Só assim para explicarmos o plano de Christian Slater para livrar a si e ao taxista do carro que os persegue ("eu salto do carro... você fica aqui e morre."), a superluta de kung-fu, exibindo habilidades doprotagonista que nunca mais veremos sendo colocadas em prática, a vagaranha Tara Reid fazendo o papel de uma supotamente inteligente curadora de museu (ela usa óculos e os cabelos presos! É CLARO que ela é inteligente, pôxa!) e ainda errando a pronúncia de "Newfoundland" (Se pronuncia "New-FIN-Land", a quem interessar possa), a pausa para sexo enquanto os personagens supostamente estariam correndo contra o tempo e a transformação da música "7 seconds" em um hilário hino romântico a ejaculação precoce, ou ainda, como no final, os monstros, que são vulneráveis a luz, ataca os protagonistas no típico final "Jamanta não morreu!" dos terrores americanos.

Imagine-se pendurado de ponta-cabeça pelo saco ao encanamento do último andar de um prédio em chamas. Isso é "Alone In The Dark".

"Alone In The Dark" foi uma produção mais cara que "House..." e, respeitando a lógica, teve um sucesso inversamente proporcional: um fracasso ainda mais retumbante que o filme anterior. Porém, nesse caso, tanto imprensas eletrônica e impressa estavam de olho: a repercussão da bomba atingiu ainda mais pessoas e fez a lenda se solidificar na cultura pop contemporânea. Exibições-teste do filme já anunciavam sua morte rápida e os textos se tornaram ainda mais ácidos e engraçados. Boll passou a dar entrevistas, Boll continuou a xingar e enfrentar seus detratores com ainda mais afinco, Boll tentou desdizer as acusações de fracasso, defendendo-se com números lucrativos de bilheteria que só ele via. A distribuidora (a Lions Gate, compradora da Artisan), claro, não viu tais números e finalmente o abandonou. Um fracasso total e completo, certo?

Boll anuncia mais dois filmes: "BloodRayne" e "Dungeon Siege". Ambas adaptações de videogames.

Mais ainda, seus filmes teriam orçamento ainda maior e os elencos se tornaram estelares: Michael Madsen, Ben Kingsley, Geraldine Chaplin, Jason Statham, Burt Reynolds, Ray Liotta, Leelee Sobieski. Como?!? Que macumba braba é essa que Boll fazia para continuar filmando, com orçamentos maiores e que chantagem ele fazia para assegurar atores renomados para seus filmes, mesmo com sua reputação de péssimo diretor?

Num desses timings do destino, o governo alemão anunciou que a partir de 2005 não estaria mais em vigor o ressarcimento do prejuízo de produtores alemães pelo investimento furado em filmes fracassados (uma lacuna legal do incentivo do governo alemão a cultura cinematográfica, dos quais muitos se beneficiavam). Especialmente nos EUA, os investidores eram todos alemães e os filmes de Uwe Boll, seus "Primavera para Hitler". Com esse anúncio, os detratores de Uwe Boll finalmente compreenderam a engenhosidade de seu maléfico plano de infertilizar o mundo através da ilusão da imagem em movimento e comemoraram o inevitável fim da era Boll.

Quanto ao elenco repleto de astros (ou de que já foram astros algum dia), o próprio Boll explicou o método: ele espera até o último segundo antes de ligar as câmeras para fazer seu casting, investigando atores que estão entre um projeto e outro. Foi assim com Kingsley, convidado para o elenco somente duas semanas antes do começo da fotografia principal: um trabalho onde ele só precisava descontar o cheque e "atuar pelo telefone", sem precisar esperar. Dinheiro rápido.

Vi 15 minutos de "BloodRayne" e desisti. Parei no momento em que Kristanna Lokken se consulta com a cigana de Geraldine Chaplin. Decidi que não era obrigado e já estava aborrecido com o filme até ali. Não ter assistido até o final foi uma boa coisa. Aprecio "BloodRayne" pelo que é: uma festa de góticos que se pode dar fast foward, parar quando quiser ou ainda atirar pela janela. Se "Dugeon Siege", agora se "In The Name of The King: A Dungeon Siege Tale", a versão de Boll para "O Senhor dos Anéis", provavelmente sem aquelas paradas chatas de desenvolvimento de personagens, roteiro, diálogo, ambientação, etc., será lançado ainda estamos por saber.

Não bastasse, Boll dirigu mais dois filmes nesse interim: uma - mentira! - não-adaptação de videogame, o filme de ziriquili "Seed", onde não apenas Boll tenta emular Béla Tarr ao seguir todo o trajeto do personagem, dirigindo do trabalho até em casa, abrindo porta, fechando porta, girando a maçaneta, etc., mas que começa com 5 minutos de imagens reais de animais sendo torturados e assassinados (segundo o colaborador Quint, do Ain't It Cool News: "raposas uivando sendo despeladas vivas e depois espancadas até a morte. Filhotes de focas sendo espancadas na cabeça... um animal despelado que parecia um cachorro, obviamente morrendo muito, muito lentamente, cachorros tendo seus crânios pisados por botas pesadas..."); como também, ufa!, a adaptação de um dos games mais politicamente incorretos já feitos para computador: "Postal". Mais além: mesmo fracassos, "House of The Dead" e "BloodRayne" ganhariam direito a continuações, mesmo que diretamente para vídeo (retornando ao ponto colocado anteriormente sobre como os produtores preferem apostar no já existente, mesmo que não seja garantia de sucesso, ao qual podemos adicionar "O Justiceiro 2", a continuação que ninguém pediu). É na realização de "Postal" que Uwe Boll atinge o ápice.

