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OCTOBUTT-NUMB-A-THON: Line-up revelado

fonte: Ain't It Cool News

No último fim de semana foi realizada a oitava edição do Butt-Numb-A-Thon, evento anual produzido pelo site fundamental de notícias cinematográficas, Ain't It Cool News, em comemoração do aniversário do webmaster Harry Knowles (na foto, apresentando uma edição anterior do evento). Desde 1999, a maratona de 24 horas de filmes e trailers ininterruptos, selecionados especialmente por Knowles e Tim League, gerente do cultuado cinema Alamo Drafthouse, a casa que abriga o evento, acontece em Austin, Texas.

Graças ao status adquirido pelo site, o Butt-Numb-A-Thon, que iniciou com uma seleção de filmes obscuros e pérolas redescobertas, tem conseguido exibir algumas das mais esperadas superproduções em primeira mão, mas sempre deixando espaço para títulos esquecidos do grindhouse cinema, drive-in cinema, horror e outros gêneros B, seja no formato de longas ou trailers. Às vésperas do evento, uma comoção de leitores e fãs se candidatam no desejo de serem um dos poucos selecionados a poder participar do evento (devido a capacidade do cinema) e são agraciados não apenas com os filmes, mas com pacotes de presentes recheados de DVDs, livros, CDs e memorabilias cinematográficas.

O mais importante do evento, no entanto, é fazer globalmente notória a comunidade cinematográfica de uma cidade americana fora do eixo Nova York-Los Angeles. Austin, Texas, que nos últimos anos produziu cineastas de renome como Richard Linklater, como tantas outras cidades, tem um público ávido e conhecedor de cinema, mas prejudicado por não habitarem uma metrópole ou uma capital. Iniciativas como a programação da Alamo Drafthouse e os eventos realizados pelo site de Knowles não apenas respiram nova vida e fazem a comunidade atualizar-se com o cinema mundial (apesar de fanboys, existe um saudável ecletismo por parte do staff do site), como, por um breve período de tempo, faz da cidade centro do especulativo universo cinematográfico. Para mostrar como a inclusão digital não é apenas virtual, taí: a parada é iniciativa pessoal. E tudo começou se falando de cinema, se falando do que se gosta.

Pois bem, esse é o line-up completo, na ordem em que os filmes foram apresentados no Alamo Drafthouse, do meio-dia de sábado ao meio-dia de domingo:

1) Chirpy (curta-metragem aparentemente sobre o amor erótico entre um passarinho e um cavalo)
2) Stunt Rock (trailer de culto sobre o filme da banda de hair metal Sorcery, que mistura rock e arriscadas cenas de dublê)
3) Raw Force (trailer)
4) Teenage Tramp (trailer)
5) The Telephone Book (trailer)
6) Black Snake Moan (o novo longa-metragem do diretor de "Ritmo de um sonho")
7) Dreamgirls (o novo e elogiado longa-metragem musical de Bill Condon, baseado na peça sobre a história das The Supremes)
8) Panama Blue (Trailer)
9) Female Animal (Trailer)
10) Baby Love (Trailer)
11) Girls are for Loving (Trailer)
12) Underage (Trailer)
13) Once Upon a Girl (Pornô vintage que deturpa os contos de fada; nada é superior a "Histórias que as babás não contavam")
14) Inherit the Wind (filme de 1960 estrelando Spencer Tracy e Gene Kelly, baseado no caso de um professor condenado por ensinar a teoria da evolução numa escola pública, em 1925)
15) Rocky (Trailer)
16) Rocky II (Trailer)
17) Rocky III (Trailer)
18) Rocky IV (Trailer)
19) Rocky V (o trailer foi interrompido de propósito por Tim League, porque o filme é uma merda e substituído pelo seguinte)
20) Introdução & saudações de Sylvester Stallone ao público da BNAT
21) Rocky Balboa (o novo longa e último episódio da série de Stallone - a exibição foi aparentemente um sucesso)
22) Fanboys (trailer do longa sobre um grupo de nerds a caminho do Skywalker Range para falar com George Lucas)
23) The Mafu Cage (Trailer)
24) The Buttercup Chain (Trailer)
25) Pepe (Trailer)
26) Matango (Trailer)
27) Knocked Up (o novo longa de Judd Apatow, de "O Virgem de 40 Anos")
28) Teen Wolf (ameaçaram 2 minutos do filme e League propositalmente o interrompe novamente pelo mesmo motivo, substituindo pelo seguinte)
29) Zwartboek 'Black Book' (o novo longa do excelente Paul Verhoeven, que dividiu a platéia)
30) In the Nick of Time (Trailer)
31) The Informer (filme de 1935 de John Ford)
32) Challenge of the Lady Ninja (Trailer)
33) The Legend of Hillbilly John (Trailer)
34) It Came Without Warning (Trailer)
35) Cannibal Girls (Trailer)
36) Curse (Trailer)
37) Raw Force (longa supostamente sobre zumbis ninjas canibais, apresentando uma quantidade muito comedida de zumbis ninjas canibais - aparentemente, o trailer exibido no começo do evento continha todas as melhores partes)
38) Smokin' Aces (novo longa-metragem de Joe Carnahan, de "Narc", sobre agentes de FBI convocados para proteger um informante fugitivo, batendo de frente com os mafiosos contratados para matá-lo)
39) Introdução e saudações de Joe Carnahan
40) 300 (novo longa-metragem de Zack Snyder)

  Bernardo Krivochein    Segunda-feira, Dezembro 11, 2006    0 comentários
 
 


Na Sombra das Palmeiras

Nesta sexta-feira, dia 15 de dezembro, o Sesc-SP da Avenida Paulista exibe, às 20:00 horas com entrada franca, o documentário "Na Sombra das Palmeiras" do diretor australiano Wayne Colle-Janess, dentro do projeto Encontros SESC Videobrasil (interessante que o tradicional festival de arte eletrônica está trazendo um diretor de cinémá, n´est pas? São os sinais de que mudanças ocorrerão? Peut-être...). O filme passou no último Festival do Rio, é de 2005 mas o diretor vai estar na sessão que será debatida com André Costa, professor de cinema da FAAP. O tema é quente.

"O filme traz uma perspectiva única da luta do povo iraquiano. Gravado antes, durante, e depois da tomada de Bagdá revela muitos aspectos sócio-culturais da vida na cidade ao longo de uma linha do tempo que vai de semanas antes até um ano depois da queda do regime de Sadam Hussein. O trabalho acompanha o dia a dia de um grupo de cidadãos de Badgá (um professor de poesia árabe, um sapateiro, o treinador da equipe olímpica de boxe do Iraque) para compor um retrato de rara proximidade de um evento do qual se conhece apenas a versão oficial."

Mais info e trailer do filme aqui

Algumas perguntas e repostas Wayne Colle-Janess foram divulgadas pela assessoria, confiram:

Quando você foi para Bagdá filmar In the Shadow of the Palms, quanto sabia da história que queria contar?
Minha viagem ao Iraque foi a primeira ao país. Tinha pouco conhecimento da sociedade e do povo. Minha motivação era abordar o tema de uma forma humana, pessoal. A única representação que a mídia ocidental tem do Oriente Médio são homens agressivos gritando “Jihad, Jihad”. Considerando a longa história da região, era lógico que houvesse ali um espectro amplo de pessoas, visões e posições. Queria oferecer ao mundo uma perspectiva mais variada sobre a vida no Iraque e, com isso, ajudar a construir uma compreensão melhor do povo, dos costumes e da cultura do Oriente Médio.

Você fez o documentário sozinho? Como chegou aos personagens do filme?
Fui e filmei sozinho. Ter alguém sob minha responsabilidade era perigoso demais. Cheguei aos personagens principais por acaso, gravando em bairros diferentes, percorrendo ruas tortuosas ou entrando em um carro com caras que não falavam a minha língua, na esperança de que me levassem a algo coisa interessante (e de que não estivessem me sequestrando).

Quais foram os momentos mais assustadores do processo?
A primeira vez que você ouve um míssil Cruise passar por cima de sua cabeça e explodir, é bem surpreendente. Quando a guerra começou, a imprensa foi colocada em dois hotéis: Palestine e El-Rashid. Consegui lugar em outro, em uma área civil. Lá, estava sujeito aos mesmos riscos que os iraquianos enfrentavam com os bombardeios, além das ameaças de retaliação dos próprios iraquianos. Fui preso pelas forças iraquianas, que me viam ao longe com a mochila nas costas e achavam que eu era um piloto abatido ou agente da CIA. Mas um dos momentos de tensão mais prolongada foi quando atravessei as linhas de combate para ir de Bagdá à fronteira da Síria. Foram 14 horas de viagem por uma estrada deserta, cheia de pedaços de veículos alvejados pouco antes e ainda fumegantes. Alguns eram militares, mas a maioria eram caminhões e ônibus.

Por que é tão raro que um veículo da mídia mostre a guerra de perto?
Muitas organizações são um reflexo da situação política de seus países e não estão interessadas em expandir a compreensão sobre essas situações. Quando um conflito envolve tantos países e coloca tanta coisa em risco em termos politicos e econômicos, há pouca tolerância às histórias individuais ou que humanizem o “inimigo”. E gasta-se em propaganda de guerra, que cria e mantém estereótipos de fanatismo, terrorismo, violência e sectarismo.

Como as platéias reagem a Shadow e o que o filme tem de tão pungente, em sua opinião?
Acho que as pessoas encontram no filme um forte sentido de realidade, de verdade, sem a manipulação da mídia ou do cinema. Do Japão à Alemanha, as platéias ficam igualmente chocadas ao perceber que “eles são exatamente como nós”. Em geral, as pessoas acham o filme envolvente, mas desnorteante, porque as histórias humanas se opõem a tudo o que viram antes sobre o Iraque.
(Francesca Azzi)
  INDIE    Segunda-feira, Dezembro 11, 2006    0 comentários
 
 


Água de Bebedouro de Cinema

Minha mãe me conta que quando eu estava na barriga dela o seu desejo de mulher grávida era beber água de bebedouro. Mas tinha que ser água de bebedouro de cinema. Assim ela fazia passeios à tarde pelo centro de Belo Horizonte, num circuito que compreendia o Cine Jacques, o Cine Metrópole e o Cine Guarani. Ela chegava no cinema e pedia ao porteiro para deixar ela entrar sem ter que pagar o ingresso, afinal ela não queria ver o filme (embora minha mãe adore ir ao cinema), ela queria apenas matar sua sede, ou matar o seu desejo de mulher grávida.
Às vezes acho que ela inventou esta história, só para dar um sentido divino e maternal para explicar meu amor ao cinema.