O jogo é baseado na onda de ataques de nervos que abateram vários carteiros nos EUA (daí, a expressão "to go postal" ou "going postal": ficar louco, ou, melhor, cair matando). O jogador controla o personagem principal - um carteiro - que parte para destruir a vizinhança, o centro da cidade e arredores, matando velhinhas, crianças (o grito da criança quando estouramos sua cabeça é muito, MUITO errado...), cachorros e peitando a polícia que o persegue. Típico material para Uwe Boll exercitar seu mau-gosto e sua falta de noção. Mas nem o filme, nem o jogo importam.

O que importa é que, numa estratégia de marketing óbvia, Boll convidou seus mais ácidos detratores para derrotá-lo em em partidas de boxe e, caso perdessem, fariam uma ponta em "Postal". Boll peitou seu mais ácidos críticos, provocou-os até convencê-los a viajar até Vancouver, onde filmava. Todos os quatro repórteres - Richard Kyanka (Something Awful), Jeff Snider (Ain't It Cool News), Chris Alexander (Rue Morgue) e Nelson Chance Minter, comentarista do IMDb, de 17 anos de idade - foram facilmente derrotados por Boll no ringue. Enquanto para muitos a porrada em críticos desaforados possa parecer catártica, ela não foi feita sem um bocado de malícia (os desafiantes foram escolhidos exatamente pelas suas inabilidades e falta de práticas esportivas - um dos candiatos a desafiá-lo contaria pouco tempo depois que foi rejeitado justamente pelo seu amplo histórico no boxe). A única coisa que conseguiu provar é que deve ser melhor boxeador do que cineasta.

Justamente por essa capacidade sobrenatural de mostrar uma intensa insensibilidade a praticamente todas as esferas: artística, pessoal, profissional..., é que Uwe Boll virá a ser celebrado daqui a alguns anos por futuros teóricos e escritores de cinema. Porque a cultura da Internet ampliou a promoção da crítica cinematográfica de tal forma que o fracasso de Uwe Boll é a única quase-unanimidade da contemporaneidade. E como tudo aquilo odiado passa a ser adorado em cinema - porque exerce um estranho fascínio de tentar compreender ou de simplesmente conhecer para também destruir - mesmo agora mobilizam-se fanboys enjeitados da Internet, para partir em defesa do cineasta odiado EXATAMENTE porque ele é odiado (melhor: incompreendido). Extatamente que, como eles bem sabem, o público é ignorante e eles carregam a chave para o conhecimento, apenas por serem da "oposição". O problema é que o tempo está passando e não há nenhuma validação teórica da obra de Boll surgindo - e ele pode facilmente ser integrado como artista da pósmodernidade que desagrega os valores das fontes que se apropria, apenas acumulando um relicário vazio de supostamente "cool" (mas já batido na época de lançamento do filme). Ou simplesmente "trash" e divertido por isso aí. Coisa de quem tem iniciação sexual com o cachorro da família e que eu nunca vou entender.

Parecia no início que eu escreveria a favor de Boll, mas nem meu tumor cerebral permitiria tamanho acinte. E que Boll se torne cult (repito: sei que está acontecendo), não me será nenhuma surpresa ou nenhum confronto. Melhor ainda, espero que se torne clássico, profundamente analisado por livros ou em publicações especializadas de culto. Porque aí sim, mais do que os fracassos de bilheteria ou inépcia em sua função, teríamos a confirmação definitiva de que Boll, afinal de contas, é chato para caralho.
  Bernardo Krivochein    terça-feira, dezembro 19, 2006    3 comentários
 
 



ATENÇÃO: "Altered": novo filme de Eduardo Sanchez ("A Bruxa de Blair") será exibido gratuitamente na Internet. HOJE!

No blog da produtora Haxan Films, Eduardo Sanchez narra com honestidade cortante a frustração de ter seu filme "Altered", sci-fi de terror, sendo impedido pelos produtores de ser exibido em cinemas nos EUA (o filme será lançado em DVD na semana seguinte). O processo foi o mesmo que destrói filmes pelos EUA afora: o péssimo costume de exibições-teste com platéias-cobaias escolhidas a dedo por marketeiros que determinam os perfis dos espectadores e o filme que lhes será exibido. Uma história clássica envolvendo o mesmo processo e a Universal é a de Terry Gilliam e a péssima resposta das platéias-teste a "Os 12 Macacos", especialmente ao "final muito deprimente". Gilliam se recusou a se comprometer e o filme é aquela coisa foda que veio fazer milhões tempo depois. Gente é foda mesmo.

Após o mega-hit de "A Bruxa de Blair" do qual Sanchez compartilha os créditos de direção com Daniel Myrick, os rapazes da Haxan viraram os meninos de ouro de Hollywood, apenas se tornarem órfãos após a compra da Artisan pela Lions Gate. Adotados pela Universal, o segundo projeto da Haxan seria a comédia "Heart of Love", que eventualmente foi abandonado em favor de "Altered", anteriormente intitulado "Probed" e também uma comédia (aparentemente, Sanchez optou por um tom mais soturno): um grupo de caipiras foram abduzidos por alienígenas na infância e perderam um dos amigos no processo. Anos depois, eles conseguem capturar um dos alienígenas e passam a torturá-lo numa cabine na floresta. O filme já foi elogiado no Ain't It Cool News e na Fangoria, a revelia dos naysayers.

Curioso? Eu também. Você pode matá-la hoje às 23:00hs. (nos EUA, 20:00 EST) no drive-in do simulador Second Life, onde "Altered" terá sua premiere mundial MESMO. Novamente, o filme será lançado em DVD Área 1, mas de grátis é de grátis.

Para o site do Second Life: aqui.

Para o blog da Haxan Films com as instruções em inglês para assistir "Altered": aqui.
  Bernardo Krivochein    terça-feira, dezembro 19, 2006    0 comentários
 
 


Rio Móbile (Snaps)





  Pedro Meyer    segunda-feira, dezembro 18, 2006    0 comentários
 
 


11 de Setembro: O atentado que abalou o mundo

Você pensou que eu ia falar dos Estados Unidos, né? Quer dizer, eu vou, mas quando eu falei "11 de Setembro, atentado!" seu cérebro rapidamente se lembrou daquele puta predião de vidro, pegando fogo, saindo fumaça, o segundo avião entrando na torre gêmea...

Mas eu queria falar era de outro 11 de Setembro. O de 1973. O país, um tal de Chile, que elegeu um presidente socialista em plena guerra fria. Em 1970, o senador Salvador Allende Gossens, apoiado pelo povo chileno (pela parte mais pobre, pelo menos) tornou-se presidente desse país e começou algumas reformas que prontamente diminuíram o desemprego. A reação de Washington foi imediata: a CIA passou a financiar órgãos de imprensa de oposição, e aos poucos o governo foi sendo sabotado. Em 1972, a situação se agravava, dando brecha a um golpe militar liderado por um tal de General Augusto Pinochet Ugarte.

Em 11 de Setembro de 1973, a Aeronáutica do Chile bombardeou o Palácio de La Moneda, sede do governo chileno. Allende preferiu morrer lutando. Suicidou-se dentro do palácio, sem se entregar.

Nos anos que se seguiram, o terror tomou conta do país. A democracia foi expulsa do Chile, juntamente com dezenas de milhares de inimigos políticos do novo regime. O estádio nacional do país foi transformado em um campo de concentração. Ao longo dos anos da ditadura Pinochet, milhares de pessoas foram mortas, torturadas ou "desaparecidas". O mesmo esquema que aconteceu no Brasil, e nos principais países da América do Sul na mesma época.

Em meio a tudo isso, um cineasta: Patricio Guzmán, que inicialmente só queria fazer um documentário sobre a eleição de Allende, continuou filmando durante todo o processo político que se desencadeou e acabou criando uma trilogia antológica e essencial: A Batalha do Chile. Os filmes foram feitos clandestinamente, a partir de 1970, e foram lançados em 3 prestações, en 1975, 1977 e 1979.

Como depois do golpe a Kodak parou de vender filme virgem no Chile, justamente para evitar esse tipo de iniciativa, Guzmán recebia filmes contrabandeados pelo correio, enviados pelo cineasta francês Chris Marker. Depois de usados, os filmes eram contrabandeados para a Suécia, onde amigos exilados de Guzmán revelavam o material e o guardavam em segurança.

Por algum milagre do destino, esses 3 filmes, juntamente a um documentário sobre como foram feitos, foram lançados no Brasil, em DVD, com legendas em português. Disponíveis nas boas casas do ramo. Um material absolutamente essencial para nos fazer pensar em o que significa o cinema, o Brasil e o século XXI.

Escrevo isso no mesmo dia em que Pinochet, que nunca foi julgado por seus crimes, é cremado com honrarias militares no Chile. Ainda temos um longo caminho pela frente.
  Daniel Werneck    quarta-feira, dezembro 13, 2006    1 comentários
 
 



OCTOBUTT-NUMB-A-THON: Line-up revelado

fonte: Ain't It Cool News

No último fim de semana foi realizada a oitava edição do Butt-Numb-A-Thon, evento anual produzido pelo site fundamental de notícias cinematográficas, Ain't It Cool News, em comemoração do aniversário do webmaster Harry Knowles (na foto, apresentando uma edição anterior do evento). Desde 1999, a maratona de 24 horas de filmes e trailers ininterruptos, selecionados especialmente por Knowles e Tim League, gerente do cultuado cinema Alamo Drafthouse, a casa que abriga o evento, acontece em Austin, Texas.

Graças ao status adquirido pelo site, o Butt-Numb-A-Thon, que iniciou com uma seleção de filmes obscuros e pérolas redescobertas, tem conseguido exibir algumas das mais esperadas superproduções em primeira mão, mas sempre deixando espaço para títulos esquecidos do grindhouse cinema, drive-in cinema, horror e outros gêneros B, seja no formato de longas ou trailers. Às vésperas do evento, uma comoção de leitores e fãs se candidatam no desejo de serem um dos poucos selecionados a poder participar do evento (devido a capacidade do cinema) e são agraciados não apenas com os filmes, mas com pacotes de presentes recheados de DVDs, livros, CDs e memorabilias cinematográficas.

O mais importante do evento, no entanto, é fazer globalmente notória a comunidade cinematográfica de uma cidade americana fora do eixo Nova York-Los Angeles. Austin, Texas, que nos últimos anos produziu cineastas de renome como Richard Linklater, como tantas outras cidades, tem um público ávido e conhecedor de cinema, mas prejudicado por não habitarem uma metrópole ou uma capital. Iniciativas como a programação da Alamo Drafthouse e os eventos realizados pelo site de Knowles não apenas respiram nova vida e fazem a comunidade atualizar-se com o cinema mundial (apesar de fanboys, existe um saudável ecletismo por parte do staff do site), como, por um breve período de tempo, faz da cidade centro do especulativo universo cinematográfico. Para mostrar como a inclusão digital não é apenas virtual, taí: a parada é iniciativa pessoal. E tudo começou se falando de cinema, se falando do que se gosta.