Ao lembrar desta história fiquei lembrando de como o cinema faz parte da minha vida, mesmo nas mais inusitadas relações. Relações que às vezes demoram décadas para se formar. Pois não é que quando criança e íamos visitar minha tia Virica na Barroca ela invariavelmente servia guaraná Antártica (sempre morno) numa taça de champagne, daquelas de boca larga, acompanhado de biscoito wafer. Invariavelmente também ela ligava aquela radiola de madeira e punha sempre um mesmo disco para tocar: um LP da Sarita Montiel, que entre outras músicas cantava... Volver. À distância, Almodóvar deve ter vivido o mesmo entre um granizado e outro tapa da sua abuelita querida...

Uma das minhas curiosidades (ou mania?) de menino era checar a bilheteria dos cinemas. Será que estava aí a minha vocação escondida de exibidor cinematográfico? Naquela época a gente comprava um ingresso de cinema e entregava ao porteiro. O porteiro rasgava o ingresso e jogava numa urna. Esta urna tinha uma face de vidro transparente...Sempre que passava de ônibus em frente ao Cine Pathé eu conferia a urna do cinema, para ver se estava cheia ou vazia... Já naquela época eu ficava intrigado com o público de cinema, que para mim até hoje é uma coisa difícil de compreender. Não entendia como filmes que eu adorava às vezes viviam as moscas, com a urna do cinema praticamente vazia e outros filmes que eu achava bobos ou apenas medianos estavam com a urna cheia até a boca.

Me lembro ainda do primeiro videocassete. A compra foi uma epopéia. Primeiro a dúvida: Beta ou VHS? Após enormes pesquisas por jornais, telefone de amigos (internet... quê isso? foi em 1900 e oitenta e pouco ...) Uhuuu... escolhemos a promissora tecnologia VHS. A compra em si foi uma verdadeira gincana, porque meus pais estavam viajando. O namorado da minha irmã tinha ido a Manaus a trabalho. Era seu último dia de viagem. Manaus nesta época era um paraíso das compras de eletrônicos ou seja, era uma oportunidade única. Depois de vários interurbanos meu pai autorizou a compra. Mas e o dinheiro? Começamos uma campanha com os amigos e parentes mais próximos para levantar a exorbitante quantia. Depois corremos para o Banco do Brasil para fazer uma transferência. Parece incrível ter vivido num tempo sem celular e sem cartão de crédito...Quando enfim chegou a maravilha ficamos embasbacados com o controle remoto, que nem era tão remoto assim...o controle era wire (sem o less mesmo...) Tinha um fio enorme ligando o controle ao aparelho. Mas o tal controle servia mesmo para dar pause, avançar ou rebobinar a fita. Só isso. Nem desligar o bicho o controle desligava. Mas foi uma grande emoção ligar o aparelho e ver a fita-demo (me perdoe, Roberto Carlos) com o locutor Celso Freitas dizendo: “Olá ! Você acabou de adquirir o mais moderno videocassete do mercado...” Depois disso fui correndo fazer minha carteirinha no Vídeo Clube do Brasil (nome pomposo, né?).

Mas isto são lembranças, reminiscências de um tempo que este existia...
  Eduardo Cerqueira    Quinta-feira, Dezembro 07, 2006    3 comentários
 
 


Os 50 Melhores Videoclipes de 2006 (via DoCopenhagen)

(na foto, Malajube: "-40º Montreal")

Para quem não pretende fazer nada pelos próximos 200 minutos.

Mas o melhor vídeo do ano é imbatível, até porque é o único filme do Cacá Diegues que presta:

  Bernardo Krivochein    Quinta-feira, Dezembro 07, 2006    2 comentários
 
 


InDigEnt pega o seu banquinho e sai de mansinho


fonte: Yahoo! News

Gary Winick declarou que a produtora InDigEnt fechará as portas em janeiro, pregando o caixão de uma iniciativa das mais bacanas a surgirem no universo corporativo cinematográfico americano. A produtora surgiu durante o "boom" das câmeras digitais no horizonte do cinema independente e esteve por trás de grandes êxitos como "O Tempo de Cada Um" (Rebecca Miller), "Tape" (Richard Linklater), "Terra da Fartura" (Wim Wenders e Apredenders), "Chelsea Hotel" (o "Hotel de Um Milhão de Pulgas" de Ethan Hawke) e aquele com a Katie Cruise no Dia de Ação de Graças que é bunitim.

O dogma da InDigEnt era ajudar cineastas trabalhando fora do esquema hollywoodiano, permitindo liberdade criativa e prerrogativa na montagem final, com orçamentos de no máximo one million dollars. Winick, que dirigiu a nova versão de "A Menina e o Porquinho", com Dakota Fanning (em breve nos cinemas para traumatizar toda uma nova geração de crianças com a história da aranha Charlotte, que tem a custódia de seus filhos tomada pela verdadeira mãe, a Natureza) justifica o fim da InDigEnt através de um ponto pacífico: agora os grandes estúdios possuem braços independentes (Fox Searchlight, Sony Pictures Classics, Rogue Pictures, Paramount Vantage, Warner Independent Pictures, etc.), que na realidade não passam de mini-estúdios com seus filmes de orçamento de só five, eight million dollars (como lamenta Steve Buscemi na reportagem - a foto que nos ilustra é de seu filme, "O Solitário Jim", também InDigEnt). Coisa pouca. Soma-se a isso o fato que, durante os governos de Reagan e Clinton, as leis que proibiam os estúdios a serem donos de cadeias de cinema foram pro beleléu e agora Rupert Murdoch pode ser dono de todos os cinemas de uma cidade se quiser. E tem a coisa da lucratividade, também.

No final da reportagem, Winick vê na Internet o meio pelo qual o cinema independente se tornará lucrativo de novo, ainda que o modo como isso ocorrerá ainda não tenha sido encontrado.

Aí é que tá a questão.

Não é impossível, mas duvido muito que downloads pagos tornem-se via de regra numa Internet que popularizou downloads de graça desde sabe-se lá quando. Duvido que o internauta aceite agora pagar por algo que normalmente consegue de graça. O mandamento bíblico de ordem na Internet é "não pagarás", inclusive nem mais o próprio acesso a ela se paga. A questão nos EUA é mais pelo código de honra, já que é um país enriquecido e cujo acesso à cultura mundial é mil vezes mais facilitado através da enxurrada de obras enquanto produtos que lá desembocam, até para incrementar sua visibilidade no seu próprio país de origem no seu momento de agringalhamento. Então, não acredito pessoalmente - mesmo que eu tenha certeza de que serei provado errado - de que a distribuição virtual (mas muito real) da obra em si será a solução pela qual o pobre cineasta independente conseguirá pagar seu parcelamento na Losango.

Onde o cinema independente perde - feio - e que a Internet realmente pode mostrar-se mais lucrativa é... publicidade. No mundo real, um outdoor no Times Square é um preço de uma mansão em Saint-Tropez. Orçamentos chegam a duplicar com o investimento de grandes estúdios na publicidade de seus filmes - e seu filme independente não tinha nem verba pro cafézinho, aí é foda. Publicidade na Internet quando dá certo é um inferno. Eu compro e aceito todo o hype que me atravessa o caminho pelo simples fato de que me provoca algo: uma excitação, uma curiosidade irrepreensível de se ter aquela experiêcia cinematográfica criada por um grupo de vizinhos em Manila. E estou prestes a pagar o preço que for. Minha última aventura dessa sorte foi comprar o DVD importado das Filipinas de "Sigaw" ("The Echo" nos EUA), que, aliás, veio sem legendas (Tagalog é uma língua estranha, tem um monte de palavras inglesas jogadas no meio, poderia pesquisar por quê no Wikipedia, mas faço isso depois), mas foda-se, assisti e gostei bem menos do que as exaltações me fizeram acreditar. Mas não interessa, porque isso me levou a assistir e ponto final. A Internet é como uma revista qualquer: uma coleção infinita de anúncios interrompidos por espasmos de texto. É o maior outdoor que existe e, portanto, precisa ser explorado estratégicamente. Fenômeno da autopromoção pessoal ("Meu nome é Carla Shirley, 14 aninhos, gosto eclético, vamu p Buzius eçe finde?"), o MySpace ampliou-se para servir de plataforma onde os artistas podem expõr seus trablahos e manter contato com o público/amigos. Esse conceito de apreciação comunitária me leva ao seguinte ponto:

A palavra "cultura" vem de "cultivar", do cultivo a terra, da agricultura. O cinema independente é cultura nesse sentido bruto, um fenômeno que precisa ser um segredo da comunidade, constantemente trabalhada, aperfeiçoada e apreciada entre seus membros, primeiro para seu sustento, depois para o comércio nas cidades-dormitórios e centros populares nos portos em troca de umas moedas de ouro para enfiar nos decotes das messalinas. Logo, se vivemos numa época em que o conceito de comunidade se amplia (pois são todos agentes múltiplos, transitam entre várias comunidades, homem-hípertexto), logo a disseminação do seu trabalho produz ondas maiores. Claro, é tudo um bando de pé rapado que dificilmente vão te mandar um dólar pelo correio, mas mesmo assim.

Música independente é um fenômeno virtual de maior sucesso do que o cinema independente porque ainda aprecia-se a arcaica tradição de reunir-se fisicamente em torno de um palco, esses bárbaros. E talvez o cinema tenha cansado o seu formato porque o espaço-sala, com todos os THX e projeções digitais, não conseguiu transformar o ambiente-sala de cinema, ao contrário dos shows com iluminação, leões, demônios infláveis e trocas de vestuário. Talvez seja o caso de explorar um cinema que transforme o seu espaço enquanto exibido, um filme, assim, nuclear...

... bem, era só pra informar que a InDigEnt vai acabar.
  Bernardo Krivochein    Quinta-feira, Dezembro 07, 2006    3 comentários
 
 


INLAND EMPIRE: Trailer



David Lynch. INLAND EMPIRE. Trailer. YouTube. DV. Coelhos. Luz fluorescente. Distribuição independente. Indie 2007?