Pois bem, esse é o line-up completo, na ordem em que os filmes foram apresentados no Alamo Drafthouse, do meio-dia de sábado ao meio-dia de domingo:

1) Chirpy (curta-metragem aparentemente sobre o amor erótico entre um passarinho e um cavalo)
2) Stunt Rock (trailer de culto sobre o filme da banda de hair metal Sorcery, que mistura rock e arriscadas cenas de dublê)
3) Raw Force (trailer)
4) Teenage Tramp (trailer)
5) The Telephone Book (trailer)
6) Black Snake Moan (o novo longa-metragem do diretor de "Ritmo de um sonho")
7) Dreamgirls (o novo e elogiado longa-metragem musical de Bill Condon, baseado na peça sobre a história das The Supremes)
8) Panama Blue (Trailer)
9) Female Animal (Trailer)
10) Baby Love (Trailer)
11) Girls are for Loving (Trailer)
12) Underage (Trailer)
13) Once Upon a Girl (Pornô vintage que deturpa os contos de fada; nada é superior a "Histórias que as babás não contavam")
14) Inherit the Wind (filme de 1960 estrelando Spencer Tracy e Gene Kelly, baseado no caso de um professor condenado por ensinar a teoria da evolução numa escola pública, em 1925)
15) Rocky (Trailer)
16) Rocky II (Trailer)
17) Rocky III (Trailer)
18) Rocky IV (Trailer)
19) Rocky V (o trailer foi interrompido de propósito por Tim League, porque o filme é uma merda e substituído pelo seguinte)
20) Introdução & saudações de Sylvester Stallone ao público da BNAT
21) Rocky Balboa (o novo longa e último episódio da série de Stallone - a exibição foi aparentemente um sucesso)
22) Fanboys (trailer do longa sobre um grupo de nerds a caminho do Skywalker Range para falar com George Lucas)
23) The Mafu Cage (Trailer)
24) The Buttercup Chain (Trailer)
25) Pepe (Trailer)
26) Matango (Trailer)
27) Knocked Up (o novo longa de Judd Apatow, de "O Virgem de 40 Anos")
28) Teen Wolf (ameaçaram 2 minutos do filme e League propositalmente o interrompe novamente pelo mesmo motivo, substituindo pelo seguinte)
29) Zwartboek 'Black Book' (o novo longa do excelente Paul Verhoeven, que dividiu a platéia)
30) In the Nick of Time (Trailer)
31) The Informer (filme de 1935 de John Ford)
32) Challenge of the Lady Ninja (Trailer)
33) The Legend of Hillbilly John (Trailer)
34) It Came Without Warning (Trailer)
35) Cannibal Girls (Trailer)
36) Curse (Trailer)
37) Raw Force (longa supostamente sobre zumbis ninjas canibais, apresentando uma quantidade muito comedida de zumbis ninjas canibais - aparentemente, o trailer exibido no começo do evento continha todas as melhores partes)
38) Smokin' Aces (novo longa-metragem de Joe Carnahan, de "Narc", sobre agentes de FBI convocados para proteger um informante fugitivo, batendo de frente com os mafiosos contratados para matá-lo)
39) Introdução e saudações de Joe Carnahan
40) 300 (novo longa-metragem de Zack Snyder)

  Bernardo Krivochein    segunda-feira, dezembro 11, 2006    0 comentários
 
 


Na Sombra das Palmeiras

Nesta sexta-feira, dia 15 de dezembro, o Sesc-SP da Avenida Paulista exibe, às 20:00 horas com entrada franca, o documentário "Na Sombra das Palmeiras" do diretor australiano Wayne Colle-Janess, dentro do projeto Encontros SESC Videobrasil (interessante que o tradicional festival de arte eletrônica está trazendo um diretor de cinémá, n´est pas? São os sinais de que mudanças ocorrerão? Peut-être...). O filme passou no último Festival do Rio, é de 2005 mas o diretor vai estar na sessão que será debatida com André Costa, professor de cinema da FAAP. O tema é quente.

"O filme traz uma perspectiva única da luta do povo iraquiano. Gravado antes, durante, e depois da tomada de Bagdá revela muitos aspectos sócio-culturais da vida na cidade ao longo de uma linha do tempo que vai de semanas antes até um ano depois da queda do regime de Sadam Hussein. O trabalho acompanha o dia a dia de um grupo de cidadãos de Badgá (um professor de poesia árabe, um sapateiro, o treinador da equipe olímpica de boxe do Iraque) para compor um retrato de rara proximidade de um evento do qual se conhece apenas a versão oficial."

Mais info e trailer do filme aqui

Algumas perguntas e repostas Wayne Colle-Janess foram divulgadas pela assessoria, confiram:

Quando você foi para Bagdá filmar In the Shadow of the Palms, quanto sabia da história que queria contar?
Minha viagem ao Iraque foi a primeira ao país. Tinha pouco conhecimento da sociedade e do povo. Minha motivação era abordar o tema de uma forma humana, pessoal. A única representação que a mídia ocidental tem do Oriente Médio são homens agressivos gritando “Jihad, Jihad”. Considerando a longa história da região, era lógico que houvesse ali um espectro amplo de pessoas, visões e posições. Queria oferecer ao mundo uma perspectiva mais variada sobre a vida no Iraque e, com isso, ajudar a construir uma compreensão melhor do povo, dos costumes e da cultura do Oriente Médio.

Você fez o documentário sozinho? Como chegou aos personagens do filme?
Fui e filmei sozinho. Ter alguém sob minha responsabilidade era perigoso demais. Cheguei aos personagens principais por acaso, gravando em bairros diferentes, percorrendo ruas tortuosas ou entrando em um carro com caras que não falavam a minha língua, na esperança de que me levassem a algo coisa interessante (e de que não estivessem me sequestrando).

Quais foram os momentos mais assustadores do processo?
A primeira vez que você ouve um míssil Cruise passar por cima de sua cabeça e explodir, é bem surpreendente. Quando a guerra começou, a imprensa foi colocada em dois hotéis: Palestine e El-Rashid. Consegui lugar em outro, em uma área civil. Lá, estava sujeito aos mesmos riscos que os iraquianos enfrentavam com os bombardeios, além das ameaças de retaliação dos próprios iraquianos. Fui preso pelas forças iraquianas, que me viam ao longe com a mochila nas costas e achavam que eu era um piloto abatido ou agente da CIA. Mas um dos momentos de tensão mais prolongada foi quando atravessei as linhas de combate para ir de Bagdá à fronteira da Síria. Foram 14 horas de viagem por uma estrada deserta, cheia de pedaços de veículos alvejados pouco antes e ainda fumegantes. Alguns eram militares, mas a maioria eram caminhões e ônibus.

Por que é tão raro que um veículo da mídia mostre a guerra de perto?
Muitas organizações são um reflexo da situação política de seus países e não estão interessadas em expandir a compreensão sobre essas situações. Quando um conflito envolve tantos países e coloca tanta coisa em risco em termos politicos e econômicos, há pouca tolerância às histórias individuais ou que humanizem o “inimigo”. E gasta-se em propaganda de guerra, que cria e mantém estereótipos de fanatismo, terrorismo, violência e sectarismo.

Como as platéias reagem a Shadow e o que o filme tem de tão pungente, em sua opinião?
Acho que as pessoas encontram no filme um forte sentido de realidade, de verdade, sem a manipulação da mídia ou do cinema. Do Japão à Alemanha, as platéias ficam igualmente chocadas ao perceber que “eles são exatamente como nós”. Em geral, as pessoas acham o filme envolvente, mas desnorteante, porque as histórias humanas se opõem a tudo o que viram antes sobre o Iraque.
(Francesca Azzi)
  INDIE    segunda-feira, dezembro 11, 2006    0 comentários
 
 


Água de Bebedouro de Cinema

Minha mãe me conta que quando eu estava na barriga dela o seu desejo de mulher grávida era beber água de bebedouro. Mas tinha que ser água de bebedouro de cinema. Assim ela fazia passeios à tarde pelo centro de Belo Horizonte, num circuito que compreendia o Cine Jacques, o Cine Metrópole e o Cine Guarani. Ela chegava no cinema e pedia ao porteiro para deixar ela entrar sem ter que pagar o ingresso, afinal ela não queria ver o filme (embora minha mãe adore ir ao cinema), ela queria apenas matar sua sede, ou matar o seu desejo de mulher grávida.
Às vezes acho que ela inventou esta história, só para dar um sentido divino e maternal para explicar meu amor ao cinema.

Ao lembrar desta história fiquei lembrando de como o cinema faz parte da minha vida, mesmo nas mais inusitadas relações. Relações que às vezes demoram décadas para se formar. Pois não é que quando criança e íamos visitar minha tia Virica na Barroca ela invariavelmente servia guaraná Antártica (sempre morno) numa taça de champagne, daquelas de boca larga, acompanhado de biscoito wafer. Invariavelmente também ela ligava aquela radiola de madeira e punha sempre um mesmo disco para tocar: um LP da Sarita Montiel, que entre outras músicas cantava... Volver. À distância, Almodóvar deve ter vivido o mesmo entre um granizado e outro tapa da sua abuelita querida...

Uma das minhas curiosidades (ou mania?) de menino era checar a bilheteria dos cinemas. Será que estava aí a minha vocação escondida de exibidor cinematográfico? Naquela época a gente comprava um ingresso de cinema e entregava ao porteiro. O porteiro rasgava o ingresso e jogava numa urna. Esta urna tinha uma face de vidro transparente...Sempre que passava de ônibus em frente ao Cine Pathé eu conferia a urna do cinema, para ver se estava cheia ou vazia... Já naquela época eu ficava intrigado com o público de cinema, que para mim até hoje é uma coisa difícil de compreender. Não entendia como filmes que eu adorava às vezes viviam as moscas, com a urna do cinema praticamente vazia e outros filmes que eu achava bobos ou apenas medianos estavam com a urna cheia até a boca.

Me lembro ainda do primeiro videocassete. A compra foi uma epopéia. Primeiro a dúvida: Beta ou VHS? Após enormes pesquisas por jornais, telefone de amigos (internet... quê isso? foi em 1900 e oitenta e pouco ...) Uhuuu... escolhemos a promissora tecnologia VHS. A compra em si foi uma verdadeira gincana, porque meus pais estavam viajando. O namorado da minha irmã tinha ido a Manaus a trabalho. Era seu último dia de viagem. Manaus nesta época era um paraíso das compras de eletrônicos ou seja, era uma oportunidade única. Depois de vários interurbanos meu pai autorizou a compra. Mas e o dinheiro? Começamos uma campanha com os amigos e parentes mais próximos para levantar a exorbitante quantia. Depois corremos para o Banco do Brasil para fazer uma transferência. Parece incrível ter vivido num tempo sem celular e sem cartão de crédito...Quando enfim chegou a maravilha ficamos embasbacados com o controle remoto, que nem era tão remoto assim...o controle era wire (sem o less mesmo...) Tinha um fio enorme ligando o controle ao aparelho. Mas o tal controle servia mesmo para dar pause, avançar ou rebobinar a fita. Só isso. Nem desligar o bicho o controle desligava. Mas foi uma grande emoção ligar o aparelho e ver a fita-demo (me perdoe, Roberto Carlos) com o locutor Celso Freitas dizendo: “Olá ! Você acabou de adquirir o mais moderno videocassete do mercado...” Depois disso fui correndo fazer minha carteirinha no Vídeo Clube do Brasil (nome pomposo, né?).