  Bernardo Krivochein    Segunda-feira, Dezembro 04, 2006    3 comentários
 
 





O movimento das imagens - justaposição

No cinema 1+1=3. Esta é a lógica da montagem que faz tudo ganhar sentido no filme. O jogo da justaposição, de associar as imagens, conjugando-as continuamente, elabora a noção de narrativa, temporalidade e espacialidade no cinema.
A primeira vez que assiste ao “Encouraçado Potemkin” - em uma sessão em 16mm que ajudei a organizar no Centro de Estudos da Comunicação da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG em 1983. Nesta época era uma raridade, pois o filme havia sido banido pela ditadura e, obviamente, não havia ainda a indústria do VHS - fiquei impressionado como todo o princípio cinematográfico estava condensado naquele filme. E a montagem era tudo!
A inversão desta maneira de organizar a seqüência das imagens foi definitivamente realizada pelos videoartistas. A ferramenta eletrônica veio permitir ao realizador compor a narrativa numa estrutura vertical, não-linear. E o mesmo arrebatamento que tive com Eisenstein, fui ter ao assistir o "Global Groove" de Nam June Paik, alguns anos mais tarde. No vídeo 2+2=5.
  Roberto Moreira S. Cruz    Domingo, Dezembro 03, 2006    0 comentários
 
 


Rio Móbile (Snaps)






  Pedro Meyer    Sábado, Dezembro 02, 2006    1 comentários
 
 



O movimento das imagens – repetição


Sempre que vemos a série de fotografias feitas por Edward Muybridge em meados do século XIX, nos sentimos atraídos a processar a idéia de movimento que está alí implícito. A pesquisa feita por este artista, com o intuito de provar que o movimento das coisas se dava através de uma repetição continuada, em série e imperceptível, formulou os primeiros mecanismos para a representação do movimento das imagens, que se concretizou efetivamente com cinematógrafo dos irmãos Lumiére. A invenção do cinema se dava essencialmente pelo princípio da repetição de uma imagem, descontinuada por quadros e capaz de representar instantâneos do mundo real.
Esta mesma possibilidade da repetição formatou as estilísticas do cinema de vanguarda de Hans Richter, Man Ray e Duchamp, que através da manipulação das cenas descontínuas, animação de elementos cênicos e experimentos com a imagem abstrata, criaram formas expressivas puramente sensoriais de se fazer cinema.
“Anemic Cinema” (1926) de Duchamp é uma brincadeira muita séria desta possibilidade. A imagem de uma espiral, em contínuo, cria a ilusão do movimento de algo que não sai do lugar (as formas espiraladas foram desenhadas por Duchamp em pranchas que são acionadas em um movimento giratório). Vale a pena conferir em http://www.ubu.com/film/duchamp.html.
  Roberto Moreira S. Cruz    Sexta-feira, Dezembro 01, 2006    0 comentários
 
 


Televisione-se


O You Tube é a concretização de tudo o que aprendíamos naquela disciplina famigerada de COMUNICAÇÂO COMPARADA dos cursos de Jornalismo e Rádio e TV. Ou melhor, é aquilo e muito mais! Os teóricos da comunicação adoravam falar de TV Comunitária, na criação de circuitos de exibição pública, na popularização da televisão através de sua regionalização, blábláblá... Pois bem, nenhum deles conseguiu prever que esta tal TV Comunitaria na verdade seria este mosaico de imagens que exibe tudo e todos, numa quantidade absurda de vídeos sobre todos os assuntos imagináveis e inimagináveis. Nenhum destes teóricos conseguiu prever que esta tal televisão, não teria edição, pauta, corte, censura, publicidade, gênero ou ideologia. Que ela seria uma multitude de informações vindas de todos os cantos do mundo e que fosse exibir o lixo e o luxo da produção audiovisual mundial. O You Tube é a coisa mais interessante que apareceu na Internet do século XXI e certamente é a primeira de uma série de propostas que vão aparecer num futuro próxima criando outras formas de se fazer televisão.
  Roberto Moreira S. Cruz    Sexta-feira, Dezembro 01, 2006    2 comentários
 
 



Ernesto Díaz Espinoza e Marko Zaror reunidos em nome de "Mirageman"
fonte: Emol.com

No catálogo do Indie 2006, "Kiltro" era um alienígena. Era também um dos meus títulos favoritos porque encapsulava aquilo que eu mais queria projetar no âmbito das possibilidades de cinematografia independente latina: o filme de Espinoza é abusado para cacete, não se faz de rogado frente à desproporcionalidade de seu orçamento com suas ambições e sabe perfeitamente o protagonista que tem - ver Marko Zaror saltando e esbofeteando geral, com aquele tamanho e com aquela velocidade, quebra um bom par de leis da física. E é divertido pra caralho! "Kiltro", Espinoza diz, é seu filme altamente acadêmico.

Seu próximo filme (que aparentemente já está concluído) e Espinoza considera-o "neo-realista", com influências de "Taxi Driver" e dos filmes do Homem-Aranha dos anos 70. Chama-se "Mirageman". Nele, Zaror interpreta o segurança noturno Maco Gutiérrez, que salva uma jornalista (Maria elena Swett) de um assalto. Quando a jornalista escreve um relato sobre um certo "herói mascarado" que salvara-lhe a vida, Gutiérrez aproveita para iniciar uma carreira resgatando os fracos e comprimidos.

O site da Mandrill Films deverá ser atualizado com o status da produção em breve. Se pelo menos o DVD de "Kiltro" saísse anes do Natal...
  Bernardo Krivochein    Sexta-feira, Dezembro 01, 2006    2 comentários
 
 



Sundance 2007: sai a lista não competitiva

...mas é como se fosse competitiva. Pessoalmente, festival sem filme de gênero, especialmente terror, é o fim - e muitos diretores desses eventos se rendem aos conceitos estabelecidos por uma certa intelligentsia, aí o freqüentador tem aquela overdose de filme cabeçudo e perde o paladar diferenciador entre o que é bom e o que é uma merda pretensiosa. Só na função de limpadores de paladar, o filme de gênero já justifica sua função - mas a gente sabe que é muito mais do que isso.

Terminado esse plugue autopromocional, vamos aos títulos:

- Além de "Teeth" e "Joshua", são mais duas as entradas de cinema de terror na mostra Midnight: "Fido" (Andrew Currie), produção canadense sobre um zumbi de estimação com distribuição garantida pela Lionsgate, e o independente "The Signal" (Dave Bruckner, Jacob Gentry, Dan Bush), sobre uma onda de psicopatia em uma sociedade influenciada pela mídia após a transmissão de um sinal maléfico.

- Katsuhiro Otomo ("Steamboy", "Akira"), mestre da animação japonesa, apresentará seu novo filme, "Bugmaster", baseado num mangá sobre um médico que combate criaturas infectadas por um vírus.

- "Smiley Face" é o novo filme de Gregg Araki ("Mistérios da Carne", "Geração Maldita", "Splendor"), a ser exibido na Midnight.

- Crispin Glover apresentará seu segundo filme: "It Is Fine! Everything Is Fine", baseado nos relatos de Steven C. Stewart, portador de parilisia cerebral, em relação ao mundo e especialmente às mulheres; Glover estrela "River´s Edge" (Juventude sei-lá-o-quê, aqui no Brasil, VTI Vídeo), que será apresentado em retrospectiva no mesmo festival. Adoro esse filme - pai de "Conta Comigo", "Mean Creek", "12 and Holding" e tantos outros envolvendo cidades do interior, jovens e cadáveres.

- "Delirious", o novo filme de Tom DiCillo ("Vivendo no Abandono", "Johnny Suede", "Uma Loira de Verdade").

- Estréias na direção: o ator Justin Theroux ("Mulholland Drive", "Six Feet Under"), com "Dedication"; a atriz e linda Sarah Polley mandando ver "Away From Her"; o ator e roteirista Mike White com "Year of the Dog"; e o irmão de Gwyzsutirneth Paltrow, Jake, dirigindo "The Good Night" com elenco mega-estelar retirado da agenda de telefones da irmã, suspeito (ué,tá mais do que certo, tem que fazer por onde).

- Hal Hartley retorna à direção com "Fay Grim", continuação de "As confissões de Henry Fool"! Steve Buscemi (por que ninguém falou por aqui do ótimo "O Solitário Jim"?) retorna à direção com "Interview", remake do filme de Theo Van Gogh! O diretor de "Hustle & Flow", Cragi Brewer retorna à direção com o pulp "Black Snake Moan" (pro qual Christina Ricci se produziu um ensaio erótico e enviou para o diretor para convencê-lo a dar-lhe o papel)!

- Esse não é novidade, já foi mega elogiado no Twitch, mas estou me mordendo de vontade de assistir: "Reprise" de Joachim Trier.

Entre muitos outros, incluindo-se aí alguns títulos já exibidos em festivais daqui ("Offscreen", "Zidane", "Red Road", etc.) e muitos outros a serem descobertos. Para ver a lista completa, é aqui.
  Bernardo Krivochein    Sexta-feira, Dezembro 01, 2006    2 comentários
 
 


"Atos dos Homens" premiado no 28º Festival de Nantes

O documentário "Atos dos Homens" de Kiko Goifman dividiu o prêmio Golden Montgolfier na categoria documentário com o taiwanês "Yellow Box" Huang Ting-Fu, no Festival des 3 Continents, que reúne as cinematografias contemporâneas da América Latina, Ásia e África. Os irmãos Montgolfier foram os criadores do primeiro balão tripulado, btw.

O elogiado filme aborda a violência urbana a partir da chacina em Vigário Geral e foi exibido em Gramado, na Mostra de SP, na Berlinale e especialmente no Indie 2006, valeu? Parabéns a Goifman e toda sua equipe.

A lista completa dos vencedores do Festival de Nantes (que incluem ainda os hermanos "arrentinos": "Glue", recentemente exibido no MixBrasil, e "Meanwhile", além do prêmio de melhor direção para "Rain Dogs") pode ser vista aqui
  Bernardo Krivochein    Quinta-feira, Novembro 30, 2006    0 comentários
 
 



Sundance 2007: sai a lista competitiva

A lista completa da próxima edição do Festival de Sundance (18-28 janeiro próximo) em Park City, EUA para as competições de narrativas dramáticas e documentais, tanto nacional e internacional, foi liberada hoje pela produção, restando apenas a liberação dos títulos das mostras Premiere, Spectrum, Novas Fronteiras e a melhor de todas, a Midnight, programada para amanhã.

Geoffrey Gilmore, diretor do festival e pai de Lorelai, afirma que este é um momento crucial para o cinema independente, que se revela mais interessado no engajamento do que nas inovações, sabe-se lá técnicas ou narrativas. Ele louva a produção inependente que se expandiu pelo mundo inteiro, o que se revela na diversidade de línguas e culturas presentes nas obras - a gente só pode ligar esse aumento na produção independente mundial ao barateamento da maquinária e as facilidades na disseminação das obras. Ironicamente, o festival se expandiu para um shopping alguns quilômetros de Park City, uma sala que só exibe 35mm, sem infraestrutura para um cinema em que o digital impera. Oops. Nada que não seja facilmente resolvido.