Mas isto são lembranças, reminiscências de um tempo que este existia...
  Eduardo Cerqueira    quinta-feira, dezembro 07, 2006    3 comentários
 
 


Os 50 Melhores Videoclipes de 2006 (via DoCopenhagen)

(na foto, Malajube: "-40º Montreal")

Para quem não pretende fazer nada pelos próximos 200 minutos.

Mas o melhor vídeo do ano é imbatível, até porque é o único filme do Cacá Diegues que presta:

  Bernardo Krivochein    quinta-feira, dezembro 07, 2006    2 comentários
 
 


InDigEnt pega o seu banquinho e sai de mansinho


fonte: Yahoo! News

Gary Winick declarou que a produtora InDigEnt fechará as portas em janeiro, pregando o caixão de uma iniciativa das mais bacanas a surgirem no universo corporativo cinematográfico americano. A produtora surgiu durante o "boom" das câmeras digitais no horizonte do cinema independente e esteve por trás de grandes êxitos como "O Tempo de Cada Um" (Rebecca Miller), "Tape" (Richard Linklater), "Terra da Fartura" (Wim Wenders e Apredenders), "Chelsea Hotel" (o "Hotel de Um Milhão de Pulgas" de Ethan Hawke) e aquele com a Katie Cruise no Dia de Ação de Graças que é bunitim.

O dogma da InDigEnt era ajudar cineastas trabalhando fora do esquema hollywoodiano, permitindo liberdade criativa e prerrogativa na montagem final, com orçamentos de no máximo one million dollars. Winick, que dirigiu a nova versão de "A Menina e o Porquinho", com Dakota Fanning (em breve nos cinemas para traumatizar toda uma nova geração de crianças com a história da aranha Charlotte, que tem a custódia de seus filhos tomada pela verdadeira mãe, a Natureza) justifica o fim da InDigEnt através de um ponto pacífico: agora os grandes estúdios possuem braços independentes (Fox Searchlight, Sony Pictures Classics, Rogue Pictures, Paramount Vantage, Warner Independent Pictures, etc.), que na realidade não passam de mini-estúdios com seus filmes de orçamento de só five, eight million dollars (como lamenta Steve Buscemi na reportagem - a foto que nos ilustra é de seu filme, "O Solitário Jim", também InDigEnt). Coisa pouca. Soma-se a isso o fato que, durante os governos de Reagan e Clinton, as leis que proibiam os estúdios a serem donos de cadeias de cinema foram pro beleléu e agora Rupert Murdoch pode ser dono de todos os cinemas de uma cidade se quiser. E tem a coisa da lucratividade, também.

No final da reportagem, Winick vê na Internet o meio pelo qual o cinema independente se tornará lucrativo de novo, ainda que o modo como isso ocorrerá ainda não tenha sido encontrado.

Aí é que tá a questão.

Não é impossível, mas duvido muito que downloads pagos tornem-se via de regra numa Internet que popularizou downloads de graça desde sabe-se lá quando. Duvido que o internauta aceite agora pagar por algo que normalmente consegue de graça. O mandamento bíblico de ordem na Internet é "não pagarás", inclusive nem mais o próprio acesso a ela se paga. A questão nos EUA é mais pelo código de honra, já que é um país enriquecido e cujo acesso à cultura mundial é mil vezes mais facilitado através da enxurrada de obras enquanto produtos que lá desembocam, até para incrementar sua visibilidade no seu próprio país de origem no seu momento de agringalhamento. Então, não acredito pessoalmente - mesmo que eu tenha certeza de que serei provado errado - de que a distribuição virtual (mas muito real) da obra em si será a solução pela qual o pobre cineasta independente conseguirá pagar seu parcelamento na Losango.

Onde o cinema independente perde - feio - e que a Internet realmente pode mostrar-se mais lucrativa é... publicidade. No mundo real, um outdoor no Times Square é um preço de uma mansão em Saint-Tropez. Orçamentos chegam a duplicar com o investimento de grandes estúdios na publicidade de seus filmes - e seu filme independente não tinha nem verba pro cafézinho, aí é foda. Publicidade na Internet quando dá certo é um inferno. Eu compro e aceito todo o hype que me atravessa o caminho pelo simples fato de que me provoca algo: uma excitação, uma curiosidade irrepreensível de se ter aquela experiêcia cinematográfica criada por um grupo de vizinhos em Manila. E estou prestes a pagar o preço que for. Minha última aventura dessa sorte foi comprar o DVD importado das Filipinas de "Sigaw" ("The Echo" nos EUA), que, aliás, veio sem legendas (Tagalog é uma língua estranha, tem um monte de palavras inglesas jogadas no meio, poderia pesquisar por quê no Wikipedia, mas faço isso depois), mas foda-se, assisti e gostei bem menos do que as exaltações me fizeram acreditar. Mas não interessa, porque isso me levou a assistir e ponto final. A Internet é como uma revista qualquer: uma coleção infinita de anúncios interrompidos por espasmos de texto. É o maior outdoor que existe e, portanto, precisa ser explorado estratégicamente. Fenômeno da autopromoção pessoal ("Meu nome é Carla Shirley, 14 aninhos, gosto eclético, vamu p Buzius eçe finde?"), o MySpace ampliou-se para servir de plataforma onde os artistas podem expõr seus trablahos e manter contato com o público/amigos. Esse conceito de apreciação comunitária me leva ao seguinte ponto:

A palavra "cultura" vem de "cultivar", do cultivo a terra, da agricultura. O cinema independente é cultura nesse sentido bruto, um fenômeno que precisa ser um segredo da comunidade, constantemente trabalhada, aperfeiçoada e apreciada entre seus membros, primeiro para seu sustento, depois para o comércio nas cidades-dormitórios e centros populares nos portos em troca de umas moedas de ouro para enfiar nos decotes das messalinas. Logo, se vivemos numa época em que o conceito de comunidade se amplia (pois são todos agentes múltiplos, transitam entre várias comunidades, homem-hípertexto), logo a disseminação do seu trabalho produz ondas maiores. Claro, é tudo um bando de pé rapado que dificilmente vão te mandar um dólar pelo correio, mas mesmo assim.

Música independente é um fenômeno virtual de maior sucesso do que o cinema independente porque ainda aprecia-se a arcaica tradição de reunir-se fisicamente em torno de um palco, esses bárbaros. E talvez o cinema tenha cansado o seu formato porque o espaço-sala, com todos os THX e projeções digitais, não conseguiu transformar o ambiente-sala de cinema, ao contrário dos shows com iluminação, leões, demônios infláveis e trocas de vestuário. Talvez seja o caso de explorar um cinema que transforme o seu espaço enquanto exibido, um filme, assim, nuclear...

... bem, era só pra informar que a InDigEnt vai acabar.
  Bernardo Krivochein    quinta-feira, dezembro 07, 2006    3 comentários
 
 


INLAND EMPIRE: Trailer



David Lynch. INLAND EMPIRE. Trailer. YouTube. DV. Coelhos. Luz fluorescente. Distribuição independente. Indie 2007?

  Bernardo Krivochein    segunda-feira, dezembro 04, 2006    3 comentários
 
 





O movimento das imagens - justaposição

No cinema 1+1=3. Esta é a lógica da montagem que faz tudo ganhar sentido no filme. O jogo da justaposição, de associar as imagens, conjugando-as continuamente, elabora a noção de narrativa, temporalidade e espacialidade no cinema.
A primeira vez que assiste ao “Encouraçado Potemkin” - em uma sessão em 16mm que ajudei a organizar no Centro de Estudos da Comunicação da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG em 1983. Nesta época era uma raridade, pois o filme havia sido banido pela ditadura e, obviamente, não havia ainda a indústria do VHS - fiquei impressionado como todo o princípio cinematográfico estava condensado naquele filme. E a montagem era tudo!
A inversão desta maneira de organizar a seqüência das imagens foi definitivamente realizada pelos videoartistas. A ferramenta eletrônica veio permitir ao realizador compor a narrativa numa estrutura vertical, não-linear. E o mesmo arrebatamento que tive com Eisenstein, fui ter ao assistir o "Global Groove" de Nam June Paik, alguns anos mais tarde. No vídeo 2+2=5.
  Roberto Moreira S. Cruz    domingo, dezembro 03, 2006    0 comentários
 
 


Rio Móbile (Snaps)






  Pedro Meyer    sábado, dezembro 02, 2006    1 comentários
 
 



O movimento das imagens – repetição


Sempre que vemos a série de fotografias feitas por Edward Muybridge em meados do século XIX, nos sentimos atraídos a processar a idéia de movimento que está alí implícito. A pesquisa feita por este artista, com o intuito de provar que o movimento das coisas se dava através de uma repetição continuada, em série e imperceptível, formulou os primeiros mecanismos para a representação do movimento das imagens, que se concretizou efetivamente com cinematógrafo dos irmãos Lumiére. A invenção do cinema se dava essencialmente pelo princípio da repetição de uma imagem, descontinuada por quadros e capaz de representar instantâneos do mundo real.
Esta mesma possibilidade da repetição formatou as estilísticas do cinema de vanguarda de Hans Richter, Man Ray e Duchamp, que através da manipulação das cenas descontínuas, animação de elementos cênicos e experimentos com a imagem abstrata, criaram formas expressivas puramente sensoriais de se fazer cinema.
“Anemic Cinema” (1926) de Duchamp é uma brincadeira muita séria desta possibilidade. A imagem de uma espiral, em contínuo, cria a ilusão do movimento de algo que não sai do lugar (as formas espiraladas foram desenhadas por Duchamp em pranchas que são acionadas em um movimento giratório). Vale a pena conferir em http://www.ubu.com/film/duchamp.html.
  Roberto Moreira S. Cruz    sexta-feira, dezembro 01, 2006    0 comentários
 
 


Televisione-se


O You Tube é a concretização de tudo o que aprendíamos naquela disciplina famigerada de COMUNICAÇÂO COMPARADA dos cursos de Jornalismo e Rádio e TV. Ou melhor, é aquilo e muito mais! Os teóricos da comunicação adoravam falar de TV Comunitária, na criação de circuitos de exibição pública, na popularização da televisão através de sua regionalização, blábláblá... Pois bem, nenhum deles conseguiu prever que esta tal TV Comunitaria na verdade seria este mosaico de imagens que exibe tudo e todos, numa quantidade absurda de vídeos sobre todos os assuntos imagináveis e inimagináveis. Nenhum destes teóricos conseguiu prever que esta tal televisão, não teria edição, pauta, corte, censura, publicidade, gênero ou ideologia. Que ela seria uma multitude de informações vindas de todos os cantos do mundo e que fosse exibir o lixo e o luxo da produção audiovisual mundial. O You Tube é a coisa mais interessante que apareceu na Internet do século XXI e certamente é a primeira de uma série de propostas que vão aparecer num futuro próxima criando outras formas de se fazer televisão.
  Roberto Moreira S. Cruz    sexta-feira, dezembro 01, 2006    2 comentários
 