Entre as seleções, dois brasileiros: "Acidente" de Cao Guimarães e Pablo Lobato e "O Cheiro do Ralo" de Heitor Dhalia, além de "Snow Angels", novo filme de David Gordon Green ("Contracorrente", "George Washington") e estrelando Amy Sedaris de "Strangers With Candy", "The Legacy" de Gela e Temur Babluani ("13- Tzameti", dirigido por Gela, é um dos filmes mais bacanas que assisti em 2006), "La Faute à Fidel" estrelando Julie Depardieu e o italiano Stefano Accorsi, o primeiro longa de ficção de Zoe Cassavetes após o ótimo docu "Z Channel - A Magnificent Obsession" e um tal de "Teeth" que sôa bem interessante.

O filme de abertura será o documentário "Chicago 10" de Brett Morgen, de "O Show Não pode Parar", sobre os protestantes anti-guerra que entraram em confronto com a polícia em 1968.
  Bernardo Krivochein    Quinta-feira, Novembro 30, 2006    2 comentários
 
 


A solução para muitos (ou alguns) indies #2



Complementando a notinha do Bernardo abaixo, sobre os indies americanos duas coisas:

1- A indieWire, que todo ano faz uma lista de filmes chamada "Undiscovered Gems"( poderia traduzir como "Pérolas (não)descobertas"...), este ano, com o patrocínio do New York Times e do Emerging Pictures ( uma espécie de Rain Digital ou coisa que o valha...) e com o apoio do California Film Institute e do Sundance Channel, está exibindo 8 longas independentes em vários cinemas pelos Estados Unidos, que não foram distribuídos comercialmente . Entre eles estão, além do "Four Eyed Monsters", o último do Jem Cohen "Chain", "Puffy Chair", "Red Doors", "Mutual Aprecciation", "Room", "Human Touch" do Paul Cox, e "Massaker". Isto também é um bom caminho para filmes que não conseguem chegar as salas de exibição comercial. Todos em digital, claro.

2- Veja a lista dos indicados ao Spirit Awards com seus próprios olhos e entenda que os limites entre o cinema independente e o cinema industrial/comercial/produzido nos grandes estúdios americanos é uma linha bem frágil. Muitos nomes em comum aos dois lados, e muitos nomes que já representaram, no passado, um "espiríto indie". Por exemplo, competem como melhor diretor, na mesma categoria, Robert Altman e Steven Soderbergh e a atriz e diretora quase novata Karen Moncrieff ( que dirigiu "Blue Car" que vc pode encontrar em DVD e agora está com o "The Dead Girl" com Toni Collete ( foto)), lado a lado. Dos competidores a melhor filme, apenas "Pequena Miss Sunshine" estreou por aqui. Ah! E o "Four Eyed Monsters" está concorrendo ao John Cassavetes Awards e melhor fotografia. O talento de Arin Crumley e Susan Buice, acho eu, vai longe.

Mais uma: o filme "Acidente" de Cao Guimarães e Pablo Lobato foi selecionado para a competição de documentários do World Cinema do Sundance Film Festival 2007! ( Veja os selecionados). "O Cheiro do Ralo" de Heitor Dhalia também, só que na competição dramática da categoria World Cinema.

(Francesca Azzi)
  INDIE    Quinta-feira, Novembro 30, 2006    0 comentários
 
 



Natal de merda

"Black Christmas" é o début do diretor Bob Clark, mais conhecido por aqui pelo clássico da Sessão da Tarde "Uma História de Natal", o filme do garoto loirinho e de óculos que deseja uma espingarda de chumbinho no Natal e acaba com a língua congelada a um poste de rua. "Christmas" é conhecido por estabelecer o POV do assassino (sim, o filme é 4 anos pré-"Halloween", quase uma cópia carbono deste) e célebre por ser o primeiro de uma série de slashers que se seguiriam (Jason a encarnação mais bem sucedida). Tenho esse filme em DVD usado há algum tempo, acho bem bacana todo o set-up numa casa de fraternidade, mas o que mais me marcou foi a universitária bêbada interpretada por Margot Kidder. Hilário! O remake, agora com o título vertido para "Black X-Mas" (aqui, "Natal do Terror" com previsão de estréia para 29 de dezembro) tem o nome de Glen Morgan ("Willard", "Premonição") creditado na direção, mas não se enganem. Quem comandou o show aqui foram os produtores.

Numa exclusiva para o site Arrow In The Head, John Fallon relata que até agora foram 4 as refilmagens impostas pelos produtores, que tiraram Morgan do barco e pintaram e bordaram para deixar o filme com cenas mais palatáveis para a equipe de publicidade. Ele lista que as seguintes cenas foram realizadas apenas para serem inclusas no trailer, ficando de fora do filme:

- O homem enrolado em luzes de Natal sendo sugado pela máquina;
- A mão que emerge do gelo e pega uma vítima;
- Cadáver que cai do sótão, pendurado por luzes de Natal;
- Billy colado ao teto feito uma aranha.

Ele também relata que o consenso geral pelas exibições-teste é que os primeiros 20 minutos são ótimos e o resto o cúmulo da tosqueira.

Refilmagens - ou reshoots - visando apenas a publicidade do filme tem acontecido desde "O Fugitivo", no qual a cena em que Tommy Lee Jones declama que vai procurar Harrison Ford até no cu do Judas foi concebida pela equipe de marketeiros e se tornou - por bem ou por mal - a cena mais célebre do filme. Mas aí está seu filme de Cinemark, pro bando de otários que acredita que o cartaz dependurado em shopping anuncia um filme e não um produto feito a vitrine da Leader Magazine.
  Bernardo Krivochein    Terça-feira, Novembro 28, 2006    0 comentários
 
 


A Atual New Wave Independente Norte-Americana



(still do filme "Dance Party USA)

A história do cinema é determinada por movimentos - sejam eles frutos das iniciativas em comum de cineastas normalmente conterrâneos, ou cunhadas por j0rnalistas e estudiosos. Enquanto muitos acreditam que a globalização enfraquece o potencial revolucionário de técnicas cultivadas em territórios distantes (que, de fato, precisam ser buriladas em segredo por um certo período até atingirem um formato/linguagem mais sólido), outros se utilizam do enorme leque aberto pelos avanços da tecnologia para ampliar seus contatos e discussões. Exemplo são os vários títulos internacionais que adotaram para si as normas do dinamarquês Dogme 95 (mesmo sem conseguirem a notoriedade dos títulos originais).

Abaixo da linha do hype formal das grandes publicações, disseminado pela rede através dos criadores, participantes e espectadores que os apreciam, ferve um novo movimento: sem maiores alardes, mas firme e constante que começa a chamar a atenção da mídia apenas vários títulos realizados depois. Conhecendo-se através dos vários festivais mantidos por todos os EUA, um grupo de jovens realizdores, quando não estão dirigindo seus próprios filmes, colaboram na realização dos filmes dos colegas. Espalhados por vários estados (Nova York, Massachussets, Texas, Califórnia, etc...), unem-se no objetivo único de fazer cinema e fazem-se notar através dos próprios blogs, publicações especializadas e pelos comentários de espectadores, tão facilmente postados e encontrados pela Internet. Cinema independente realizado com pouco orçamento e integridade artística no famoso esquema da brodagem.

Poderíamos considerar Michael Tully o nosso foco central, de onde poderemos espalhar nossa perspectiva. Diretor do elogiado "Cocaine Angel" e mantenedor do ótimo blog "Boredom at its boredest" da IndieWire, Tully tem o privilégio de não apenas conhecer os realizadores como a oportunidade de estar a par das várias produções, chegando a assistí-las de antemão.

A rede se amplia. Ligados pela iniciativa independete e pelo apreço sincero que cada um dos diretores nutre pelas obras dos colegas, além de apoiados por cinemas que se dispõem a exibir essas obras normalmente com distribuição ou limitada ou inexistente. O mais recente título é "Dance Party USA" de Aaron Katz, ex-funcionário do Pioneer Theatre onde o filme está fazendo seu circuito. Nele, dois jovens de uma cidade dos EUA finalmente se conhecem, quebrando a morosidade de seu cotidiano. O ponto de cisão do filme é um elogiado plano-seqüência de 20 minutos em que Gus revela seu passado sombrio.

Joe Swanberg tem chamado a atenção desde seu primeiro filme, o explícito e contundente "Kissing on the mouth", uma reflexão sobre as relações entre os jovens recém-formados e com problemas de perspectivas em suas vidas. Após "Kissing...", Swanberg dirigiu "LOL", elogiado pela IndieWire e Film Threat e, aos 25 anos, já concluiu seu terceiro filme, o aguardado "Hannah takes the stairs", além de comandar uma ousada série de webpisodes, "Young American Bodies". Swanberg já foi comparado a Fassbinder pela sua atividade e franqueza.

"Hannah takes the stairs" tem participação de Andrew Bujalski, que já se tornou figura de culto por aqui após a exibição de "Mutual Appreciation" no Festival do Rio. Talvez o nome de maior destaque entre o bando, Bujalski alinha com "Mutual..." o bem recebido "Funny Ha Ha". Seu trabalho engrossa a mesma linha estética dos primeiros trabalhos de John Cassavetes e Jim Jarmusch. Improvisação, verborragia e uma intrincada rede de relações que corre feito um lençol d'água sob o assoreamento dos diálogos.

Outros títulos aumentam o movimento, os debuts de diretores como os irmãos Duplass (de "The Puffy Chair", sucesso no SXSW de 2005) e "The Guatemalan Handshake" de Todd Rohal. Exibido no Indie 2005, "Four Eyed Monsters" tornou-se o filme mais inovador pelos teclados da IndieWire. O longa de Arin Crumley e Susan Buice, também integrantes do grupo, driblou os obstáculos de distribuição e, assim como fez David Lynch e seu "INLAND EMPIRE", os diretores optaram pela independência também no modo como trariam seu filme ao público.

A maioria dos filmes é realizado em vídeo digital (as exceções são poucas) e a mídia eletrõnica encarrega-se de fazê-los notar (e aguardar) pelo público. Os festivais fornecem a janela e a descoberta - como bem deveria ser. E a independência vai além de sua produção: não há froneira geográfica que impeça um amigo que se voluntaria a participar, não há engravatado que fique no caminho entre o filme e seu público. E, mesmo sem se conhecerem anteriormente, os cineastas se tornaram atraídos pelas mesmas filmografias e estéticas. Ao encontrarem-se, identificam-se. Um movimento que, ao invés de partir de uma pedra fundamental de discussões entre já conhecidos, vai acidentalmente descobrindo e amalgamando as obras que o construirão.

UPDATE: "Four eyed monsters" é um dos indicados ao prêmio de Melhor Primeiro Filme no Independent Spirit Awards (assim como "Man Push Cart").

  Bernardo Krivochein    Segunda-feira, Novembro 27, 2006    2 comentários
 
 


Diretor de Bollywood

Descobri esse site que é um passatempo divertido. O BombayTV aproveita do estilo melodramático e da estética colorida de Bollywood e disponibiliza alguns trechos de filmes para que você crie a legenda.

Quando fui fazer o meu não sabia bem como funcionava e escrevi a legenda antes de escolher a cena. Por sorte, a primeira cena que abri encaixou diretinho com o diálogo e ficou até engraçadinho. Dá para assistir minha obra de arte aqui.

Se você ficar orgulhoso do seu filminho pode mandar pros amigos e convidá-los para participar.

bombayTV
  Bel Furtado    Segunda-feira, Novembro 27, 2006    0 comentários
 
 



Nada de novo no front


Sou de uma geração que aprendeu a gostar de cinema americano por causa de cineastas como Francis Ford Copolla, Steven Spielberg e Martin Scorsese. Os filmes deste trio fizeram renascer a possibilidade de cinema inteligente em Hollywood nos anos 70 e 80, numa época crítica para o cinema no mundo todo. Além de bons filmes, a referência histórica destes diretores era John Ford, Hitchcoch, John Houston, o cinema de autor e, obviamente, Orson Welles. Copolla dizia algo assim: o bom filme é aquele que constrói através da imagem em movimento o que não se pode dizer com as palavras.
Eles sabiam fazer isso e, talvez, dentre os três o mais esteta fosse Scorsese. Filmes como Táxi Driver, Touro Indomável, A ultima tentação de Cristo, Bons Companheiros e Cabo do Medo são atemporais. Aulas de cinema! Mas já há algum tempo este cineasta vem devendo um grande filme. “Os Infiltrados” tinha tudo para ser a sua redenção. História interessante, trio de atores parada dura (Nicholson, Damon e DiCaprio), Michael Ballhaus na cinematografia e Thelma Shoonmaker editando. A medida que o filme vai se desenrolando, as expectativas não vão se confirmando, e confesso que saí profundamente decepcionado com o filme. São primárias as soluções finais da trama, que poderia render uma excelente construção de personagens, mas que não vai além de uma sucessão de fatos dramáticos que complicam a história a ponto de ter de ser resolvida de forma banal – obviamente não vou contar o final do filme – mas saiba que não é lá grandes coisas. Apesar da decepção, é possível que a academia resolva finalmente premiar Scorsese, dando-lhe uma estatueta, pois na terra de cegos que tem um olho é rei.
  Roberto Moreira S. Cruz    Sábado, Novembro 25, 2006    0 comentários
 
 


A solução para muitos indies



Teoricamente, o circuito de exibição não comporta o alto número de filmes independentes produzidos por ano, nem nos Estados Unidos, nem aqui, nem na China! Para os indies vale e muito a exibição em festivais mas, às vezes, nem os mais premiados encontram distribuição. Depois do circuito de festivais pelo mundo, se não entram em cartaz, qual o caminho?

Um pouco para resolver este gap no mercado independente, o festival Cinequest de San Jose, na Califórnia, que acontece há 15 anos, está lançando um selo de dvds com 35 títulos que participaram do festival, alguns premiados e que você pode comprar on-line. Seguindo o caminho do Sundance (que completou 25 anos em 2006!), o Cinequest é o segundo festival norte-americano a lançar filmes para seus espectadores fora da sala escura, e como distribuidora promete, tem planos que vão além dos dvds e filmes através da Internet, para TV e cinema mesmo.

Entre os 35, está "Awful Normal", documentário de 2004, super premiado pelo festival e que teve seus dias de glória n o programa da Oprah ( Isto é bom ou ruim? Lógico que o filme trata da questão do abuso sexual infantil, um dos assunto preferidos e obsessivamente perseguido por Oprah, além de outros mais leves como obesidade ou eating disorders e alcoolismo).

Tá certo que os filmes não são do último ano, mas valem uma conferida, claro. E na esperança que projetos assim passem a existir por aqui... para o Indie, um dia, quem sabe?

(Francesca Azzi)
  INDIE    Sexta-feira, Novembro 24, 2006    0 comentários
 
 



Carneiros, estrelas e listas...

Em noites de insônia eu não conto carneirinhos... eu conto filmes, atores, atrizes, diretores. Faço o meu personal adedanha cinematográfico. A maneira de jogar não é muito clara, afinal eu torço pra perder sempre... e dormir. As regras são caóticas e mudam com o meu humor insone ou como um córtex cerebral, já afetado pela tintura do Jaça, do Silvio Santos. (parêntesis necessário: eu não conheço ninguém que muda tanto as regras de um jogo como aquele ser... no ar com milhares de espectadores...) Mas compartilho esta fórmula de dormonid genericamente cinematográfico aqui e quem sabe assim me livro desta obsessão. Me ajudem a fechar algum ciclo de algumas destas listas malucas, porque uma vez fechadas eu posso até esquecê-las.
Posso começar mais ou menos assim: Um Dia Muito Especial, Dois Anjos, Três Enterros, Quatro Casamentos e Um Funeral, As Cinco da Tarde, Seis Dias, Seis Noites, Os Sete Gatinhos, O Oitavo Dia, Nove Semanas e Meia de Amor, Dez, Onze Homens e Um Segredo, Os Doze Macacos, Aos Treze, 14 Juilett, 15 Minutos, 16 Quadras, ... e acaba invariavelmente com 101 Dálmatas. Esta é uma lista fechada contida e quase sempre repetitiva.

Esta lista pode ser substituída na seqüência pela dificílima relação de nomes de atores e atrizes com as letras iniciais do nome e do sobrenome iguais: Anouk Aimee, Brigitte Bardot, Claudia Cardinale, Doris Day, com E não lembro de nenhum, Frances Farmer, Greta Garbo, Helen Hunt, terminando invariavelmente com Zaira Zambelli – tudo bem apelei, mas ela brilhou ao lado de Fábio Junior no adorável Bye Bye Brasil do Cacá Diegues nos idos de 1980. Tenho muito cuidado com esta lista porque ela pode me vencer pelo cansaço, ou pela obsessão de preencher as vagas impossíveis na letra E, I ... aí não durmo nem que Susan Sarandon sutilmente sugerisse sedativos...

Outra possibilidade é pensar na“primeira vez que”. O filme que me lembro de ter visto pela primeira vez no cinema foi Dr. Dolittle. A primeira vez que eu vi um filme do Fellini foi no Cine Pathé: Amarcord. A primeira vez que eu vi um filme proibido para menores de 18 anos foi em 1978: A Dama do Lotação. O primeiro documentário que eu vi foi Corações e Mentes. O primeiro (e único) filme em 70 mm que eu vi foi Sete Noivas Para Sete Irmãos. A primeira vez que eu vi uma estrela de cinema de verdade foi em Veneza (a atriz era Nicole Kidman). O primeiro filme-catástrofe que eu vi foi Inferno na Torre. A primeira vez que eu chorei no cinema foi com O Morro dos Ventos Uivantes. A primeira vez... foi intensa e foi tarde...
  Eduardo Cerqueira    Sexta-feira, Novembro 24, 2006    1 comentários
 
 



Imagem do Outro 3

Sexo, drogas e punk rock. Este é o universo retratado pela fotografa Nan Goldin. Quartos de hotéis de quinta categoria, travestis, drogados, putas e perdidos na noite. Tudo o que a moral e os bons costumes sempre rejeitaram. E porque, afinal, estas imagens fazem tanto sucesso? Os anos pós-aids, de conexões e sexos virtuais e desesperanças fizeram com que a sociedade ficasse menos hipócrita e assumisse mais as suas imperfeições. Vale tudo e tudo vale! As histórias veladas que cada um de seus retratados nos contam em imagens, falam um pouco da desilusão, solitude e dos descaminhos da vida.
Existe uma linha do tempo que explica essa tendência. Beatnicks, rebeldes transviados, selvagens da motocicleta, pin ups e bombshells, Woodstock, hippies, freaks, punks e drags. As imagens do outro de Nan Goldin prosseguem esta história de antiheróis e mitos rebeldes da contracultura. Seus personagens se completam ao justapormos uma foto com outra, compondo-as como numa montagem cinematográfica. A narrativa de uma geração ao som de “My Way” na voz de Sid Vicious.
  Roberto Moreira S. Cruz    Quinta-feira, Novembro 23, 2006    1 comentários
 
 



Imagem do Outro 2

Já há alguns anos a Bienal de São Paulo abandonou o projeto da sala especial para obras históricas de suas edições. Foram os tempos em que ir a Bienal era também uma oportunidade de ver e rever obras importantes da história da arte do século XX. Passaram por ela salas especiais de Malevitch, Picasso, Mondrian, só pra citar aqueles que me lembro agora...
Mesmo assim, a Bienal tem apresentado alguns artistas que, se não fazem parte de uma mitologia tão definitiva da arte ocidental, pelo menos já são celebrados como nomes antológicos neste contexto. A Bienal deste ano tem obras de artistas importantes do que poderíamos chamar da turma da terceira idade da exposição. Marta Gordon Clark, Dan Grahan, Marcel Broothaers e Leon Ferrari. Dentre eles esta Ana Mendieta. Artista cubana que fez carreira nos Estados Unidos e pertenceu à geração das artes do corpo nos anos 70. Ana é sem dúvida um dos nomes mais importantes desta geração de mulheres artistas – ao lado de Marina Abramovic, Yoko Ono, e algumas outras poucas - que ajudaram a mudar um certo tom de preconceito que havia ainda naquela época sobre o sexo feminino. Ana Mendieta usava seu prórpio corpo ou uma representação deste em suas performances, misturando sua anatomia com a natureza, deitada sobre a terra, coberta de pedras, ensanguentada sob lençóis. Atos de sacrifício e imolação. Em suas obras a figura da mulher, muitas vezes representada pelo seu próprio corpo, é sacralizado em rituais de passagem e libertação da moral e ética da cultura masculina .
Ana morreu jovem, aos 37 anos e sua sala na Bienal é uma bela homenagem póstuma ao seu ativismo estético.
  Roberto Moreira S. Cruz    Quinta-feira, Novembro 23, 2006    0 comentários
 