 



Ernesto Díaz Espinoza e Marko Zaror reunidos em nome de "Mirageman"
fonte: Emol.com

No catálogo do Indie 2006, "Kiltro" era um alienígena. Era também um dos meus títulos favoritos porque encapsulava aquilo que eu mais queria projetar no âmbito das possibilidades de cinematografia independente latina: o filme de Espinoza é abusado para cacete, não se faz de rogado frente à desproporcionalidade de seu orçamento com suas ambições e sabe perfeitamente o protagonista que tem - ver Marko Zaror saltando e esbofeteando geral, com aquele tamanho e com aquela velocidade, quebra um bom par de leis da física. E é divertido pra caralho! "Kiltro", Espinoza diz, é seu filme altamente acadêmico.

Seu próximo filme (que aparentemente já está concluído) e Espinoza considera-o "neo-realista", com influências de "Taxi Driver" e dos filmes do Homem-Aranha dos anos 70. Chama-se "Mirageman". Nele, Zaror interpreta o segurança noturno Maco Gutiérrez, que salva uma jornalista (Maria elena Swett) de um assalto. Quando a jornalista escreve um relato sobre um certo "herói mascarado" que salvara-lhe a vida, Gutiérrez aproveita para iniciar uma carreira resgatando os fracos e comprimidos.

O site da Mandrill Films deverá ser atualizado com o status da produção em breve. Se pelo menos o DVD de "Kiltro" saísse anes do Natal...
  Bernardo Krivochein    sexta-feira, dezembro 01, 2006    2 comentários
 
 



Sundance 2007: sai a lista não competitiva

...mas é como se fosse competitiva. Pessoalmente, festival sem filme de gênero, especialmente terror, é o fim - e muitos diretores desses eventos se rendem aos conceitos estabelecidos por uma certa intelligentsia, aí o freqüentador tem aquela overdose de filme cabeçudo e perde o paladar diferenciador entre o que é bom e o que é uma merda pretensiosa. Só na função de limpadores de paladar, o filme de gênero já justifica sua função - mas a gente sabe que é muito mais do que isso.

Terminado esse plugue autopromocional, vamos aos títulos:

- Além de "Teeth" e "Joshua", são mais duas as entradas de cinema de terror na mostra Midnight: "Fido" (Andrew Currie), produção canadense sobre um zumbi de estimação com distribuição garantida pela Lionsgate, e o independente "The Signal" (Dave Bruckner, Jacob Gentry, Dan Bush), sobre uma onda de psicopatia em uma sociedade influenciada pela mídia após a transmissão de um sinal maléfico.

- Katsuhiro Otomo ("Steamboy", "Akira"), mestre da animação japonesa, apresentará seu novo filme, "Bugmaster", baseado num mangá sobre um médico que combate criaturas infectadas por um vírus.

- "Smiley Face" é o novo filme de Gregg Araki ("Mistérios da Carne", "Geração Maldita", "Splendor"), a ser exibido na Midnight.

- Crispin Glover apresentará seu segundo filme: "It Is Fine! Everything Is Fine", baseado nos relatos de Steven C. Stewart, portador de parilisia cerebral, em relação ao mundo e especialmente às mulheres; Glover estrela "River´s Edge" (Juventude sei-lá-o-quê, aqui no Brasil, VTI Vídeo), que será apresentado em retrospectiva no mesmo festival. Adoro esse filme - pai de "Conta Comigo", "Mean Creek", "12 and Holding" e tantos outros envolvendo cidades do interior, jovens e cadáveres.

- "Delirious", o novo filme de Tom DiCillo ("Vivendo no Abandono", "Johnny Suede", "Uma Loira de Verdade").

- Estréias na direção: o ator Justin Theroux ("Mulholland Drive", "Six Feet Under"), com "Dedication"; a atriz e linda Sarah Polley mandando ver "Away From Her"; o ator e roteirista Mike White com "Year of the Dog"; e o irmão de Gwyzsutirneth Paltrow, Jake, dirigindo "The Good Night" com elenco mega-estelar retirado da agenda de telefones da irmã, suspeito (ué,tá mais do que certo, tem que fazer por onde).

- Hal Hartley retorna à direção com "Fay Grim", continuação de "As confissões de Henry Fool"! Steve Buscemi (por que ninguém falou por aqui do ótimo "O Solitário Jim"?) retorna à direção com "Interview", remake do filme de Theo Van Gogh! O diretor de "Hustle & Flow", Cragi Brewer retorna à direção com o pulp "Black Snake Moan" (pro qual Christina Ricci se produziu um ensaio erótico e enviou para o diretor para convencê-lo a dar-lhe o papel)!

- Esse não é novidade, já foi mega elogiado no Twitch, mas estou me mordendo de vontade de assistir: "Reprise" de Joachim Trier.

Entre muitos outros, incluindo-se aí alguns títulos já exibidos em festivais daqui ("Offscreen", "Zidane", "Red Road", etc.) e muitos outros a serem descobertos. Para ver a lista completa, é aqui.
  Bernardo Krivochein    sexta-feira, dezembro 01, 2006    2 comentários
 
 
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