 



Imagem do outro

Nos anos 80 e início dos 90 a fotógrafa Cindy Sherman apareceu no cenário das artes visuais como uma artista incomum. Criando auto-retratos de personagens que ela mesma protagonizava, Cindy simulava situações e criava "climas" cinematográficos e teatrais.
Sua façanha estava em "maquiar" a realidade, rompendo de forma sutil e irônica com a idéia de que a fotografia é uma representação fiel das pessoas. Nas fotos de Cindy, por mais que estas fossem retratos que remetessem ou revelassem traços de um outro, tudo não passava de uma simulação ou encenação da identidade de um personagem protagonizado por ela mesma.
No documentário "Cindy Sherman" , realizado em 1986, o truque delicado de Sherman é revelado pelo olhar de Michael Auder. Sem firulas ou interferências sobre a narrativa, o filme é o que poderíamos chamar de cinema verdade levado ao extremo. A câmera despojada de Auder - uma gravaçao feita em vídeo formato U-matic (está lá aquela imagem meio desbotada e azulada típica deste formato de vídeo muito utilizado na época) - colocada em um canto do estúdio da artista, flagrava indiscretamente todo o processo de elaboração de Sherman, se fantasiando de alguém, para ser enquadrada por sua própria câmera. Uma certa perversão, uma travessura lúdica, uma brincadeira levada muito a sério pela fotógrafa.
As imagens de Sherman não negam a sua competância de mostrar cenas, situações, flagrantes, instantes fugazes de uma coleção de personagens enigmáticos, estranhos, sedutores, ingênuos.
As fotos de Sherman são como uma antologia de tipos e caracteres de uma iconografia moderna que ao longo do século XX - o século das imagens - habitou nossa memória visual.
  Roberto Moreira S. Cruz    Quarta-feira, Novembro 22, 2006    2 comentários
 
 



"Hot Fuzz": Revelado novo pôster oficial


No vídeo de stand-up comedy "Notorious C.H.O.", a desbocada descendente de coreanos Margaret Cho confessa que gostaria de ser um homem gay e para afirmar sua posição, compara os anúncios pessoais heterossexuais com os homossexuais: enquanto os heterossexuais ficam num aborrecido "homem solteiro procura companheira para conversas, longas caminhadas na praia, preferência por não-fumantes...", os anúncios gays são do tipo: "quero! AGORA!"Pois bem: esse pôster eu quero. Agora.

Após transformar o universo dos filmes de zumbi com o genial "Shaun of the Dead", o time inglês de "Spaced" ataca "Bad Boys" e cia. numa sátira aos filmes de parceiros policiais. Aqui, os policiais britânicos interpretados por Simon Pegg e Nick Frost têm que lidar com a "violência moderada" de uma cidade pequena. "Hot Fuzz" será lançado na Inglaterra em 16 de fevereiro. Levando em conta o caso "Shaun", será lançado no Brasil em DVD meros meses depois. Ou, se a UIP levar em conta o sucesso que "Shaun" teve nas locadoras, quem sabe uma estréia em circuito comercial? Afinal, teve uma época em que a UIP lançava terror britânico nos cinemas daqui sem ficar dependendo do boca-a-boca norte-americano. O bem mediano, mas divertido "Jogo dos Espíritos" (Long Time Dead) teve uma carreira bem saudável no Brasil... quem sabe eles não se lembrem disso dessa vez?

Site oficial do filme (com videoblogs da produção)
  Bernardo Krivochein    Terça-feira, Novembro 21, 2006    0 comentários
 
 



"Midnight Meat Train": Ryuhei Kitamura dirigirá adaptação do conto de Clive Barker

Ryuhei Kitamura estava quase se transformando numa nova versão de John Woo: vários anúncios de projetos, pouca coisa concluída. O diretor japonês ganhou corações mundo afora com "Versus", "Azumi" e partiu o público bem no meio com a última investida de Godzilla nas telonas ("Godzilla: Final Wars" que foi exibido no Indie 2005 - só fui ver muito tempo depois e devo dizer que amei) tem ainda alguns filmes na valise a serem lançados ("LoveDeath"), mas está confirmadíssimo na direção de "Midnight Meat Train" (ou Trem de Carne da Meia-Noite, como foi traduzido por aqui), conto de Clive Barker ("Hellraiser") publicado nos "Livros de Sangue: Vol. 1" (Ed. Civilização Brasileira). A produção fica a cargo da Lakeshore Entertainment e marca a estréia de Kitamura nos EUA. O poster - legal pra cacete, não? - acima foi o método para influenciar investidores internacionais no último American Film Market.

O que é o que Kitamura vem procurando há muito tempo. Crítico ácido do cinema japonês, com o qual não concorda e não se identifica, Kitamura largou o colégio levantando a voz para a professora: "dane-se tudo isso! Eu vou ser diretor de cinema!", apenas para imediatamente se inscrever numa escola de cinema na Austrália. Retornou ao Japão e se transformou no diretor conhecido de hoje em dia. Na primeira temporada da série do réporter Johnathan Ross para a BBC sobre o cinema asiático, "Asian Invasion", podemos encontrar um Kitamura soltando os cachorros em cima de seus contemporâneos.

Ainda não li o conto de Barker (na realidade, li muito pouco Barker na vida), mas pretendo mudar isso. Fato é que não considero o primeiro "Hellraiser" nenhuma obra-prima e que envelheceu super mal. A melhor adaptação de uma história de Barker para mim continua sendo o super injustiçado "O Mistério de Candyman", de Bernard Ross - que puta filme. Aliás, que puta trilha sonora, já que estamos no assunto. "Midnight..." conta as peripécias de um fotógrafo investigando o "Açougueiro do Metrô". Me relembra o "Plataforma do Medo" que só eu gosto (tudo bem, gosto da seção intermediária do filme). O encontro do estilo híper kinético de Kitamura com as perversões de Barker vai dar caldo? A saber em 2008... só em 2008?!?
  Bernardo Krivochein    Terça-feira, Novembro 21, 2006    0 comentários
 
 



Miike! Tarantino! DJANGO!


O jornalista Don Brown publicou nessa segunda-feira no Japan Cinema News: começaram as filmagens do mais novo projeto de Takashi Miike. Após "Big Bang Love: Juvenile A", os dois volumes do yakuza gang flick "Waru" e ainda com a adaptação cinematográfica do jogo da Sega para PS2 "Yakuza" (para o qual ele fez os curtas disponíveis no site oficial do jogo) para fazer, Miike já deu o seu primeiro "ação!" em Sukiyaki Uesta: Django. Tradução: Faroeste Sukiyaki: Django. É um remake daquele clássico italiano de 1966, dirigido por Sergio Corbucci? Pode apostar.


Mais ainda: o filme será falado todo em inglês. A trama se passa nos anos 1100, narrando as batalhas entre os clãs Minamoto e Taira. O elenco, que inclui Hideaki Ito (The Princess Blade), Koichi Sato (When The Last Sword Is Drwan, Aegis), Yoshino Kimura (Ashura, a Deusa de não sei o quê), Kaori Momoi (Izo, Memórias de uma Gueixa), Yusuke Iseya (CASSHERN!!!!) e Masanobu Ando (Battle Royale e o inusitado Synesthesia), passou por um intensivo de dois meses para aprender a falar inglês.

Ainda mais ainda: Quentin Tarantino confirmou presença num pequeno papel. Ele atravessará as lentes de Miike no papel de Ringo. Puta que pariu. Agora, se Miike pudesse fazer Ringo comer o pão que o diabo amassou nas mãos de uma japonesa que o enfiasse agulhas pelos vasos lacrimais... Tá, chega de tanto sonho.Ficou feliz? Eu fiquei.
  Bernardo Krivochein    Segunda-feira, Novembro 20, 2006    0 comentários
 
 


8 Films To Die For: Mostra de Filmes de Terror Surpreende nas Bilheterias Americanas

Quando saíram os resultados das bilheterias americanas nesse fim de semana (17 a 19/11), o mais surpreendente não foi o vigor com que "Cassino Royale" estreou (será que eu sou o único que acha o Daniel Craig feio feito o capeta?) ou como ainda existe espaço para mais um filme de bichinhos animados em CGI (será que eu sou o único que acha que filmes infantis deviam ser proibidos para adultos desacompanhados de crianças?). Na realidade, vou fazer um corte e cola da BoxOfficeMojo.com para que você analise os fatos por si só:

1 Happy Feet $42,320,000

2 Casino Royale $40,600,000

3 Borat $14,350,000

4 Santa Clause 3 $8,218,000

5 Flushed Away $6,812,000

6 Stranger Than Fiction $6,600,000

7 Babel $2,902,000

8 Saw III $2,800,000

9 The Departed $2,605,000

10 8 Films to Die For em> $2,482,000

Agora, que raio de título é esse no décimo lugar? "8 Films To Die For" é um projeto da produtora After Dark. Durante esse único fim de semana, em partes selecionadas dos EUA, 8 filmes considerados "muito assustadores e chocantes para serem exibidos na América" foram agrupados e exibidos. Na realidade, são todos filmes de terror independentes e/ou internacionais que, sozinhos ,não teriam chance de encontrar facilmente um circuito exibidor ou um público mais amplo. Pelos números, a estratégia deu bastante certo e o evento já está confirmado para uma nova edição em 2007.

Tão curiosa quanto a iniciativa, claro, são os filmes escolhidos. Longe de serem apenas um bando de ofertas baratas feitas para vídeo, os títulos em "8 Films..." foram escolhidos a dedo, sob a perspectiva de cultistas do cinema de terror e fantástico. Abaixo, estudaremos brevemente a programação do projeto.

DARK RIDE:Não me interessei não. Quer dizer, quantas versões mais de "Carnival of Souls" deve um homem fazer e assistir para ser chamado de homem? Nesse longa de Craig Singer, um assassino serial foge do manicômio e retorna para o lugar onde executou suas vítimas: um trem fantasma num parque qualquer aí. (voz enfadonha e monocórdica) Aí, um grupo de universitários viajando pelos EUA descobre esse parque abandonado e vão desaparecendo um a um - a noite mais terrível de suas vidas... Caralho, o roteiro deve ter se escrito sozinho.

THE ABANDONED: Se Deus for pai, vou poder dizer que este será exibido no Indie 2007. Porra, dirigido por Nacho Cerda ("Aftermath") e roteirizado por Richard Stanley ("HAAAARRRDWAARRREE"!!!), "The Abandoned" me tem agüando. Marie viaja até um casebre abandonado na Rússia para descobrir mais sobre sua mãe. Uma vez na habitação, o passado começa a se corporalizar e um sinistro segredo de família vem à tona. Já está passando? Eu fiz uma pergunta: já está passando?!?

WICKED LITTLE THINGS: Dirigido por J.S. Cardone ("Vampiros do Deserto"... taí um filme bem ruim, mas que tem um pouco de senso de estilo. O começo, com a garota do Lost limpando o sangue de seu corpo debaixo da ducha? Estilo.) Uma família visita a casa nas montanhas que herdaram do patriarca falecido. A casa fica perto de uma velha mina abandonada, onde várias crianças foram enterradas vivas. Eles têm um ótimo feriado, se divertem horrores e reforçam seus laços. Agora, eles estão usando o mesmo artwork que adotaram para empurrar o filme de zumbi do Tobe Hopper na AFM de 2005?

SNOOP DOGG'S HOOD OF HORROR:Antologia de horror hip-hop (o CD doR. Kelly?) em três episódios com direito a mudernezas a rodo, seqüências em anime, bastante nádegas e fumaça de erva na boca do Snoop Dogg. Slasherpool (quem?) chamou-o de o melhor filme de terror urbano já visto. Obviamente eles não assistiram "Leprechaun Back 2 Tha Hood", não só o melhor filme de terror urbano, mas o melhor filme ponto final. A única coisa "fo shizzle, my nizzle" em "Hood of Horror" é que o filme deve literlamente ser "the shit".

"8 Films To Die For" ainda tem um sneak-preview em sua programação: o terror "The Tripper", estréia na direção pelo semi-retardado David Arquette. Um grupo de vítimas em potencial se mete na floresta pra fumar e lamber cartela durante um fim de smeana. São devidamente eliminados por um fanático por Ronald Reagan. Para mim não, obrigado. Estou satisfeito.Os filmes puderam ser assistidos em seqüência ou individualmente. Iniciativa bacana que remete às sessões-duplas nos cinemas de antigamente (e que melhor gênero para tal do que o terror?) só resta imaginar quando veremos algo semelhante, senão melhor, por aqui. É, nunca mesmo.

Site oficial
"After Dark's 8 Films To Die For"
  Bernardo Krivochein    Segunda-feira, Novembro 20, 2006    5 comentários
 
 


Ferramentas perigosas

Cheguei ao trabalho hoje às 9 como o de costume, destranquei as 4 tetra-chaves, desarmei o alarme, subi as escadas, abri as janelas e liguei o computador. Inesperadamente uma janela do Messenger pulou na frente de tudo dizendo: “Ouvindo CSS, hein?”

A mensagem era do colega de blog Daniel Poeira que, pelo que facilmente concluí, andou vigiando minhas audições através do Last.fm.

Conversa vai, conversa vem, a começamos a imaginar como seria legal se existisse um last.fm de filmes. Seria possível saber todas as tosqueiras que as pessoas assistem em casa, mas que ninguém fica sabendo. Podemos imaginar a conversa entre dois críticos de cinema mais ou menos assim:

A: _ Assistindo “O diabo veste Prada” né?
B: _ Ahn? Imagina... era a minha sobrinha que veio passar o fim de semana aqui em casa.
A: _ Mas você já tem ele em casa? Nem saiu na locadora.
B: _ É... eu baixei pra minha sobrinha, a conexão aqui em casa é muito rápida né, porque afinal, preciso baixar uns 5 filmes por dia.
A: _ Sei...
(pausa)

A: _ Eu vi o trailer outro dia. Cada roupa feia!
B: _ Você que não entende nada de roupa. Não tem como falar que o vestido Galliano que a Andy usa na festa da Runaway é feio.
A: _ Ah... eu sabia!
B: _ Não, não! Foi minha sobrinha que escreveu isso! Juro.

Pensando bem, melhor deixar o Last.fm de filmes pra lá.
  Bel Furtado    Segunda-feira, Novembro 20, 2006    0 comentários
 
 


Matar a mãe ou ser morto por ela?

Logo na entrada da exposição "Primeira Pessoa" (São Paulo, Itáu Cultural) nos deparamos com as 2500 fotografias que Emil Forman fez, e outras colecionou, organizou, decifrou, sobre sua mãe. Diante daquele gigantesco álbum de retratos exposto na parede numa ordem repetidamente obsessiva, diante daquele mulher, mãe do artista vista e revista em todas as idades e em todas as situações de sua família e de sua vida, fiquei pálida.

Todo o tempo do meu olhar, eu pensava como Forman suportou este exercício de organizar sua obsessão. Como suportou ver e rever e recuperar a imagem dela, aquela que foi o seu primeiro olhar especular no mundo (como dizia Lacan), o primeiro olhar onde me vejo como um outro? Onde Forman realmente colocou sua especularização? Seu reflexo nos olhos da sua mãe, a nós (in) visíveis, no entanto, estaria lá, arrancado com suas lentes fotográficas e quando não suas, as do pai, do avó, quiçá.

Por instantes pensei: será que ela nunca se recusou a se deixar fotografar? Qual tipo de exibição se dispunha? A de mulher do Sr. Forman, a de mãe dedicada e junto aos filhos sempre tão cheia de compostura, a de filha sempre elegante, a de mulher incrivelmente moderna e rica que esquia, cavalga, viaja, num "mise en scène" da felicidade, do sorriso bem comportado, do cabelo bem penteado pelo artifício social? Mas de um item não listado mas reconhecido ao longe... o de uma certa fantasia exibicionista, "aquilo que sou, aos olhos de quem vê".

Emil Forman levanta muitas suspeitas ao revelar ( literalmente assim) o seu amor. E levando a fundo a sua obsessão ( imagino que não deva ter sentado no divã jamais, caso contrário não teríamos talvez a coisa toda em si) constrói uma obra quase "pornográfica", numa hiper-exposição de sua intimidade, enquanto filho que projeta a necessidade do jogo de ceder/não ceder a loucura.

Fiquei sabendo mais sobre ele. Emil Forman nasceu no Rio de Janeiro, em 6 de janeiro de 1954 e faleceu na Pensilvânia, Estados Unidos, em 1° de outubro de 1983. Suicidou-se. "Autor de obra singular dentro da produção brasileira na década de 1970, foi um crítico mordaz, às vezes cruel e iconoclasta do gênero humano, de sua própria classe social e da hipocrisia das instituições, mantendo, entretanto, uma certa delicadeza pelo desamparo do homem frente a todas as suas contradições."

A exposição "Primeira Pessoa" tem obras impactantes e uma montagem muito sofisticada, vale a pena uma visita.
(Francesca Azzi)
  INDIE    Domingo, Novembro 19, 2006    0 comentários
 
 


Dos Engraçados

Um ponto em comum dos “filmes mais engraçados de todos os tempos” é que além dos roteiros serem magníficos, eram personificados por atores merecedores deste (sempre escritos ou co-escritos por eles mesmos). Os grandes nomes das comédias do século 20 tem rosto: Keaton, Chaplin, Groucho, Chico, Harpo, Sellers, Cleese, Eric Idle, Graham Chapman, Woody Allen, entre poucos outros. Todos com uma capacidade absurda de improvisar e combinando perfeitamente gestos (contidos ou exagerados) com o texto.

Por isso, a minha felicidade é chegar no cinema do barango Botafogo Praia Shopping e ver um poster de Borat: Cultural Learnings of America For Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan - O longa metragem do melhor personagem de Sacha Baron Cohen.

A primeira vez que tive contato com Borat eu estava trabalhando e ouvindo uma mistura de entrevistas completamente nonsense e gargalhadas guturais quando resolvi conferir do que se tratava. Duas semanas depois de receber a notícia que ia se mudar para o Cazaquistão, meu pai ganhara de presente um DVD com a primeira temporada completa do ALI G – e lá estava meu tão sério pai, passando mal de tanto rir com a figurinha “oh tão soviética” chamada Borat.

Assim como os “semi-deuses” citados no começo do post, Borat improvisa, dança e canta, mas mais importante, brinca com algo que parece ter que ser lembrado a nós em todos os momentos de nossas vidas: a vida é a melhor piada do mundo, e quem a leva a sério acaba virando protagonista.
  Pedro Meyer    Sábado, Novembro 18, 2006    1 comentários
 
 


A Trilogia Secreta



Outro dia eu estava assistindo a "Os 12 Macacos", do Terry Gilliam, um ótimo filme que eu não via há muito tempo. Eu não lembrava, por exemplo, que tinha uma cena onde o Bruce Willis se esconde em um cinema para tratar de um ferimento (aliás tem algum filme do Bruce Willis onde não tenha uma cena onde ele trata de um ferimento?). O filme que está passando no cinema é "Vertigo", de Alfred Hitchcock. Aparece uma cena relativamente comprida, com falas e tudo mais. Bruce Willis diz: "Eu me lembro desse filme, eu vi quando era criança". Estranho aparecer um outro filme dentro do filme, por tanto tempo, e o personagem principal ainda falar nele...

Enquanto isso, no universo paralelo, eu estou baixando da internet todos os filmes do cineasta francês Chris Marker que eu encontro pela frente. Inclusive um tal de "La Jetée", curta cultuado de ficção-científica com uma estória muito peculiar: em um futuro distante, a Humanidade envia de volta ao passado um homem que deve tentar impedir a guerra nuclear que dizimou o planeta. Um homem que tem lembranças de infância que podem lhe ajudar...

Mas espera aí, por acaso não é essa a estória de "Os 12 Macacos"? É sim. Aliás no iMDB tá escrito que é um remake, e o Chris Marker - documentarista experimental que não costuma aparecer na mesma camada de realidade que o Bruce Willis - é citado como um dos roteiristas por ter escrito a história original.

Bom... se "Os 12 Macacos" é um remake de "La Jetée"... o que é que o "Vertigo" está fazendo lá?

É muito simples, meus amigos: "La Jetée" foi inspirado por "Vertigo". Não necessariamente pelo filme inteiro, mas por uma cena muito específica - aquela mesma que o Terry Gilliam colocou o Bruce Willis para assistir no cinema.

E eu fico me perguntando: como é que as pessoas estudavam cinema antes de existir o iMDB? Que horror.

Mais um mistério desvendado, posso voltar para minha tumba. Boa noite.
  Daniel Poeira    Sexta-feira, Novembro 17, 2006    2 comentários
 
 


A casa, o falafel, o lar

Debruçada sobre meu livro de receitas árabes, resolvi definitivamente descobrir o segredo do falafel. Para quem não sabe o falafel é um bolinho feito de grão de bico, temperado com especiarias (coentro, canela, pimenta, cominho, salsinha etc) e depois frito se come dentro de um pão árabe ( pita bread) com tomates, pepinos picados, iogurte ou coalhada. O falafel é mesmo o símbolo do mundo árabe e todos querem chamar a descoberta para si. Os israelenses acham que o falafel é seu snackfood preferido, os palestinos, os libaneses, os sírios todos consideram o falafel um prato nacional, só que segundo Salah Jamal, autor do meu livro de receitas árabes, a origem do falafel veio do Iêmen. Os iemenitas imigraram, assim como todo o mundo árabe, em função do petróleo do Golfo e montavam pontos de falafel pra todo lado. Quando retornavam todos levavam esta sabedoria para seus países.

Na verdade, vou descobrir se a receita de Jamal é boa, e depois que eu e minha adorada cozinheira baiana acertarmos a mão ( ela diz que é o acarajé dos arábes), eu passo a receita pra vocês. Mas é que lendo sobre o falafel e toda esta questão territorial sobre seus preceitos ( fico lembrando de meu amigo judeu Samy que sempre enchia a boca pra falar do falafel, e que eu sempre encontro comendo comida árabe e que é casado com Isabella, uma descendente de libanês), lembrei-me do filme do Amos Gitai " Notícias do Lar / Notícias de Casa" (News From Home / News From House).

Apesar da minha porção libanesa correr no sangue assim meio sem sentido ( afinal não convivi diretamente com nada do país dos meus avós, a não ser com meu pai), admiro Amos Gitai pela sua capacidade crítica de se deslocar de sua existência judaico-israelense para dialogar com palestinos e com as contradições que envolve a Terra Prometida e seus arredores.

Seu filme trata da questão da casa. Uma espécie de micropolítica. Esta casa é palestina e foi abandonada durante a guerra de 48 e retomada pelo estado de Israel, depois vendida... para uma família de judens-turcos. (Por um instante... fico imaginando como seria a casa no Líbano de meus avós, nos anos da primeira guerra mundial, abandonada em retirada por eles, para imigrar para um país longínquo e perdendo assim toda referência de lar.)

Agora imagine você aí na sua casa, seu pai e sua mãe, seus sobrinhos correndo no quintal, os vizinhos, a rua, e toda a sua família mais ou menos próxima. Imagine agora que uma guerra tome sua casa e você tenha que sair, que ali vire outro país, com outro nome e outro governo e que você perca sua casa para o Estado ( aquela casa que você demorou a vida do seu pai para pagar, para construir) e depois sua casa seja vendida a outra família ( que irá construir outra história ali e que não tem nenhuma culpa da guerra em si). Imagine que você e sua família por causa disto tenha se espalhado pelo mundo, ou que você viva alí no muro ao lado mas não possa nunca mais pisar na sua casa.

Assim é "Notícias do Lar / Notícias de Casa" (News From Home / News From House) de Amos Gitai. Forçosamente "abandonada pelos proprietários palestinos na guerra de 1948, desapropriada pelo governo israelense, alugada por imigrantes judeus argelinos em 1956 e comprada por um professor universitário que tomou para si a transformação das três casas históricas em 1980: a casa a oeste de Jerusalém funciona novamente como um microcosmo, como há 25 anos."

Amos fez 3 filmes a partir desta casa, e no último "Notícias do Lar / Notícias de Casa" mostra como a partir do conflito palestino/israelense ocorreu uma diáspora e toda a família que se formava na casa e em seus arredores se dissipou pelo mundo afora. Cada um para um lado.

O território palestino da casa que agora é Israel traz em si esta história tão complexa e quase velada que Amos Gitai tem coragem de abrir a público. Seu filme, mais um relato do que um documentário, mais um ensaio do que um filme é em primeira pessoa. A lição de Gitai ecoa, sua sabedoria é fazer falar tantas vozes, caladas pela história de um conflito sem fim.

O conflito se dissolve, e se faz tão sem sentido como esta vontade incontrolável a todos de comer falafel, nesta verdade de que a experiência dos siginificados de casa/lar/país/lugar é a mesma para palestinos ou israelenses.

(Francesca Azzi)
  INDIE    Quarta-feira, Novembro 15, 2006    3 comentários
 
 


Muitos conceitos para o filme no Fluxus



O Fluxus 2006 (Festival Internacional de Cinema na Internet) encerrou as inscrições na última sexta-feira. Foram inscritos mais de 470 trabalhos audiovisuais de curta duração de diversos países. Agora começa o processo de seleção e o novo site com os filmes da competição tem previsão para entrar no ar no dia 19 de dezembro.

O Fluxus é o único festival exclusivamente on-line no Brasil. Começou em 2000, quando ainda não existia banda larga, nem YouTube, nem Google video, e mesmo hoje cumpre um papel diferente destes mega-buscadores e servidores que é o de colocar junto mídias distintas ( todos os formatos possíveis digitalizados) mas trabalhos com aspectos essencialmente experimentais e estéticos.

Este o ano, apesar de todo o boom dos aparelhos celulares com câmeras de vídeo com boa qualidade e das operadoras estarem interessadas em explorar e estimular um nicho de consumidores que podem produzir microfilmes com seus próprios celulares, o Fluxus não conseguiu patrocinador. Falta de estratégia? Pode ser que sim. Mas dar continüidade a este projeto se transformou em nossas mentes mais do que um desafio, um prazer enorme. Sim, é possível fazer projetos porque temos prazer e acreditar neles, mesmo que não possa, às vezes, viabilizá-los financeiramente.

A verdade é que o Fluxus 2006, apesar de ter criado uma categoria para filmes produzidos para celular (Cinemobile, com o tema Intimidade) e já desde 2005 exibir filmes feitos com celulares ( no programa Futur_0, que vc pode assistir no site de 2005), não tem como objetivo explorar apenas esta categoria de produção audiovisual.

O Fluxus é um festival on-line que acredita no espaço web como um lugar de exibição e troca e, conseqüentemente como lugar de estímulo a criação de novas ferramentas para o filme experimental. Sendo assim, a câmera dos celulares é apenas mais uma ferramenta de produção de imagens ( não é uma linguagem em si) e tanto quanto uma câmera digital ou super 8 pode gerar sim, a possibilidade de um filme, de um projeto e de uma pesquisa. Tanto quanto um software, como o Flash da Macromedia, pode criar um filme de animação.

Muitas perguntas que nos fazíamos lá em 2000, quando começou o filme na web, estão sendo feitas hoje por quem quer produzir para celulares, ou nos inúmeros pequenos eventos sobre o tema. Mas realmente interessa a capacidade de se criar um mundo audiovisual, as ferramentas estão aí e você pode usar uma ínfima imagem captada no seu celular para inserir esta imagem no seu curta de 35mm, ou converter suas imagens em super 8 em imagens digitais, colorizadas ou animadas por um software de última geração. Ou criar um projeto todo de imagens captadas apenas no celular que serão exibidas na web. Esta é a verdade: as mídias se entrecruzam, e esta mistura de mídias, suportes, mensagens e possibilidade tecnológicas e criativas é que interessa ao Fluxus.

O importante para um festival como o Fluxus é estimular o uso, a participação, a inserção de tecnologias ainda pouco exploradas na participação da web e principalmente na apresentação e promoção de novos modelos de filme.

Isto é o mais importante para o Fluxus: dizer a todos que o cinema é possível em muitos formatos e que talvez estar sintonizado com o cinema seja acreditar nas constantes mutações tecnológicas e não deixar de interagir com as novas tecnologias. Acreditando que o filme é tudo aquilo que se constrói a partir de uma idéia em imagens e som. E as experiências estão aí, pra todo mundo ver, on-line, on demand, livre e gratuitamente como deve ser a Internet.

Acompanhe o Fluxus, a partir de dezembro, votando no melhor filme, enviando filmes e comentários pra seus amigos. Depois o Fluxus segue sua itinerância em festivais pelo mundo e no Brasil.

** Foto da animação abstrata _grau do alemão Robert Seidel que ganhou o melhor filme na categoria escolha da audiência no Fluxus 2005.

(Francesca Azzi)
  INDIE    Terça-feira, Novembro 14, 2006    1 comentários
 
 



Como curar a ressaca com a Cher


Se você está pensando que eu saí ontem a noite, fui numa festa de quinta categoria, me esbaldei (que palavra mais antiga!) escutando "Do you believe in life after love", que hoje estou usando pantufas de jaca, vou tomar água o dia inteiro e vou me vingar alfinetando a boneca Vudu da Cher (qualquer boneca de pano serve)... enganou-se completamente. Na verdade eu apenas vou descrever uma receita da Cher perfeita para aquelas manhãs com cheiro de patifaria no ar, amnésia total, uma sobra de álcool na corrente sanguínea e uma levíssima hipoglicemia.

A receita vem daquele filme “Feitiço da Lua” onde a Cher troca Danny Aiello por Nicolas Cage. Não sei se foi bom negócio, coitada, mas também pra quem já foi casada com Bono, que tem nome de primo de palhaço escocês, tudo é muito válido... sério... estou sendo sincero... juro! Bom, mas vamos a receita. Pegue um pão italiano (complicou né? Ninguém tem pão italiano impunemente em casa, tudo bem, compre antes de sair pra piromba). Corte uma fatia grossa de pão italiano (2 cm de espessura), retire um pouco do miolo do meio do pão. coloque manteiga na frigideira (tenho mesmo que ver o nível do meu colesterol), coloque o pão para fritar, quebre um ovo (esta é a parte mais difícil da receita), coloque o ovo no meio do pão furado, tempere com sal e pimenta do reino (importantíssimo, lembra da pimenta no Bloody Mary? Pois é!). Frite o pão dos dois lados. O ovo pode ficar duro ou mole, mas o acompanhamento tem que ser uma caneca de café forte quentíssimo.

O nome da receita é Moonstruck, porque sinceramente eu acho que combina mais do que Pão ao Feitiço da Lua pra tomar com um café de Elfas... Ah, não se esqueça: a frigideira tem que ser de Tefal, afinal se a dor de cabeça não passar, vai piorar tentando tirar craca de ovo de panela velha.

  Eduardo Cerqueira    Segunda-feira, Novembro 13, 2006    3 comentários
 
 
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